Não resisto e compartilho a crônica sobre o Instituto de Educação Canadá do escritor e jornalista santista Flávio Viegas Amoreira, membro da Academia Santista de Letras, curador da Casa das Culturas de Santos e cronista do jornal A TRIBUNA. Estudei no Canadá, como o chamamos carinhosamente, nos anos sessenta do século passado, e também fui aluna dos professores Itagiba, dona Ada e Maria Helena Caruso entre tantos outros. Hoje o colégio chama-se Escola Estadual Canadá (Rua Mato Grosso, 163, Boqueirão).
Hilda Prado Araújo
Temas culturais.
terça-feira, 25 de agosto de 2026
sábado, 22 de agosto de 2026
FOLCLORE BRASILEIRO
Hoje é
dia do Folclore Nacional. O folclore é o conjunto de atividades que compõem a
cultura de um povo, ou seja, engloba música, dança, literatura, culinária, as
superstições e as artes em geral. O folclore brasileiro reúne as tradições das
três raças formadoras da nossa sociedade – indígenas, brancos e negros. Em
termos regionais, o folclore do Norte e Nordeste é muito rico e cultivado com
entusiasmo pela população em geral. O Estado e a cidade de São Paulo comemoram no
dia 31 de outubro o dia do Saci, um dos personagens do folclore brasileiro. Ainda
em São Paulo, o Curupira é considerado o guardião das florestas.
Várias
manifestações culturais brasileiras são consideradas Patrimônio da humanidade pela UNESCO, como o
Bumba-meu-boi e o Tambor de Crioula (Maranhão) e o Frevo (Pernambuco).
Como hoje é sábado a comemoração pode ter feijoada, caipirinha ou aluá e bolo de fubá. Para quem não conhece, o aluá é uma bebida fermentada de baixo teor alcoólico, feita de milho moído ou casca de abacaxi.
NA FAAP, a exposição “Arte da Nossa Gente” reúne obras originais – pintura, escultura, gravura, bordado e cerâmica – de artistas brasileiros de diferentes regiões do país.
Victor Brecheret: a imagem indígena como símbolo de brasilidade” – Centro Cultural FIESP, Avenida Paulista ,1313, Cerqueira César. Visitação: de terça a domingo das 10 às 20 horas. Até 30 de agosto de 2026. Gratuito.
domingo, 16 de agosto de 2026
RUA ROBERTO SIMONSEN
Rua
Roberto Simonsen, 97. Por fora, o casarão centenário está em boas condições,
mas por dentro encontra-se bastante danificado. Chocante mesmo é a destruição
do elevador pantográfico. A boa notícia é que se transformará em um espaço
cultural e o cartão de visitas é a exposição “Apocalipse”, que reúne obras do
artista plástico paulistano Alex Fleming, que pode ser visitada até o final
deste mês.
A
Rua Roberto Simonsen, uma das mais antigas de São Paulo, é pequena – começa na
Praça da Sé e termina no Pátio do Colégio. Cerca de 150 metros. Repleta de
história e coisas pitorescas. Ela teve outros nomes: primeiro foi Rua de Santa
Teresa por causa da casa de “Recolhimento de Santa Teresa”, construída em 1685
para abrigar moças. Em 1865, um vereador sugeriu que se alterasse o nome para
Rua do Carmo, desta vez a causa era a Igreja do Carmo, pois naquela época a rua
tinha ouro traçado. Em 1948, foi escolhida para homenagear o santista Roberto
Simonsen (1889-1948), engenheiro, industrial, administrador, professor,
historiador e político. Entre outras realizações, ele foi criador do Centro das
Indústrias, atual FIESP.
A
Casa nº 1 ou Casa da Imagem e Casa da Marquesa de Santos (1797-1867) são
separadas pelo Beco do Pinto, uma escadaria de acesso à Rua Bitencourt
Rodrigues que nos velhos tempos era o caminho feito pelos escravos para levar o
lixo para despejo no rio Tamanduateí, logo adiante.
Do
outro lado morou Dutra Rodrigues (1844-188), presidente da Província
(governador do Estado) de São Paulo, que ali recebeu a visita do Imperador D.
Pedro II. O prédio foi restaurado e nele atualmente funciona o Restaurante Cama
e Café, que também tem um programa cultural movimentado – saraus, exposições e
shows. Na esquina com o Pátio do Colégio, outro restaurante: o Pateo Cuccina
(nº 122). Nem precisa dizer que a comida italiana é especialidade da casa.
Vários
sobrados antigos e em decadência têm o piso inferior usado como
estacionamentos. Um deles destina-se a motos e tem um charme especial – um lustre
pendente muito bonito. Na entrada de um dos estacionamentos, há um minúsculo
café muito simpático – dois bancos dentro.
Este
ano o Palacete do Carmo, que ocupa quase uma quadra (com um dos lados na Rua
Roberto Simonsen) e se encontra em estado deplorável, foi desocupado para
restauro. A construção é dos anos vinte do século passado.
Rua
pequena, mas com trânsito intenso, especialmente, ônibus e trólebus que se
dirigem ao Pátio do Colégio ou que transitam entre a Avenida Rangel Pestana e o
Parque D. Pedro II.
O trabalho do rapaz é atrair carros para o
estacionamento – ou seja – ele fica no meio da rua e indica a entrada para os
motoristas. Parece que não, mas cansa.
sábado, 15 de agosto de 2026
COISAS DA INFÂNCIA
Quando era
criança domingo era dia de ir à matinê de cinema no Cine Carlos Gomes ou
Bandeirantes – dois filmes, com intervalo para algumas guloseimas que minhas
tias compravam. E numa dessas sessões assisti a “O dia em que a Terra parou”
(1951) e, apesar das explicações das tias, acabei ficando com um medo enorme de
habitantes de outros planetas. Foi então que um dia folheando a revista O
CRUZEIRO, que se comprava todas as semanas, me deparei com a reportagem sobre
venusianos que tinham descido de um disco voador em Los Angeles e feito contato
com um tal George Adamski (não lembrava o nome, tive que procurar).
Para mim, pior do que a notícia, foram os desenhos que Adamski fez dos
viajantes do espaço. Apavorada, identifiquei um dos venusianos: havia um quadro
com a fotografia dele numa das paredes do meu quarto. Minha avó Maria era uma
mulher muito religiosa e nossa casa tinha uma fartura de imagens da corte
celestial e de outros agregados como Antoninho da Rocha Marmo e Izildinha. O
postal colorido de Izildinha ficava no quarto de minha avó e o meu fora brindado
com uma gravura de Antoninho.
Fui correndo pedir à minha avó para retirar aquela foto do quarto porque
tinha medo do menino que era de outro planeta. Ela continuou impassível no seu
crochê e me informou que o quadro continuaria onde estava: era apenas uma foto
e o menino era santo. Nem se preocupou com a questão dos extraterrestres (a
expressão não era usada na época). Passei algumas semanas difíceis, imaginando
que o viajante do espaço poderia aparecer a qualquer momento. Interessante
(como diria Spock) porque esse o foi o único medo que me lembro de ter sentido
na infância.
Havia esquecido do fato até
alguns anos atrás quando visitei o Cemitério da Consolação e vi entre as campas
mais visitadas o nome de Antoninho da Rocha Marmo (1918-1930), embora os restos
mortais tenham sido transladados em 2021 para a capela Nossa Senhora da Saúde,
no hospital que tem o nome dele, em Campos de Jordão. A campa do cemitério
paulistano foi conservada com seu nome. Coisas da infância.
Os venusianos de Los Angeles sustentaram Adamski até a sua morte em 1965.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
NEUZA GUERREIRO DE CARVALHO
Conheci
a Neuza em uma das unidades da Universidade de São Paulo em eventos destinados
à terceira idade, navegando pelos oitenta anos com galhardia. Baixinha, cabelos
brancos e com uma disposição invejável – podia fazer um curso pela manhã,
assistir a uma conferência ou a um bom filme à tarde e à noite ouvir música na
Sala São Paulo ou no Teatro Municipal assistir a uma ópera ou ainda em algum
teatro. Eu a via principalmente na USP, nos Encontros Culturais do prof.
Terron, no Instituto Estudos Brasileiros, na Faculdade de Educação fazendo oficinas
com a Elly Rozo, e até na Faculdade de Direito. Em todos esses lugares e muitos
outros deixou amigos e admiradores. E ainda era uma leitora voraz, atenta aos
escritores clássicos e aos contemporâneos.
Professora
formada pela Faculdade de Filosofia da USP, na época em que a unidade
funcionava na Alameda Glete. Lecionou Biologia no Colégio Campos Sales, na
Lapa. Quando o prédio da instituição foi derrubado, iniciou uma batalha para
salvar uma velha figueira da sanha imobiliária, afinal ela foi a testemunha de
várias gerações que passaram pela Faculdade que originou a Universidade de São
Paulo. A figueira da Glete continua firme e forte na paisagem triste de um
terreno que hoje serve de estacionamento.
Há
alguns anos, quando teve problemas de locomoção, embora um tanto abatida, ela
continuou suas atividades com auxílio de uma bengala. Foi por essa ocasião que,
numa tarde, ao embarcar na Estação Vergueiro do metrô, a vi sentadinha no banco
preferencial. “Que faz você tão longe de casa?” – perguntei, brincando. Ia
visitar uma prima que morava perto estação Ana Rosa, meu destino. Fomos
conversando até lá. Não conhecia a região e me mostrou um papelzinho com o
endereço. Ora, a rua onde moro! Mas do lado oposto. Numa subida de tirar o
folego dos mais ousados e com calçadas deformadas pelas raízes das árvores. Eu
a acompanhei e nos despedimos na porta da prima.
Neuza
se recuperou do problema de locomoção e rejuvenesceu com a volta à intensa
programação. Em 2018, me convenceu a participar da oficina “Resgate de Memória
Autobiográfica”, organizado, coordenado e aplicado por ela na USP. Convenceu
porque era às 8 horas da manhã no Hospital Universitário, na Cidade Universitária.
Para quem mora na Aclimação, trata-se de uma viagem e tanto. Foi uma ótima
experiência conviver e aprender com ela, além de conhecer pessoas com belas histórias
de vida.
Muito
obrigada por tudo, Neuza Guerreiro de Carvalho (1930-2026), mas pensando bem,
antes de encontrá-la pessoalmente, conheci o “Blog da Vovó Neuza”, onde ela
publicava crônicas deliciosas.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
O QUE VI NO CAMINHO
Muitas
vezes passo por um lugar com algo especial ou diferente, fotografo para não
esquecer, pois caneta e papel descansam em casa. Na bolsinha levo apenas o
essencial. Aqui, vão algumas coisas que vi pelos caminhos feitos recentemente.
SEGURANÇA
–
O Abrigo Amigo, por exemplo, é uma iniciativa louvável. Há três anos em
funcionamento das 20h às 5h, em 200 pontos de ônibus da cidade, já atendeu
neste período dezessete mil chamadas e registrou 285 ocorrências documentadas,
segundo o site da prefeitura de São Paulo. Se a pessoa que aguarda condução se
sentir em situação vulnerável, aperta um botão que inicia uma vídeo-chamada, atendida
por uma funcionária da equipe treinada para acionar serviços de segurança
pública e saúde de acordo com a situação de emergência. O equipamento está
conectado à internet e conta com câmeras de alta resolução, microfones e
alto-falantes. O programa é resultado de uma parceria entre a Prefeitura,
Eletromidia e a Claro. É gratuito para o usuário e sem custos para a prefeitura
de acordo com o site.
AS
FLORES DA SÉ – A estação mais movimentada do metrô de São
Paulo é a Sé que registra em média cerca de 368 mil embarques diários. E no mezanino
bem em frente às catracas esse buquê recepciona os passageiros, mas acho que
bem poucos prestam atenção às flores que dão um colorido ao ambiente onde o
cinza é predominante.
CAPELA DOS AFLITOS – A Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos está muito bonita, mas ainda não entrei para visitá-la. Como nos fins de semana, o bairro da Liberdade fica intransitável, o jeito é ir durante a semana. Domingo passado fui bem cedo a uma loja na Rua dos Estudantes e aproveitei para fotografar a fachada da igrejinha que já comemorou 247 anos.
FIM DO CAVEIRÃO – O prédio abandonado há seis décadas vai desaparecendo. Erguido para ser uma garagem não foi concluído e se tornou um problema para a Rua do Carmo. A demolição foi finalmente conseguida na justiça e o trabalho começou em fevereiro deste ano e já está terminando para alívio da vizinhança.
EDITORA
TRÊS – Na saída da estação ferroviária pela Rua William Speers (Lapa), me
deparo com o prédio da Editora Três...Fundada por Domingo Alzugaray em 1972,
publicou entre outras revistas a Planeta e lançou a IstoÉ. Teve a falência
decretada ano passado.













