sábado, 9 de janeiro de 2016

A DAMA DO JARDIM


Esta senhora fica de sentinela no acesso à Ilha das Cobras, na baía de Guanabara (RJ). Um lugar estratégico: o jardim do Serviço de Documentação da Marinha de onde olha nostálgica para a cidade. Apesar do rosto um tanto quanto deteriorado pelo destino trágico, digamos assim, ela é bela e atrai o olhar do pedestre logo que ele inicia a travessia da pequena ponte que liga o continente à ilha.
A dama é espanhola e estava a caminho da Argentina a bordo do vapor Príncipe de Asturias, quando a embarcação naufragou perto da Ilha de São Sebastião, na madrugada de 6 de março de 1916. Morreram 445 pessoas, sobrevieram 143. A dama desapareceu. O destino dela era compor o monumento “La Carta Magna e las Cuatro Regiones Argentinas”, que estava sendo erguido em Buenos Aires.
Como havia outras peças para o monumento no navio naufragado, só restou aos argentinos fazer nova encomenda aos espanhóis. Entretanto, quando o novo material chegou em 1919, houve um problema na aduana portenha que reteve tudo por um bom tempo. Enfim, problemas não faltaram nos anos seguintes e o monumento só foi inaugurado em 1927.

Nossa dama só reapareceu em 1990, quando foi resgatada do casco do naufrágio para a segurança do jardinzinho da Ilha das Cobras, que abriga o complexo do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), o Hospital Central da Marinha, o Centro de Perícias Médicas da Marinha, o Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, o Presídio da Marinha, entre outras repartições da Marinha de Guerra do Brasil.