quarta-feira, 6 de maio de 2026

MORRO DOS INGLESES

 

São Paulo tem muitos morros – eu moro no Morro da Aclimação. E um deles é o Morro dos Ingleses, situado no Espigão da Paulista onde a altura gira em torno de oitocentos metros. Quem quiser testar, pode começar subindo a escadaria do Bexiga (dezesseis metros de altura e 84 degraus) que liga a Rua Treze de Maio à Rua dos Ingleses e depois ir subindo a ladeira em direção à Avenida Paulista. Um bom exercício.

            O Morro dos Ingleses, tombado pelo CONPRESP, tem como limites as ruas dos Ingleses, Franceses, Holandeses, Alameda Joaquim Eugênio de Lima e a Almirante Marques Leão. Os motivos do tombamento incluem interesses históricos, arquitetônicos e turísticos. O lado histórico remete à fundação do São Paulo Country Club em 1901 por imigrantes ingleses e escoceses, quando a região era ainda desabitada e tranquila. O clube acabou atraindo os moradores da Avenida Paulista que se interessaram pelo golfe, esporte praticado na entidade. A população o chamava de “clube dos ingleses” por ser exclusivo. Em 1908 a Câmara aprovou uma lei autorizando a Prefeitura a comprar o morro – provavelmente apenas a área onde hoje existe o mirante (AHM). Em 1912 alguns proprietários de terrenos no morro já estavam providenciando às próprias custas o arruamento da área entre a Avenida Paulista e o bairro da Bela Vista. A rua N só passou a se chamar Rua dos Ingleses, como já era conhecida em 1916. A escadaria que liga a Bela Vista à Rua dos Ingleses foi construída em 1929 pelo prefeito José Pires do Rio (1880-1950).

            O morro é bastante agradável e tem muitas coisas interessantes. O lado direito do final da rua dos Ingleses, por exemplo, tem vários prédios, mas sobraram casas muito bonitas do lado ímpar. Eis um aspecto curioso desse lado: os imóveis têm uma área na frente e as cassa ficam em um nível inferior sendo acessível por escadas. Quase sempre há uma escadaria lateral que leva aos fundos. Em alguns pontos é possível ver lá embaixo a Rua Treze de Maio. Como no modesto Parque dos Ingleses – um espaço arborizado e calmo. Há pequenos negócios funcionando nesse recuo frontal de algumas casas – como uma minúscula cantina cuja comida deve ser muito boa – as poucas mesas estão todas ocupadas. Ali está o Shopping das Artes (347) que tem entrada também pela Treze de Maio,870.

            Chego às escadarias. Ao lado está o Teatro Ruth Escobar, que parece em reforma. Em frente fica o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus. Nessa parte da rua, nada de prédios; predominam casas muito bonitas, que resistem ao tempo. Lá está o Museu dos Óculos Gioconda Giannini (108), que visitarei em outra ocasião. Chego ao início da rua, que faz esquina com a Rua dos Franceses, onde fica a Igreja Presbiteriana da Bela Vista fundada em 1946.

            Amanhã, será a vez dos Franceses. Alemãs, Belgas e Holandeses têm pequenas ruas residenciais.


O acesso ao Shopping das Artes também pode ser pela Rua Treze de Maio.



O pequeno parque: sombra e tranquilidade.

 
As escadarias de ligação com a Rua Treze de Maio.


          





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