quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O GENOVÊS VIAJANTE
Cristóvão Colombo (1451-1506) partiu da Espanha em 1492 com destino às Índias e deu com os costados no continente que mais tarde seria denominado América. Situação bem diferente do falso perplexo Pedro Álvares Cabral que, como tudo indica, se pôs ao mar em 1500 para tomar posse em nome da coroa portuguesa das terras existentes desde lado do mundo, do que resultou a “descoberta do Brasil”. Afinal, em 1494, Portugal e Espanha haviam assinado o Tratado de Tordesilhas para dividir as “terras descobertas e por descobrir”.
Colombo morreu acreditando ter chegado às Índias. E mesmo morto continuou viajando entre o Velho e o Novo Mundo. O corpo dele foi enterrado em Valladolid, depois transladado para a Catedral de Sevilha; entretanto, a nora dele após ficar viúva de Diogo Colombo decidiu que ele deveria ser levado para Hispaniola junto com o corpo do filho que fora governador da ilha. Em 1795 Hispaniola passou para a França e os espanhóis levaram os despojos do genovês para Havana, onde permaneceram até a independência de Cuba em 1898. Nova mudança. Agora, o destino era a Catedral de Sevilha, onde construíram um belo monumento para Colombo.
A história, entretanto, estava longe de terminar.  Em 1877 descobriu-se na Catedral de Santo Domingo (República Dominicana) uma caixa de chumbo com os ossos do “ilustre y esclarecido varón Don Cristóbal Colón”. A polêmica arrasta-se até os dias atuais. No início do século passado, os dominicanos iniciaram um movimento para a construção de um monumento ao navegador e em 1931 instituíram um concurso internacional, vencido pelo estudante de arquitetura britânico Joseph Lea Gleaves. A construção levou décadas por causa das várias interrupções, mas a obra foi finalmente inaugurada para as comemorações dos 500 anos da chegada de Colombo ao Novo Mundo. Trata-se do Farol de Colombo cuja feiura é inquestionável, mas é lá que se encontra a tal caixa de chumbo.
Os espanhóis até tentaram acabar com a discussão e em 2003 fizeram testes de DNA em amostras dos restos depositados na Catedral de Sevilha e em amostras dos filhos de Colombo – Diogo e Fernando. Os resultados demonstraram que os restos mortais de Sevilha são do navegador. A República Dominicana nunca se interessou em descobrir se alguns dos ossos da caixa pertencem mesmo a Cristóvão Colombo. 

(Quando governou a ilha, Diogo Colombo construiu o Alcácer de Colombo, um palácio que pertenceu à família até 1577. Ainda existe, embora completamente descaracterizado, e é sede de um museu.)
Gravura idealiza do desembarque de Colombo no Novo Mundo.

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