Hilda Prado Araújo
Temas culturais.
domingo, 4 de outubro de 2026
ERA UMA VEZ...
terça-feira, 29 de setembro de 2026
UM PASSEIO DIFERENTE
Hoje
foi um dia dedicado a explorar a Avenida Senador Queirós, que começa na Avenida
Ipiranga e termina na rua Mercúrio, próximo ao Viaduto que faz parte do
conjunto viário da região do Parque D. Pedro II. Normalmente, a percorro a
partir da Rua Mercúrio, no trajeto dos ônibus em ocasiões especiais, como
eventos que impeçam a rota pela Rua Boa Vista. Achei melhor começar a caminhada
pelo início da avenida, já que seria a primeira vez que andaria por ali. Eis um lugar
estranho porque se o pedestre não prestar atenção pode perder o rumo, pois a
Avenida Ipiranga é paralela à Rua Líbero Badaró e ambas dão acesso à Praça Dr.
Alfredo Issa de onde parte a Senador Queirós. Sábia decisão, porque acabei
mudando meus planos após terminar a caminhada.
A
Avenida Senador Queirós tem duas pistas separadas por canteiro central com mão
única em direção ao Centro Histórico. Há um certo encanto na avenida que já teve dias melhores.
Movida por um comércio variado, acho difícil definir a Senador Queirós, que
mistura pequenos prédios de três andares até edifícios com mais de dez pisos.
Foi nas pesquisas que encontrei o delicioso depoimento de Henrique Pianco, um
jovem estudante de arquitetura, que ao mudar para São Paulo morou naquela rua:
“Meu apartamento tinha apenas um
cômodo, somente uma janela. A iluminação natural abraçava todo o espaço. O
apartamento sentia tudo. Quando amanhecia, o som dos carros e da agitação
aumentava. Era hora do café. Quando o chão de madeira era tingido por uma luz
avermelhada, era o entardecer; hora de levantar da cadeira e alongar a coluna.
Quando a escuridão tomava conta e ele parecia prestes a adormecer, algo
diferente acontecia do lado de fora: a avenida despertava com força.”
“A Av. Senador Queirós foi para mim um palco de experiências. Para ser
sincero, dizer que a avenida foi palco não me soa certo; na verdade ela foi
jardim.”
Imagino
o que pensaria dela Francisco Antônio de Souza Queiroz, o Senador Queirós em
questão, um dos Grandes do Império. Paulista, nasceu em 1806, foi proprietário
rural conquistou prestígio político, que lhe garantiu uma carreira de sucesso
iniciada como vereador e que concluiu como senador por São Paulo em 1848. Ele
também ocupou, interinamente, a presidência da Província de São Paulo
(governador do Estado). Fundou a Associação Barão de Sousa Queirós de Proteção
à Infância e Juventude – Instituto Ana Rosa que funciona até os dias atuais –
já completou 152 anos. Em decorrência da sua atuação recebeu o título
honorífico de Barão de Souza Queirós com Grandeza, que não era hereditário.
Enfim,
o que me fez mudar de ideia sobre a caminhada foi a Praça Alfredo Issa, um encrave
de cerca de quinze mil metros quadrados, entre as avenidas Ipiranga e Senador
Queirós e a rua Casper Líbero. Ali destacam-se dois prédios.
O
Edifício Garagem Alfredo Issa da Polícia Civil tem história mais antiga. No
início do século passado a área era um grande charco e foco de muitos problemas.
Em princípio aquele terreno pertencia ao Estado, que começou a construir ali em
1944 o Palácio da Polícia, mas a obra foi abandonada três anos mais tarde. Muita
água rolou até a década de 1970 – rolou água mesmo porque o problema da
paralisação foi o lençol freático que fica a apenas seis metros de
profundidade.
Enfim,
Município e Estado acabaram fazendo um acordo e a área passou para o município
que decidiu construir ali um edifício-garagem e para tanto lançou um concurso,
vencido pelos arquitetos Benno Perelmutter
(1935-2017) e Jorge Nasser. O prédio redondo em concreto e estruturas aparentes
(neobrutalismo) foi construído na gestão do prefeito Paulo Maluf (1931) e
inaugurado em 1971; entretanto, ao assumir a prefeitura, José Carlos Figueiredo
Ferraz (1918-1994) devolveu o prédio para a Secretaria de Segurança Pública do
Estado que decidiu usá-lo para estacionamento da própria frota. O que se vê
atualmente não é mais o edifício original, pois sofreu ao longo dos anos várias
alterações.
Enquanto não se resolvia a questão do edifício garagem, foi construído o Edifício Montreal, primeiro projeto do escritório paulistano do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), sob encomenda do Banco Nacional Imobiliário. Inaugurado em 1954, o prédio tem 24 pavimentos, distribuídos em 21 andares com 230 apartamentos tipo quitinete. Como na época havia restrições à construção de prédios na confluência de duas ruas, as fachadas da Avenida Ipiranga e Casper Líbero são diferentes. Enfim, é bem Niemeyer – as entradas pelo subsolo e uma obra de arte para adornar o ambiente – dois delicados murais de Di Cavalcanti (1897-1972) muito bem conservados. Agradeço a gentileza do atendimento e a permissão de fotografar.
Em
tempo: o Edifício Montreal duas entradas – Avenida Ipiranga, 1284 e Rua Cásper
Libero, mas integra-se à praça por causa do térreo.
Há sempre surpresas no caminho.
terça-feira, 22 de setembro de 2026
PRIMAVERA
A Primavera começa hoje à noite no Hemisfério Sul, embora por aqui sempre haja flores para colorir a vida e amenizar o cinza do concreto urbano.
Uma boa ocasião
para lembrar o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
E ACONTECEU A PRIMAVERA
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
Que alguém te cante e te descante,
ficou urgente, Primavera,
para que ao menos em cantiga,
neste papel aberto às gentes,
a flor antiga se restaure.
Te cantarei em Pernambuco,
onde és cidade, e no Pará,
onde mulheres plantam malva
sob o título municipal,
e em Rondônia cantarei
a corredeira Primavera,
pois nesses nomes de lugares
e num acidente geográfico
tu pousaste como um pássaro,
modesto pássaro cinzento
de asas pretas e cauda preta,
só a lembrar, no papo branco,
extintas primaveridades.
Primavera que tanto habitas
a bráctea rósea da buganvília
(em que jardins à vista ocultos
sob a fumaça que é nosso azul
residual?),
como habitavas, parnasiana,
o soneto crônico e clássico
dos poetas consumidores
de velhos tópicos europeus,
é forçoso que alguém celebre
o ímpeto juvenil da Terra
mesmo poluída, desossada,
Terra assim mesmo, seiva nossa.
E te ofereço, Primavera,
a arvorezinha de brinquedo
em pátio escolar plantada,
enquanto lá fora se ensina
como derrubar, como queimar,
como secar fontes de vida
para erigir a nova ordem
do Homem Artificial.
Ah, Primavera, me desculpa
se corto em meio uma floresta
latifoliada, pois tenho pressa
de correr na estrada de Santos.
Não te zangues se já não vês
em teu perene séquito lírico
aquele sininho-flor, descoberto
em longes tempos por George Gardner
e que soava só no Brasil:
foi preciso (teria sido?)
matar o verde, substituí-lo
pela neutra cor uniforme
que é uniforme do Progresso.
Primavera, primula veris,
em palavra quedas intacta,
em palavra pois te deponho
a minha culpa coletiva,
o meu citadino remorso,
minha saudade de água, bicho,
terra encharcada de promessas,
e visões e asas e vozes
primitivas e eternas, como
eterno (e amoroso) é o homem
ligado ao quadro natural.
Primavera, fiz um discurso?
Primavera, tu me perdoas?…
II
“— 22 de setembro, mina minha.
Vamos curtir a primavera
em compact cassete tape, meu morango?
Bota aí o Botticelli
estereoutransfigurado em Debussy
e vê (primeiro fecha os olhos) Simonetta
Vespucci toda flor
florentil florindamente
(bulcão?) entre corolas e resinas
da flora da Tijuca…
— Não. Prefiro o Sacré du Printemps
que transa a primavera mais primeva.
Assim, no sala-e-escuro
dos sala-e-quarto conjugados
os dois ficamos respeitando
um princípio de seiva e de nenúfar,
enquanto a chuva — plic — tamborina
seu samba de uma nota só
na área de serviço.
É primavera, broto-brinco:
saiu no jornal,
a TV anunciou,
o Governo consentiu,
o Congresso aplaudiu
o comércio vendeu
arranjos de ikebana
e em algum lugar florescem três-marias
que são muitas marias, muitos nomes.
Vamos também curtir os nomes
(são presentes do povo à gente-bem):
riso-do-prado
(cadê o prado?),
amor-de-estudante
(pobre! no cursinho
que vira cursão
e invade o Brasil),
unha-de-gato
(envenenado
no Passeio Público?),
sempre-viçosa…
isto! A esperança
pousa na balança
o seu peso-pluma.
— Você tá esquecido
da maria-branca,
da pombinha-das-almas
e da noivinha…
Asas-pseudônimos
de primavera.
(Ah, vero barato
esse de brincar
de estação das flores
de concreto-objeto!)
— Oi, depressa, vamos
semear canteiros,
preparar estacas
e mergulhões,
plantar tubérculos
de cromo-gladíolos,
túberas de dálias
e tinhorões,
repicar sementeiras,
controlar lagartas,
ácaros e trips,
dizimar pulgões.
(Ui, primavera é fogo
se levada a sério!)
— Vamos pintar de verde
as áreas crestadas,
pôr na parede
a árvore genealógica,
comprar um sabiá
mecânico,
sortear
o beija-flor de beijar cimento?
É primavera, escuta o Burle Marx:
diz que havia jardins
em torno das casas,
havia matas
a cavaleiro das cidades,
florestas
onde o jacarandá e o mogno conversavam
a conversa de séculos.
(Fecharam o bico,
chegado o eucalipto.)
Broto gentil, a primavera
será um sonho de sonhar-se
na fumaça
no grito
no sem azul deserto
das cidades mortas que se julgam vivas
Alberto Caieiro/ Fernando Pessoa (1888-1935)
“QUANDO vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim. (,,,)".
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
DIA DA ÁRVORE
Hoje é o Dia da Árvore, que antecede o início da Primavera. As árvores são os seres mais antigos da Terra e nos envolvem do nascimento à morte, mas quase sempre nos esquecemos que elas são imprescindíveis para nossa existência, pois são responsáveis pela produção e manutenção do padrão de oxigênio da atmosfera do Planeta e fornecem a maior parte da energia necessária para a vida.
“A árvore é um ser vivo que nasce, vive e morre, respira e se alimenta sem sair do lugar. É uma planta com tronco, ramos, folhas e, embaixo da terra, raízes que absorbem o alimento de que ela necessita. Para que uma árvore nasça é preciso uma semente. A semente do carvalho fica dentro do seu fruto, a lande ou glande. Ela cai da árvore no outono, germinando na primavera, quando o tempo é suficientemente úmido e quente. Absorve água, incha, seu invólucro estoura. Surge a raiz, que se finca ao solo. Um ano depois, o pequeno carvalho mede vinte centímetros. Aos cinco anos, seu tronco tem a espessura de um lápis. Ele não para de crescer e pode viver até mil anos!” – Da Coleção ORIGENS DO SABER – Natureza – Cia. Melhoramentos, 1995. Impresso na Itália por Società Editoriale Libraria. Tradução Yvonne M. de Campos Teixeira da Silva.

"Graft", obra do artista Roxy Paine (1966), em aço inoxidável, instalada no National Gallery of Art Sculture Garden, em Washington, DC. Setembro de 2017.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
DUAS EXPOSIÇÕES IMPERDÍVEIS
Oportunidade
imperdível: ver em São Paulo obras originais de dois artistas magistrais: “Rembrandt – O Mestre da
Luz e da Sombra" até o próximo dia 27 de setembro no Centro Cultural Caixa,
e “Miró:
Mestre das Formas”, no Museu de Arte Brasileira / FAAP até 12 de outubro de 2026.
A exposição da Caixa Cultural reúne
69 gravuras originais, produzidas entre 1620 de 1665, sobre temas variados –
retratos, cenas cotidianas, paisagens e narrativas religiosas. Pintor e
gravador neerlandês, reconhecido como um dos maiores nomes da arte europeia, Rembrandt
van Rijn (1606- 1669) viveu no século de ouro dos Países Baixos, entre o final
do século XVI e início do XVIII. O curador é o historiador italiano Luca
Baroni, diretor da Rete Museale Marche Nord,
O público dispõe de áudio-guia,
conteúdo em braile, vídeos em libras, ambiente sensorial, sala imersiva, além
de lupas para ver detalhes das gravuras menores. Há ainda uma representação
holográfica do holandês em tamanho real.
A entrada é gratuita. Praça da Sé,
111. Metrô Sé. Linha Azul.
Visitação: de terça a domingo, das 9h
às 18h até 27 de setembro de 2026. Informações: (11) 3321-4400,
O Museu de Arte Brasileira/FAAP exibe “Miró: Mestre das Formas”. São mais de cem obras do artista catalão – pinturas, gravuras, esculturas, tapeçarias e fotografias. A mostra cobre mais de seis décadas de produção de Joan Miró (1893-1983), muitas das quais inéditas no Brasil. A curadoria é do espanhol Jordi J. Clavero e a realização é do Instituto Totex.
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia).
Museu de Arte Brasileira MAB FAA: Rua Alagoas, 903, Higienópolis.
Visitação: de terça a domingo, das 9h às 20h (última entrada às 19h) até 12 de outubro de 2026.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
CHUVA E LEMBRANÇAS
Ontem, numa conversa com minha amiga Ercília, falando das chuvas,
lembrávamos dos dias de tormentas e enchentes na Baixada Santista, quando éramos
escaladas para cobrir as consequências das inundações pela Baixada. Era um
trabalho difícil, mas nunca deixamos de ir aos locais atingidos, conversar com
a população e ouvir queixas sob chuva e em meio a torrentes de água suja.
Uma
das primeiras reportagens que eu fiz foi na antiga Rodovia da Banana, que liga
Peruíbe à Ana Dias, e que se chama desde 2021 Rodovia Coronel Rodolpho Pettená. Foi em 1970. Era foca.
Nunca tinha ouvido falar em Ana Dias. Eu e o fotógrafo estávamos com sorte;
fomos numa caminhonete F 100– nos dias ruins teria sido ou Kombi ou Fusca. Não
lembro mais dos detalhes apenas que a pista da estrada era um lamaçal só e os
caminhoneiros estavam isolados em uma área além de alguma curva. Claro que
hesitei, mas tirei os sapatos e enfiei os pés na lama literalmente. Curioso, o motorista
do jornal foi junto. O fotógrafo registrou o fato e a foto foi publicada no dia
seguinte na primeira página ilustrando a reportagem.
Da
primeira enchente não esqueci. Das outras tantas e tantas me lembro vagamente.
Lembro de duas enchentes na Zona Noroeste: uma em que eu e o outro jornalista escalados navegamos por uma avenida a bordo de um barquinho; e a
outra com a amiga Ercília, quando empurramos uma Kombi atolada e eu perdi um pé
da babucha que usava. (Repórter nunca sabe onde será o seu próximo trabalho e esse é o encanto da profissão.) No dia seguinte comprei uma galocha que ficava no jornal para essas
coberturas. Um dia escreverei sobre a última, que foi em Cubatão já nos anos 1980.
Bons
tempos.
FERNANDO PESSOA E A CHUVA
"CHOVE. Há silêncio,
porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente..."
Fernando Pessoa (1888-1932) / Cancioneiro.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
SETE DE SETEMBRO
No dia
7 de setembro as atenções voltam-se para o Alto do Ipiranga, onde o príncipe
regente D. Pedro (1798-1834) proclamou nossa Independência às margens do riacho
do Ipiranga, hoje tão abandonado. Entretanto, o bairro Penha de França, ou apenas
Penha, também teve um papel importante nessa História que aconteceu em
1822 O príncipe e comitiva partiram do
Rio de Janeiro, no dia 14 de agosto, com destino à Província de São Paulo que
vivia uma crise política: em maio daquele ano houve uma revolta de militares e
civis, liderada por Francisco Inácio de Souza Queiroz, que culminara com a
destituição do governo e criara uma situação de instabilidade política.
Foi
uma longa viagem a cavalo e em mulas, com paradas para pernoites até que no dia
24 de agosto, uma sexta-feira, chegou à Penha de França: “A 24 de agosto chegou
o príncipe à povoação da Penha de França, a légua e meia da capital, onde
pernoitou, expedindo daí o decreto que dissolveu o governo provisório, e
ordenou que saíssem obrigatoriamente da capital os principais fomentadores dos
movimentos subversivos (ocorridos entre maio e julho)”.
No
dia seguinte, D. Pedro assistiu missa antes de partir para São Paulo. A entrada
do regente teve caráter oficial – foi recepcionado por vereadores, religiosos e
pelo povo em frente à Igreja da Ordem Terceira de N. Sra. do Carmo (Av. Rangel
Pestana, 230). Foi hospedado pelo coronel Antônio da Silva Prado. Barão de
Iguape, e depois na casa de Manoel Rodrigues Jordão, o brigadeiro Jordão, na
cidade. Ele ficou dez dias em São Paulo em articulações políticas até a partida
para Santos, cidade natal de José Bonifácio de Andrade e Silva, no dia 5 de
setembro. Na volta de Santos, às margens do riacho do Ipiranga, houve o
encontro com o mensageiro Paulo Bregaro, oficial do Tribunal Militar, com as
cartas que definiram o momento da Independência.
Era
7 de setembro de 1822. Um sábado. Na mesma noite, D. Pedro compareceu à Casa da
Ópera que ficava na região do Pátio do Colégio, onde foi aclamado
espontaneamente pela população que lotou o teatro.















