sábado, 27 de maio de 2017

SÁBADO TEM FEIJOADA

É antiga a discussão sobre a invenção da feijoada. Aliás, perde-se no tempo o debate sobre a origem do feijão – alguns historiadores dizem que já era consumido há 11 mil anos na Ásia e outros relatam sua existência há sete mil anos no continente americano. Por aqui os silvícolas consumiam feijões e favas, segundo o português Gabriel Soares de Sousa (1540-1591), agricultor e dono de engenho estabelecido em Salvador entre 1565 e 1569.
O folclorista Câmara Cascudo conta que os naturalistas estrangeiros que passaram pelo Brasil no século XIX revelam em seus escritos a presença da leguminosa na alimentação diária da população em todo o país. Eles contam que geralmente o feijão era cozido com carne de vaca e toucinho e outros vegetais. Para o estudioso pernambucano “o que chamamos ‘feijoada’ é uma solução europeia elaborada no Brasil. Técnica portuguesa com o material brasileiro”.
Cascudo cita o cozido preparado com várias carnes (vaca, porco, carneiro, pato ganso), legumes e hortaliças, comum na Europa latina. É o conhecido cozido português; a olla podrida, puchero, paella e cocido espanhóis; pot pourri e cassoulet da França; bollito italiano; pilota catalã (com grão-de-bico) entre outros. “Com esses antecedentes era natural que o português alargasse as fronteiras da feijoada magra e pobre, do triste feijão na água e sal.”
Nas receitas antigas que o pesquisador compilou, nota-se a ausência das verduras que fazem parte dos cozidos tradicionais. E de modo geral usava-se o feijão mulatinho. A chamada feijoada completa surgiu no final do século XIX e início do século XX. Os ingredientes principais são feijão preto, carne seca, linguiça calabresa, paio, lombo defumado, orelha de porco, pé de porco, rabo de porco, língua de porco, costelinha de porco, cebola e alho. Geralmente, acompanham farinha de mandioca (sempre ela), couve manteiga. A laranja também é novidade recente.
Em São Paulo, a feijoada está no cardápio de quase todos os restaurantes às quartas-feiras e sábados. 
Cozinha Caipira, de Almeida Júnior (1850-1899). 

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