sexta-feira, 28 de abril de 2017

PANORAMA BRASILEIRO


           Abril vai chegando ao fim com jeito de maio – tempo encoberto e frio. Do alto da Serra do Mar uma das muitas visões da Baixada Santista. Um caminho histórico entre o mar e o planalto, cortando a Mata Atlântica. Sob o sol ou chuva sempre belo. Fotos: Hilda Prado, 2017. 

Baixada Santista vista do Caminho do Mar.
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domingo, 23 de abril de 2017



“Os livros me ensinam a pensar e o pensamento me faz livre.” Ricardo Leon (1877-1942).

Pierpont Morgan Library Museum, Nova York. 

sábado, 22 de abril de 2017

DIA DA TERRA


        Apenas uma data porque maltratamos impiedosamente nossa casa e, não satisfeitos, estamos em busca de outro planeta que, se nos acolher, sofrerá as consequências da ação desse grande predador que somos. Cientistas calculam a idade dessa maravilhosa bola navegante em 4.54 bilhões de anos. (Foto: Nasa.)

terça-feira, 18 de abril de 2017

DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL E DIA DE MONTEIRO LOBATO.


Quando era criança, sempre quis ser Emília, aquela boneca de pano atrevida que pertencia a Narizinho e atormentava a vida de todos no Sítio do Pica-pau Amarelo – de Dona Benta ao Visconde de Sabugosa. Inesquecível a aparência que o haitiano André Le Blanc (1921-1998) deu à Emília, até hoje para mim a melhor ilustração da boneca. Eu tinha uns nove anos quando ganhei o primeiro livro de Monteiro Lobato (1882-1948) e já havia lido os belos contos de fadas europeus repletos de princesas, fadas, bruxas e príncipes. Um maravilhoso mundo do faz-de-conta, mas a turma do sítio era muito mais próxima da realidade apesar da magia que campeava por aquelas terras. 






Depois da obra de Lobato, minha história infantil preferida é Peter Pan, obra de sir James Mattew Barrie (1860-1937) que conheci graças ao maravilhoso desenho de Walt Disney, lançado em 1953, mas a que assisti tardiamente. Continuo apreciando a literatura infanto-juvenil. Recentemente, tenho me divertido com a coleção Pequeno Filósofo da Martins Fontes.











domingo, 16 de abril de 2017

UM FILME INESQUECÍVEL

Não precisa ser Páscoa para assistir ao musical norte-americano dirigido por Charles Walters e que tem como protagonistas Ann Miller, Fred Astaire e Judy Garland.  "Desfile de Páscoa" estreou em 1948 e nunca perdeu o frescor. Ótima diversão em qualquer época do ano. 

 


sábado, 15 de abril de 2017

PORQUE HOJE É SÁBADO!

"Onda que vens e que vais
Mar que vais e depois vens,
Já não sei se tu me atrais,
E, se me atrais, se me tens."
(Fernando Pessoa)


Swimming boys, óleo sobre tela do alemão Max Liebermann (1847-1935).


sexta-feira, 14 de abril de 2017


CÉU PAULISTANO


"Nuvem do céu, que pareces
 Tudo quanto a gente quer,
Se tu, ao menos, que me desses,
O que se não pode ter!"

OBRA POÉTICA de Fernando Pessoa: "Quadras ao gosto popular". 
Foto: HPPA, 2016.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

DIA DO BEIJO

Amigos, amados e amantes aproveitem e troquem esse carinho na escala correspondente aos laços que os unem. Como tudo nos tempos atuais, o beijo também está banalizado. Dois ou três quando se encontra algum conhecido, ao se despedir da tia para ir à padaria da esquina ou quando se acaba de ser apresentado a um completo estranho em uma festa?
No caso dos amantes o cinema tirou o beijo das alcovas. Na rua, no metrô, na praça, enfim, em qualquer lugar – mesmo nos mais improváveis, há pessoas dando vazão à paixão. No escurinho do cinema?  Os tempos do drive-in já passaram. Haverá beijos drive-through?  Sei lá, sejam felizes.
O primeiro beijo da história do cinema foi em 1896 e os protagonistas foram John C. Rice e May Irwin. O título do filme? “O beijo”, de 1896. O ator John Barrymore (1882-1942) no filme “Don Juan” em 1926 bateu um recorde ao dar 191 beijos em diferentes mulheres, o que totalizou um beijo a cada 53 segundos. Haja fôlego!
Foram Jane Wyman (1917-2007) e Regis Toomey (1898-1991) que deram o beijo mais longo do cinema: três minutos e cinco segundos. O filme era “You’re in the Army now” (A serviço de sua majestade), rodado em 1941. Em “From here to eternity” (A um passo da eternidade), Burt Lancaster (1913-1994) e Deborah Kerr (1921-2007) acenderam o fogo na plateia com uma cena tórrida nas areias do Havaí. Era 1953 e o filme levou oito estatuetas do Oscar.
E assim durante todo o período romântico do cinema nenhum filme era bom se no final não houvesse um beijo – foram os bons tempos do happy end. A história do beijo no cinema está resumida no belíssimo filme italiano “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore (1988).
Em fevereiro de 2005, a atriz Natalie Portman (1981) e o ator israelense Aki Avni (1967) foram expulsos da área do Muro das Lamentações em Jerusalém onde filmavam Zona Franca por causa de uma cena de beijo. Os religiosos ortodoxos acusaram o casal de imoralidade

O grande beijo do século XX foi fotografado por Alfred Eisenstaedt (1898-1995) para a revista LIFE. Aconteceu em agosto de 1945 em Times Square, Nova Iorque: durante as comemorações do final da guerra o marinheiro entusiasmado com a vitória surpreende uma enfermeira com um beijo audacioso. A foto conquistou o mundo pela expressividade. Os dois nunca foram identificados, mas ninguém se incomodou com isso. 

Civitavecchia, Itália.

A um passo da eternidade...

quarta-feira, 12 de abril de 2017

                           PÁSCOA E OVOS
Abril sem duas sextas-feiras seguidas, graças aos feriados cristão (14) e cívico (21). Se as pessoas estão realmente ligadas à simbologia religiosa da Páscoa não tenho ideia, mas certamente há uma correria geral para comprar ovos de páscoa. Quanto a Joaquim José da Silva Xavier quero crer que seja devidamente reverenciado nas escolas por sua participação em um importante momento histórico do Brasil, porém, sou cética. Creio que o interesse quase geral é pelo feriado e as suas possibilidades.
Os povos antigos do hemisfério norte comemoravam a chegada da primavera na primeira lua cheia da nova estação. Os judeus celebravam a partida do Egito rumo a Jerusalém (Pessach) também na primeira noite de lua cheia da primavera. Como Jesus teria morrido na sexta-feira da páscoa judaica, a igreja católica instituiu a semana santa no ano de 325 (Conselho de Niceia): quinta-feira de endoenças, sexta-feira da paixão (morte de Jesus); sábado de aleluia (ressurreição) e domingo a páscoa (celebração da vida). A páscoa é uma festa móvel, baseada no calendário lunar, assim como o carnaval cuja data depende da lua cheia da primavera (outono aqui no hemisfério sul).
Em muitas culturas o ovo é considerado símbolo do nascimento e da vida. Quando viram os portugueses comendo ovos os nativos brasileiros ficaram horrorizados, segundo historiadores; entretanto, apreciaram muito os galináceos em geral. A pintura de ovos de galinha é uma tradição praticada por gregos e egípcios e comum na Europa muito antes do advento do cristianismo.
Nos dias atuais, graças aos apelos publicitários, as pessoas querem mesmo ovos de chocolate bem recheados de guloseimas – alguns até incluem algum mimo não comestível. No ano passado a produção girou em torno de 80 milhões de ovos ou 20 mil toneladas de chocolate!
Muito antes de a publicidade mover o mundo, a paixão de um homem por uma mulher induziu a criação de um ovo muito especial. Resumo da ópera: Maria Feodorovna, mulher do czar Alexandre III da Rússia, era apaixonada desde criança por um ovo decorativo da tia, princesa Guilhermina da Dinamarca. Em 1885 Alexandre III para surpreendê-la encomendou um ovo ao joalheiro Peter Carl Fabergé. A parte externa era esmaltada de branco, o que lhe conferia a aparência de um ovo de verdade; porém quando o ovo era aberto revelava a gema de ouro; a gema, que também se abria, escondia uma minúscula galinha e uma réplica de diamante da coroa imperial russa.
Maria Feodorovna e a família Romanov se encantaram com o valioso e criativo presente de Páscoa. Fabergé foi incumbido de criar todos os anos um ovo, ou melhor, uma joia na forma de ovo. O filho do casal, Nicolau II, prosseguiu com a tradição. Foram criadas cinquenta peças, mas só restam 43 – dez permanecem no Kremlin; o primeiro e mais oito ovos podem ser vistos no Fabergé Museum (S. Petersburg, Rússia); The Rose Trellis Egg encontra-se no Walters Art Museum (Baltimore, USA), cinco são propriedade do Virginia Museum of Fine Arts e os demais fazem parte de coleções particulares.



 

terça-feira, 11 de abril de 2017

AO LONGO DE UM RIO: 1975.

A primeira cidade da rota do barco Benjamim Guimarães, SÃO ROMÃO, que surgiu em 1668 com o nome de Santo Antonio da Manga, depois tornou-se Vila Risonha de Santo Antônio da Manga de São Romão e quando foi elevada à categoria de cidade em 1923 teve o nome reduzido para S. Romão. Vamos em frente. "E a formosa cidade de SÃO FRANCISCO, a quem o rio olha com tanto amor", nos dizeres do escritor Guimarães Rosa. São Francisco foi fundada em 1887. É famosa pelo pôr do sol, mas o que não falta é um belo entardecer ao longo do rio. O espetáculo do nascer do sol também se renova diariamente. Chegamos a PEDRAS DE MARIA DA CRUZ, na época distrito de Januária (cidade desde 1992). O nome da cidade é homenagem a Maria da Cruz, educadora e benemérita do século XVII. Quem nasce em Pedras de Maria da Cruz? Pedrenses.
Chegamos a JANUÁRIA. Boa parte dos passageiros se abastece com o principal produto da cidade: cachaça. A malvada é essencial para ajudar a enfrentar a comida de bordo. A cidade foi fundada no século XVII. A Igreja da Nossa Senhora do Rosário, construída em 1688, é uma das mais antigas de Minas.
O barco toma o rumo de ITACARAMBI – (rio das pedras arranhadas), famosa pela Gruta Olhos d’água; Matias Cardoso – distrito na época, elevada á cidade em 1993. O nome é homenagem ao bandeirante. Passamos por MANGA cuja origem também é o bandeirantismo. O lugar teve vários nomes até a instalação do município em 1923.
Chegamos à Bahia. Porta de passagem é CARINHANHA, que se tornou vila em 1832 e cidade em 1909. Numa curva do rio surge uma torre medieval. Visão estranha naquele sertão. Chegamos a BOM JESUS DA LAPA, cidade santuário que, atualmente, atrai dois milhões de peregrinos por ano. O lugar tem origem com a chegada por volta de 1680 do português Mendonça Mar, que se instalou na gruta onde viveu em isolamento até que garimpeiros o encontraram e espalharam a notícia do homem santo. Mendonça Mar (ironia do destino sua vida à beira-rio) tinha uma bela visão do São Francisco a partir da gruta.
Navegar é preciso como diz o poeta. Passamos por PARATINGA (rio branco em tupi) e IBOTIRAMA (flor promissora) ambas formadas no século XVIII; MORPARÁ e COPIXABA. Chegamos à BARRA – antiga Vila de São Francisco de Chagas da Barra Grande do Rio (ufa!). A história do lugar remonta a um arraial do século XVII, mas só se tornou cidade em 1873 e mais tarde foi desmembrada formando outras cidades entre as quais Pilão Arcado e Carinhanha à margem do rio. Anotação da época: “cidade das casas rebuscadas, três igrejas e três praças – as árvores ficam na rua ao redor da praça. Pessoas se oferecem para guiar os turistas”.
Passamos por IBIRABA chegamos a XIQUE-XIQUE – o nome provém de um cacto comum na região. Quase meia-noite. Cidadezinha agitada. Nos barzinhos ou botecos, o rock corre solto. Grande decepção. Nada de música regional. Enfim,os xiquexiquenses têm direito de apreciar um bom rock.
A viagem prossegue para SALDANHA – nenhuma anotação. No dia 29 de janeiro chegamos a PILÃO ARCADO, que já estava em processo de abandono – atracadouro quebrado, porcos soltos pelas ruas, nenhum armazém funcionando. Chama atenção as pedras cor-de-rosa. Essa cidade não existe mais. A população foi transferida no final daquele ano para a nova Pilão Arcado, planejada e construída pelo Governo Federal, por meio da Companhia Hidrelétrica do São Francisco  (CHEFS). A antiga cidade com origem no século XVII foi inundada por causa da construção da barragem de Sobradinho.
Destino igual tiveram REMANSO, SENTO SÉ, CASA NOVA e SOBRADINHO. Muito estranho saber que estava vendo pela última vez aquelas cidades – as cidades originais. Angustiante para os moradores que veriam suas histórias de vida desaparecerem completamente sob as águas do rio... E o futuro como seria? Espero que tenha sido melhor.
Chegamos a Petrolina (PE) no final de janeiro. Os passageiros com destino a Juazeiro (BA) do outro lado do rio tiveram direito a transporte a bordo de um pau-de-arara – outra experiência irrecusável. 
Pôr do sol na cidade de São Francisco (MG). Foto: Prefeitura.
New Orleans, 2013: matando saudade do  S. Francisco no barco do rio Mississipi. 
Foto: Hilda Araújo.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

NAS ÁGUAS VERMELHAS DO SÃO FRANCISCO

Em 1819, o botânico e naturalista francês Auguste Saint-Hilaire (1779-1853) fez uma viagem até a nascente do rio São Francisco a partir do Rio de Janeiro. A aventura, por assim dizer, originou o livro “Viagem às nascentes do Rio São Francisco e pela província de Goiás”, publicado em 1848 em Paris. O rio São Francisco nasce na serra da Canastra em Minas Gerais e percorre 2.863 km até o Oceano Atlântico depois de atravessar a Bahia, fazendo a divisa desse estado com Pernambuco e mais adiante faz a divisão entre os estados de Alagoas e Sergipe. O velho Chico, o chamado rio de integração nacional, tem 36 afluentes, sua bacia hidrográfica, a terceira maior do Brasil, banha 503 municípios e abrange sete estados. O rio é navegável em dois trechos: o médio entre Pirapora (MG) e as cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) tem 1.371 km; e  o baixo, com 208 km, vai de Piranhas (AL) ao Atlântico.
Em janeiro de 1975 empreendi a aventura de Pirapora a Petrolina a bordo da gaiola Benjamim Guimarães, barco a vapor movido a rodas de pás, fabricado em 1913 pelo estaleiro James Rees, de Pittisburgh, Pensilvânia (EUA). Barco lotado – populações ribeirinhas, estudantes do eixo Rio/São Paulo/Minas e alguns turistas estrangeiros dormindo em redes no convés por Cr$ 94. Uma cabine de primeira classe custava R$ 1. 000,00, mas não era tão animada. Duração da viagem: seis ou sete dias. A passagem incluia três refeições por dia e o passageiro da geral tinha que levar o próprio prato, talher e copo na bagagem. (Lembro de um operário que fazia as refeições no capacete). Uma multidão aguardava a hora do embarque e assim que se alcançava o convés era preciso pendurar a rede para garantir a pousada. Aos retardatários, o chão! E o chão logo estava repleto de mochilas.
Partimos no dia 25 de janeiro. Para quem não sabe a gaiola é um barco dotado de uma caldeira que produz o vapor para mover as rodas de pás que funcionam como mecanismo de propulsão. O primeiro vapor a navegar pelo São Francisco foi o “Saldanha Marinho”, importado dos Estados Unidos em 1871 e montado em Barbacena (MG). Benjamim Guimarães singrava bravamente pelas águas barrentas do rio parando rapidamente aqui e ali para pegar ou deixar passageiros ou em estadas mais demoradas para se prover de lenha para abastecer a caldeira voraz.
O São Francisco ofereceu-me uma gama de paisagens inesquecíveis e algumas irrecuperáveis porque desapareceram com a construção da barragem de Sobradinho. Foram vinte e três localidades aos longo dos 1.371 km até Petrolina.
O Benjamim Guimaraes é tombado pelo patrimônio histórico local e estadual, atualmente, passa por reformas. O nome é homenagem a Benjamim Ferreira Guimarães (1861-1948), industrial, banqueiro e filantropo mineiro.


Foto: Prefeitura de Pirapora (MG).









sábado, 8 de abril de 2017

PORQUE HOJE É SÁBADO

"Festa no Arraial", obra de  Anita Malfatti, óleo sobre madeira, década de 1940.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

MÉDICOS A SERVIÇO DA JUSTIÇA

Ele é o médico com quem ninguém quer marcar consulta embora nenhum dos seus clientes tenha queixas contra ele, mas tampouco nenhum o recomende. Não importa se é homem ou mulher, bonito ou feio, competente ou não. Não diria que ele é de matar, pois, afinal, quase todos chegam à sala dele quando já morreram. Trata-se naturalmente do médico legista, uma especialização que ganhou notoriedade há alguns anos, quando algumas séries policiais americanas de TV deram destaque à importância da medicina legal nas investigações criminais.
Hoje é o dia do médico legista: em 7 de abril de 1886 foi criada a a perícia médico-legal por meio da lei nº 18. Na verdade, o médico legista é responsável pelo exame de corpo de delito em vítimas vivas ou mortas. Elabora laudos que permitem a análise de fatos ocorridos durante o crime, identifica armas usadas, causa da morte e até pode fornecer características do criminoso, ajudando na investigação. O erro do legista na necropsia pode causar grandes problemas de justiça.
David McCallum, Jr. (1933): NCSI.

Atualmente, quase todas as séries policiais incluem o profissional em suas histórias. O mais simpático personagem é o médico velhinho de NCSI, Donald "Ducky" Mallard, interpretado pelo ator escocês David McCallum, Jr. (1933). Personagem pioneiro em entabular longas conversas com os clientes em sua mesa. Pioneiro porque o sucesso do seu personagem levou outras séries a copiarem o modelito. Robert Joy (1974) no papel de Sid Hammerback em CSI New York também como o Duck adora contar histórias fora do contexto.

Em CSI Miami o personagem de Khandy Alexander (1957) é Alexx Woods, muito exagerada (na linha do canastrão David Caruso) em suas conversas com os mortos. O legista de CSI David Al Roberts, vivido por Robert David Hall (1947), gosta de rock e frequentemente está às voltas com as próteses das pernas.
Sacha Alexander (1973) deixou NCSI quando a personagem dela foi morta e acabou na mesa do Duck; mas a atriz retornou à ativa como Maura, legista da série Risolis & Isles – uma patricinha inteligente e complicada. 
Tamara Taylor.

Em matéria de legista elegante nesse mundo de ficção o prêmio fica com Tamara Taylor (1970), da série Bones. A série é baseada na experiência da norte-americana Kathleen Joan Reichs, antropóloga forense (especialista na identificação de corpos humanos) que é a criadora da personagem presente em seus vários livros de ficção. Na TV Bones é interpretada por Emily Deschanel (1976).


Em Castle, a atriz Tamala Jones (1974) interpreta a legista Lanie Parish temperamental namorada de um detetive. CCH Pounder, que estrelou o delicioso “Bagdá Café” (filme de Percy Adlon – 1987), é Loretta Wade, a médica legista de NCSY New Orleans.
E para encerrar, na série canadense de época Mistérios do detetive Murdock, a função de legista cabe a uma médica feminista Julia Ogden (Hélène Joy, 1978) e tão inovadora na profissão quanto o detetive Murdock.
Os meus seriados preferidos são Bones, NCSI e Mistérios do detetive Murdock. 


quinta-feira, 6 de abril de 2017

DIA MUNDIAL DA SAÚDE
Segunda-feira, 6 de abril de 1970: comecei meu estágio no jornal CIDADE DE SANTOS, após uma entrevista relâmpago com chefe de redação Argemiro Pereira de Paula na semana anterior. Estava no último ano da faculdade, era extremamente tímida. Nilton Tuna, colega de classe e grande amigo até hoje, me falara da vaga de estágio. Durante a conversa De Paula aproveitou um momento de distração e colocou em minha bolsa um grampeador. Saí satisfeita por ter conseguido o estágio, mas em casa achei o objeto estranho, me assustei e voltei imediatamente para devolvê-lo. Divertido com a situação, contou para a redação que eu havia voltado para devolver o grampeador. Risadas gerais. Começava ali uma grande campanha contra a minha timidez, chefiada por Alci Souza, João Sampaio, Itamar Miranda e o próprio De Paula entre outras pessoas.
No dia 6, me apresentei ao chefe de reportagem Mário Skrebys que deu à repórter Ercília Pouças Feitosa, – desde então amiga de todas as horas –, a companhia da foca durante o dia de trabalho. Difícil de esquecer a data porque ela foi entrevistar o secretário de Saúde de Santos Áureo Rodrigues para uma reportagem sobre o Dia Mundial da Saúde (7 de abril). Acho que aprendi direitinho com ela as primeiras lições práticas da profissão, porque fui contratada em junho daquele ano.
Um dia importante porque encontrei um caminho do qual nunca me afastei e onde fiz amigos muito queridos. O jornalismo foi um grande aprendizado de vida.
Enfim, a Organização Mundial de Saúde (OMS) foi criada em 7 de abril de 1948, data escolhida para divulgar questões de saúde em âmbito mundial. O lema da campanha deste ano é “Depressão: vamos conversar”. 

sábado, 1 de abril de 2017


CHEGOU ABRIL

                              Mês de lagartear ao sol, como dizia Monteiro Lobato (1882-1948). 








Abril: iluminura das Riquíssimas Horas do Duque de Berry, c. 1415.  O livro, um belo e luxuoso breviário ou livro de devoções, foi encomendado pelo duque, João da França (1340-1416), aos irmãos Limbourg. O destaque da obra é o belíssimo calendário que reproduz as atividades de cada mês e a imagem do céu que lhe corresponde. Na Europa é primavera, tempo de vida ao ar livre e tempo de os noivos trocarem alianças diante da família e convidados. Museu Condé, Chantilly (França). 

quinta-feira, 30 de março de 2017

FUNDO DO BAÚ
De vez em quando é preciso limpar o baú para abrir espaço para novos guardados. Aquelas preciosidades que se acredita que são únicas, não devem ou não podem ser esquecidas e desejamos reler ou rever algum dia... Entretanto, atualmente, quase tudo está disponível na Internet e muita coisa pode ter um destino novo – doação ou descarte. A avaliação tem que ser criteriosa para evitar arrependimentos futuros.
Assim, vou tirando quatro exemplares da revista “Correio da UNESCO” (1975,1982, 1983 e 1988), com artigos sobre o mundo dos ciganos modernos, guerra e paz, e o Egito dos faraós. Elas têm lugar garantido, embora o Correio da UNESCO desde 2006 esteja disponível on line nas seis línguas oficiais da ONU – árabe, chinês, inglês, francês, russo e espanhol – e também em português.
Há um solitário exemplar da revista O CRUZEIRO de 13 de janeiro de 1945. Nem pensar em me desfazer dele. Vale para a Manchete de 23 de agosto de 1952 cuja manchete é “A luta secreta pela sucessão”, com foto de Vargas fumando seu charuto. Entretanto, paira dúvida sobre encarte com os 25 CONTOS ERÓTICOS, escritos por 25 mulheres premiadas no concurso nacional promovido pela revista STATUS em 1980. Lembro que são histórias apenas razoáveis.
É a vez de duas edições comemorativas da revista LIFE, criada em 1936: a que marca os 50 anos da publicação e a do 60º aniversário – esta com uma capa belíssima com um mosaico de fotos das capas da revista ao longo do tempo. É um prazer folhear a edição de 1996 que traz um resumo da história do século XX em imagens fortes e inesquecíveis. Uma preciosidade em matéria de jornalismo. Ficam.
Uma revista PHOTO. Destacam-se “Marilyn Monroe: les grandes photos d’une vie” e as primeiras fotos coloridas dos irmãos Lumière, feitas entre 1906 e 1910. Cartier Bresson (1908-2004) também está na edição. Mantida. Há também uma NEWSWEEK comemorando (?) os 50 anos de Bond – James Bond. Apesar de fã da série de Ian Fleming (1908-1964), o motivo da aquisição da revista foi mesmo o artigo que o historiador inglês Simon Schama escreveu sobre a obra do conterrâneo. Há também uma edição da L’ EXPRESS INTERNATIONAL com reportagem sobre Jean Moulin (1899-1943) – o controverso líder da resistência francesa durante a II Guerra. Todas com lugar garantido no baú.
Há dúvida quanto ao destino da edição de lançamento da DISCOvERY MAGAZINE (agosto de 2004), que ao folhear revela várias matérias interessantes, assim como o exemplar da SCIENTIFIC AMERICAN Brasil (2015) – não atino o motivo da compra. Precisa de uma avaliação mais demorada, mas já vislumbrei um tema que me interessou no início deste ano.
Enfim, o que será descartado? Com certeza os pacotes de folha A4 e outros papéis especiais porque não imprimo mais nada por questão de economia; uma coletânea de mapas (Brasil, Estado de São Paulo, RM de São Paulo e Santos) – encartes de QUATRO RODAS, talvez. Ficarão apenas quatro – um de cada lugar. Vai embora também o ATLAS National Geographic – Europa II, da ABRIL, cujo miolo é Brasil. Algum terremoto na gráfica. Como tenho outro melhor ele será doado. Aliás, não sei o motivo da compra, pois não tenho Europa I.

Ah! Enfim, espaço para outros achados... Hora de reorganizar o baú. 


domingo, 26 de março de 2017

BARRA FUNDA DE ELIAS CHAVES

É estranho caminhar pela Avenida Rio Branco, na Barra Funda, para visitar um palacete, pois os arredores encontram-se em decadência progressiva. Os tempos de fausto se foram, mas ainda há resquícios que, felizmente, a sociedade paulista tenta preservar. Destino Palácio dos Campos Elíseos.
No final do século XIX, o fazendeiro e empresário Elias Antônio Pacheco e Chaves (1842-1903) mandou com construir a residência da família no terreno situado na Alameda dos Bambus (Avenida Rio Branco) com fundos para a Alameda Guaianases, na esquina da Alameda Glete. Não poupou recursos. Nem precisava porque era uma dos homens mais ricos da época. Elias Pacheco e Chaves era proprietário da mais importante exportadora brasileira de café – a Companhia Prado Chaves Exportadora de Café, criada em 1887, com o sogro e os cunhados Antonio Prado e Martinho da Silva Prado Júnior. O grupo tinha catorze fazendas em São Paulo com cerca de dois milhões e quinhentos mil pés de café (1906), e mantinha subsidiárias em Londres, Estocolmo e Hamburgo.
Elias Chaves precisava de uma casa grande. Afinal, ele e Anésia da Silva Prado tinham dez filhos. Assim, ele encomendou o projeto ao arquiteto alemão Matheus Haussler e a obra levou seis anos para ser executada (1893-1899). A finalização foi dirigida pelo cenógrafo italiano Claudio Rossi e pelo arquiteto alemão Hermann Von Puttkamer; a parte da carpintaria coube a outro alemão: João Grundt.
Em 1899 a família mudou para o palacete, que dispunha no térreo de sala de visitas com piano, saleta, salão nobre, sala de jantar, gabinete de trabalho, sala de bilhar e quarto de estudos; uma escada em caracol conduzia ao andar superior onde havia oito quartos de dormir, três quartos de vestir e uma galeria que era usada com área de estar. Havia um único banheiro na casa. No porão, ficavam as dependências de serviço; havia ainda acocheira com uma vitória e dois cavalos argentinos e o bebedouro. Havia seis dormitórios para os empregados. As edículas situam-se no fundo do terreno (Guaianases).
Foi o luxo e o conforto da casa que levaram o governo de São Paulo a requisitá-la em 1906 para hospedar o secretário de Estado norte-americano Elihu Root. A família permaneceu na casa até 1911, quando foi comprada pelo governo paulista para servir de residência aos chefes de Estado. Valor do investimento: 580 contos de réis. Quem estreou a nova moradia foi o Conselheiro Francisco de Paula Rodrigues Alves (1848-1919), que presidiu o Estado de São Paulo de 1912 a 1916; foi sede do Governo do Estado até a mudança para o Morumbi em 1973 e a partir de então o palacete sediou várias secretarias de governo.  
Prédio tombado pelo CONDEPHAAT em 1977. Fechado, no momento. Motivo: obras de restauro.
(Campos Elíseos foi parte da propriedade dos alemães Frederico Glete e Victor Nothmann, conhecida como Chácara dos Bambus. O projeto de urbanização foi de autoria do engenheiro Hermann Von Puttkamer.)
 
Prédio fechado para obras de restauro (Foto: HPPA, 24/03/2017). 

Foto: site da Secretaria de Estado da Cultura. Autor não creditado.
 Fontes: sites do Governo do Estado de São Paulo e do CONDEPHAAT. 
O Palacete paulistano e outras formas paulistanas de morar da elite cafeeira”, de Maria Cecília Naclério Homem São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010.


sábado, 25 de março de 2017

UM BRINDE AO BOM GOSTO

James Stewart, Grace Kelley e o Montrachet: Janela Indiscreta (1955).
            Não é preciso gostar de vinho para apreciar este livro. As histórias curtas são repletas de surpresas. Mesmo cenas banais – como a do filme “Janela Indiscreta”, de Alfred Hitchcock (1954) – se renovam quando espargidas pelo vinho que a dupla romântica degusta na tela tão bem iluminada pelo texto do jornalista e escritor paulista José Guilherme Rodrigues Ferreira. O livro é “Vinhos no Mar Azul. Viagens enogastronômicas” que tive a felicidade de ganhar do autor, colega do Jornal da USP que não encontro pessoalmente há alguns anos.
          Que tal começar com o próprio Dionísio dando uma entrevista à CNN? A viagem começa pelo Chile – mas é perfeitamente possível guiar-se pelos títulos instigantes das crônicas sem se importar em seguir a ordem oferecida pelo autor. Que tal acompanhar Thomas Jefferson, um dos fundadores da nação americana, aos mais famosos vinhedos franceses do mundo em pleno inverno de 1787? Ou se deliciar com o tour de uma girafa africana ao longo de rios e vinhedos franceses. Não se engane com o apelo do rinoceronte. Há formigas também. Mitologia, literatura e música estão presentes nessa viagem que pode ser muito bem acompanhada por seu vinho preferido. Ah! No final, só no final, José Guilherme Rodrigues Ferreira relata a trajetória do saca-rolha.       

Vinhos no mar azul, viagens enogastronômicas, de José Guilherme Rodrigues Ferreira. São Paulo, SP: Editora TERCEIRO NOME, 2009.

quarta-feira, 22 de março de 2017

DIA MUNDIAL DA ÁGUA
(22 de março)


A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão,
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água. 
[...]

Do poema “Cão sem plumas”, de João Cabral de Melo Neto (1920-1999).

Giovanni B. Castagneto: Paisagem com rio e barco ao seco em São Paulo 
‘Ponte Grande’, 1895; óleo sobre madeira, acervo do MASP. 

Benedito Calixto. “Inundação da Várzea do Carmo”,
1892, óleo sobre tela de Museu Paulista da USP.





sexta-feira, 17 de março de 2017

O JEITO PAULISTANO DE SER

O Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000) é um edifício feioso, mas com um espaço bem interessante. O projeto é de Eurico Prado Lopes e Luiz Telles. Ali, se encontram a Biblioteca Sérgio Milliet, a Discoteca Oneyda Alvarenga, Coleção de Arte da Cidade (pinacoteca municipal), cinema, teatro e realizam-se cursos e oficinas de vários tipos. Há até uma horta comunitária.
Bem agradável circular pelo Centro. Quem vai de metrô, desce na estação Vergueiro e já sai nos jardins Eurico Prado Lopes que tem uma vista bonita da cidade. No trajeto, há várias mesas ocupadas por pessoas estudando, navegando em seus notebooks, lendo ou simplesmente batendo papo. Logo na entrada coberta, as coisas ficam mais agitadas. 


 Jovens reúnem-se para aprender a dançar – street dance ou um bom forró (sem música) e ensaiar coreografias. Na falta de espelho (afinal, ali é um corredor) usam o reflexo nos vidros. 

Mais adiante fica a turma do xadrez – um pouco mais velha, mas nada impede que os jovens se avizinhem para usar o computador. O corredor leva à biblioteca (sempre cheia) que fica no subsolo e à galeria de exposições acima dela. 
                                                                                                                                            




Uma escadaria leva à cobertura, onde sempre é possível se reunir para um papo, discutir grandes planos, ler ou tomar sol. 






Para quem passa o dia por lá há restaurante (que não abre aos domingos) e lanchonete, que funciona aos domingos. O Centro Cultural não abre às segundas-feiras. (Fotos: Hilda Araújo, 12/03/2017.)

quinta-feira, 16 de março de 2017

EM BUSCA DA FELICIDADE
Por desejo o homem é capaz de cometer as maiores loucuras. Foi por desejo que Eva aceitou a maçã, causadora da expulsão de Adão e Eva do Paraíso, segundo o mito da criação. Zeus, deus dos deuses da mitologia grega idealizados à imagem e semelhança dos homens, não poupava esforços para realizar seus desejos: transformou-se em forasteiro, camponês e nos mais variados animais (cuco, águia, cisne entre muitos outros) e até em chuva de ouro e labaredas. O mais sábio dos homens, Salomão, não resistiu à beleza da rainha de Sabá. Herodes desejava Salomé, que desejava João que amava a Deus sobre todas as coisas, mas nesse jogo de desejos, foi ele quem perdeu a cabeça. Literalmente.
Da antiguidade até os tempos atuais quase nada mudou. A indústria do cinema, consolidada no século XX, tornou-se uma fábrica de desejos. Homens e mulheres ansiando por fama e fortuna na mesma medida em que se tornam objeto do desejo dos simples mortais do planeta. Marilyn Monroe – que os homens queriam – desejava ser uma intelectual; antes de se tornar princesa, Grace Kelly que era objeto do desejo dos homens, sempre fez dos homens o objeto de seus desejos...
Freud, então, não deixou pedra sobre pedra quando proclamou que parte da humanidade desejava a mãe e a outra, o pai. E assim foi todo mundo para o divã tentar curar as taras, que Nelson Rodrigues, com enorme talento, expôs em sua obra.
Mas o que é o desejo? O desejo é a força motriz da civilização.
A Fontana di Trevi (Roma), mais conhecida como Fonte dos Desejos, é prova disso. Não há turista que resista ao impulso de jogar uma moedinha na esperança de ter seus desejos realizados (certamente voltar a Roma é o principal).
 “Sem desejo não há frustração” – já dizia filósofo e político romano Marco Túlio Cícero (106-42 a. C.).  Voilà!
(Fotos: Hilda Araújo, 2011.)

Multidão admira a Fontana de Trevi, na foto ao lado.