Foi ao
visitar a Casa do Tatuapé que me ocorreu que seria interessante ir às casas
bandeiristas que sobraram – já conhecia o Sítio da Ressaca, no Jabaquara, onde
fui há alguns anos. Assim, procurei os endereços e depois do almoço embarcava
rumo a uma delas. É importante registrar que Mário de Andrade (1893-1945) teve
um papel decisivo na preservação das casas bandeiristas, pois foi ele quem redigiu
em 1936 o anteprojeto para a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN) a convite do ministro de Educação e Saúde
Gustavo Capanema. Quando o SPHAN foi criado um ano depois, foi delegada a ele a
direção da 4ª Região do Serviço, que compreendia São Paulo, Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul*.
Comecei
a jornada pela Casa do Bandeirante, no Butantã, um bairro que me é familiar
porque trabalhei na USP por alguns anos. Um calor terrível e o verão nem
começara. Como sou atrapalhada, custei um pouco a achar a Praça Monteiro Lobato.
Se você pede uma informação, as pessoas sacam o telefone para procurar e isso
me deixa um tanto frustrada. Há uma placa bem na porta de entrada, mas aí você já
achou o que queria. De que adianta? Seria ideal ter uma na Rua Camargo. Enfim, a
praça parece um pequeno parque e é fechada. Um lugar muito bonito, arborizado,
silencioso e quase deserto. Na casa da administração, que também é branca e
simples, o segurança indicou o caminho da “Casa Velha do Butantã”, como Mário
de Andrade se referiu a ela.
Detalhe:
com a retificação do rio Pinheiros, o imóvel mudou de margem. Se não acredita,
basta observar os mapas de 1930 e 2004 em exposição num dos cômodos.
O Caxingui foi uma surpresa.
Acreditava que seria muito longe, mas é um pequeno bairro, pertinho da Avenida
Francisco Morato, que fecha um quadrilátero formado pelas avenidas Jorge João
Saad, Eliseu de Almeida e Rua Roquete Pinto. Do lado da estação do metrô São
Paulo-Morumbi, encontra-se a imensa Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos
Últimos Dias – Templo Brasil.
Fui duas vezes à Capela do Morumbi.
Na primeira vez, ao pedir informações na estação do Metrô recebi um tratamento
de primeira da equipe, o que salvou meu dia, pois a Capela estava fechada até o
início de janeiro, e a Avenida Morumbi não é das mais amigáveis para caminhar
ou esperar condução.
Todas as casas visitadas estão bem
cuidadas e em áreas bastante arborizadas, têm educadores e fui bem recebida por
todos os que encontrei – como disse, minhas visitas aconteceram no horário do
almoço. A Casa do Itaim, que está em área privada, é a mais bonita e bem
localizada. Apenas a capela fica aberta, pois ela destina-se a exposições ou
eventos. A Casa do Tatuapé foi a mais complicada para chegar, porque não é
próxima do metrô e no Terminal de ônibus do Tatuapé custei a encontrar um que
passasse perto (Jardim Brasil). Foi uma
ótima jornada e o principal foi conhecer um museu que tem muitos endereços e
que incentiva as pessoas a se embrenharem pela cidade – tornando-se exploradores
da História.
*Pessoas
que tiveram papel muito importante na história da preservação das casas
bandeiristas, além de Mário de Andrade (1893-1945): Luís Saia (1911-1975),
arquiteto, etnógrafo e professor; Paulo Camilher Florençano (1913-1988),
fotógrafo e desenhista; e o poeta Guilherme de Almeida (1890-1969), que
presidiu a segunda fase da Comissão de Festejos do Quarto Centenário da cidade
de São Paulo.
CURIOSIDADES
Como no sítio do Tatuapé, na Casa do Bandeirante também havia um gato e, por incrível que pareça, igual ao outro. Encontrei outro parecido na Capela do Morumbi. )




















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