sábado, 14 de outubro de 2017

REPRESA HOOVER E O GRAND CANYON

De repente vejo a Represa Hoover, construída entre 1931 e 1936, entre os estados de Nevada e Arizona. Aliás, vejo um pequeno pedaço porque desde 11 de setembro de 2001 é área de segurança.  Foi o maior projeto do governo dos Estados Unidos e teve dupla finalidade: controlar o regime do rio Colorado, que no final de seu percurso corta uma região desértica, e dar emprego aos americanos afetados pela Grande Depressão. O Colorado é um dos principais rios do sudeste dos Estados Unidos, nasce nas montanhas Rochosas, percorre 2.330 km, banha sete estados americanos e dois mexicanos. Há evidências de que foi ocupado pelo homem há oito mil anos; mas os europeus só o encontraram no século XVI.
 
 Quando a construção do reservatório foi autorizada, um contingente de 10 a 20 mil trabalhadores mudou para Nevada, onde o governo criou um acampamento. Quando a obra começou as companhias envolvidas construíram Boulder City, próxima a Las Vegas. Aliás, Boulder City é a única cidade de Nevada em que o jogo é proibido. Outro lugar destinado aos trabalhadores foi Williamsville –que os operários chamavam de Ragtown. Em julho de 1934 havia 5.251 pessoas trabalhando na obra. Durante todo o período de construção registraram-se 112 mortes associadas à represa.
A represa fica no caminho para o Grand Canyon, um desfiladeiro esculpido pelo rio Colorado e afluentes ao longo de dois bilhões de anos. Foi encontrado pelo explorador espanhol García Lopes de Cárdenas em 1540 e, pelo que se sabe, a expedição de John Wesley Powell foi a primeira a vencer as corredeiras do Colorado no Grand Canyon, considerado uma das sete maravilhas naturais do mundo (a baía da Guanabara é uma delas) desde 1991.

 O desfiladeiro tem 443 km de extensão e em alguns pontos 29 km de largura; faz parte do Parque Nacional do Grand Canyon, criado em 1919, e é uma das primeiras áreas protegidas dos Estados Unidos. O presidente Theodore Roosevelt (1858-1919) foi um dos seus defensores:
 "O Grand Canyon me enche de admiração, está além de comparação, além da descrição, absolutamente sem paralelo no vasto mundo... Deixe esta grande maravilha da natureza permanecer como agora é e não faça nada para estragar a sua grandeza, sublimidade e beleza. Você não pode melhorá-la... Mas o que você pode fazer é mantê-la para os seus filhos, filhos de seus filhos e todos os que virão depois de você, como a grande visão que cada americano deve ver”.
Realmente, uma visão única de grandeza aliada à beleza.  
Arizona, 5 de outubro de 2017. 


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