sábado, 12 de novembro de 2016

O PAVÃO
No Orquidário de Santos, perguntei pelo pavão à funcionária que varria cuidadosamente as alamedas. Ela se apoiou no vassourão e me informou que é difícil de saber, pois ele vive solto, porém costuma ficar no mostruário (sic). Faz sentido. Onde mais ficaria uma ave tão exibida? Por incrível que pareça estava na área reservada para ele! (Pelo menos havia uma placa onde se lia PAVÃO). Este pavão não é nada misterioso. Estava empoleirado em um banco, com a cauda a Luis XIV esparramada no chão. Virou a cabeça coroada em minha direção, olhou-me sem interesse, pesquisou em torno e começou a higiene matinal. Dei a volta para tentar vê-lo (e fotografar) de frente. Desta vez lançou um olhar entediado, ouviu o canto de um sabiá e pupilou em resposta, retornando logo à limpeza das penas. E haja pena! Noto que as penugens brancas das coxas lembram os culotes tão do agrado da nobreza pelos idos do século XVII. Os pezinhos nem são tão feios quanto dizem. Mas a voz... Nem sinal de dona Pavoa. É possível que o Barão de Itararé considerasse a possibilidade de que ela estivesse fazendo uma fezinha no 19.


         

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