Nas
andanças pelo Tatuapé, vi de longe um monumento em frente às bibliotecas
municipais Cassiano Ricardo e Hans Christian Andersen e, achando que tinha algo
a ver com música ou contos de fadas, fui até lá. Como roubaram a placa de identificação,
não entendi o que significavam as figuras e ninguém por lá soube explicar. O
jeito foi consultar os arquivos da prefeitura. A escultura se chama “Pátria e Família” e é uma das partes do monumento encomendado
pelos estudantes de Direito para homenagear Olavo Bilac, e mais tarde desmembrado
pela prefeitura e espalhado pela cidade. A escultura está no Tatuapé desde 2000.
Eis uma história que vale a pena ser relembrada.
Olavo Bilac (I865-1918) foi poeta, jornalista,
cronista e contista, mas se destacou na poesia, sendo até eleito “Príncipe dos
Poetas Brasileiros” pela revista FON-FON em 1907. Carioca, frequentou e não
concluiu o curso de Medicina no Rio nem o de Direito no Largo de São Francisco.
O fato de não ter se formado não diminuiu o apreço dos estudantes da faculdade
paulista por Bilac e, quando ele morreu em 1918, resolveram homenageá-lo com um
monumento. Arrecadaram dinheiro e encomendaram a obra ao escultor sueco William
Zadig (1884-1952) que na época lecionava no Liceu de Artes e Ofícios.
Zadig usou temas de poemas de
Bilac para compor sua obra, instalada pela prefeitura na área da atual Praça
Marechal Cordeiro de Farias. A inauguração aconteceu durante as comemorações do
centenário da Independência em 1922. Lá estavam figuras do bandeirante Fernão
Paes Leme (“O Caçador de Esmeraldas”), do pensador
(representando o poema “Tarde”), uma família e a bandeira
nacional (“Pátria e Família”) e um francês e uma índia se
beijando (“Idílio ou Beijo Eterno”).
O monumento virou uma polêmica: uns
diziam que ele atrapalhava o trânsito, outros que era feio demais e havia os puritanos
que achavam indecente o “Idílio ou Beijo Eterno”. A prefeitura, entretanto, só retirou
o monumento em 1932 por causa de obras viárias e o dividiu em grupos que espalhou
por diversos bairros, mas manteve o casal apaixonado no depósito de onde só foi
resgatado muitos anos depois pelo prefeito Jânio Quadros que colocou a obra no
Cambuci. Novos protestos, porém, desta vez os estudantes da Faculdade de
Direito, resgataram o casal que levaram para o Largo de São Francisco para felicidade
de todos.
Quanto à “Pátria e Família”, antes de
adornar a Praça José Moreno, passou pelo cruzamento da Avenida
Salim Farah Maluf, com a Avenida Celso Garcia e pela Praça Kennedy na Mooca.














