domingo, 18 de junho de 2017

 HISTÓRIAS DO BRASIL

O noticiário nacional nos entristece e, frequentemente, nos provoca suspiros enquanto imaginamos como tudo isso começou... Lamartine Babo (1904-1963) fez um esboço da construção da nacionalidade para o Carnaval de 1934. Na marchinha “História do Brasil”, ele atribui a Cabral a invenção do Brasil no dia 21 de abril dois meses depois do Carnaval.  Se você está pronto para apontar erros, esqueça. É carnaval e nada é oficial. É a festa da desconstrução; de Momo, personificação do sarcasmo e da crítica. Assim, Cabral não descobriu, inventou o Brasil e, portanto, por que não em 21 de abril?
O compositor carioca junta os personagens do romance de José de Alencar (1829-1877), Ceci e o índio Peri, transpostos para a ópera “O Guarani” por Carlos Gomes (1836-1896), tempera tudo com feijoada numa referência à contribuição do negro para a cultura brasileira, sem deixar de mencionar a questão da escravatura.


Enfim, Lamartine salta para 1933 e afirma que tudo mudou. “Passou-se o tempo da vovó/ Quem manda é a Severa/ E o cavalo Mossoró”. Severa? Pois é. Severa foi a mascote da Portuguesa de Desportos desde 1920 até 1994. A imagem da portuguesinha em trajes típicos teria sido inspirada na vedete portuguesa Dina Teresa (1902-1984), que protagonizou o filme “A Severa”, baseado na obra de Júlio Dantas e com direção de Leitão de Barros em 1931. Dina Teresa visitou o Brasil em 1933.





O cavalo Mossoró, por sua vez, tornou-se a paixão nacional ao vencer o primeiro Grande Prêmio Brasil, realizado em 6 de agosto de 1933, no Hipódromo Brasileiro (hoje Hipódromo da Gávea), no Distrito Federal. Mossoró era um tordilho puro sangue inglês, propriedade de Frederico Lundgren, fundador das Casas Pernambucanas. A vitória do cavalo pernambucano tornou-se um acontecimento nacional – ele venceu outras competições importantes naquele ano.
Tudo mudou?


HISTÓRIA DO BRASIL
Lamartine Babo

Quem foi que inventou o Brasil?
Foi seu Cabral!
Foi seu Cabral!

No dia vinte e um de abril
Dois meses depois do carnaval

Depois
Ceci amou Peri
Peri beijou Ceci
Ao som...
Ao som do Guarani!

Do Guarani ao guaraná
Surgiu a feijoada
E mais tarde o Paraty 

Depois
Ceci virou Iaiá
Peri virou Ioiô

De lá...
Pra cá tudo mudou!
Passou-se o tempo da vovó
Quem manda é a Severa
E o cavalo Mossoró