sexta-feira, 19 de agosto de 2016

HISTÓRIA DO MAUÁ
O navio Schnectady começou a ser construído em maio de 1918, no estaleiro de Hog Island, na Filadélfia, Pensilvânia (EUA) e fazia parte do programa experimental americano, iniciado no ano anterior, para padronizar a construção de navios, como parte do esforço de guerra (1914-1918). O estaleiro funcionou até 1922 e nesse período foram construídos 122 navios Classe EFC 1022 A – especialmente cargueiros e alguns para transporte de tropas – todos conhecidos como Hog Islanders.
         O Schnectady  foi registrado no porto de New York e entregue ao armador, Moore McCormack Lines. O navio (casco nº 511) tinha 121m de comprimento, pesava 7.825 toneladas; possuía uma turbina a vapor e desenvolvia velocidade de 12 nós (22 km). Quando fazia a rota da costa leste para o Báltico e Escandinávia, o armador detectou uma crescente demanda de passageiros. Assim, o navio foi reformado e em 1932 ganhou onze cabines e um salão de jantar para passageiros com ar condicionado, algo inédito na época, e um novo nome Scanyork
No final da década de trinta, a forte pressão para atrair o Brasil para a área de influência dos Estados Unidos culminou com uma série de oportunidades de compras de bens americanos pelo governo brasileiro. Em novembro de 1939, já em plena II Guerra, o Lloyd Brasileiro comprou um lote de navios da Classe EFC 1022 – entre os quais se encontrava o Scanyork – pelo valor total de USD 3.5  milhões (valor da época). O Scanyork deixou o porto de NY sob comando brasileiro e, somente quando chegou ao Rio de Janeiro em dezembro, teve o nome alterado para MAUÁ em homenagem ao barão, ganhou prefixo PUAX e passou a ter bandeira brasileira.
            A rota do MAUÁ era longa. Ele partia do porto de Santos com destino ao Norte, parando nos principais portos para carga e descarga, embarque e desembarque de passageiros. Em 1943, um anúncio do Lloyd no jornal A TRIBUNA dá uma ideia do trajeto do navio a partir do porto santista: Rio, Vitória, Baia (sic), Maceió, Recife, Cabedelo, Natal, Areia Branca, Fortaleza, São Luís, Belém, Santarém, Óbidos, Itacoatiara e Manaus. Em 1950, o bom e velho navio fazia o mesmo percurso.
                Qual a importância do MAUÁ? Para mim e para meu amigo Cláudio muito grande. Em 1950 minha avó Maria Luiza, viúva, filhos criados e avó de três netos (sendo eu a mais recente), resolveu que era tempo de ir tratar de negócios inacabados da história pessoal dela em Manaus. Assim, ela arrumou a enorme mala marrom tipo baú e embarcou no MAUÁ com destino a Manaus.
         A viagem deve ter durado uma eternidade, mas ela aproveitou cada parada tanto na ida como na volta para conhecer as cidades da escala. Ficou alguns meses fora, fez grandes amizades e, principalmente, sou coisas da política econômica do Brasil que muitos anos depois (quando eu já era adulta) a imprensa deu como novidade para minha grande surpresa.
         No retorno, minha avó conheceu um jovem casal que vinha começar a vida em Santos. Ali, começou a amizade que se consolidou ao longo dos anos. Alguns anos depois nasceu o primeiro e único filho do casal, hoje um simpático senhor de 64 anos em plena atividade.
         Ah! O MAUÁ foi aposentado em  1967, quando o velho navio misto foi vendido para desmanche (sucata) para a Companhia Siderúrgica Nacional. Hog Island também não existe mais. Um aterro juntou a ilha ao continente e na área criada funciona o aeroporto municipal da Filadélfia. O Lloyd Brasileiro Patrimônio Nacional foi extinto em 1997 após quase 93 anos de atividade.  
MAUÁ: ainda uma embarcação a vapor.




Minha avó Maria a bordo do MAUÁ em 1950. 

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