domingo, 4 de outubro de 2026
ERA UMA VEZ...
terça-feira, 29 de setembro de 2026
UM PASSEIO DIFERENTE
Hoje
foi um dia dedicado a explorar a Avenida Senador Queirós, que começa na Avenida
Ipiranga e termina na rua Mercúrio, próximo ao Viaduto que faz parte do
conjunto viário da região do Parque D. Pedro II. Normalmente, a percorro a
partir da Rua Mercúrio, no trajeto dos ônibus em ocasiões especiais, como
eventos que impeçam a rota pela Rua Boa Vista. Achei melhor começar a caminhada
pelo início da avenida, já que seria a primeira vez que andaria por ali. Eis um lugar
estranho porque se o pedestre não prestar atenção pode perder o rumo, pois a
Avenida Ipiranga é paralela à Rua Líbero Badaró e ambas dão acesso à Praça Dr.
Alfredo Issa de onde parte a Senador Queirós. Sábia decisão, porque acabei
mudando meus planos após terminar a caminhada.
A
Avenida Senador Queirós tem duas pistas separadas por canteiro central com mão
única em direção ao Centro Histórico. Há um certo encanto na avenida que já teve dias melhores.
Movida por um comércio variado, acho difícil definir a Senador Queirós, que
mistura pequenos prédios de três andares até edifícios com mais de dez pisos.
Foi nas pesquisas que encontrei o delicioso depoimento de Henrique Pianco, um
jovem estudante de arquitetura, que ao mudar para São Paulo morou naquela rua:
“Meu apartamento tinha apenas um
cômodo, somente uma janela. A iluminação natural abraçava todo o espaço. O
apartamento sentia tudo. Quando amanhecia, o som dos carros e da agitação
aumentava. Era hora do café. Quando o chão de madeira era tingido por uma luz
avermelhada, era o entardecer; hora de levantar da cadeira e alongar a coluna.
Quando a escuridão tomava conta e ele parecia prestes a adormecer, algo
diferente acontecia do lado de fora: a avenida despertava com força.”
“A Av. Senador Queirós foi para mim um palco de experiências. Para ser
sincero, dizer que a avenida foi palco não me soa certo; na verdade ela foi
jardim.”
Imagino
o que pensaria dela Francisco Antônio de Souza Queiroz, o Senador Queirós em
questão, um dos Grandes do Império. Paulista, nasceu em 1806, foi proprietário
rural conquistou prestígio político, que lhe garantiu uma carreira de sucesso
iniciada como vereador e que concluiu como senador por São Paulo em 1848. Ele
também ocupou, interinamente, a presidência da Província de São Paulo
(governador do Estado). Fundou a Associação Barão de Sousa Queirós de Proteção
à Infância e Juventude – Instituto Ana Rosa que funciona até os dias atuais –
já completou 152 anos. Em decorrência da sua atuação recebeu o título
honorífico de Barão de Souza Queirós com Grandeza, que não era hereditário.
Enfim,
o que me fez mudar de ideia sobre a caminhada foi a Praça Alfredo Issa, um encrave
de cerca de quinze mil metros quadrados, entre as avenidas Ipiranga e Senador
Queirós e a rua Casper Líbero. Ali destacam-se dois prédios.
O
Edifício Garagem Alfredo Issa da Polícia Civil tem história mais antiga. No
início do século passado a área era um grande charco e foco de muitos problemas.
Em princípio aquele terreno pertencia ao Estado, que começou a construir ali em
1944 o Palácio da Polícia, mas a obra foi abandonada três anos mais tarde. Muita
água rolou até a década de 1970 – rolou água mesmo porque o problema da
paralisação foi o lençol freático que fica a apenas seis metros de
profundidade.
Enfim,
Município e Estado acabaram fazendo um acordo e a área passou para o município
que decidiu construir ali um edifício-garagem e para tanto lançou um concurso,
vencido pelos arquitetos Benno Perelmutter
(1935-2017) e Jorge Nasser. O prédio redondo em concreto e estruturas aparentes
(neobrutalismo) foi construído na gestão do prefeito Paulo Maluf (1931) e
inaugurado em 1971; entretanto, ao assumir a prefeitura, José Carlos Figueiredo
Ferraz (1918-1994) devolveu o prédio para a Secretaria de Segurança Pública do
Estado que decidiu usá-lo para estacionamento da própria frota. O que se vê
atualmente não é mais o edifício original, pois sofreu ao longo dos anos várias
alterações.
Enquanto não se resolvia a questão do edifício garagem, foi construído o Edifício Montreal, primeiro projeto do escritório paulistano do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), sob encomenda do Banco Nacional Imobiliário. Inaugurado em 1954, o prédio tem 24 pavimentos, distribuídos em 21 andares com 230 apartamentos tipo quitinete. Como na época havia restrições à construção de prédios na confluência de duas ruas, as fachadas da Avenida Ipiranga e Casper Líbero são diferentes. Enfim, é bem Niemeyer – as entradas pelo subsolo e uma obra de arte para adornar o ambiente – dois delicados murais de Di Cavalcanti (1897-1972) muito bem conservados. Agradeço a gentileza do atendimento e a permissão de fotografar.
Em
tempo: o Edifício Montreal duas entradas – Avenida Ipiranga, 1284 e Rua Cásper
Libero, mas integra-se à praça por causa do térreo.
Há sempre surpresas no caminho.
terça-feira, 22 de setembro de 2026
PRIMAVERA
A Primavera começa hoje à noite no Hemisfério Sul, embora por aqui sempre haja flores para colorir a vida e amenizar o cinza do concreto urbano.
Uma boa ocasião
para lembrar o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
E ACONTECEU A PRIMAVERA
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
Que alguém te cante e te descante,
ficou urgente, Primavera,
para que ao menos em cantiga,
neste papel aberto às gentes,
a flor antiga se restaure.
Te cantarei em Pernambuco,
onde és cidade, e no Pará,
onde mulheres plantam malva
sob o título municipal,
e em Rondônia cantarei
a corredeira Primavera,
pois nesses nomes de lugares
e num acidente geográfico
tu pousaste como um pássaro,
modesto pássaro cinzento
de asas pretas e cauda preta,
só a lembrar, no papo branco,
extintas primaveridades.
Primavera que tanto habitas
a bráctea rósea da buganvília
(em que jardins à vista ocultos
sob a fumaça que é nosso azul
residual?),
como habitavas, parnasiana,
o soneto crônico e clássico
dos poetas consumidores
de velhos tópicos europeus,
é forçoso que alguém celebre
o ímpeto juvenil da Terra
mesmo poluída, desossada,
Terra assim mesmo, seiva nossa.
E te ofereço, Primavera,
a arvorezinha de brinquedo
em pátio escolar plantada,
enquanto lá fora se ensina
como derrubar, como queimar,
como secar fontes de vida
para erigir a nova ordem
do Homem Artificial.
Ah, Primavera, me desculpa
se corto em meio uma floresta
latifoliada, pois tenho pressa
de correr na estrada de Santos.
Não te zangues se já não vês
em teu perene séquito lírico
aquele sininho-flor, descoberto
em longes tempos por George Gardner
e que soava só no Brasil:
foi preciso (teria sido?)
matar o verde, substituí-lo
pela neutra cor uniforme
que é uniforme do Progresso.
Primavera, primula veris,
em palavra quedas intacta,
em palavra pois te deponho
a minha culpa coletiva,
o meu citadino remorso,
minha saudade de água, bicho,
terra encharcada de promessas,
e visões e asas e vozes
primitivas e eternas, como
eterno (e amoroso) é o homem
ligado ao quadro natural.
Primavera, fiz um discurso?
Primavera, tu me perdoas?…
II
“— 22 de setembro, mina minha.
Vamos curtir a primavera
em compact cassete tape, meu morango?
Bota aí o Botticelli
estereoutransfigurado em Debussy
e vê (primeiro fecha os olhos) Simonetta
Vespucci toda flor
florentil florindamente
(bulcão?) entre corolas e resinas
da flora da Tijuca…
— Não. Prefiro o Sacré du Printemps
que transa a primavera mais primeva.
Assim, no sala-e-escuro
dos sala-e-quarto conjugados
os dois ficamos respeitando
um princípio de seiva e de nenúfar,
enquanto a chuva — plic — tamborina
seu samba de uma nota só
na área de serviço.
É primavera, broto-brinco:
saiu no jornal,
a TV anunciou,
o Governo consentiu,
o Congresso aplaudiu
o comércio vendeu
arranjos de ikebana
e em algum lugar florescem três-marias
que são muitas marias, muitos nomes.
Vamos também curtir os nomes
(são presentes do povo à gente-bem):
riso-do-prado
(cadê o prado?),
amor-de-estudante
(pobre! no cursinho
que vira cursão
e invade o Brasil),
unha-de-gato
(envenenado
no Passeio Público?),
sempre-viçosa…
isto! A esperança
pousa na balança
o seu peso-pluma.
— Você tá esquecido
da maria-branca,
da pombinha-das-almas
e da noivinha…
Asas-pseudônimos
de primavera.
(Ah, vero barato
esse de brincar
de estação das flores
de concreto-objeto!)
— Oi, depressa, vamos
semear canteiros,
preparar estacas
e mergulhões,
plantar tubérculos
de cromo-gladíolos,
túberas de dálias
e tinhorões,
repicar sementeiras,
controlar lagartas,
ácaros e trips,
dizimar pulgões.
(Ui, primavera é fogo
se levada a sério!)
— Vamos pintar de verde
as áreas crestadas,
pôr na parede
a árvore genealógica,
comprar um sabiá
mecânico,
sortear
o beija-flor de beijar cimento?
É primavera, escuta o Burle Marx:
diz que havia jardins
em torno das casas,
havia matas
a cavaleiro das cidades,
florestas
onde o jacarandá e o mogno conversavam
a conversa de séculos.
(Fecharam o bico,
chegado o eucalipto.)
Broto gentil, a primavera
será um sonho de sonhar-se
na fumaça
no grito
no sem azul deserto
das cidades mortas que se julgam vivas
Alberto Caieiro/ Fernando Pessoa (1888-1935)
“QUANDO vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim. (,,,)".
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
DIA DA ÁRVORE
Hoje é o Dia da Árvore, que antecede o início da Primavera. As árvores são os seres mais antigos da Terra e nos envolvem do nascimento à morte, mas quase sempre nos esquecemos que elas são imprescindíveis para nossa existência, pois são responsáveis pela produção e manutenção do padrão de oxigênio da atmosfera do Planeta e fornecem a maior parte da energia necessária para a vida.
“A árvore é um ser vivo que nasce, vive e morre, respira e se alimenta sem sair do lugar. É uma planta com tronco, ramos, folhas e, embaixo da terra, raízes que absorbem o alimento de que ela necessita. Para que uma árvore nasça é preciso uma semente. A semente do carvalho fica dentro do seu fruto, a lande ou glande. Ela cai da árvore no outono, germinando na primavera, quando o tempo é suficientemente úmido e quente. Absorve água, incha, seu invólucro estoura. Surge a raiz, que se finca ao solo. Um ano depois, o pequeno carvalho mede vinte centímetros. Aos cinco anos, seu tronco tem a espessura de um lápis. Ele não para de crescer e pode viver até mil anos!” – Da Coleção ORIGENS DO SABER – Natureza – Cia. Melhoramentos, 1995. Impresso na Itália por Società Editoriale Libraria. Tradução Yvonne M. de Campos Teixeira da Silva.

"Graft", obra do artista Roxy Paine (1966), em aço inoxidável, instalada no National Gallery of Art Sculture Garden, em Washington, DC. Setembro de 2017.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
DUAS EXPOSIÇÕES IMPERDÍVEIS
Oportunidade
imperdível: ver em São Paulo obras originais de dois artistas magistrais: “Rembrandt – O Mestre da
Luz e da Sombra" até o próximo dia 27 de setembro no Centro Cultural Caixa,
e “Miró:
Mestre das Formas”, no Museu de Arte Brasileira / FAAP até 12 de outubro de 2026.
A exposição da Caixa Cultural reúne
69 gravuras originais, produzidas entre 1620 de 1665, sobre temas variados –
retratos, cenas cotidianas, paisagens e narrativas religiosas. Pintor e
gravador neerlandês, reconhecido como um dos maiores nomes da arte europeia, Rembrandt
van Rijn (1606- 1669) viveu no século de ouro dos Países Baixos, entre o final
do século XVI e início do XVIII. O curador é o historiador italiano Luca
Baroni, diretor da Rete Museale Marche Nord,
O público dispõe de áudio-guia,
conteúdo em braile, vídeos em libras, ambiente sensorial, sala imersiva, além
de lupas para ver detalhes das gravuras menores. Há ainda uma representação
holográfica do holandês em tamanho real.
A entrada é gratuita. Praça da Sé,
111. Metrô Sé. Linha Azul.
Visitação: de terça a domingo, das 9h
às 18h até 27 de setembro de 2026. Informações: (11) 3321-4400,
O Museu de Arte Brasileira/FAAP exibe “Miró: Mestre das Formas”. São mais de cem obras do artista catalão – pinturas, gravuras, esculturas, tapeçarias e fotografias. A mostra cobre mais de seis décadas de produção de Joan Miró (1893-1983), muitas das quais inéditas no Brasil. A curadoria é do espanhol Jordi J. Clavero e a realização é do Instituto Totex.
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia).
Museu de Arte Brasileira MAB FAA: Rua Alagoas, 903, Higienópolis.
Visitação: de terça a domingo, das 9h às 20h (última entrada às 19h) até 12 de outubro de 2026.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
CHUVA E LEMBRANÇAS
Ontem, numa conversa com minha amiga Ercília, falando das chuvas,
lembrávamos dos dias de tormentas e enchentes na Baixada Santista, quando éramos
escaladas para cobrir as consequências das inundações pela Baixada. Era um
trabalho difícil, mas nunca deixamos de ir aos locais atingidos, conversar com
a população e ouvir queixas sob chuva e em meio a torrentes de água suja.
Uma
das primeiras reportagens que eu fiz foi na antiga Rodovia da Banana, que liga
Peruíbe à Ana Dias, e que se chama desde 2021 Rodovia Coronel Rodolpho Pettená. Foi em 1970. Era foca.
Nunca tinha ouvido falar em Ana Dias. Eu e o fotógrafo estávamos com sorte;
fomos numa caminhonete F 100– nos dias ruins teria sido ou Kombi ou Fusca. Não
lembro mais dos detalhes apenas que a pista da estrada era um lamaçal só e os
caminhoneiros estavam isolados em uma área além de alguma curva. Claro que
hesitei, mas tirei os sapatos e enfiei os pés na lama literalmente. Curioso, o motorista
do jornal foi junto. O fotógrafo registrou o fato e a foto foi publicada no dia
seguinte na primeira página ilustrando a reportagem.
Da
primeira enchente não esqueci. Das outras tantas e tantas me lembro vagamente.
Lembro de duas enchentes na Zona Noroeste: uma em que eu e o outro jornalista escalados navegamos por uma avenida a bordo de um barquinho; e a
outra com a amiga Ercília, quando empurramos uma Kombi atolada e eu perdi um pé
da babucha que usava. (Repórter nunca sabe onde será o seu próximo trabalho e esse é o encanto da profissão.) No dia seguinte comprei uma galocha que ficava no jornal para essas
coberturas. Um dia escreverei sobre a última, que foi em Cubatão já nos anos 1980.
Bons
tempos.
FERNANDO PESSOA E A CHUVA
"CHOVE. Há silêncio,
porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente..."
Fernando Pessoa (1888-1932) / Cancioneiro.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
SETE DE SETEMBRO
No dia
7 de setembro as atenções voltam-se para o Alto do Ipiranga, onde o príncipe
regente D. Pedro (1798-1834) proclamou nossa Independência às margens do riacho
do Ipiranga, hoje tão abandonado. Entretanto, o bairro Penha de França, ou apenas
Penha, também teve um papel importante nessa História que aconteceu em
1822 O príncipe e comitiva partiram do
Rio de Janeiro, no dia 14 de agosto, com destino à Província de São Paulo que
vivia uma crise política: em maio daquele ano houve uma revolta de militares e
civis, liderada por Francisco Inácio de Souza Queiroz, que culminara com a
destituição do governo e criara uma situação de instabilidade política.
Foi
uma longa viagem a cavalo e em mulas, com paradas para pernoites até que no dia
24 de agosto, uma sexta-feira, chegou à Penha de França: “A 24 de agosto chegou
o príncipe à povoação da Penha de França, a légua e meia da capital, onde
pernoitou, expedindo daí o decreto que dissolveu o governo provisório, e
ordenou que saíssem obrigatoriamente da capital os principais fomentadores dos
movimentos subversivos (ocorridos entre maio e julho)”.
No
dia seguinte, D. Pedro assistiu missa antes de partir para São Paulo. A entrada
do regente teve caráter oficial – foi recepcionado por vereadores, religiosos e
pelo povo em frente à Igreja da Ordem Terceira de N. Sra. do Carmo (Av. Rangel
Pestana, 230). Foi hospedado pelo coronel Antônio da Silva Prado. Barão de
Iguape, e depois na casa de Manoel Rodrigues Jordão, o brigadeiro Jordão, na
cidade. Ele ficou dez dias em São Paulo em articulações políticas até a partida
para Santos, cidade natal de José Bonifácio de Andrade e Silva, no dia 5 de
setembro. Na volta de Santos, às margens do riacho do Ipiranga, houve o
encontro com o mensageiro Paulo Bregaro, oficial do Tribunal Militar, com as
cartas que definiram o momento da Independência.
Era
7 de setembro de 1822. Um sábado. Na mesma noite, D. Pedro compareceu à Casa da
Ópera que ficava na região do Pátio do Colégio, onde foi aclamado
espontaneamente pela população que lotou o teatro.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
DESENCONTROS E ENCONTROS
Quando eu digo que São Paulo é cheia de surpresas, não acreditam. Hoje, conheci o túmulo de Marlene Dietrich.
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
O CINEMA QUE VIROU ESTACIONAMENTO
O
cinema Paissandu era um luxo. No saguão, o espectador admirava três painéis de
15 m de extensão representando o folclore nacional – Bumba-meu-boi, Candomblé e
Fandangos. A sala de espera de 900m² tinha ambiente acolhedor: poltronas
confortáveis, luz suave, ar condicionado e música de alta fidelidade. Enquanto
esperava, o público podia admirar um grande painel que remetia à “Nau
Catarineta”, poema épico português. A sala de exibição tinha capacidade para 2.196
pessoas! A tela media 7m30 por 15m30. Atualmente, a maior sala de cinema de São
Paulo tem capacidade para 512 pessoas! A decadência do cinema começou nos anos
1970 e agora é um estacionamento, apesar de ter sido tombado pelo patrimônio
histórico do município em 1992. O Cine Paissandu foi inaugurado com uma sessão
beneficente na noite de 19 de dezembro de 1957 e a primeira sessão para o
público foi no dia 20. O filme exibido foi “Guerra e Paz”, baseado no romance de Leon Tolstói e dirigida por King Vidor,
com Audrey Hepburn, Henry Fonda e Mel Ferrer.
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
O MIRANTE DA RUA AVANHANDAVA
Depois
de subir e descer várias escadarias pelo Centro Histórico, Aclimação, Bela Vista
e até no Pacaembu, soube da existência de um Belvedere na Rua Avanhandava, que
pertence ao Distrito da República. E andei ali por perto vendo as escadarias
do Viaduto Nove de Julho! Inconformada fui procurar o belvedere.
Comecei
caminhada pela Praça Ramos de Azevedo, segui pela Rua Xavier de Toledo –
movimentada como sempre, mas desta vez tinha uma novidade: a loja que resolveu “baixar
as calças” para incrementar as vendas. Na Consolação, sigo pela Rua Martins Fontes
(“paulista eu sou há 400 anos”) e chego à graciosa Rua Avanhandava, que acolhe
o pedestre com uma floricultura e uma fonte. E, se for hora do almoço ou jantar
(lanche também serve), difícil é escolher onde entrar. Só a tradicional “Famiglia
Mancini” oferece várias opções. Meu interesse, entretanto, é o belvedere, mas
logo percebo que é melhor usar “mirante”, pois a palavra belvedere só foi reconhecida
pelos mais antigos.
Enfim, a escadaria que fica bem em
frente à saída para a Avenida Nove de Julho. Olho bem, mas sempre surge a dúvida:
será que consigo a proeza? Afinal são 120 degraus e obviamente não há mais paisagem para admirar. Fui em frente e subi sem
problema e ainda sobrou fôlego para voltar pela Rua Augusta, dar uma espiada no
Parque Augusta, retornar pela Consolação, admirar a Igreja da Consolação
restaurada, atravessar a Praça Roosevelt, olhar os cartazes da peça em cartaz
no Teatro do Jaraguá, e na Avenida São Luís sentar-me no banquinho à espera de
condução.😊

A história da Rua Avanhandava começa em 1920, quando a Cia. City iniciou a urbanização daquela área. A prefeitura autorizou a empresa a aproveitar a encosta entre a Rua Augusta e a Avenida Anhangabaú (atual Nove de Julho) em obras de implantação na época. A Avanhandava ficou pronta em 1928 e o nome é uma referencia a uma cachoeira localizada à margem direita do Rio Tietê na região em que hoje situa-se Penápolis. No local havia também um forte, erguido em 1858, que teve papel importante na Guerra do Paraguai. Nem a cachoeira nem o forte existem mais.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
TARDE DE INVERNO
Agosto, 25. Um dia típico de inverno. Céu nublado. Cai uma garoa fina. O frio agradável apetece uma poltrona, um chá preto ou vinho tinto, bom livro; mantenho, porém, minha rotina. Há menos pessoas pelas ruas e nos ônibus. O motorista está de touca e bem agasalhado. De manhã trabalha com a esposa, que é cobradora e faz meio período. Num ponto próximo do Centro, quando a porta se abre, um homem conta uma pequena história para conseguir carona e ele manda subir pela porta de trás. No próximo, outro carona. Não dá porque já tem um caroneiro. Lá fora, os poucos que enfrentam o tempo compõem um cenário um tanto sombrio com suas roupas escuras. Em meio ao trânsito o homem puxa uma carroça cheia de material reciclável. Duas amigas entram tagarelando, sentam-se no banco dos preferenciais e tagarelam até que um abre um pacotinho para saborear uma bomba. Desço na Rua Boa Vista e sigo em direção à Praça do Patriarca. Meu destino é uma visita às Graças na Galeria Prestes Maia. Elas encontram-se protegidas por um cercadinho. Uma jovem varre os nichos em que elas se encontram. Tudo brilhando. Subo pela escada rolante e fico em dúvida sobre a direção. A Rua Direita está em obras. A temperatura e a garoa afugentaram os camelôs. Sigo pela Rua da Quitanda, sem pressa. Vislumbro um café muito simpático e resolvo entrar. Poucas pessoas e atendimento rápido. Gostei demais do cardápio.
terça-feira, 25 de agosto de 2026
POR AÍ E POR ALI
Parece que o Inverno retornou. Hoje, um dia frio e gostoso. Bom para usar notas para escrever sobre curiosidades anotadas nos caminhos.
Estava na estação Sé, quando vi a vitrine ao lado do setor de “Achados e Perdidos”, que passou por uma reforma recentemente. Criaram um museu com os objetos esquecidos por passageiros no percurso de viagens. A vitrine dá uma boa ideia do que esse povo distraído deixa nos vagões e estações. Lá estão um sombrero, uma ampulheta (lembrei-me do rapaz da USP que não sabia ver horas), duas dentaduras, a miniatura de uma antiga bomba de gasolina, um leque e um lindo elefantinho. O último item é uma prótese de perna mecânica!
UM COLÉGIO INESQUECÍVEL
Não resisto e compartilho a crônica sobre o Instituto de Educação Canadá do escritor e jornalista santista Flávio Viegas Amoreira, membro da Academia Santista de Letras, curador da Casa das Culturas de Santos e cronista do jornal A TRIBUNA. Estudei no Canadá, como o chamamos carinhosamente, nos anos sessenta do século passado, e também fui aluna dos professores Itagiba, dona Ada e Maria Helena Caruso entre tantos outros. Hoje o colégio chama-se Escola Estadual Canadá (Rua Mato Grosso, 163, Boqueirão).
sábado, 22 de agosto de 2026
FOLCLORE BRASILEIRO
Hoje é
dia do Folclore Nacional. O folclore é o conjunto de atividades que compõem a
cultura de um povo, ou seja, engloba música, dança, literatura, culinária, as
superstições e as artes em geral. O folclore brasileiro reúne as tradições das
três raças formadoras da nossa sociedade – indígenas, brancos e negros. Em
termos regionais, o folclore do Norte e Nordeste é muito rico e cultivado com
entusiasmo pela população em geral. O Estado e a cidade de São Paulo comemoram no
dia 31 de outubro o dia do Saci, um dos personagens do folclore brasileiro. Ainda
em São Paulo, o Curupira é considerado o guardião das florestas.
Várias
manifestações culturais brasileiras são consideradas Patrimônio da humanidade pela UNESCO, como o
Bumba-meu-boi e o Tambor de Crioula (Maranhão) e o Frevo (Pernambuco).
Como hoje é sábado a comemoração pode ter feijoada, caipirinha ou aluá e bolo de fubá. Para quem não conhece, o aluá é uma bebida fermentada de baixo teor alcoólico, feita de milho moído ou casca de abacaxi.
NA FAAP, a exposição “Arte da Nossa Gente” reúne obras originais – pintura, escultura, gravura, bordado e cerâmica – de artistas brasileiros de diferentes regiões do país.
Victor Brecheret: a imagem indígena como símbolo de brasilidade” – Centro Cultural FIESP, Avenida Paulista ,1313, Cerqueira César. Visitação: de terça a domingo das 10 às 20 horas. Até 30 de agosto de 2026. Gratuito.
domingo, 16 de agosto de 2026
RUA ROBERTO SIMONSEN
Rua
Roberto Simonsen, 97. Por fora, o casarão centenário está em boas condições,
mas por dentro encontra-se bastante danificado. Chocante mesmo é a destruição
do elevador pantográfico. A boa notícia é que se transformará em um espaço
cultural e o cartão de visitas é a exposição “Apocalipse”, que reúne obras do
artista plástico paulistano Alex Fleming, que pode ser visitada até o final
deste mês.
A
Rua Roberto Simonsen, uma das mais antigas de São Paulo, é pequena – começa na
Praça da Sé e termina no Pátio do Colégio. Cerca de 150 metros. Repleta de
história e coisas pitorescas. Ela teve outros nomes: primeiro foi Rua de Santa
Teresa por causa da casa de “Recolhimento de Santa Teresa”, construída em 1685
para abrigar moças. Em 1865, um vereador sugeriu que se alterasse o nome para
Rua do Carmo, desta vez a causa era a Igreja do Carmo, pois naquela época a rua
tinha ouro traçado. Em 1948, foi escolhida para homenagear o santista Roberto
Simonsen (1889-1948), engenheiro, industrial, administrador, professor,
historiador e político. Entre outras realizações, ele foi criador do Centro das
Indústrias, atual FIESP.
A
Casa nº 1 ou Casa da Imagem e Casa da Marquesa de Santos (1797-1867) são
separadas pelo Beco do Pinto, uma escadaria de acesso à Rua Bitencourt
Rodrigues que nos velhos tempos era o caminho feito pelos escravos para levar o
lixo para despejo no rio Tamanduateí, logo adiante.
Do
outro lado morou Dutra Rodrigues (1844-188), presidente da Província
(governador do Estado) de São Paulo, que ali recebeu a visita do Imperador D.
Pedro II. O prédio foi restaurado e nele atualmente funciona o Restaurante Cama
e Café, que também tem um programa cultural movimentado – saraus, exposições e
shows. Na esquina com o Pátio do Colégio, outro restaurante: o Pateo Cuccina
(nº 122). Nem precisa dizer que a comida italiana é especialidade da casa.
Vários
sobrados antigos e em decadência têm o piso inferior usado como
estacionamentos. Um deles destina-se a motos e tem um charme especial – um lustre
pendente muito bonito. Na entrada de um dos estacionamentos, há um minúsculo
café muito simpático – dois bancos dentro.
Este
ano o Palacete do Carmo, que ocupa quase uma quadra (com um dos lados na Rua
Roberto Simonsen) e se encontra em estado deplorável, foi desocupado para
restauro. A construção é dos anos vinte do século passado.
Rua
pequena, mas com trânsito intenso, especialmente, ônibus e trólebus que se
dirigem ao Pátio do Colégio ou que transitam entre a Avenida Rangel Pestana e o
Parque D. Pedro II.
O trabalho do rapaz é atrair carros para o
estacionamento – ou seja – ele fica no meio da rua e indica a entrada para os
motoristas. Parece que não, mas cansa.


























