terça-feira, 2 de maio de 2017



A COBRA VAI FUMAR
           Hoje é o Dia Nacional do Ex-Combatente, uma data que homenageia os integrantes da Marinha, Exército e Força Aérea que participaram da Força Expedicionária Brasileira (FEB) enviada à Itália na II Guerra Mundial (1939-1945). Uma justa homenagem aos 25.334 participantes da Campanha da Itália entre os quais 67 mulheres, as enfermeiras.
“Levaste na tua sacola
As cores claras da aurora
Levaste no teu bornal
As  cores quentes do sol
Levaste no teu fuzil
A fúlgida flor de anil
Da bandeira do Brasil
Para o mundo libertar (...)”
(“O Canto do Pracinha Só”, de Oswald de Andrade.)
          O Brasil declarou guerra à Itália e à Alemanha em agosto de 1942 e decretou em seguida a mobilização, mas a convocação só aconteceu em 1943, com a criação da Força Expedicionária Brasileira (FEB). A FEB foi fruto dos entendimentos entre Vargas e Roosevelt e não teve apoio dos militares brasileiros que se identificavam com o fascismo. Foi feito o estritamente necessário para cumprir o acordo entre o presidente norte-americano e o ditador brasileiro e desde o início ficou patente o desinteresse pelos convocados. A demora em decidir sobre o embarque tornou-se piada – a população dizia que “era mais fácil uma cobra fumar do que a FEB lutar”. Os soldados não perderam o brio e, já no embarque, transformaram o bordão no grito de guerra. Os aviadores preferiram ir à guerra com o brado "Senta a pua!"
          Enfim, o 1º Escalão da FEB – composto por 5.075 homens, incluindo quatro generais e 1.535 oficiais – embarcou sob o comando do coronel João Segadas Viana, no navio-transporte americano General Mann, que partiu do Rio de Janeiro no dia 2 de julho, chegando a Nápoles catorze dias depois. Em meados de setembro, o 1º Escalão teve seu batismo de fogo ao lado dos americanos. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, os 2º e 3º Escalões da FEB embarcavam para a Itália, no navio transporte americano General Meighs (5.239 soldados) e no General Mann (5.075 homens). As duas embarcações zarparam, no dia 22 de setembro. No dia 23 de novembro, o General Meighs transportou mais 4.691 praças e 285 oficiais do 4º Escalão da FEB, sob o comando do Coronel Travassos. Foram ainda transportados por via aérea, 44 médicos e 67 enfermeiras, totalizando 25.334 participantes da Campanha da Itália.
“Vou teus irmãos convocar
João, pracinha do Norte
Pedro, pracinha do Sul
Antonio, de Mato Grosso
Ricardo, da Paraíba
Francisco, do Ceará
Negro do cais da Bahia
Mineiro do Sabará (...)”
(“O Canto do Pracinha Só”, de Oswald de Andrade.)
          Em oito meses e 19 dias de luta, a FEB perdeu 443 homens entre soldados e oficiais e cerca de três mil foram feridos em batalha. As forças brasileiras fizeram 20.573 prisioneiros – entre eles dois generais, o alemão Otto Fretter e o italiano Mario Carlonio. Os historiadores ressaltam a participação da FEB nas batalhas de Monte Castelo, Castelnuovo-Soprasasso, Montese (a mais sangrenta) e Fornovo di Taro (três meses de luta em pleno inverno europeu).

          



Um pouco do cotidiano da cidade de Santos (SP), no período da II Guerra Mundial, encontra-se no meu livro:
Disponível na Livraria Nobel, Shopping Parque Balneário, Santos, e no site http://www.comunnicar.com.br/