sexta-feira, 11 de novembro de 2016

FESTA NO JOSÉ MENINO

Hoje é dia de festa em Santos: o Orquidário Municipal completa 71 anos. O embrião do que a prefeitura chama atualmente de parque zoobotânico foi o Parque Indígena, criado no final do século XIX pelo comendador Júlio Conceição, um apreciador da natureza. Ele era proprietário de uma chácara de 22.000 m² na Avenida Conselheiro Nébias entre a praia (Avenida Vicente de Carvalho) e a Rua Embaixador Pedro de Toledo, no Boqueirão. Ele transformou o lugar em um parque, que logo se tornou uma grande atração da cidade.
Dois leões de tijolo e cimento guardavam o portão de ferro da entrada (Avenida Conselheiro Nébias) da Chácara Júlio Conceição, que mais tarde ele denominou de Parque Indígena. Ao entrar o visitante deparava-se com três grandes pomares, vários ripados de madeira, árvores nativas e exóticas, o Pavilhão Mira-Flores, jardins e amplo gramado. No Pavilhão Mira-Flores havia um mostruário de flores e plantas ornamentais, e servia também para recepções ou festas públicas. O acesso à residência era pela Rua Embaixador Pedro de Toledo.
Em 1909 Júlio Conceição começou a formar um orquidário, com aquisições e coletas próprias em excursões para ampliar o acervo do Parque. O lugar tornou-se um ponto turístico da cidade: Júlio Conceição fazia questão de receber pessoas ilustres para um cafezinho ou uma pinga de boa qualidade em seu paraíso particular. E entre os privilegiados – o presidente Herbert Hoover, dos Estados Unidos; cardeal Cerejeira, de Portugal; vice-presidente Roca, da Argentina e outras personalidades da Itália, Portugal, Uruguai, França e Espanha.
          Quando ele morreu, em 1938, havia reunido 90 mil orquídeas. A Prefeitura adquiriu a coleção de orquídeas, que transferiu para o bairro do José Menino e em 11 de novembro de 1945 inaugurou o Orquidário Municipal, organizado, desenvolvido e dirigido por Inácio Manso Filho, o técnico que tratava das orquídeas no Parque Indígena, que foi loteado em 1944.
O Orquidário Municipal tem 24 mil m², cobertos por um bosque com remanescentes da Mata Atlântica, entrecortado por jardins, um lago de 1.180 m² e um pavilhão para exposições de orquídeas e outras plantas ornamentais. Há espaço para 400 animais, entre eles pavões, cutias, jabutis, tucanos, araras, tartarugas, macacos e guarás. Anualmente, pássaros e aves aquáticas e migratórias pousam por lá.

Júlio Conceição foi comerciante, vereador, presidiu a Câmara em 21 de novembro de 1889, quando foi votada moção de solidariedade ao governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca; foi presidente do Banco Mercantil e Provedor da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia. 
ESCULTURAS

Uma das belas esculturas públicas de Santos adorna a fonte na entrada do Orquidário Municipal. Para o visitante pode parecer o lugar ideal para uma náiade (ninfa dos rios e das fontes, na mitologia grega); entretanto, a ninfa tem uma história conturbada. Ela foi criada para adornar a Praça José Bonifácio, onde ficam a Catedral e a Primeira igreja Batista de Santos. Causou escândalo entre as boas famílias cristãs e foi um alívio quando a trocaram pelo monumento ao Soldado Constitucionalista que, na verdade, se chama “Filhos de Bandeirantes”. A ninfa deve ter apreciado a troca e até hoje banha-se na fonte do Orquidário.
Foto: Hilda Araújo, novembro/2016.



Os cariocas são bem mais sofisticados e não se importaram
com a bela escultura em frente à Igreja de Nossa
 Senhora da Candelária em pose bem mais ousada. 

Foto: Hilda Araújo, novembro/2015.