segunda-feira, 6 de março de 2017

SOB O CÉU DE POMPEIA
                   
O que se espera encontrar em uma verdadeira cidade fantasma com quase dois mil anos de existência? Pompeia (Itália) desperta sentimentos variados, mas não deixa ninguém indiferente ao destino dos moradores que foram vítimas da erupção do Vesúvio. Para mim a surpresa maior foi descobrir que não somos muito diferentes das pessoas daquela época, que algumas coisas pouco mudaram. Como o anfiteatro, que parece perfeito para um evento contemporâneo.
No ano 79 da nossa era, as cidades de Pompeia e Herculano foram soterradas pela violenta erupção do Vesúvio que até então parecia aos moradores uma montanha tranquila com bosques e vinhedos. O vulcão adormecido já dera sinais de que despertava em 69, quando houve um terremoto que destruiu várias cidades da Campânia e também afetou Pompeia. O Vesúvio entrou em erupção no outono – entre outubro e novembro, surpreendendo a população em seus afazeres cotidianos. As pessoas tentaram simplesmente fugir, outras ainda se preocuparam em levar alguns bens e muitos conseguiram escapar da fúria da natureza.
Caio Plínio Cecílio Segundo, o Jovem, (61-114), participou da operação de resgate do seu tio-avô, Caio Plínio Segundo ou Plínio, o Velho, e escreveu mais tarde sobre o que testemunhou:
          “As cinzas caíam, quentes e espessas, sobre os navios e do Monte Vesúvio surgiam grandes lençóis de chamas e enormes incêndios cada vez em mais lugares, e seu brilho e clarão contrastavam com a escuridão da noite.”
“Atrás de nós pairava uma terrível nuvem negra, rasgada por clarões repentinos de fogo, contorcendo-se como uma serpente e revelando lampejos maiores do que relâmpagos... Se ouviam os gritos estridentes das mulheres, o choro das crianças e os gritos dos homens. A escuridão acabou cedendo, e finalmente surgiram a verdadeira luz do dia e um sol pálido. Diante de nossos olhos aterrorizados, tudo parecia mudado, coberto por uma espessa camada de cinzas como uma grande nevada.”
Assim, Pompeia tornou-se uma cidade de onde a vida se esvaneceu deixando petrificados momentos de agonia dos habitantes que não conseguiram escapar do mar de lava, do fogo, das cinzas e, principalmente, dos gases que se expandiam por todos os cantos da cidade.
Plínio, o Velho era almirante da frota do litoral de Nápoles e deslocou-se até Pompeia para tentar resgatar as vítimas do Vesúvio, e observar, como naturalista, a erupção do vulcão. Entretanto, ele também morreu, como narra o sobrinho-neto: “Acredito que foi sufocado pelos vapores densos. Quando o dia amanheceu, seu corpo foi encontrado intacto, sem um ferimento e vestido como em vida”.
Mas há muito a descobrir nessa cidade que ficou soterrada por 1.600 anos e foi encontrada por acaso em 1768. É considerada Patrimônio Mundial pela UNESCO.

Pompeia está situada a 22 km de Nápoles e a viagem de trem é rápida e agradável. O sítio arqueológico fica perto da estação ferroviária. (Cont.)
Retrato do poeta Menander: interior de casa pompeana.


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