sábado, 1 de julho de 2017

ALGUNS FATOS RELEVANTES
#Esmeraldo Soares Tarquínio de Campos Filho, ou simplesmente Esmeraldo Tarquínio (1927-1982) teve uma participação importante na vida do jornal CIDADE DE SANTOS. Flávio Ribas conta que as eleições municipais de 1968 se aproximavam e Sérgio Paulo Freddi tentava em vão conversar com Carlos Caldeira Filho para definir a linha de atuação do jornal. Flávio cobria Porto, onde encontrou Caldeira se preparando para embarcar para Buenos Aires; quando Freddi soube, foi com Flávio para o local de embarque. “Oportunidade única para discutir o assunto e levantar a questão do apoio à candidatura de Esmeraldo Tarquínio, que era deputado estadual. Caldeira esquivou-se, embora Freddi insistisse numa resposta direta. Ele só repetia – ‘eu não vou dizer nada’.” Flávio traduziu a situação: “ele quer dizer que não vai interferir, deixou-nos livres para agir”.
O jornal apoiou a candidatura de Esmeraldo Tarquínio, que se elegeu prefeito com 42.210 votos (39,5% dos votos válidos) em 15 de novembro de 1968. Na edição de 18 de novembro o CIDADE DE SANTOS publicou a biografia do novo prefeito de Santos. Em 13 de dezembro foi baixado o Ato Institucional nº 5 que enrijeceu ainda mais a ditadura. Quase um mês antes da posse Esmeraldo Tarquínio teve seus direitos políticos cassados. O vice-prefeito Oswaldo Justo (1923-2003), solidário ao parceiro político, renunciou. Santos foi declarada “área de interesse da segurança nacional” e perdeu a autonomia que só reconquistaria em 1984.
# Flávio Ribas conta que no final da tarde de 15 de novembro, ele e Ággio Jr. estavam na redação, quando souberam que um amigo do jornal bancara uma pesquisa de boca de urna e o resultado indicava a vitória de Esmeraldo Tarquínio. O trabalho fora realizado pelo Instituto Gallup, que estava se instalando no Brasil. “O contrato era bastante rigoroso e incluía o sigilo sobre a autoria da pesquisa que não poderia sequer ser vendida” – lembra Flávio. Os dois ficaram entusiasmados, pois seria uma matéria e tanto. O jornal assumiria a autoria da pesquisa, entretanto, havia a questão da legalidade. Eram tempos sombrios. Flávio consultou o juiz eleitoral Antônio Carlos Marcondes de Moura, que não viu problema legal na publicação, porque a lei só proibia a divulgação de pesquisas de opinião no período anterior à eleição e, assim, do ponto de vista dele podíamos publicar o resultado da boca de urna. “No dia seguinte, publicamos o resultado e, como dizia a manchete do domingo, 17 de novembro “acertamos em cheio, não apenas na ordem dos candidatos, mas ainda – veja bem – na proporção dos números.”
#O general Osman Ribeiro de Moura fazia parte da diretoria do Santos Futebol Clube por volta de 1970. O time alvinegro passava por uma fase difícil e os jogadores e a torcida estavam descontentes. E naturalmente o assunto era tema de A TOCA, coluna assinada por Rubens Fortes (ERRE). O general reclamou para os diretores da empresa, que deram ordem para o editor Alci de Souza não publicar mais críticas ao general. Alci ignorou e foi demitido. Erre soube apenas no dia seguinte quando não o encontrou; consultou Paulo Vergara que apenas informou que Alci estava de féria e ele deveria continuar escrevendo A TOCA. Erre pediu demissão e informou ao diretor que só voltaria quando Alci retornasse.
 #CUBATÃO sempre mereceu atenção do jornalismo combativo do CS. A cidade sofreu os efeitos devastadores do crescimento econômico a todo custo que lhe deu notoriedade internacional como o vale da morte. A equipe sempre esteve lá encarando as denúncias do chamado CASO RHODIA, que se tornou um dos mais escandalosos casos de poluição ambiental do mundo (ONU). A empresa francesa produzia em Cubatão o famoso “pó da china”,altamente tóxico e que contaminou centenas de trabalhadores.
#Ninguém se intimidou com a maior epidemia de meningite que assolou o país entre 1970 e 1973 e na Baixada mereceu a cobertura correta, apesar da pressão do governo para “amenizar” a situação com a desculpa de evitar pânico da população, sempre cobrando das autoridades ação contra o avanço da doença.
#O problema ambiental no Litoral foi levantado pela Secretaria Especial do Meio Ambiente em abril de 1974, quando o secretário Paulo Nogueira Neto afirmou que as praias de Santos estavam tão poluídas que ele cogitava pedir a sua interdição por dois anos, em defesa da saúde pública.
#No ano seguinte, testes de laboratório revelaram a presença de 790.000 unidades de organismos coliformes para cada 100 milímetros de água das praias do Gonzaguinha, muito acima dos parâmetros aceitáveis de balneabilidade. Ao contrário de Antonio Manuel de Carvalho, o prefeito de São Vicente Jorge Bierrenbach Senra (1924-?) reconheceu a situação, interditou a praia e afixou placas de alerta aos banhistas. Data: dezembro de 1975 e janeiro de 1976.
#DE VANEY lançou em 1976 o livro “A verdade sobre Pelé: as fantasias, os exageros, o mito e a história de um desertor” (Editora Ypiranga). A obra foi resultado da indignação do cronista esportivo com recusa de Pelé de participar da Copa do Mundo de 1974. O livro, que teve uma tiragem de quatro mil cópias, foi posto a venda em bancas, mas recolhido duas semanas depois sem nenhuma explicação. Nem mesmo para o autor. É considerado obra rara.