segunda-feira, 31 de outubro de 2016

HOJE É DIA DE SACI

O Estado de São Paulo já comemora o Dia do Saci (Lei nº 11.669, de 13 de janeiro de 2004). O projeto foi iniciativa do vereador Afonso Lobato (PV). A justificativa para aprovação da lei: “Entendemos que a comemoração anual do ‘Dia do Saci permitirá um contato sistemático com a variedade e a beleza das tradições do País, de modo a fortalecer o processo de consolidação da identidade nacional bem como a autoestima do povo brasileiro".
Várias outras cidades paulistas também já têm leis que oficializam a data, com o mesmo intuito de reforçar a cultura e folclore nacional, entre elas São Luiz do Paraitinga, São José do Rio Preto, Guaratinguetá e Embu das Artes. Vitória (ES), Poços de Caldas e Uberaba (MG), Fortaleza e Independência (CE) também oficializaram a homenagem ao Saci-Pererê, personagem brasileiro, nascido da miscigenação brasileira que gerou uma rica diversidade cultural.  
O Saci é um garotinho de um uma perna só que anda solto pelo mundo fazendo reinações de toda sorte e pregando peças nas pessoas. Ele está sempre com um pito aceso na boca e não tira a carapuça vermelha da cabeça. O que ele faz? Ele azeda o leite, quebra a ponta das agulhas, esconde as tesourinhas de unhas, embaraça os novelos de linha, bota mosca na sopa, queima o feijão que está no fogo e gora os ovos das galinhas. Isso é só um pouco das artes que ele faz. 




Quem quiser saber mais sobre o menino endiabrado, pode ler "O Saci", de Monteiro Lobato. O meu exemplar é ilustrado por André Le Blanc (17ª Edição). E VIVA O SACI!!! 

COISAS DO BRASIL

ARDOR REPUBLICANO - Antônio Silva Jardim nasceu em 1860 na Vila de Nossa Senhora da Lapa de Capivari, no Rio de Janeiro. Era filho de um professor e muito jovem envolveu-se na luta abolicionista e republicana. Veio para São Paulo estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde se identificou imediatamente com o clima político-estudantil. Depois de formado continuou a lutar por seus ideais, mais tarde vendeu a banca de advogado e dissolveu a sociedade com Martim Francisco de Andrade e Silva (neto) para viajar por Minas, Rio e São Paulo, dirigindo comícios pró-república.
Em 1899, com a Proclamação da República, candidatou-se a uma cadeira no Congresso, no Distrito Federal, mas não foi eleito. Silva Jardim estava com trinta anos e por causa da saúde frágil resolveu fazer uma viagem pela Europa para descansar. Na Itália, foi a Pompeia e quis conhecer o Vesúvio, vulcão situado na baía de Nápoles causador da trágica destruição da cidade no ano 79 da era cristã. No dia 1º de julho de 1891, ele foi até o vulcão com o amigo Joaquim Carneiro de Mendonça e, apesar dos avisos do guia, acabou caindo numa fenda do Vesúvio, desaparecendo.
Antônio Silva Jardim.
A morte do brasileiro foi noticiada na edição de 30 de julho de 1891 do jornal “A Pátria Mineira”, da cidade de São João del Rei. Carneiro de Mendonça também se feriu sem gravidade graças à ação do guia. “Extraordinário o destino do grande brasileiro: até para morrer se converteu em lava” – declarou José do Patrocínio (1853-1905), um dos mais importantes abolicionistas e republicanos brasileiros. Mais tarde deram o nome de Silva Jardim à vila em que ele nasceu. (Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional.)



JÁ ERA Outro dia esperei  vários minutos para ser atendida, quando resolvi ir embora apareceu um funcionário prestimoso. “A senhora deseja algo?” Murmurei um “agora, já era” e saí. A expressão (descobri depois) teve origem entre os técnicos da saúde pública no início do século passado. O pessoal das ambulâncias era obrigado a relatar todos os fatos que envolviam os atendimentos solicitados e quando havia óbitos eles escreviam: “O doente já era cadáver”. A população encurtou a frase e passou a aplicá-la para se referir a oportunidades perdidas. A explicação é de Pedro Nava, segundo a Revista de História da Biblioteca Nacional.

BOLO DO ENFORCADO – Que se manifeste quem não gosta do bolo do enforcado. Não conhece? Trata-se do famoso pão de ló. A iguaria tem origem em Portugal e é um doce caro porque leva muitas gemas e rende pouco; portanto, era reservado para ocasiões especiais como, por exemplo, a última refeição dos condenados à morte que, já no cadafalso, podiam saborear o bolo acompanhado de vinho. E assim o bolo foi apelidado pela população de “bolo do enforcado”. De acordo com o folclorista Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) era também um presente de pêsames – oferecido em bandeja coberto com um lenço de seda preta.


domingo, 30 de outubro de 2016

A BARATA ANGUSTIADA

Que tal um livro em que a personagem principal é uma barata (argh!) chamada Martin que vivia angustiada diante da possibilidade de morrer. “Perguntava-se o que fazia no mundo e, sobretudo, por que havia sido jogado nele se iria morrer um dia [...]”. Depois de muitas peripécias no interior do cadáver do filósofo alemão Heidegger (1889-1976), um verme lhe explica que “No momento de sua morte, você estará absolutamente sozinho. Nem mesmo aquele que estender a mão para consolá-lo compartilhará essa experiência personalíssima. No derradeiro instante, sua solidão será inaudita! Sente isso? Acachapante, concorda? Quando penso sinceramente na minha morte, não na dos outros, mas na minha, sinto no mais fundo de mim que sou um ser único. Ninguém morrerá no MEU lugar.”  
Há um final feliz. Martin, a barata, enfim, descobre a finalidade da existência: “Obras imensas por empreender e impossíveis de concluir antes de morrer”. E a barata conclui que “A alegria de viver me estremece feito um trovão”.
Um livro ótimo sob todos os aspectos, com uma abordagem inteligente e divertida de um tema filosófico difícil para os mais jovens: a questão da existência e do vir a ser. As ilustrações são de Matthias Arégui.
         
A barata de Martin Heidegger, contado por Yan Marchand. São Paulo: Martins Fontes, 2014. (Coleção Pequeno Filósofo.) 

sábado, 29 de outubro de 2016

DIA NACIONAL DO LIVRO

Gosto muito do príncipe regente D. João porque ao deixar Portugal não se esqueceu de anexar à bagagem (que não era pequena) cerca de 60 mil peças (livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas), que deram início à nossa Biblioteca Nacional. No dia 29 de outubro de 1810, ele assinou decreto determinando que a Real Biblioteca fosse aberta aos estudiosos. A abertura para o público só aconteceu em 1814. Hoje é o Dia Nacional do Livro. Minha leitura atual: “Negócios jesuíticos: o cotidiano da administração dos bens divinos”, de Paulo de Assunção. Foto: Sala de obras raras. Site da BN. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

PROGRAMA PARA O FERIADO

A moça não resistiu e comentou em voz alta:
“Uma viagem no tempo! Gostaria tanto de ficar, mas a minha hora do almoço está acabando...” O desabafo foi na penúltima sala da exposição J. CARLOS EM REVISTA, no Centro Cultural Correios (Avenida São João, s/n, no Vale do Anhangabaú). Para quem não sabe J. Carlos é como o carioca José Carlos de Brito Cunha (1894-1950) assina sua obra, que abrange a caricatura, publicidade, crônica e designer.
A jovem tinha razão. É difícil dar por encerrada a visita. A beleza do traço e a criatividade com que o artista aborda os temas nas revistas em que trabalhou – “Para Todos”, “O Malho”, “Fon-Fon” e “O Cruzeiro” – proporcionam momentos de muito prazer. Lá estão as mais delicadas melindrosas que encantaram o Rio de Janeiro nos anos de 1920, na praia, no baile, namorando ou simplesmente deixando os garotos da época de boca aberta; porém, merecem um olhar especial as capas da revista “Para Todos” do Carnaval de 1926: J. Carlos criou uma história em quatro capítulos de pierrô, colombina e arlequim para cada dia de folia.
Na edição de 14 de maio de 1927, por exemplo, fez um alerta para os perigos do momento: a China, o perigo amarelo; a Menina, o perigo cor-de-rosa; a Cocaína, o perigo branco e Josephine (Baker), o perigo preto.
Melhor mesmo ir até o Centro Cultural Correios. Estação São Bento do metrô, saída Anhangabaú. De terça a domingo, das 11 às 17 horas. Entrada franca.





quinta-feira, 27 de outubro de 2016


HISTÓRIAS DA CIDADE DE SANTOS (SP)


O livro “Santos: histórias de aviadores, constitucionalistas e expedicionários” está à venda no site da Editora COMUNNICAR: http://www.comunnicar.com.br/

e na livraria Capítulo Primeiro: avenida Marechal Floriano Peixoto, 4 – 1º andar, Gonzaga, Santos (SP):

terça-feira, 25 de outubro de 2016

DIA CHUVOSO

Jean Béraud (1849-1935).

Jean Béraud (1849-1935).

Gustave Caillebotte (1848-1894)

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

SEGUNDA-FEIRA COM ARTE


Impression, soleil levant, Claude Monet, 1872.Amanhecer no Porto do Havre (França).

“Segunda-feira:
Criar a partir do feio
Enfeitar o feio
Até o feio seduzir o belo”


“QUERIDO DIÁRIO
(TÓPICOS PARA UMA SEMANA UTÓPICA)
Cazuza. 

domingo, 23 de outubro de 2016

DOMINGO, DIA DE FOLGA.


FESTA NO ARRAIAL, Anita Malfatti, década de 1940.


DOMINGO IREI para as hortas na pessoa dos outros,
Contente da minha anonimidade.
Domingo serei feliz — eles, eles...
Domingo...
Hoje é quinta-feira da semana que não tem domingo...
Nenhum domingo. —
Nunca domingo. —
Mas sempre haverá alguém nas hortas no domingo que vem.
Assim passa a vida,
Subtil para quem sente,
Mais ou menos para quem pensa:
Haverá sempre alguém nas hortas ao domingo,
Não no nosso domingo,
Não no meu domingo,
Não no domingo...
Mas sempre haverá outros nas hortas e ao domingo!
9-8-1934

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016



MATANDO SAUDADE

 Quarta-feira. Dia azul e dourado. Primeiro um pulinho ali para rever o Bonde 42 (de boas lembranças). Em direção oeste encontro o velho leão. Não tenho fotos da infância nele, afinal, máquinas fotográficas eram artigos de luxo e a família não tinha uma. Mais adiante, o tigre – único felino de que gosto. Na areia, um movimento intenso do pessoal da limpeza. Algumas pessoas aproveitam o sol da manhã. Na calçada, uns poucos corredores matinais. Ah! Enfim, o canal 2. Um homem dá água ao cãozinho simpático que prefere beber de um saco plástico que o dono usa para pegar água. Ali, no posto, suspiro por um banho na fonte junto ao surfista dourado. Acho que vou me inscrever nas aulas de formação de surfistas, que vejo em pleno curso. Adiante, um navegador (perdido) parece gritas “Terra à vista”. Não me lembrava dele. Os jardins impecáveis me encantam. Aproximo-me do canal 1 – lá está a Ilha de Urubuqueçaba, à distância enfeitada com aquela garça vermelha da Tomie Ohtake, e mais atrás a (ex) ilha Porchat. Bela paisagem. Muitas recordações boas. Mudo de rumo.







quinta-feira, 20 de outubro de 2016

NOITE DE FESTA

Foi um privilégio ser recebida com tanto carinho pela diretoria da Associação, Cívica, Cultural e Histórica dos Capacetes de Aço de São Vicente – em especial Jairo, Edson, Deise e Arnaldo, em sua festa pelos 59 anos de fundação, para o lançamento do meu livro, que tem um capítulo dedicado aos Constitucionalistas de 1932. Meus agradecimentos ao presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente, Paulo Eduardo Costa, pelas palavras generosas. Enfim, foi uma noite inesquecível na Casa do Barão Kurt Von Pritzelwitz, que tem uma fugaz passagem no terceiro capítulo do livro “Santos: Histórias de aviadores, constitucionalistas e expedicionários”. Meus agradecimentos especiais a Paulo Pechmann, da Editora COMMUNICAR, aos jornalistas Carlos Pimentel Mendes, José Alberto Sheik e Nilton Tuna Mateus. E, muito, muito obrigada a todos que me prestigiaram com a presença. 
Presidente da Associação Capacetes de Aço de S. Vicente,
Jairo Bonifácio, 
com o capitão dos  Portos do Estado de São Paulo,
capitão-de-mar-e-guerra Alberto José Pinheiro de Carvalho,
homenageado pela entidade.






a.


terça-feira, 18 de outubro de 2016

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

TRENS E POESIA


 Um trem personalizado: Caen, Normandia, França, junho 2015.
Bom humor com mau tempo. (Foto: Hilda Araújo.)
“Partir! 
Nunca voltarei,
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia.” 

(Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, in Poemas.)


domingo, 16 de outubro de 2016

TREM DE FERRO
(Manuel Bandeira, 1886-1968.)


Café com pão
Café com pão
Café com pão

Virge Maria que foi isso maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)

Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô...
(café com pão é muito bom)

Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
(trem de ferro, trem de ferro)
No Palácio das Indústrias, São Paulo.

sábado, 15 de outubro de 2016

 O RANGER DAS RODAS

“(...) as ferrovias são irresistíveis bazares, serpenteando perfeitamente nivelados qualquer que seja a paisagem, melhorando seu estado de ânimo com sua velocidade sem jamais derramar seu drinque. O trem pode inspirar segurança em lugares muito desagradáveis – muito diferente dos suores de pânico provocados pelos aviões, do odor nauseabundo dos ônibus de longa distância, ou da paralisia que aflige os passageiros de automóveis. Se um trem é grande e confortável, pouco importa seu destino: um assento num canto basta e você pode ser um daqueles viajantes que permanecem em movimento em cima dos trilhos, e nunca chegam nem sentem que precisam chegar – como aquele homem de sorte que passa a vida nos trens da ferrovia italiana porque é aposentado e tem um passe livre”.
Paul Theroux, autor do livro “O grande bazar ferroviário – de trem pela Ásia”, em que ele narra a viagem de trem (ida e volta) feira em 1975 a partir de Londres para a Ásia por rotas distintas, retratando viajantes e suas diferentes culturas, pintando as paisagens e contando histórias saborosas de suas andanças por lugares pouco conhecidos em busca de uma passagem de trem, as esperas em estações nos locais mais improváveis ou descrevendo as populações que vivem à margem das ferrovias. Seus eventuais companheiros de viagem parecem saltar de contos de ficção. Falam de sonhos, frustrações, do cotidiano, de sexo e de política. Ou não falam, apenas aparecem e ficam ao seu lado. A passagem pelo Vietnã parece ter desconcertado o americano, afinal, as tropas dos EUA haviam se retirado no ano anterior. Se a beleza do país o comove, a destruição física e moral a que os norte-americanos levaram o país o chocam profundamente.
 Foram quatro meses viajando de trem – em alguns pontos o percurso teve que ser feito de barco ou de avião. A viagem foi financiada com as palestras sobre literatura inglesa, que o professor fez em alguns lugares sob promovidas pela embaixada americana. Pelo que Theroux conta boa parte dos ganhos deve ter sido gasta em bebida. Um livro ótimo, que está longe de ser um guia de viagem. 




Locomotiva a vapor "Jiboia", importada da Alemanha pela Cia. Paulista de Estrada de Ferro em 1939, ganhou esse apelido porque puxava longas composições. Só foram fabricadas três unidades. Palácio das Indústrias, São Paulo. Foto: Hilda Araújo, 2016.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

NAS ONDAS DA HISTÓRIA


Há uma praça muito brasileira em Lisboa, que data do século XIX. Dela copiamos o calçamento, que reveste os passeios de Copacabana, no Rio de Janeiro. O espaço é nobre: dominado pelo Teatro Nacional Dona Maria II, tem no centro a estátua de D. Pedro IV, que dá nome à bela praça. A rainha Maria II (1819-1853) nasceu em São Cristóvão, no Rio de Janeiro; portanto, é carioca da gema. Filha do príncipe D. Pedro e de Dona Leopoldina. Depois de abdicar ao trono brasileiro, D. Pedro I voltou para Portugal para reaver o trono lusitano, que entregou à filha Maria depois de um acordo com o irmão usurpador, D. Miguel.  Quanto ao calçamento, ele é uma alusão ao grande terremoto/maremoto que destruiu Lisboa em 1755.  O Teatro Nacional D. Maria II foi inaugurado em 1846.

Praça D. Pedro IV, Lisboa, 2010. Foto: Hilda Araújo.


Rio de Janeiro. Foto: M. Teixeira, Wikipedia.




terça-feira, 11 de outubro de 2016


POESIA NA RUA

"No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra."
Carlos Drummond de Andrade.

Depois de assistir a um concerto na Igreja Nossa Senhora da Boa Morte com um quinteto de flauta doce e uma soprano de voz angelical, atravessei a Rua do Carmo, a Praça Clóvis, virei ali na rua Roberto Simonsen para saborear um café especial. Foi ao sair em direção ao Pátio do Colégio que deparei com a pedra e, imediatamente, lembrei-me de Carlos Drummond de Andrade. 
O rapaz passou e achou graça - "Fotografando pedra, tia?". 
Pena que não possa ver o que eu vejo ... 

Rua Roberto Simonsen. Foto: HPPA.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

HISTÓRIAS SANTISTAS

Será no próximo dia 18 de outubro às 20 horas o lançamento do livro “Santos: histórias de aviadores, constitucionalistas e expedicionários” no Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente. (Rua Frei Gaspar, 280 – Centro, São Vicente). O evento faz parte da comemoração dos 59 anos de fundação da Associação Cívica, Cultural e Histórica dos Capacetes de Aço de São Vicente.
Este é um livro de fatos ocorridos em Santos no início do século XX em três momentos importantes da História: o desenvolvimento da aviação mundial, a luta pela democracia no Brasil em 1932 e o envolvimento em acontecimentos internacionais durante a II Guerra Mundial. Embora o jornalista não seja historiador, muitas vezes, no desempenho de suas funções, testemunha e registra fatos históricos e, assim, jornais da época têm papel importante nesta narrativa. O livro (Editora COMUNNICAR) tem apresentação de José Alberto Pereira Sheik e prefácio do Carlos Pimentel Mendes – os dois, jornalistas. 
Registro meu agradecimento especial à diretoria da Associação Cívica, Cultural e Histórica dos Capacetes de Aço de São Vicente, presidida pelo Sr. Jairo Bonifácio. 

domingo, 9 de outubro de 2016

DOMINGO BEM-HUMORADO

FLAGRANTE DELITO: D. Pedro I vivia atrás de rabos de saia. Certa noite no teatro assistiu a um espetáculo que tinha no elenco uma cigana de beleza rara. O príncipe se empolgou a ponto de persegui-la pelas ruas do Rio de Janeiro até o Largo do Rocio, onde a moça morava e, impetuosamente, entrou na casa dela e... Surpresa! A sala estava repleta de artistas e a mesa posta para a comemoração de um aniversário. A ilustre e inesperada visita deixou todos encantados com o prestigio do aniversariante, sem contar que iriam se sentar à mesa com o imperador! Infelizmente, a matéria da Revista de História da Biblioteca Nacional não conta como foi que o imperador se saiu da saia justa! 

Jean-Baptiste Debret
ABAIXO A MELANCIA – O tifo e a febre amarela grassavam pelo país e o medo das epidemias gerou muitas atitudes insólitas pelas cidades brasileiras. Um exemplo: em 1894 as autoridades da cidade de Rio Claro (SP) proibiram não apenas o consumo, mas erradicaram a melancia nos limites da cidade.  A lei existiu por quase um século, pois só se lembraram de revogá-la apenas em 1991!
 PROMESSA PARA VALER – Foi também o medo da terrível peste negra que levou, em 1634, a população da cidade de Oberammergau (Alemanha) prometer encenar a Paixão de Cristo a cada dez anos caso fosse poupada da epidemia que assolava a Europa. Promessa é divida e a encenação tornou-se uma tradição, quebrada apenas em duas ocasiões – uma no século XVIII e outra durante a II Guerra Mundial.  A próxima encenação será em 2020..

AVE, MARIA! – Frei José ao terminar de celebrar a missa, na Igreja do Carmo no Rio de Janeiro, pediu para os fiéis rezarem uma Ave Maria para a mulher do bispo que estava em trabalho de parto. Ato falho? O fato, que remonta aos tempos coloniais, foi narrado pelo cronista Luís Edmundo em “O Rio de Janeiro nos Tempos dos vice-reis”.

NEGLIGÊNCIA SANITÁRIA – O historiador, etnógrafo e linguista cearense João Capistrano de Abreu (1853-1927) viveu e trabalhou no Rio de Janeiro. Capistrano tinha fama de não cuidar da aparência e as más línguas o acusavam de negligência sanitária, eufemismo usado para falta de higiene mesmo. Logo surgiram histórias folclóricas em torno do intelectual, como a do terno que ele teria usado durante 12 anos sem lavá-lo até que resolveu mandá-lo para a lavanderia. Dias depois recebeu um pequeno pacote cujo conteúdo era o que resistira à lavagem – os botões. Quanta maldade! Capistrano de Abreu foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, mas recusou-se a tomar posse.


Fonte: “Revista de História da Biblioteca Nacional” e na revista “Nossa História”.

sábado, 8 de outubro de 2016

SOL DE OUTUBRO

O sábado ensolarado vale um poema de Alberto Caeiro e uma tela de Claude Monet (1840-1926).

Querem uma Luz Melhor que a do Sol!


AH! QUEREM uma luz melhor que 
a do Sol!
 
Querem prados mais verdes do que estes!
 
Querem flores mais belas do que estas
 
que vejo!
 
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
 
Mas, se acaso me descontentam,
 
O que quero é um sol mais sol
 
que o Sol,
 
O que quero é prados mais prados
 
que estes prados,
 
O que quero é flores mais estas flores
 
que estas flores -
 
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!
 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterônimo de Fernando Pessoa (1888-1935)
 
Terraço em Sainte-Adresse” (1867).

quarta-feira, 5 de outubro de 2016


COMO ESCOLHER AMANTES

O livro caiu na minha mão por acaso. Nos dias de hoje o título da obra é banal, mas o autor me surpreendeu: o velho e bom Benjamin Franklin (1706-1790), calvinista e um dos signatários da Constituição norte-americana. Na verdade, Benjamin Franklin foi uma figura polêmica no seu tempo e muito depois de ter ido desta para melhor (ou pior). Tinha uma inteligência acima do comum. Sem ter concluído os estudos básicos foi impressor, jornalista, escritor, político, diplomata, abolicionista, cientista e enxadrista. E, naturalmente, inventor! Ele inventou entre outras coisas o para-raios e as lentes bifocais.
Franklin foi extremamente popular – houve algumas ocasiões em que perdeu um pouco do prestígio, mas logo o recuperou. As críticas de detratores e de apologistas mantêm o mito. O economista e sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) classifica de “filosofia da avareza” as ideias que o americano defendeu e expressava em ditos populares como “tempo é dinheiro” e “... dinheiro pode gerar dinheiro e sua prole pode gerar mais”. O professor R. Jackson Wilson (Smith College), que prefacia a obra, relaciona também Mark Twain entre os detratores do velho Franklin, acusando-o de ter “prostituído seus talentos para inventar máximas e aforismos para infligir sofrimento... sobre meninos que, de outra forma, poderiam ter sido felizes”.  
Enfim, como não poderia deixar de ser, a obra de Benjamin Franklin retrata uma época. A surpresa é que Franklin aconselha o amigo a “preferir mulheres velhas às jovens”. E isso no tempo em que a única solução para a mulher tentar manter a juventude era a varinha de condão da fada madrinha. Ele relaciona oito razões para sua teoria. Eis um resumo das principais: elas têm mais experiência e informação, portanto, a conversação é mais edificante, duradoura e agradável; porque quando deixam de ser formosas, procuram ser boas e é difícil existir uma mulher velha que não seja também uma boa mulher (hum!); porque são mais prudentes e discretas ao promover um caso amoroso de modo a evitar suspeitas (hoje elas fazem questão de se expor) e, finalmente, porque no escuro todos os gatos são pardos (Ih!).


Benjamin Franklin.

domingo, 2 de outubro de 2016

CONVITE

O lançamento do meu livro “Santos: histórias de aviadores, constitucionalistas e expedicionários” (Editora COMUNNICAR) será no próximo dia 18 de outubro às 20 horas, durante evento comemorativo dos 59 anos de fundação da Associação Cívica, Cultural e Histórica dos Capacetes de Aço de São Vicente, que se realizará no Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente.

O livro tem apresentação José Alberto Pereira Sheik e prefácio do Carlos Pimentel Mendes, ambos jornalistas. Desta vez conto histórias do cotidiano da cidade de Santos (SP) durante três momentos da primeira metade do século passado, envolvendo os pioneiros da aviação que pousaram nas praias do município; a participação dos santistas no movimento Constitucionalista e a mobilização da população durante a II Guerra Mundial.


Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente: Rua Frei Gaspar, 280. São Vicente.