domingo, 16 de agosto de 2026

RUA ROBERTO SIMONSEN

 

Rua Roberto Simonsen, 97. Por fora, o casarão centenário está em boas condições, mas por dentro encontra-se bastante danificado. Chocante mesmo é a destruição do elevador pantográfico. A boa notícia é que se transformará em um espaço cultural e o cartão de visitas é a exposição “Apocalipse”, que reúne obras do artista plástico paulistano Alex Fleming, que pode ser visitada até o final deste mês.

A Rua Roberto Simonsen, uma das mais antigas de São Paulo, é pequena – começa na Praça da Sé e termina no Pátio do Colégio. Cerca de 150 metros. Repleta de história e coisas pitorescas. Ela teve outros nomes: primeiro foi Rua de Santa Teresa por causa da casa de “Recolhimento de Santa Teresa”, construída em 1685 para abrigar moças. Em 1865, um vereador sugeriu que se alterasse o nome para Rua do Carmo, desta vez a causa era a Igreja do Carmo, pois naquela época a rua tinha ouro traçado. Em 1948, foi escolhida para homenagear o santista Roberto Simonsen (1889-1948), engenheiro, industrial, administrador, professor, historiador e político. Entre outras realizações, ele foi criador do Centro das Indústrias, atual FIESP.

A Casa nº 1 ou Casa da Imagem e Casa da Marquesa de Santos (1797-1867) são separadas pelo Beco do Pinto, uma escadaria de acesso à Rua Bitencourt Rodrigues que nos velhos tempos era o caminho feito pelos escravos para levar o lixo para despejo no rio Tamanduateí, logo adiante.  

Do outro lado morou Dutra Rodrigues (1844-188), presidente da Província (governador do Estado) de São Paulo, que ali recebeu a visita do Imperador D. Pedro II. O prédio foi restaurado e nele atualmente funciona o Restaurante Cama e Café, que também tem um programa cultural movimentado – saraus, exposições e shows. Na esquina com o Pátio do Colégio, outro restaurante: o Pateo Cuccina (nº 122). Nem precisa dizer que a comida italiana é especialidade da casa.

Vários sobrados antigos e em decadência têm o piso inferior usado como estacionamentos. Um deles destina-se a motos e tem um charme especial – um lustre pendente muito bonito. Na entrada de um dos estacionamentos, há um minúsculo café muito simpático – dois bancos dentro.

Este ano o Palacete do Carmo, que ocupa quase uma quadra (com um dos lados na Rua Roberto Simonsen) e se encontra em estado deplorável, foi desocupado para restauro. A construção é dos anos vinte do século passado.

Rua pequena, mas com trânsito intenso, especialmente, ônibus e trólebus que se dirigem ao Pátio do Colégio ou que transitam entre a Avenida Rangel Pestana e o Parque D. Pedro II.

O trabalho do rapaz é atrair carros para o estacionamento – ou seja – ele fica no meio da rua e indica a entrada para os motoristas. Parece que não, mas cansa.

sábado, 15 de agosto de 2026

COISAS DA INFÂNCIA

 

Quando era criança domingo era dia de ir à matinê de cinema no Cine Carlos Gomes ou Bandeirantes – dois filmes, com intervalo para algumas guloseimas que minhas tias compravam. E numa dessas sessões assisti a “O dia em que a Terra parou” (1951) e, apesar das explicações das tias, acabei ficando com um medo enorme de habitantes de outros planetas. Foi então que um dia folheando a revista O CRUZEIRO, que se comprava todas as semanas, me deparei com a reportagem sobre venusianos que tinham descido de um disco voador em Los Angeles e feito contato com um tal George Adamski (não lembrava o nome, tive que procurar).

Para mim, pior do que a notícia, foram os desenhos que Adamski fez dos viajantes do espaço. Apavorada, identifiquei um dos venusianos: havia um quadro com a fotografia dele numa das paredes do meu quarto. Minha avó Maria era uma mulher muito religiosa e nossa casa tinha uma fartura de imagens da corte celestial e de outros agregados como Antoninho da Rocha Marmo e Izildinha. O postal colorido de Izildinha ficava no quarto de minha avó e o meu fora brindado com uma gravura de Antoninho.

Fui correndo pedir à minha avó para retirar aquela foto do quarto porque tinha medo do menino que era de outro planeta. Ela continuou impassível no seu crochê e me informou que o quadro continuaria onde estava: era apenas uma foto e o menino era santo. Nem se preocupou com a questão dos extraterrestres (a expressão não era usada na época). Passei algumas semanas difíceis, imaginando que o viajante do espaço poderia aparecer a qualquer momento. Interessante (como diria Spock) porque esse o foi o único medo que me lembro de ter sentido na infância.

                Havia esquecido do fato até alguns anos atrás quando visitei o Cemitério da Consolação e vi entre as campas mais visitadas o nome de Antoninho da Rocha Marmo (1918-1930), embora os restos mortais tenham sido transladados em 2021 para a capela Nossa Senhora da Saúde, no hospital que tem o nome dele, em Campos de Jordão. A campa do cemitério paulistano foi conservada com seu nome. Coisas da infância.

                Os venusianos de Los Angeles sustentaram Adamski até a sua morte em 1965.


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

NEUZA GUERREIRO DE CARVALHO

 

Neuza com participantes da oficina da memória, 2018.

Conheci a Neuza em uma das unidades da Universidade de São Paulo em eventos destinados à terceira idade, navegando pelos oitenta anos com galhardia. Baixinha, cabelos brancos e com uma disposição invejável – podia fazer um curso pela manhã, assistir a uma conferência ou a um bom filme à tarde e à noite ouvir música na Sala São Paulo ou no Teatro Municipal assistir a uma ópera ou ainda em algum teatro. Eu a via principalmente na USP, nos Encontros Culturais do prof. Terron, no Instituto Estudos Brasileiros, na Faculdade de Educação fazendo oficinas com a Elly Rozo, e até na Faculdade de Direito. Em todos esses lugares e muitos outros deixou amigos e admiradores. E ainda era uma leitora voraz, atenta aos escritores clássicos e aos contemporâneos.

Professora formada pela Faculdade de Filosofia da USP, na época em que a unidade funcionava na Alameda Glete. Lecionou Biologia no Colégio Campos Sales, na Lapa. Quando o prédio da instituição foi derrubado, iniciou uma batalha para salvar uma velha figueira da sanha imobiliária, afinal ela foi a testemunha de várias gerações que passaram pela Faculdade que originou a Universidade de São Paulo. A figueira da Glete continua firme e forte na paisagem triste de um terreno que hoje serve de estacionamento.

Há alguns anos, quando teve problemas de locomoção, embora um tanto abatida, ela continuou suas atividades com auxílio de uma bengala. Foi por essa ocasião que, numa tarde, ao embarcar na Estação Vergueiro do metrô, a vi sentadinha no banco preferencial. “Que faz você tão longe de casa?” – perguntei, brincando. Ia visitar uma prima que morava perto estação Ana Rosa, meu destino. Fomos conversando até lá. Não conhecia a região e me mostrou um papelzinho com o endereço. Ora, a rua onde moro! Mas do lado oposto. Numa subida de tirar o folego dos mais ousados e com calçadas deformadas pelas raízes das árvores. Eu a acompanhei e nos despedimos na porta da prima.

Neuza se recuperou do problema de locomoção e rejuvenesceu com a volta à intensa programação. Em 2018, me convenceu a participar da oficina “Resgate de Memória Autobiográfica”, organizado, coordenado e aplicado por ela na USP. Convenceu porque era às 8 horas da manhã no Hospital Universitário, na Cidade Universitária. Para quem mora na Aclimação, trata-se de uma viagem e tanto. Foi uma ótima experiência conviver e aprender com ela, além de conhecer pessoas com belas histórias de vida.

Muito obrigada por tudo, Neuza Guerreiro de Carvalho (1930-2026), mas pensando bem, antes de encontrá-la pessoalmente, conheci o “Blog da Vovó Neuza”, onde ela publicava crônicas deliciosas.

Figueira da Rua Glete. Foto: 5/2/2026.


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O QUE VI NO CAMINHO

 

Muitas vezes passo por um lugar com algo especial ou diferente, fotografo para não esquecer, pois caneta e papel descansam em casa. Na bolsinha levo apenas o essencial. Aqui, vão algumas coisas que vi pelos caminhos feitos recentemente.





SEGURANÇA – O Abrigo Amigo, por exemplo, é uma iniciativa louvável. Há três anos em funcionamento das 20h às 5h, em 200 pontos de ônibus da cidade, já atendeu neste período dezessete mil chamadas e registrou 285 ocorrências documentadas, segundo o site da prefeitura de São Paulo. Se a pessoa que aguarda condução se sentir em situação vulnerável, aperta um botão que inicia uma vídeo-chamada, atendida por uma funcionária da equipe treinada para acionar serviços de segurança pública e saúde de acordo com a situação de emergência. O equipamento está conectado à internet e conta com câmeras de alta resolução, microfones e alto-falantes. O programa é resultado de uma parceria entre a Prefeitura, Eletromidia e a Claro. É gratuito para o usuário e sem custos para a prefeitura de acordo com o site.

AS FLORES DA SÉ – A estação mais movimentada do metrô de São Paulo é a Sé que registra em média cerca de 368 mil embarques diários. E no mezanino bem em frente às catracas esse buquê recepciona os passageiros, mas acho que bem poucos prestam atenção às flores que dão um colorido ao ambiente onde o cinza é predominante.

CAPELA DOS AFLITOS – A Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos está muito bonita, mas ainda não entrei para visitá-la. Como nos fins de semana, o bairro da Liberdade fica intransitável, o jeito é ir durante a semana. Domingo passado fui bem cedo a uma loja na Rua dos Estudantes e aproveitei para fotografar a fachada da igrejinha que já comemorou 247 anos.


FIM DO CAVEIRÃO – O prédio abandonado há seis décadas vai desaparecendo. Erguido para ser uma garagem não foi concluído e se tornou um problema para a Rua do Carmo. A demolição foi finalmente conseguida na justiça e o trabalho começou em fevereiro deste ano e já está terminando para alívio da vizinhança.


EDITORA TRÊS – Na saída da estação ferroviária pela Rua William Speers (Lapa), me deparo com o prédio da Editora Três...Fundada por Domingo Alzugaray em 1972, publicou entre outras revistas a Planeta e lançou a IstoÉ. Teve a falência decretada ano passado.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

NA TRILHA DA LINHA OURO

 



Com uma área de 1.521.202 km²é muito difícil dizer que se conhece a cidade de São Paulo. Quando trabalhava, passei várias vezes de carro pela Zona Sul da cidade, mas isso não quer dizer muita coisa, porque nessas ocasiões os interesses eram outros, mais específicos e práticos. A inauguração do monotrilho – Linha Ouro 17 do metrô, no mês passado, foi a oportunidade para ver esse lado de São Paulo. Assim, semana passada fui com o amigo Nilton conhecer o trecho do monotrilho da linha Ouro, que funciona provisoriamente de segunda à sexta-feira das 9 às 16 horas em operação assistida. O monotrilho é totalmente automático, ou seja, sem operador.

Na estação Klabin (Lilás), embarcamos para o Campo Belo onde se faz a transferência para o Aeroporto de Congonhas. No caminho, poucas pessoas, a maioria sem mala como nós, mas cheias de curiosidade. Na plataforma de embarque/desembarque a sensação agradável que a iluminação natural oferece e lá fora o panorama visto do alto – a altura média do percurso do monotrilho é de vinte metros.

Funcionários explicam o trajeto – embora os painéis eletrônicos funcionem adequadamente. Enquanto esperamos, vamos observando o panorama desse pedacinho do Campo Belo, onde fui anos atrás para visitar a Casa Modernista do arquiteto Vilanova Artigas (1915-1985). Chega o trem e, embora sobrem lugares, preferimos ir em pé para não perder os detalhes do percurso. Nilton vai identificando para mim as avenidas que cruzamos. Um caminho em que o destaque é a diversidade arquitetônica dos edifícios comerciais e residenciais antigos e modernos; há núcleos de casas que resistem. O contraste é o remanescente da favela do Buraco Quente, incrustada numa área cercada por prédios de apartamentos. Formada por casas de tijolinhos vermelhos, construídas provavelmente aos poucos e com soluções pouco convencionais, mas que atendem às necessidades dos moradores dentro de suas possibilidades, já que foram eles os arquitetos.  

A viagem é curta, a velocidade, média. Na parada Congonhas resolvemos ir até a estação Morumbi. Nesse trecho, a principal atração da paisagem é sem dúvida a Ponte Octavio Frias de Oliveira, a famosa Ponte Estaiada, que liga a avenida Roberto Marinho à Marginal Pinheiros. Eu que sempre quis vê-la de perto!

Foi uma ótima tarde de inverno desse inverno atípico, mas eu fiquei com vontade de fazer algumas partes do percurso a pé... E voltei ontem começando o passeio pela avenida Washington Luís, onde fica o Aeroporto de Congonhas. Ao desembarcar da Linha 17 fui informada que não precisava atravessar a avenida Washington Luís, bastava usar a passagem subterrânea, onde há uma exposição de fotos dos visitantes que ficaram felizes por conhecerem "uma avenida no céu". Outra surpresa, pois saí exatamente no térreo do aeroporto para minha caminhada. 

FOTOS: O texto de apresentação da exposição de fotos no túnel de ligação entre o metrô e o aeroporto. Vista do acesso ao aeroporto de Congonhas.





FOTOS: Área de embarque e desembarque na estação Campo Belo.





domingo, 2 de agosto de 2026

SEMINÁRIO DAS EDUCANDAS

 

Por volta de 1825 a cidade de São Paulo tinha cerca de vinte mil habitantes e já apresentava problemas sociais como crianças vivendo pelas ruas ou recém-nascidos abandonados. Esse foi um dos motivos que levaram o Governo Imperial a instalar na Chácara da Glória uma instituição assistencialista, aproveitando a infraestrutura existente – um sobrado largo com três módulos centrais (uma sala central e quartos nas laterais), uma capela e terras próprias. No mesmo ano começou a funcionar a Roda dos Expostos da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que encerrou as atividades apenas em 1950 – nesse período, a entidade recebeu 4.180 crianças.

O presidente da Província (Estado) Lucas Antônio Monteiro de Barros, visconde de Congonhas do Campo, se encarregou da organização do Seminário das Educandas da Glória.  É bom lembrar que o educandário ficava na zona rural de São Paulo, praticamente isolado do Triângulo (Rua Direita, XV e São Bento), numa época em que as estradas eram precárias tanto para o trânsito de charretes como de cavaleiros.

O programa educacional refletia a época: as meninas eram preparadas para o casamento, ou seja, aprendiam prendas domésticas – costurar, cozinhar e criar filhos. As meninas aprendiam a ler e escrever, caligrafia, as quatro operações aritméticas, princípios de moral e religião; arte culinária, bordado e engomado; mais tarde foram incluídas música e dança. O casamento era permitido a partir dos 15 anos; o candidato passava por uma avaliação da diretora e do síndico da instituição – precisava ter bom caráter e um ofício. Para aquelas que não conseguiam um marido, a opção era trabalhar como empregada doméstica.

Com o tempo, o casamento deixou de ser a meta e criou-se uma escola normal para que as moças se preparassem para o magistério; mas a escola não chegou a funcionar por falta de professores. A solução foi encaminhar as jovens com melhor desempenho para a Escola Normal (atual Escola Estadual Caetano de Campos).

Em 1844, o Seminário mudou para a Rua Açu, atual Rua Brigadeiro Tobias, na época ainda distante do Centro Histórico do qual era separada pelo rio Anhangabaú. O seminário ocupou um sobrado amarelo de dois andares, janelas protegidas por grades e muros altos. Com problemas de administração, o governo federal fez um acordo com a ordem religiosa francesa das irmãs de que administrou a instituição entre 1870 e 1932, com o objetivo de capacitar as moças para o exercício do magistério.

Com o tempo, usos e costumes mudam e a tendência é a correção dos erros do passado e tudo transforma-se em história ou História.

Walter Pires: “Configuração territorial, urbanização e patrimônio: Colônia da Glória (1876-1904)”.

Fontes: Alana Marchioro Drapcynski: “SEMINÁRIO DA GLÓRIA: RAÇA, GÊNERO E EDUCAÇÃO NO COTIDIANO DE UMA INSTITUIÇÃO ASSISTENCIAL (SÃO PAULO, 1825-1872)”.


quarta-feira, 29 de julho de 2026

NADA FEITO

 


Ontem, saí com quatro objetivos – coisa rara, geralmente, um é o suficiente e muitas vezes ainda mudo de ideia e faço algo completamente diferente; entretanto, decidi aproveitar o caminho que me possibilitava cumprir as metas de uma vez só. As duas primeiras não deram certo; quanto à terceira, era essencial para cumprir a última. E foi aí que as coisas desandaram. Orientação de um motorista de táxi foi para seguir determinada rua que terminava onde eu queria ir. 

Ruas com casas de alto padrão são desertas. Vê-se apenas a parte superior das residências, porque os muros maciços escondem o resto. Toda a área fartamente arborizada, o que dá um frescor ao início da tarde; porém, as calçadas, surpreendentemente, deixam muito a desejar. Os moradores devem usar carro e não os pés para se locomoverem. Não ouço passarinhos – creio que nem eles aguentam tal marasmo. Seis quadras de tédio e nada de chegar ao final dessa triste rua. Avisto uma guarita com um rapaz que me garante que estou chegando. Nesse ponto, ouço gorjeios...

Calculei que havia andado ao todo uns três quilômetros – contando a minha saída do metrô até aquele momento. Bom senso disse que devia desistir dos dois últimos objetivos. Voltar? Nem pensar. Pedir informações seria uma boa iniciativa. Por sorte vi um rapaz apressado (como eu devia ser estrangeiro no bairro), com fones nos ouvidos, que me indica o metrô. Mais adiante, dois valetes sob um guarda-sol conversam; passo por uma igreja onde mesas cobertas com toalhas brancas parecem esperar os fiéis para um café da tarde. Será que os valetes são ligados ao evento?

Chego à terra prometida, mas nada me lembra a estação a que cheguei. Trabalhadores em uma obra em pausa de lanche garantem que a estação é do outro lado da rua, mas recomendam que use a passarela (que passarela?). Subo e desço escadas e me deparo com uma estação da CPTM. Trem? Eu perguntei pela estação do metrô e me indicaram a ferroviária? Fica a dúvida: as pessoas não distinguem um tipo de transporte do outro? Ou não ouvem o que se pergunta?

Na bilheteria, a moça me orientou gentilmente e embarquei de mãos vazias como cheguei por lá. As árvores e suas flores compensaram uma tarde complicada.

domingo, 26 de julho de 2026

UM CAFÉ EXPRESSO, POR FAVOR.


O poeta Cassiano Ricardo nasceu em São José dos Campos no dia 26 de julho de 1895 – exatos 131 anos. Advogado, poeta, crítico literário e jornalista, ele foi um dos grandes nomes do movimento Modernista de 1922.

                                                            


CAFÉ-EXPRESSO*

Café-expresso — está escrito na porta.
Entro com muita pressa. Meio tonto,
por haver acordado tão cedo...
E pronto! parece um brinquedo...
cai o café na xícara pra gente
maquinalmente.

E eu sinto o gosto, o aroma, o sangue quente de São Paulo
nesta pequena noite líquida e cheirosa
que é a minha xícara de café.
A minha xícara de café
é o resumo de todas as coisas que vi na fazenda e me vêm à memória
apagada...

Na minha memória anda um carro de bois a bater as porteiras da
[estrada...
Na minha memória pousou um pinhé a gritar: crapinhé!
E passam uns homens
que levam às costas
jacás multicores
com grãos de café.

E piscam lá dentro, no fundo do meu coração,
uns olhos negros de cabocla a olhar pra mim
com seu vestido de alecrim e pés no chão.

E uma casinha cor de luar na tarde roxo-rosa...
Um cuitelinho verde sussurrando enfiando o bico na catléia cor de
sol que floriu no portão...
E o fazendeiro, calculando a safra do espigão...

Mas acima de tudo
aqueles olhos de veludo da cabocla maliciosa a olhar pra mim
como dois grandes pingos de café
que me caíram dentro da alma
e me deixaram pensativo assim...


Mas eu não tenho tempo pra pensar nessas coisas!
Estou com pressa. Muita pressa.
A manhã já desceu do trigésimo andar
daquele arranha-céu colorido onde mora.
Ouço a vida gritando lá fora!
Duzentos réis, e saio. A rua é um vozerio.
Sobe-e-desce de gente que vai pras fábricas.

Pralapracá de automóveis. Buzinas. Letreiros.
Compro um jornal. O Estado! O Diário Nacional!
Levanto a gola do sobretudo, por causa do frio.
E lá me vou pro trabalho, pensando...

Ó meu São Paulo!
Ó minha uiara de cabelo vermelho!
Ó cidade dos homens que acordam mais cedo no mundo!


*Mantive a grafia original. O poema é de 1928.

sábado, 25 de julho de 2026

A VIDA NUM PISCAR DE OLHOS

 

“– A vida das gentes nesse mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos. Pisca e geme os reumatismos; por fim pisca uma última vez e morre.”

– E depois que morre? – perguntou o Visconde.

– Depois que morre vira hipótese. É ou não é?”

MEMÓRIAS DA EMÍLIA (1936), 1936.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

COLÔNIA DA GLÓRIA


Vez por outra passo por lá de ônibus e o nome da rua chamou minha atenção. O que seria essa Colônia da Glória que mereceu ser denominação de uma rua na Vila Mariana? Lá fui eu pesquisar. No século dezoito, a área urbana da cidade restringia-se ao atual Centro Histórico e o entorno consistia em zona rural. A área da Chácara da Glória pertenceu a Antônio da Silva Brito, que vendeu a propriedade em 1737 e a partir daí foi sendo vendida até que foi adquirida pela Fazenda Nacional e comprada pelo bispo de São Paulo, Dom Mateus de Abreu Pereira (1742-1824). O que me espantou foi o tamanho da chácara que, segundo o Waldir Pires, arquiteto da SMC, “corresponde aos atuais bairros do Cambuci, Glória, parte da Aclimação e Vila Mariana”. Quando o bispo morreu, a propriedade foi a leilão, sendo arrematada pela Fazenda Nacional. O Governo Imperial resolveu então aproveitar a infraestrutura da propriedade para instalar o Seminário das Educandas de Nossa Senhora da Glória destinado à educação de meninas órfãs. O seminário ficou por lá até outubro de 1825 a 1844, quando foi transferido para a região central da cidade e a chácara passou para o Ministério da Agricultura pelo governo imperial para estabelecer o serviço de colonização estrangeira.

Em 1862, o jornal Correio Paulistano publicou o folhetim “Ruinas da Glória – conto fantástico” do escritor Fagundes Varela (1841-1875) que usou como cenário da história a chácara, dando a entender que ela estava abandonada.

Na segunda metade do século dezenove, foi organizada uma comissão para demarcar e organizar a implantação de quatro colônias para imigrantes em São Paulo – Glória e Santana (julho), São Caetano (agosto) e São Bernardo (setembro) de 1877. A implantação do projeto dos Núcleos teve vários problemas – financeiros, salubridade e organização. Se a Colônia da Glória falhou como área agrícola, teve um papel importante “no processo de ocupação territorial intenso, voltado para a explosiva expansão urbana que se iniciou em São Paulo na última década do século dezenove” (Walter Pires). No final do século, os negócios imobiliários na antiga colônia tornam-se intensos – uma das áreas vendidas foi usada para a implantação do jardim da Aclimação.

Fonte: “Configuração territorial, urbanização e patrimônio: Colônia da Glória (1876-1904)”, de Walter Pires. Dissertação de Mestrado, FAU/USP - 2003.


segunda-feira, 20 de julho de 2026

ISMÁLIA E AS LUAS

Lado oculto da Lua - foto NASA. 

E não é que hoje é o dia internacional da Lua? Explicado porque sou aluada! Nosso satélite é lindo. Esta madrugada parecia uma joia sobre veludo azul. (É, eu sei, nada original.) Hoje é o último dia de Lua nova. Amanhã, quarto crescente.

O aviador brasileiro Alberto Santos Dumont nasceu em 20 de julho (1873-1932), mas a data refere-se ao dia em que o astronauta americano Neil Armstrong (1930-2012), no comando da missão Apollo 11, pousou na Lua: 20 de julho de 1969.

 “Ismália”

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…

Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…

Poema de Alphonsus de Guimaraes (1870-1921), considerado o melhor poeta do movimento simbolista no Brasil.

domingo, 19 de julho de 2026

CASINHA PEQUENINA

 

Casa bandeirista: Sítio da Ressaca, Jabaquara. Foto: Hilda Araújo.

A música de domínio público teve várias gravações, mas prefiro a interpretação de Sílvio Caldas (1908-1998).

https://www.youtube.com/watch?v=-KnPe35nRjc 


Tu não te lembras da casinha pequenina

Onde o nosso amor nasceu, ai
Tu não te lembras da casinha pequenina
Onde o nosso amor nasceu

Tinha um coqueiro do lado
Que, coitado, de saudade, já morreu
Tinha um coqueiro do lado
Que, coitado, de saudade, já morreu

Tu não te lembras das juras, ó, perjura
Que fizeste com fervor, ai
Tu não te lembras das juras, ó, perjura
Que fizeste com fervor

Daquele beijo demorado, prolongado
Que selou o nosso amor
Daquele beijo demorado, prolongado
Que selou o nosso amor


sábado, 18 de julho de 2026

CHAMINÉS: MARCOS DE UMA ÉPOCA

As chaminés industriais também têm histórias para contar. A maioria desapareceu, outras estão abandonadas e algumas encontram-se bem preservadas, inseridas em espaços nobres. Construídas em alvenaria de tijolos, cujo tom brique se destaca na paisagem urbana, essas centenárias chaminés são marcos da industrialização de São Paulo. Altas e robustas, elas eram construídas de dentro para fora, com auxílio de barrotes de apoio para o assentamento de tijolos e argamassa, pois andaimes ainda não eram usados. Como as chaminés precisavam (precisam) de manutenção, uma abertura na base suficiente para a passagem de uma pessoa e no interior havia uma escada com varões de ferro com degraus de quarenta centímetros de altura.

Nas minhas caminhadas pela cidade, encontrei várias, inclusive as chaminés dos antigos incineradores de lixo. Elas têm altura que varia entre 30 e 50 metros por dois motivos: precisavam ser altas para evitar que a fumaça expelida não afetasse a vizinhança e para que a eficiência fosse garantida; contudo, a altura não era aleatória, tinha que ser adequada ao volume do fumo produzido. Com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em 1972, as chaminés foram desativadas aos poucos porque houve a conscientização da sociedade em geral sobre questões ambientais, além da modernização dos sistemas produtivos. 

Uma chaminé, entretanto, tem uma história especial. A Chaminé da Luz, que pertenceu à antiga Usina Elétrica da Luz, teve um papel importante no processo de eletrificação da cidade de São Paulo. Ela ficou pronta em 1896 e em 1924 foi alvo de bombardeios pelo governo federal durante a rebelião tenentista que ocorreu entre 5 e 28 de julho, matando cerca de mil pessoas, enquanto cerca de quatro mil ficaram feridas. O objetivo da revolta foi a deposição do presidente Artur Bernardes (1875-1955), fato que o levou a decretar estado de sítio até quase o final do governo. Há alguns anos o Ministério Público condenou o governo do Estado a restaurar a chaminé, que ainda mantém resquícios da revolta em suas paredes. (Rua João Teodoro, 155 - Bom Retiro).

Companhia Antarctica Paulista: Avenida Presidente Wilson, Mooca.


Chaminé da Companhia Refinação União integrada ao jardim do condomínio.
Rua Borges Figueiredo.

A Chaminé da Luz, no Bom Retiro.


A chaminé situada no Parque D. Pedro II, que aparece em muitas fotos que fiz pelo Centro, também pertenceu à antiga Usina Elétrica da Luz, de acordo com a IA (não confio muito nela). 

A chaminé vista do Palácio das Indústrias.


Vista da Rua Vinte e Cinco de Março.


E de outro ponto do Parque.


 Numa viela, uma chaminé ao lado do conjunto de galpões da antiga Serraria Americana, que funcionou na Rua Tagipuru, 709, na Barra Funda.


 

 Há ainda as três chaminés da Casa das Caldeiras, década de 1920, na Água Branca. Tombamento do conjunto pelo CONDEPHAAT: 1986.

Há duas chaminés dos antigos incineradores de lixo: Vergueiro (Rua Breno Ferraz do Amaral, 390 próximo à estação Santos-Imigrantes) e Pinheiros (Rua do Sumidouro., Parque Victor Civita). 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

A MOOCA DOS BISCOITOS, PANETONES E ALPARGATAS


Vista parcial fábrica da Companhia Antarctica Paulista: Avenida Presidente Wilson.

A Mooca foi um dos grandes polos industriais da cidade. Um rápido olhar pela lista de empresas instaladas naquela região há um século é possível imaginar que quase tudo que se precisava era produzido ou passava por lá – desde velas e sabão, a fósforos, chuveiros, tecidos, biscoitos, açúcar, panetones, sapatos de qualidade e alpargatas e cerveja. O trajeto do trem da Linha 10 – Turquesa Brás-Ipiranga dá uma percepção do que era a região na primeira metade do século passado: uma longa sequência de galpões industriais, agora abandonados, a maioria semidestruída. A ferrovia foi o motivo da instalação das indústrias naquela área, pois facilitava o transporte dos insumos e das mercadorias.

A Mooca é um bairro de muitas origens – a italiana predominava, mas ali conviviam alemães, franceses, escoceses, libaneses, holandeses, espanhóis e portugueses entre outros. Uma das primeiras indústrias instaladas na Mooca foi a Cervejaria Bavária, fundada em 1892 pelo alemão Heinrich Stupakoff (1856-1920), numa área de 23 mil metros quadrados, na Avenida Bavária, atual Presidente Wilson, 307. As instalações da empresa incluíam um depósito de cevada, um edifício destinado a adegas, uma chaminé de cinquenta metros de altura e um conjunto de casas para operários. Havia ainda no local dois poços artesanais com 130 m de profundidade e capacidade de 250 mil litros de água para a fabricação do gelo e da cerveja – em caso de falta d’água no bairro, a população recorria à empresa.

Em 1904 a Companhia Antarctica Paulista – Fábrica de Gelo e Cervejaria, que nascera modesta, já havia crescido a ponto de adquirir o controle da Cervejaria Bavária. A Antarctica surgiu a partir da sociedade de outro alemão, Louis Bücher, proprietário de uma pequena cervejaria, com Joaquim Salles, dono de um matadouro e uma pequena fábrica de gelo subutilizada, na Água Branca, nas imediações das ferrovias SPR e a Sorocabana. O empreendimento foi um sucesso: em 1895, a companhia tornou-se sociedade anônima e em 1904 ao adquirir a Bavária, mudou para a Mooca.

Uma empresa tão poderosa que construiu uma área de lazer de trezentos mil metros quadrados para os funcionários, onde havia campo de futebol, quadra de tênis, pista de atletismo, parque infantil, restaurantes e, naturalmente, uma choperia.  Esse era o Parque Antarctica, que também desapareceu.

Estes foram alguns dos empreendedores que transformaram a Mooca num dos bairros mais importantes da história da cidade: Heinrich Stupakoff – Cervejaria Bavária, depois comprada pela Antarctica; Donato Di Cunto – padaria e confeitaria, firme e forte no mesmo endereço; Francisco Matarazzo – Indústrias Reunidas Matarazzo; Alessandro Lorenzetti – fábrica de parafusos; Pierre Duchen – biscoitos amanteigados; Vittorio Migliora – Fiat Lux; Egidio Pinotti Gamba– Moinhos Gamba ou Moinho Santo Antônio; Robert Fraser – Alpargatas; Irmãos Giuseppe e Nicola Puglisi Carbone – Companhia União dos Refinadores – Açúcar e Café entre muitos outros.


Parte do prédio ainda com os tijolos originais.





Largo São Rafael.

Rua Borges de Figueiredo, que concentrou grandes indústrias.



quinta-feira, 9 de julho de 2026

VIVA A MOOCA!



Nesses tempos de muita pressa, difícil reconhecer o Lirismo ou se perder em Alta Floresta, porém aqui se trata de duas ruas da Mooca, tradicional bairro paulistano, sede da Subprefeitura da Mooca. A caminhada pela Mooca foi muito agradável, entretanto, pouca coisa sobrou da história do bairro. É lamentável ver o abandono de espaços que poderiam ter sido preservados para uso comum ou empreendimentos comerciais. Mais triste ainda ver a demolição da antiga fábrica de sapatos da Clark. Mais um prédio muito bonito que desapareceu...

O nome do bairro é quatrocentão. Remonta aos tempos em que os silvícolas viviam no planalto e, diz a lenda, observando os homens brancos preenchendo com barro amassado o arcabouço de varas amarradas para fazer paredes, diziam “moo-Ka” (moo-oca) – o que significa, segundo alguns, “eles estão fazendo casas”; porém, de acordo com outros, a expressão seria mũoka, que significa "casa de parente.

A ocupação da área foi lenta até que no final do século XIX a cidade se expandiu graças à ferrovia inaugurada em 1867, à industrialização que se seguiu e à chegada dos imigrantes que se estabeleceram pela região, especialmente italianos. A Mooca tornou-se um bairro operário. Em 1958 Adoniran Barbosa revelava o sonho de um trabalhador: “Lá no alto da Mooca, eu comprei um lindo lote, dez de frente dez de fundo, construí minha maloca*.”

Depois de um período em que a população diminuiu, o bairro voltou a crescer. A Mooca tem uma área 7,95 km², onde moram cerca de 81 mil pessoas (2017). O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é dos mais altos:  0,909! A base da economia local é comércio e serviços. Na área de educação – além da educação infantil, ensino fundamental e médio público e privado, dispõe de duas universidades particulares. Quando o tema é cultura e entretenimento, há muito o que fazer. O Museu da Imigração do Estado de São Paulo, instalado no prédio da antiga Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo (1885), é um dos principais museus da cidade. Foi criado em 1993. A Biblioteca Municipal Mooca “Affonso Taunay” (1954) mantém várias atividades; se os cinemas de rua acabaram, o Shopping Mooca dispõe de salas modernas e confortáveis. O Teatro Arthur Azevedo, fundado em 1952, é tombado pelo CONPRESP.

Dois clubes da Mooca se destacam na história da cidade: o Jockey Club de São Paulo e o Clube Atlético Juventus. Antes da urbanização da Mooca, Rafael Aguiar Paes de Barros (1835-1889) fundou em sua fazenda Oratório um clube de corridas de cavalos nos mesmos moldes dos clubes ingleses. Reuniu 73 sócios e um capital de $ 9.990 réis e fundou em 14 de março de 1875 o Hipódromo da Mooca ou Club de Corridas Paulistano com capacidade para 1200 pessoas. A primeira corrida aconteceu em outubro de 1876 e estavam inscritos apenas dois cavalos: Macaco e Republicano. Vencedor: Macaco.

Logo o Hipódromo tornou-se uma atração e as pessoas que visitavam a cidade iam conhecer o “Prado”. A iniciativa incentivou o comércio da Mooca. A São Paulo Railway (SPR) tinha um ramal para atender especialmente aos frequentadores do Hipódromo. Desses tempos sobraram as ruas do Hipódromo e dos Trilhos, porque 1941 foi inaugurada a nova sede em Cidade Jardim com o novo nome:  Jockey Club de São Paulo. Aos poucos o hipódromo da Mooca foi se adaptando a novos usos: primeiramente como escola e oficina de preparação de cadetes da Aeronáutica e mais tarde a Prefeitura de São Paulo assumiu a área que abriga a Subprefeitura da Mooca e o Centro Esportivo Salim Farah Maluf.


Os funcionários do Cotonifício Crespi, que jogavam futebol de várzea, tinham dois clubes que se uniram em 1924 e formaram o Cotonifício Rodolfo Crespi Futebol Clube. No ano seguinte, o conde Crespi cedeu uma propriedade entre as Ruas Javari e dos Trilhos para a construção do campo de futebol. A entidade nasceu modesta, mas se destacou nas competições e em 1930 mudou o nome para Clube Atlético Juventus – uma homenagem ao clube italiano. Cresceu e continua firme e forte na mesma Rua Javari. Nem é preciso dizer que o clube da Mooca é um dos mais queridos da cidade até hoje.

Em 1922 chegou o primeiro cinema do bairro “Palácio Moderno”, mais tarde Cine Teatro Moderno. Foi o primeiro de uma longa lista. Os amantes de teatro tiveram que esperar mais tempo. O Teatro Arthur de Azevedo (Av. Paes de Barros, 955) foi inaugurado em 1952 e tombado em 1992. A casa passou por obras de modernização e está em pleno funcionamento.




 
Rua Javari.

Foto do meu arquivo pessoal. Provavelmente, 2018.

 Continua: As indústrias que embalaram a Mooca.