quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

SÃO PAULO

“Parques do Anhangabaú nos fogaréus da aurora...
Oh larguezas dos meus itinerários...”* 
São Paulo surge com uma escola, engatinha por alguns séculos até que outra escola, a Faculdade de Direito, a impulsione e a cidade comece a crescer até atingir um gigantismo preocupante em meados do século XX. O local escolhido pelo padre Manoel de Nóbrega para a escola foi a colina situada entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú; entretanto, os primeiros anos foram muito difíceis e a situação só melhorou, quando a pedido dos moradores, Mem de Sá (1500-1572) – governador geral do Brasil – determinou a mudança da sede da vila de Santo André com moradias, Câmara e o pelourinho para Piratininga*.
         O Pátio do Colégio é o local da fundação de São Paulo, mas do prédio original, restam apenas pedaços de uma parede de 1585. O lugar já foi sede do governo paulista entre 1765 e 1912 e de outras repartições públicas. Aos poucos descaracterizaram o casarão colonial. Florêncio de Abreu (1839-1881) realizou as mudanças mais radicais e nos sete meses em que permaneceu no governo da Província de São Paulo, mandou derrubar a ala em que funcionara a primeira sede do Correio em São Paulo; novas demolições parciais em 1896 até que em 1953, – véspera do quarto centenário da cidade –, foi completamente destruído. O conjunto atual data de 1979.
A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo não dispõe de registros de sua fundação, mas estima que tenha sido por volta de 1560. A história da instituição está ligada à da cidade. Como a similar santista, teve vários endereços. Funcionou no Largo da Misericórdia, na Chácara dos Ingleses e na Rua da Glória até que, finalmente, em 1884 inaugurou-se o belo prédio da Vila Buarque, construído em área doada pelo senador Antonio Pinto do Rego Freitas (1835-1886). O projeto é do arquiteto italiano Luigi Pucci.
Padre José de Anchieta, em uma carta de 1579, conta que os viajantes que passavam pela Estrada Real costumavam parar para orações em uma pequena igreja de Nossa Senhora da Luz, situada nos campos de Guaré ou da Luz. Com o tempo ela foi abandonada, mas Frei Antônio de Sant’Anna Galvão (1739-1822) ajudou a fundar, no mesmo local, o Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, inaugurado em 2 de fevereiro de 1774. Sede do Museu de Arte Sacra de São Paulo, o mosteiro é a mais importante construção arquitônica colonial do século XVIII da cidade de São Paulo.
Uma obra quinhentista é a Igreja de Santo Antônio (Largo do Paissandu). Ela já existia em 1591 e ao longo dos séculos passou por várias reformas (1638, 1717 e 1747). Em 1891 um incêndio em uma casa vizinha consumiu parte da igreja. Em 1899 a prefeitura determinou a demolição e a reconstrução da torre e fachada do templo por causa do alinhamento da Rua Direita, obra financiada por dois vizinhos ilustres – Francisco Xavier Paes de Barros, barão de Tatuí, e Eduardo da Silva Prates, conde de Prates. Finalmente, a igreja voltou a funcionar em 1919, agora exibindo um estilo eclético. Em janeiro de 2005, novo restauro procurou recuperar o estilo barroco do interior da igreja e na ocasião encontraram-se pinturas murais seiscentistas no forro do altar-mor.

O BANESPA (Banco do Estado de São Paulo) deixou uma grande herança para a cidade de São Paulo: o edifício Altino Arantes, que por vinte anos foi o mais alto da cidade. Atualmente ocupa o terceiro posto. Ah! E também mudaram-lhe o nome para Farol Santander, afinal o banco espanhol comprou a instituição em 2001. O BANESPA foi fundado em 1909 com o nome de Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo. E, imaginem: nasceu francês, uma vez que o controle acionário era de capitais franceses. Em 1919, no governo de Altino Arantes (1876-1965), o Estado de São Paulo tornou-se acionista majoritário, mas apenas em 1927 alterou-se a denominação para Banco do Estado de São Paulo S.A. Em 1939 resolveu construir uma sede que atendesse às necessidades da instituição. Escolheram o ponto mais alto do centro: a Rua João Brícola. As obras se estenderam de 1939 a 1947. O projeto de Plínio Botelho do Amaral sofreu alterações para que o prédio se assemelhasse ao Empire State Building de Nova York. O edifício Altino Arantes tem 161,22 metros de altura, 35 andares, 14 elevadores, 900 degraus e 1119 janelas. O Farol Santanter agora é um centro cultural com várias exposições e um café no mirante. Rua João Brícola, 24. Aberto de terça a domingo das 9 às 19 horas. Entrada paga. 

Mosteiro da Luz, 1862. Autor desconhecido.

Mosteiro da Luz. Aquarela de Miguel Arcanjo Benício da Anunciação Dutra, 1847. 


*Pauliceia Desvairada, Mário de Andrade.

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