domingo, 3 de julho de 2016

OUTROS BICHOS

       Em 1713, os capuchos de São Luis do Maranhão moveram um processo contra formigas que infestavam o convento de Santo Antonio. O professor Ronaldo Vainfas, da Universidade Federal Fluminense, conta que o caso foi levado ao juízo eclesiástico e contou com testemunhas. O advogado Antonio da Silva Duarte representou as rés e até vetou algumas testemunhas. Outras em defesa das formigas disseram que elas agiram sem malícia, por serem desprovidas de razão “e não saberem do bem nem do mal”. Houve até quem dissesse que as rés já viviam no local muito antes da construção do convento. Assim, deduz-se que intrusos seriam os capuchos. Quem venceu a pendenga? O caso ficou sem conclusão, embora tenha gerado 19 fólios (38 páginas) depois de se arrastar até 1714. Vainfas afirma em seu artigo Brasil dos Insetos (Revista Nossa História), que o fato mostra “outro mundo e outro tempo. Mundo encantado, barroco, onde o real e fantástico se misturavam cotidianamente”.  O realismo fantástico continua.
     
*Patrício veio para o Brasil com a família real em 1808 e foi morar no Paço, sendo motivo de inveja da Corte que não se conformava com os mimos que o Príncipe D. João lhe dedicava. Patrício “foi um boi funcionário por muito tempo, com incontáveis regalias, como pensionista do Tesouro Público”. O fato é narrado pelo historiador José Vieira Fazenda em Antiquarias e memórias do Rio de Janeiro, publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. “Como o rei apreciava aquela bela estampa de ruminante, a gente do Paço melhor cuidava do animal tão abominado pelos colonos fartos do governo de um rei que acreditavam de inteligência acanhado, de inaptidão e só adstrita aos acordes do cantochão” – diz Fazenda em seu artigo. A lenda conta que, ao morrer, o boi Patrício ganhou até epitáfio: “Aqui jaz nesta mansão/ o Patrício, ex-funcionário/ comer era sua obrigação/ à custa do Real Erário”.


FONTE: Revista Nossa História.