domingo, 31 de dezembro de 2017

Imagine - John Lennon and The Plastic Ono Band (with the Flux Fiddlers)


Feliz Ano Novo com a bela mensagem que John Lennon (1940-1980) nos deixou. Um sonhador, mas quem sabe um dia... IMAGINE




ANO NOVO

Quando o homem começou a contar o tempo, usou basicamente as estações do ano – a época do frio, do florescimento, do calor e de temperaturas em declínio. Depois, adotou o calendário que podia se basear no movimento do Sol ou da Lua. À medida que avançavam os conhecimentos de Astronomia, o calendário solar tornou-se mais refinado – com 365 dias e com mais um dia a cada quatro anos para compensar a diferença ao longo do quadriênio. Durante séculos usou-se o calendário introduzido pelo imperador romano Júlio César em 45 a. C.
Dionísio Exíguo (1470-1544) foi o primeiro a usar o ano do suposto nascimento de Cristo como referência para a datação dos eventos. Como os romanos datavam as efemérides a partir da fundação de Roma, Dionísio resolveu criar um calendário a partir do nascimento de Jesus – o Anno Domini (Ano do Senhor em latim). Para os cálculos usou o Evangelho de S. Lucas, segundo o qual Jesus teria trinta anos no 15º ano do reinado de Tibério e como Tibério substituiu Augusto em 19 de agosto do ano 767 da fundação de Roma, ele calculou que Jesus nasceu no ano 753. Há, entretanto, discrepâncias, se a fonte for o Evangelho de S. Mateus, e dessa forma existiria uma diferença de quatro anos na data de Dionísio Exíguo, de acordo com estudiosos.
O dia 1º de janeiro marca o início do ano novo estabelecido pelo Papa Gregório em 1582 para corrigir a defasagem de treze dias que havia entre o calendário juliano e a data real da mudança de estações. A reforma foi adotada por todos os países; contudo, a Igreja Católica Ortodoxa (com forte presença na Rússia, Sérvia e outros países do Leste Europeu) manteve o calendário juliano e comemora o Ano Novo no dia 14 de janeiro.
Povos antigos mantêm a tradição do ano novo lunar – como judeus, chineses e islâmicos, embora pautem a vida cotidiana pelo calendário atual. Os judeus estão no ano 5778 e começarão a celebrar o Rosh Hashaná no por do sol de 9 de setembro. Para os chineses este é o ano 4715 e em 16 de fevereiro de 2018 começará um novo ano. Coreanos e vietnamitas seguem o mesmo calendário. Os japoneses fizeram o mesmo até 1873, mas após a restauração da dinastia Meiji, eles adotaram o calendário gregoriano.
Os islâmicos estão no ano 1439 – que começou em 21 de setembro e se estenderá até 10 de setembro de 2018. O calendário começa a partir da fuga (Hégira) de Maomé de Meca para Medina em 16 de julho de 622.
Cada povo festeja o novo ano quando quiser, afinal, 1º de janeiro é apenas um dia como outro qualquer em que o sol se levanta e se põe, seja verão ou inverno – dependendo do hemisfério em que nos encontramos. É somente um registro para organização administrativa da sociedade.  

Algumas superstições comuns nesse dia tiveram origem em diversas culturas. Os chineses soltavam fogos para espantar os maus espíritos. Marco Polo (1254-1323) conta no seu “Livro das Maravilhas” que os tártaros comemoravam o primeiro dia do ano em fevereiro. Todos vestiam-se de branco porque acreditavam que essa cor simboliza “grande alegria” e trará bem-estar durante todo o ano. Era nessa época também que presenteavam regiamente o Grã-Cã.

Ilustração: "Janeiro", das "Riquíssimas Horas do Duque de Berry", c. 1415. Obra dos Irmãos Limbourg.  Museu Condé, Chantilly, França. 

sábado, 30 de dezembro de 2017

MUSEU E INSTITUTO LUMIÈRE
(Revisado)
Lyon, uma das maiores cidades francesas, foi fundada pelos romanos em 43 a.C., tem uma história intensa e rica, foi o centro bancário da França e famosa pelo comércio de seda e mais tarde tornou-se uma importante cidade industrial no século XIX. Entretanto, a cidade se tornou mundialmente famosa quando dois irmãos, Auguste e Louis Lumière, inventaram um aparelho “mágico” que dava movimento à fotografia, registrava fatos e permitiria mais tarde que se criasse um mundo de fantasia – o cinematógrafo. O aparelho gerou uma indústria poderosa e criou milhares de empregos, acabou mudando a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo estabelecendo modas e mudando os padrões de comportamento.
Lyon, uma das maiores cidades francesas, fundada pelos romanos em 43 a.C., tem uma história intensa e rica, foi o centro bancário da França e ficou famosa pelo comércio de seda e mais tarde tornou-se uma importante cidade industrial no século XIX. Entretanto, a cidade ganhou notoriedade mundial, quando os irmãos Auguste e Louis Lumière inventaram um aparelho “mágico” que dava movimento à fotografia, registrava fatos e permitiria mais tarde que se criasse um mundo de fantasia – o cinematógrafo. O aparelho gerou uma indústria poderosa e criou milhares de empregos, acabou mudando a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo estabelecendo modas e mudando os padrões de comportamento.
No final do século XIX, o industrial e fotógrafo Antoine Lumière (pai dos rapazes) decidiu instalar sua fábrica em Monplaisir, na zona rural de Lyon. Os negócios se desenvolveram bem e surgiu um novo bairro. Antoine resolveu construir uma vila para a família e ele mesmo projetou o imóvel, inaugurado em 1902. Por seu aspecto imponente, os vizinhos da casa a chamavam de “Chateau Lumière”. Atualmente, o chateau abriga o Museu e Instituto Lumière, que revela aos visitantes um pouco desses homens que fizeram da vida uma invenção. 
Durante o século XX, Monplaisir viveu ao ritmo dos Lumière até o final dos anos 1960, quando a fábrica e a vila entraram em decadência. Após um período houve um investimento na recuperação de parte do conjunto; criaram-se assim o Museu e o Instituto Lumière, este promove cursos, exposições e mantém um centro de documentação.
O visitante entra no Museu pelo alpendre, por onde antigamente entravam e saiam os veículos e cavalos. Dizem que uns poucos moradores ainda se lembram dos passeios da viúva de Auguste (ele faleceu em 1958) a bordo de um carro Hispano-Suiza, adaptado pelo marido para que ela pudesse entrar sem ter que tirar o chapéu. Há um parque entre a habitação da família e o Hangar. Um lugar relaxante, onde se encontra a Ala das Invenções – uma homenagem aos inventores cujos trabalhos tornaram possível aos Lumière criar o cinematógrafo.
         O Hangar, classificado como monumento histórico, foi o primeiro cenário da história do cinema: ele aparece no fundo do filme “La Sortie des usines Lumière”. Ele escapou por pouco das demolições dos anos 1960, foi restaurado e compreende  a sala de cinema, o hall de recepção e exposição e um bar. A sala de cinema foi inaugurada em 1998 e assim “por onde antes saíram os operários, os espectadores de hoje retornam ao cinema”.
         É possível também conhecer o lugar em que os irmãos Lumière instalaram o Cinematógrafo para filmar a saída dos operários: exatamente do outro lado da rua antigamente chamada Chemin Saint-Victor diante das janelas da sala das caldeiras da fábrica.  

A casa dos Lumière é simplesmente bela. Há 21 salas abertas ao público. A visita começa pelo jardim de inverno e pelos grandes salões onde se pode conhecer a cronologia da invenção do cinema. Uma escada em caracol conduz ao subsolo (antiga cave) onde há projeções de filmes de Lumière; outra grande escada dá acesso à área íntima da casa, como o quarto de dormir de Antoine. Outros cômodos abrigam exposições. No segundo andar, encontram-se a área dos empregados e, mais acima fica o antigo ateliê de pintura de Antoine, agora uma biblioteca.
Entre as invenções destaca-se uma de Louis Lumière: o fotorama, que em 1901 permitiu que o público pudesse admirar fotos projetadas a 360º a uma altura de seis metros.  (Fotos: Hilda Araújo, 2012.)


Galo: corrimão da escadaria principal.


Museu Lumière: 25 rue du Premier Film, Lyon. Metro: Monplaisir-Lumière, das 11h às 18h30. Abre diariamente, exceto às segundas-feiras. 

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Cinema 
Guilherme de Almeida (1890-1969).

Na grande sala escura,
só teus olhos existem para os meus:
olhos cor de romance e de aventura,
longos como um adeus.

Só teus olhos: nenhuma
atitude, nenhum traço, nenhum
gesto persiste sob o vácuo de uma
grande sombra comum.

E os teus olhos de opala,
exagerados na penumbra, são
para os meus olhos soltos pela sala,
uma dupla obsessão.
 
Um cordão de silhuetas
escapa desses olhos que, afinal,
são dois carvões pondo figuras pretas
sobre um muro de cal.
 
E uma gente esquisita,
em torno deles, como de dois sóis,
é um sistema de estrelas que gravita:
— são bandidos e heróis;
 
são lágrimas e risos;
são mulheres, com lábios de bombons;
bobos gordos, alegres como guizos;
homens maus e homens bons...
 
É a vida, a grande vida
que um deus artificial gera e conduz
num mundo branco e preto, e que trepida
nos seus dedos de luz...


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

E VIVA O CINEMA


          Foi na cave do Grand Café, no Boulevard des Capucines em Paris, que no dia 28 de dezembro de 1895 aconteceu a primeira projeção pública de um filme, promovida pelos irmãos August Marie Lumière (1862-1954) e Louis Nicholas Lumière (1864-1948), inventores da novidade. Nessa sessão histórica foram exibidos dez filmes, cada um com a duração de 40 a 50 segundos. Os filmes mais lembrados são “A saída dos operários da Fábrica Lumière" e "A chegada do trem à Estação Ciotat".
        Entretanto, como em quase toda história de invenções há controvérsias quando à do cinema. Há notícias de que na Alemanha os irmãos Max e Emil Skladanowsky teriam inventado o cinematógrafo antes e feito projeções, mas há um consenso entre os estudiosos de que a honra cabe mesmo aos Lumière. 
        Antoine Lumière, pai de Auguste e Louis, era industrial, fabricante de películas fotográficas (filmes) e fotógrafo. A princípio, o cinematógrafo (máquina de filmar) e o projetor foram considerados uma ferramenta de uso científico e sem interesse comercial. Enganaram-se completamente. A invenção foi um sucesso absoluto, conquistou o mundo, gerou uma série de profissões novas e continua evoluindo. Os velhos rolos de filmes estão dando lugar aos equipamentos digitais.
        Os Lumière continuaram criando novidades, como o primeiro processo de fotografia colorida (autochrome). Viveram bastante para ver como a invenção deles transformou o mundo e tornou-se a sétima arte. (Continua.)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

OS CIENTISTAS DO DIA
No dia 27 de dezembro nasceram dois grandes cientistas: Johannes Kepler (1571-1630) e Louis Pasteur (1822-1895). Kepler, matemático e astrônomo alemão, pesquisou o universo, enquanto Pasteur, médico e químico francês, foi um dos criadores da microbiologia. 
Kepler é uma figura interessante. Ele pretendia estudar teologia, mas interessou-se pela astronomia demonstrando também uma extraordinária habilidade matemática que lhe garantiu o posto de professor da matéria em uma escola luterana de Gratz. Kepler praticou astronomia e astrologia, mas costumava se referir à astrologia como a “ridícula irmãzinha da astronomia”. Ele publicou um calendário de previsões que, por sorte, se mostrou correto tanto na previsão do tempo como de revoltas camponesas, mas outros não se mostraram tão corretos. Ele diria mais tarde que, se as suas previsões se realizaram, isso deveria ser atribuído à sorte. Prático, continuou fazendo horóscopos quando lhe pediam, especialmente se o solicitante era rico.
  Esse lado prosaico de Kepler não interferiu em suas pesquisas científicas. Durante anos ele observou o planeta Marte – interrompeu os estudos apenas quando em 1604 apareceu uma supernova que o interessou e gerou o livro A nova estrela, publicado em 1604. Retomou a pesquisa e os cálculos sobre Marte e em 1609 publicou “A nova astronomia” – um título perfeito, pois as descobertas de Kepler iam contra todo o conhecimento consagrado até aquela época.
Outra descoberta importante do cientista alemão mostra que a relação entre o tempo que cada planeta leva para completar uma orbita elíptica e sua distância média do Sol é a mesma para todos eles. Enquanto trabalhava nesta teoria, ele fez uma relação entre a velocidade dos planetas em suas órbitas e a harmonia musical. Embora sem valor científico atualmente, ele foi capaz de relacionar as velocidades mais retas e mais baixas de cada planeta à escala musical.
Os apreciadores de cerveja e vinho devem muito a Louis Pasteur. Assim como, os criadores de bicho-da-seda, gado e aves domésticas. O cientista, que teve uma vida bem atribulada, tornou-se uma celebridade porque muitas das suas pesquisas envolviam a economia rural e os resultados davam-lhe visibilidade e popularidade. Em 1854 ele foi lecionar química na Faculdade de Ciência da Universidade de Lille. Os cervejeiros locais enfrentavam um sério problema com o produto, que azedava após a fermentação e convenceram Pasteur a pesquisar o fato. O resultado dos estudos e experimentos mostrou que o processo o problema era causado pela presença de organismos vivos, que vinham do ar. Pasteur provou que “o número de ‘corpos’ organizados dependia da variação da umidade e da temperatura do ar, assim como da altitude”.
O seu trabalho sobre a fermentação do leite talvez seja o mais conhecido no mundo: o aquecimento do leite a 65 graus centígrados por meia hora destrói os bacilos do ar específicos do ar associados a ele. O processo é conhecido como pasteurização. Em 1865, uma doença desconhecida matava milhões de bichos-da-seda no sul da França e a produção caíra em 75%. Pasteur identificou uma infecção bacteriana e sugeriu as precauções para evitar problemas futuros. Em seguida ele foi pesquisar o mal que dizimava gado e aves domésticas – antraz e cólera das galinhas. Identificou a causa como bacilos, se a cólera das galinhas era transmitida entre as aves, no caso do antraz havia o risco de transmissão para o homem. Com uma pesquisa cuidadosa, criou vacinas seguras contra o antraz (1881) e a hidrofobia (1882).


Quem aprecia bom cinema e quiser saber mais sobre o cientista pode assistir a “A história de Louis Pasteur”, de William Dieterle, 1936. Paul Muni foi premiado duas vezes pelo papel de Pasteur. O filme venceu o Oscar de 1937 nas categorias de melhor ator e melhor roteiro; no Festival de Veneza de 1936 Paul Muni ganhou o prêmio de de melhor ator.



terça-feira, 26 de dezembro de 2017

MÃES...

Três histórias sobre mães.

Ponto do ônibus, início de uma tarde de dezembro. A mãe está recostada no muro do prédio enquanto o filho de quatro anos, creio, saltita de um lado para outro e fala pelos cotovelos. Ela parece longe. Creio que são coreanos. O ônibus chega, ela coloca o menino no banco alto da entrada e dá plantão ao lado dele. O garoto continua tagarelando e tem um brinquedo estranho que ele gira para lá e para cá até que uns cinco minutos depois cai no chão. A mãe aproveita que o veículo parou e pega o brinquedo, mas ao entregar passa-lhe um belo pito em voz baixa, mas severa – ah! Isso não precisa de tradução. Não entendi nada, mas foi eficiente. Ele a abraçou e depois ficou quietinho, olhando pela janela o trânsito e as pessoas apressadas.

Anos 1990. A pauta era sobre a chegada dos calouros de fora da cidade que iam morar no CRUSP (Conjunto Residencial da USP). Jovens entre 18 e 20 anos, sozinhos na maior universidade do país, numa cidade fantástica, longe do controle de pai e mãe... Ah! Que festa! Em um lugar estratégico avaliava as reações, os comentários, obsevava os rostos animados ou ressabiados, mas todos vivendo a novidade do momento. Notei um rapaz alto, carregando uma maleta e muito emburrado. Caminhava rapidamente como se fugisse de alguém. Localizei o motivo do aborrecimento: atrás dele, falando alto – provavelmente alinhavava conselhos para comer direito, dormir cedo e estudar bastante – vinha a zelosa mãe, que resolvera ver onde o filho passaria os próximos quatro anos. Com certeza até hoje ele cobra dela o vexame de chegar à universidade pela mão da mãe.


Quando contei o caso para um amigo, ele apontou para a mãe idosa ao lado e a acusou de ir ao quartel onde fez o serviço militar para levar almoço todos os dias. Do alto dos seus 70 anos, ela me disse que jamais permitiria que seu filho em fase de crescimento (18 anos!) não se alimentasse direito. Aliás, ela continua vigilante. Seu garoto só pode comer comidas saudáveis, bem preparadas e o ingrediente principal é o carinho dela. (Só não sei como ela fazia para garantir que a marmita chegasse até ele no quartel.)


domingo, 24 de dezembro de 2017

OS ENDEREÇOS DE PAPAI NOEL
Se Papai Noel existe ou não, não vem ao caso. O certo é que ele tem dois endereços nos Estados Unidos. Nada incomum. Muita gente tem. Como ser de ficção, entretanto, pode estar ao mesmo em ambos os lugares. Não acredita? Quem se dispuser a fazer uma visita pode escolher o estado de Indiana ou da Georgia. Claro que por lá ele é conhecido como Santa Claus, nome das duas cidades norte-americanas onde parece Natal o ano inteiro. 
Em Indiana, a cidade de Papai Noel fica no condado de Spencer. O povoado surgiu em 1854 e era conhecido como Santa Fe, mas ao se estabelecer o posto do correio, houve um problema com a denominação, pois já havia uma cidade com esse nome no estado. Depois de muitas reuniões e debates, a população decidiu por Santa Claus e assim ela se tornou a única agência postal do mundo com o nome de Papai Noel. Desde 1914 voluntários se mobilizam para que todas as crianças tenham suas cartinhas respondidas.
O nome da cidade se tornou popular mundo afora em 1920, quando um funcionário do correio resolveu promover o carimbo postal de Santa Claus. A medida causou um imenso fluxo de correspondência no mês de dezembro, criando sérios problemas logísticos para o correio, o que levou o departamento a não autorizar outra agência com o mesmo nome nos Estados Unidos.
Santa Claus atraiu a atenção de vários empreendedores, como Milt Harris, criador do Santa’s Candy Castle, que não só foi a primeira atração turística da cidade, como a primeira atração temática do país. Outra iniciativa foi a Toy Village, uma reprodução em miniatura da vila de Papai Noel, com patrocínio de grandes fabricantes de brinquedos em 1935.
No mesmo ano, Carl Barret, de Chicago, criou o Santa Claus Park. Entretanto, houve um desentendimento entre Barret e Harris, o que gerou uma série de processos e no abandono de seus projetos. Em 1946, Louis K. Koch abriu o Santa Claus Land que é considerado o primeiro parque temático do mundo (atualmente Holiday World & Splashin’ Safari).
Chamar Santa Claus, na Georgia, de cidade é um pouco de exagero, afinal esse lugarejo do condado de Toombs tem pouco menos de 200 habitantes. O vilarejo existe desde 27 de março de 1941 por iniciativa de Thomas F. Fuller. Além do prédio da prefeitura, há uma loja de conveniência e uma caixa postal (Box 469). As ruas por lá também têm nomes alusivos à lenda do bom velhinho, como Candy Cane Rd., December Dr., Rudolph Way, Dancer St. e Prancer St. – sendo Rudolph, Dancer e Prancer as renas responsáveis pelo transporte de Santa Claus.
Ao contrário do que se imagina, os moradores dessas cidadezinhas levam uma vida pautada na realidade.

sábado, 23 de dezembro de 2017


A MERRY LITTLE CHRISTMAS*

Have yourself a merry little Christmas
It may be your last
Next year we may all be living in the past
Have yourself a merry little Christmas
Pop that champagne cork
Next year we may all be living in New York
No good times like the olden days
Happy golden days of yore
Faithful friends who were dear to us
Will be near to us no more
But at least we all will be together
If the Lord allows
From now on, we'll have to muddle through somehow
So have yourself a merry little Christmas now.

*A letra original de Hugh Martin (1914-2011), que ele mudou a pedido de Judy Garland e Vincent Minelli e, novamente mais tarde, por solicitação de Frank Sinatra.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

DUPLA NATALINA


Primeiro chegou Papai Noel direto do Polo Norte, ou melhor, dos Estados Unidos, e depois o panetone, trazido da Itália na bagagem dos imigrantes italianos. E assim, neste país tropical, tornou-se difícil imaginar dezembro sem o bom velhinho e panetones. Eles começam a aparecer em novembro nos supermercados e algumas padarias capricham na iguaria embrulhada em celofane e laçarotes.
Esse pão recheado de frutas cristalizadas e uvas-passas surgiu em Milão durante a Renascença, mas só conquistou o mundo no século XX. A receita pode variar um pouco, mas o formato é único – que lembra o chapéu de cozinheiro. Antigamente, costumava-se guardar um pedaço do panetone do Natal para comer no dia 3 de fevereiro, dia de São Brás. A tradição refere-se à história do santo que teria salvo uma criança engasgada com uma espinha de peixe dando-lhe um pedaço de pão. São Brás era médico. Nasceu em Sebaste, Armênia, no século III.

O panetone combina com chá, café ou vinho.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017


É TEMPO DE VERÃO

"Dia de Verão", do pintor norte-americano Edward Henry Potthast (1857-1927). Coleção particular.

Natal na Província


Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei

Fernando Pessoa, in 'Poesias' 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Blecaute - NATAL DAS CRIANÇAS - Blecaute


                                 MÚSICAS NATALINAS
Os compositores acostumaram-se a criar peças musicais sobre momentos importantes de nossas vidas, tais como o nascimento, o casamento e a morte. Em um mundo que se desenvolveu sob a égide do cristianismo criaram belas músicas para celebrar o nascimento de Jesus. Não importa a religião ou a falta dela. É impossível não apreciar as composições eruditas ou populares (há muitas eruditas populares) que nos acostumamos a ouvir sempre com prazer.
Entre as obras natalinas clássicas podem ser destacadas “Adeste Fidelis”, composição de 1763 de John Francis Wade (1711-1786), “Fantasia on Christmas Carol”, de Ralph Vaughan Williams (1872-1958) ou “Joy to the world”, música publicada em 1719 e que se acredita ser originalmente de Handel.
A música brasileira tem a deliciosa marchinha natalina Boas Festas (1933)”, de Assis Valente, gravada por Carlos Galhardo. Assis Valente também é o autor de “Recadinho de Papai Noel”, que Carmen Miranda gravou em 1934. E foi também em 1934 que Francisco Alves gravou a marcha “Meu Natal” (Ary Barroso). Uma delícia é ouvir Blecaute (Otávio Henrique de Oliveira 1919/1983) cantar “Natal das crianças”, que ele compôs em 1955. Chico Buarque de Holanda compôs “Tão bom que foi o Natal”, que teria sido gravado para um disco promocional da imobiliária Clineu Rocha.  
 O repertório norte-americano para a data é primoroso. Difícil escolher. “The Christmas Song” (Bob Wells e Mell Tormé, 1945) é muito bonita, especialmente, na voz macia de Nat King Cole. Ela é conhecida também como “The Christmas Song”. “Have Yourself a Merry Little Christmas” (Hugh Martin e Ralph Blane, 1944), cantada por Judy Garland no musical “Meet me in St Louis”. A bela letra original é bastante realista, mas foi considerada depressiva por Garland e outros atores, que pediram a Martin que a tornasse mais alegre. Mais tarde Sinatra também pediria nova alteração. “Santa Claus is Coming to Town” (J. Fred Coots e Haven Gillespie, 1934), apresentada pela primeira vez no programa radiofônico de Eddie Cantor, mas teria sido tocada um pouco antes dele por Harry Reser e sua banda. “White Christmas” (Irving Berlin, 1942), gravada pela primeira vez por Bing Crosby. Esta música teve mais de 500 gravações ao longo de seus 75 anos. 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

UM SUCESSO DE 174 ANOS

O escritor inglês Charles Dickens (1870-1870) escreveu às pressas um conto de Natal para pagar as dívidas e a obra, ilustrada por John Leech, foi lançada em 19 de dezembro de 1843. “Um conto de Natal” (A Christmas Carol) tornou-se um clássico natalino. Em uma semana vendeu mais de seis mil cópias. O livro foi traduzido para vários idiomas. Em 1947 o personagem avarento inspirou um dos mais famosos personagens Disney – Scrooge McDuck que o sobrinho Donald chama de Uncle Scrooge ou Tio Patinhas.  Em 1951, o conto ganhou uma versão para o cinema inglês (Scrooge), dirigido por Brian Desmond Hurst, com Alastair Sim. O resto é história... das boas.

Hoje o livro completa 174 anos de sucesso.




segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

NATAL ANIMADO

DISNEY

HAGAR, O HORRÍVEL
Dick Browne
PANTERA COR DE ROSA
Friz Freleng

Snoopy
Charles Schulz
PERNALONGA
Tex Avery & Cia. 



domingo, 17 de dezembro de 2017


CARTÕES NATALINOS

     A arte anônima dos cartões de cumprimentos de fim de ano geralmente tem como tema bonecos de neve, árvores de natal, papai Noel, sinos, família, anjos e crianças. A ideia dos cartões foi do diretor do Museu Britânico Henry Coyle, que contratou o artista plástico John Callicor Housley para ilustrar os cartões que desejava enviar para amigos com uma mensagem simples de Bom Natal e Feliz Ano Novo.
        Isso foi em 1834. A iniciativa foi um sucesso mundial por mais de um século, abarrotando os postos de correio no mês de dezembro, mas na era digital e em que o tempo parece cada vez mais escasso, os cartões vão desaparecendo das papelarias. 

 




  

sábado, 16 de dezembro de 2017

CÂNTICO DOS CÂNTICOS

"Como és belo, meu amado, como és
encantador!
Nosso leito está florido,
de cedro são as vigas de nossas casas,
de cipreste, o nosso teto.
Eu sou a flor do campo
E o lírio dos vales."

Excerto do belíssimo poema, que tem várias interpretações. Obra  atribuída ao Rei Salomão, provavelmente data do século V a. C. 

Le Vertige, de Hubert-Denis Etcheverry(1867-1950). Obra de 1903.


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

MANHÃ COM POESIA

Hoje foi dia dedicado ao Mirante de Santana, que já não é mais mirante, pois a área está totalmente cercada de construções. Uma moradora me diz que devo voltar nos dias em que funciona a Estação do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) no município de São Paulo. O prédio do instituto (nada impressionante) é de 1929, mas os registros pluviométricos e das temperaturas máximas e mínimas de São Paulo só começaram em 1945.
A estação fica próxima do Metrô Jardim São Paulo, onde tem uma banca de jornal. Enquanto esperava que o sinal da Rua Leôncio de Magalhães abrisse para pedestres vi na vitrine lateral junto às revistas uma folha de caderno, que pensei ser um aviso, mas era uma poesia. Nenhuma assinatura. Resolvi perguntar ao senhor na banca sobre o autor anônimo. Surpresa! Era ele. Chama-se MIGUEL LEAL e gosta de escrever poesias. Tem uma pasta cheia delas. Voltarei qualquer manhã dessas para ler mais.
Museu dos Transportes de São Paulo.
Existe mãe que sofre
A dor do parto
Da criação
E da separação

Existe mãe que sofre
Por não amar
Não perdoar
E não saber criar

Existe mãe que sofre
Por não falar
Por temer
Por mentir
E por não existir.

Existe mãe que sofre
Porque é mãe,
Porque foi mãe ,
Por quer ser mãe,
Porque não teve mãe.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Chove. É dia de Natal. 

Chove. É Dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor: 
Há a neve que faz mal, 
E o frio que ainda é pior. 

E toda a gente é contente 
Porque é dia de o ficar. 
Chove no Natal presente, 
Antes isso que nevar. 

Pois apesar de ser esse 
O Natal da convenção, 
Quando o corpo me arrefece 
Tenho o frio e Natal não. 

Deixo sentir a quem quadra 
E o Natal a quem o fez, 
Pois se escrevo ainda outra quadra 
Fico gelado dos pés. 

Fernando Pessoa (1888-1935) , in Cancioneiro 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

CARTAS E MAIS CARTAS PARA LER.

O velhinho se esforça, mas... 
Há alguns anos ao sair do prédio onde moro vi Papai Noel pegando um táxi e, apesar da surpresa, fiquei me perguntando por onde andavam as renas. E o trenó? Sendo um país tropical, não era de admirar que tivessem desaparecido. Dois ou três natais depois, encontrei novamente Papai Noel, mas desta vez no ponto do ônibus na Estação Ana Rosa, se esquivando da chuva. A situação devia ter piorado, mas estava acompanhado de uma ajudante bonitinha. Agora, estava comprovado que as renas haviam mesmo abandonado o bom velhinho, assim como os elfos. E não é que no início de dezembro deste ano encontrei Noel distribuindo filipetas na porta de uma galeria na Rua Domingos de Moraes junto com vários jovens, que tentavam atrair o público para o comércio local? E o no rosto por trás da barba branca percebi um jovem todo sorridente... Trabalhar sempre é muito bom. 

domingo, 10 de dezembro de 2017

Haydn: Missa Sancti Nicolai (Nikolaimesse) - Agnus Dei



Domingo com a bela Missa Sancti Nicolai (Nikolaimesse) – de  Franz Joseph Haydn (1732-1809). Soprano escocesa Lorna Anderson.

Em 1783 o imperador Joseph II (1741-1790) da Áustria proibiu o uso de instrumentos musicais no interior das igrejas e esse é, muito provavelmente, o motivo pelo qual Franz Joseph Haydn não ter composto missas por 14 anos, no período mais fértil (1782 a 1796) da sua carreira.

      A “Missa Sancti Nicolae” tem uma história bem interessante e bem-humorada. O velho príncipe Nicolau Esterházy, para quem Haydn trabalhava desde 1761, resolveu mudar para o palácio da Hungria que não era lá muito saudável. A mudança irritou os componentes da orquestra da corte e o maestro Luigi Tommasini porque, além de estarem alojados com pouco conforto, tinham que ficar longe de suas famílias. Uma situação muito difícil que Haydn soube enfrentar com criatividade e música. Compôs a “Sinfonia do Adeus” em que no Finale os músicos vão saindo um após o outro apagando as velas até que só restam dois violinistas, o maestro Tommasini e o próprio Haydn. O velho príncipe entendeu a mensagem e deu ordens para partir no dia seguinte. Como agradecimento, Haydn compôs uma missa para celebrar o santo homônimo do príncipe na capela do castelo de Eisenstadt. Como não houve tempo os músicos repetiram a música do Kyrie para suprir a falta do Dona nobis pacem – que foi composta mais tarde (1800?). Com o tempo houve uma associação a São Nicolau e ao Natal.


sábado, 9 de dezembro de 2017

CINE MARAPÉ

         É muito provável que ao fazer compras no Supermecado Abreu, onde se “economiza do começo ao fim”, a maioria das pessoas não se dê conta de que aquele foi o endereço do saudoso Cine Marapé: Av. Pinheiro Machado 677. Para grande alegria dos moradores do CANAL 1 e adjacências, a Empresa de Cinemas de Santos inaugurou a casa na quarta-feira 24 de setembro 1952.
         Anúncio foi publicado em  A TRIBUNA na véspera, no alto da página da programação das salas da Empresa de Cinemas de Santos, propriedade de André Branda e Antonio Campos Jr.

“AMANHÃ – inauguração do Cine Marapé às 19h30. Uma lacuna que se fecha! Um bairro florescente, em constante crescimento, agora se completa, ganhando uma magnífica casa de diversões! Para o espetáculo inaugural, foi escolhido um programa excelente, destinado a todos os públicos. É para fazer as delícias de velhos, moços e crianças... que estão ansiosos para conhecer o novo cinema!...”

         Naquela noite tão especial para o bairro, foram exibidos dois filmes. O primeiro foi “Você já foi à Bahia?”, produção da Disney de 1944 como parte do programa de esforço de guerra dos Estados Unidos. No Brasil, fora lançado em fevereiro de 1945. O roteiro se desenvolve a partir dos presentes que o Pato Donald recebe de seus amigos latinos - ente eles o Zé Carioca - e no meio da história Donald se apaixona por Aurora Miranda (1915-2005) com quem contracena.

"The Three caballeros".

O segundo filme da noite foi “Os filhos dos três mosqueteiros”, uma produção norte-americana de 1949, lançada apenas em 1952. No elenco, Maureen O’Hara (1920-2015) e Cornel Wilde (1912-1989). A não ser a referência aos três mosqueteiros, não tem nada a ver com a obra de Alexandre Dumas (1802-1870). Apenas Atos teve um filho, protagonista do livro “O Visconde de Bragelone”.  
No dia seguinte, A TRIBUNA publicou uma pequena matéria de pé de página informando que a inauguração fora um sucesso, casa lotada e destacando a qualidade dos aparelhos de projeção e sincronização. Esqueceu de mencionar que a sala dispunha de 1.100 lugares!

O cinema funcionava todos os dias com programação bastante variada. 
Como todos os outros cinemas de bairro, o Cine Marapé não resistiu aos novos tempos e fechou há muitos anos. Uma curiosidade: o nome do bairro só foi oficializado em 1953 e assim a empresa de cinema se adiantou ao dar à casa o nome popular daquela região da cidade.

Era uma vez um cinema... (Imagem GOOGLE, street vew.)