quinta-feira, 25 de agosto de 2016

ESCOLA PORTUGUESA

Quando completei sete anos, minha avó levou- me para visitar e escolher entre as três escolas boas cujas mensalidades eram acessíveis ao bolso da família: Escola Portuguesa, Liceu Feminino Santista e Colégio Coração de Maria. Eu nem quis conhecer o colégio das freiras; o Liceu era muito sério, com muros altos. Escolhi a Escola Portuguesa que lembrava uma residência e tinha portões prateados, que se abriam para um jardim cheio de flores coloridas, com um imenso galpão nos fundos.
               Se alguém acha que foi uma temeridade da avó Maria deixar por minha conta a escolha, engana-se. Acho até que as mensalidades eram mais acessíveis, sem contar que ficava mais perto de casa coisinha pouca. Na Escola Portuguesa, chegávamos cedo, cantávamos o Hino Nacional e o Hino Português; aprendemos história de Portugal e ficamos familiarizados desde cedo com Camões e com a história lusitana, íntimos até do trágico amor de Inês de Castro, a que foi rainha depois de morta.
               Os diretores eram D. Mercedes e seu Antonio Tavares. As primeiras professoras foram Dona Branca e D. Eurídice que, nas fotos guardadas todos esses anos, mantêm todo o frescor da juventude. Entre a garotada lembro-me de Almir, Jaime, Joaquim, Inês, Mavetse, Dilma, Regina, Vitória, Maria Helena... Da maioria, entretanto, não guardei o nome.
               A escola era mista, mas na hora do recreio, meninos ficavam de um lado e as meninas do outro. Nas festas juninas, vestíamos as fantasias para dançar quadrilha e pular fogueiras de “mentirinha”; no fim do ano, íamos para o palco que havia no fundo da quadra para apresentações que as professoras organizavam com muito carinho.
               Em uma dessas festas eu dancei toda vestida de branco – era um vestido de organdi, muito armado – e levava uma cesta de flores. Não tenho a mais remota ideia da música que meu grupo apresentou. Acho que era uma valsa, entretanto, jamais me esqueci das duas crianças que deram um show interpretando Boneca de Piche, samba de Ary Barroso e Luiz Iglesias. Adorei.
               Graças à Internet e às comunidades, reencontrei Dilma – uma avó orgulhosa dos netos, assim como descobri que o amigo José Carlos estudou por lá, um pouco antes de mim.
               Quanto à Escola Portuguesa (Rua Sete de Setembro) continua viva, funcionando no mesmo prédio, mas passou para a Prefeitura de Santos. (Publicado em 28/02/2009)


Só recentemente soube, que a apresentação aconteceu
na formatura do primário. (Foto cedida por Dilma.)

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