quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

MAU HUMOR
Meus amigos santistas estão aborrecidos com a história de Santos mostrada na Sapucaí neste carnaval. Não sei como funciona o critério das homenagens prestadas pelas escolas de samba a personalidades ou como elas escolhem o tema do ano. Neste caso, Santos foi escolhida para ser homenageada pelo carnavalesco Fábio Ricardo porque o pai dele foi trabalhador do porto de Santos, conforme reportagem de “A Tribuna”. Não assisto aos desfiles e creio que a população da cidade tenha desenvolvido expectativa muito grande com o evento, daí a decepção proporcional com o resultado. Entretanto, é preciso lembrar que se trata de Carnaval – uma festa popular onde o princípio é a inversão da ordem das coisas, portanto, compromissos com a História não devem pesar. A escola não é de ensino formal, apesar do “acadêmicos” do título da agremiação carioca. Alguém acredita que todos os outros temas abordados no sambódromo sejam fidedignos à História? O eterno Sérgio Porto que o diga!
Creio que não é possível contar a história inteira da cidade no espaço de tempo dado às agremiações. Pelo relato do repórter José Cláudio Pimentel está tudo lá: Brás Cubas e a fundação do porto e da Santa Casa, os piratas, a fonte do Itororó, a padroeira da cidade, o desenvolvimento do porto, José Bonifácio, a luta abolicionista, a estrada de ferro, o bonde, o café e o comércio; o esporte na cidade, o Santos Futebol Clube, Pelé, Neymar e até a primeira miss Brasil. Há, ainda segundo o jornalista Pimentel, referências ao Aquário e Orquidário. Faltou o quê? Nem o cheiro do café pelo que leio – uma ideia interessante.
O essencial estava lá. Se bem ou mal desenvolvido o enredo, isso é outra coisa. Faltaram, como bem lembrou alguém, artistas como Leny Eversong, Lolita Rodrigues, Plínio Marques, Betty Mendes, Ney Latorraca, Nuno Leal Maia e Gilberto Mendes entre outros. Mas levaram a brasília amarela dos “Mamonas assassinas” por causa de uma musiquinha de péssimo gosto. Horror dos horrores!
Vale dizer que Brás Cubas nunca foi cavaleiro da Casa Real Portuguesa. A marquesa não nasceu em Santos nem passeou por lá. A menção a R. Carlos é válida pela música “As curvas da estrada de Santos”, mas as mencionadas “corridas” devem ter sido as primeiras viagens entre Santos e São Paulo de automóvel, pois de outras não se tem notícia; lembraram do remo (introduzido na cidade pelos ingleses), mas esqueceram do tamboréu inventado nas praias santistas.
No final, Acadêmicos do Grande Rio classificou-se em sétimo lugar. No quesito samba-enredo, ficou em quarto lugar com a composição “Fui no Itororó beber água, não achei. Mas achei a bela Santos e por ela me apaixonei".  
Como já disse um velho folião “quem sai na chuva é para se queimar”.
                                          
Andre Derain (1880-1954): "Arlequim e Pierrô".

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