terça-feira, 9 de maio de 2017

MANUAL DO PENINHA

Bem na época em que se discute a qualidade do jornalismo que se pratica mundo afora, não é que aparece nas bancas de jornal o MANUAL DO PENINHA? Relançamento da publicação de 1973 (Editora Abril), que guardo porque, apesar de destinado ao público infantil, é muito bem feito. Naturalmente, o mundo mudou bastante e as novas tecnologias deram um dinamismo extraordinário ao jornalismo, embora os grandes meios de comunicação ainda não lidem bem com as novidades. Na capa, o repórter atrapalhado carrega um jurássico gravador... Na contracapa, imaginem, ele usa outra ferramenta que já faz parte de museu: a máquina de escrever. Não comprei a nova edição, mas com certeza as inovações do final do século XX e início do XXI devem fazer parte da publicação.
Na edição DE 1973, há um capítulo intitulado “O JORNAL DO FUTURO”, onde o redator já previa algumas das importantes mudanças que hoje são corriqueiras e ao alcance de qualquer pessoa que tenha um PC, TABLET ou outra geringonça eletrônica. “Uma tarefa do jornalismo que ainda consome muito tempo é a complementação da notícia, a pesquisa, a consulta aos arquivos. No futuro, os arquivos serão eletrônicos. Todos os dados de uma biblioteca estarão armazenados ‘na memória’ de possantes computadores. Se, por exemplo, um redator quiser escrever sobre o último campeonato mundial de futebol vencido pelo Brasil, ele só terá que pedir ao computador – falando ou por escrito – o que deseja saber. Segundos depois, os dados serão impressos ou então projetados numa televisão de circuito fechado. E ele logo saberá tudo sobre o assunto.“
Naqueles longínquos anos do século passado, o redator citava o caderno de jornalismo do JORNAL DO BRASIL, do Rio de Janeiro, que ironizava a situação: “no futuro um cérebro eletrônico poderá editar um jornal ou uma revista. O único problema do diretor será ao sair da redação no fim do expediente diário, chamar um contínuo e dizer: ‘Por favor, Percival, não se esqueça de colocar óleo no redator-chefe’”.  Em 2010 o JORNAL DO BRASIL, fundado em 1891, não diria que passou desta para melhor, mas mudou para o mundo digital...
O artigo termina acalmando os candidatos a repórter daquela época: “por mais aperfeiçoadas que sejam, as máquinas não poderão fazer tudo no jornalismo e haverá sempre a necessidade da ‘cuca’  de um bom jornalista para colher, escrever e analisar os fatos. A não ser, é claro, que algum Professor Pardal invente um jornalista eletrônico'”.

 

O personagem Peninha (Disney), um pato atrapalhado e distraído, foi criado em 1964 e apareceu pela primeira vez na Itália. Entre as muitas coisas que ele tenta ser na vida é repórter do jornal A Patada cujo dono é o Tio Patinhas.




Manual do Peninha: R$ 39,90.