Quando
descobri que havia um curso de jornalismo, me interessei imediatamente, porque
gostava de escrever e também porque um repórter não fica confinado num
escritório – ele trabalha em campo e só retorna à redação para escrever as
reportagens. O jornalismo não é entediante, mas bastante estressante. Volto ao
assunto depois de ler uma matéria sobre uma pessoa extraordinária – Shoji
Miromiti, 37 anos, um homem com pós-graduação em Ciências, que trabalhou em uma
editora de material didático por anos, depois tornou-se escritor freelancer e teve
outras atividades, mas a cada experiência desencantava-se com o trabalho aborrecido
e estressante. Até que assumiu que gostava mesmo era de fazer nada.
Como
viver sem fazer nada? Um dia descobriu que podia ser “Uma Pessoa de Aluguel que
Não Faz Nada” – ele recebe simplesmente por estar presente. Publicou na internet
um aviso sobre o serviço chamado “Alugue um Faz-Nada. Serve para qualquer
situação em que tudo o que se quer é que uma pessoa esteja presente”. E em
pouco tempo o serviço estava funcionando. Em um ano tinha cem mil seguidores e
atualmente quase meio milhão. Já foi contratado mais de quatro mil vezes. E
ainda pode escolher o trabalho.
Seus
clientes são pessoas que querem companhia para ir almoçar, acenar para alguém
que está chegando no aeroporto, ver um escritor bloqueado trabalhando... Exemplo
de pedidos:
“Quero provar um frappuccino de hojicha (chá verde japonês) do Starbucks. Normalmente, gosto de coisas doces e ouvi dizer que não é assim tão doce, mas de qualquer modo gostava de experimentar. Acho que não vou conseguir bebê-lo todo, por isso, pode partilhá-lo comigo? Não gostaria de desperdiçar nada.”
Pode parecer um paradoxo, mas o compromisso de sair de casa, dirigir-se ao encontro da pessoa e estar lá consiste no trabalho.
Vale a
pena ler a reportagem.
https://sapo.pt/artigo/o-japones-shoji-miromiti-e-uma-pessoa-de-aluguer-que-nao-faz-nada-uma-historia-inacreditavel-6a3f87dd0090288908c75abc



















