São
Paulo tem muitos morros – eu moro no Morro da Aclimação. E um deles é o
Morro dos Ingleses, situado no Espigão da Paulista onde a altura gira em torno
de oitocentos metros. Quem quiser testar, pode começar subindo a escadaria do
Bexiga (dezesseis metros de altura e 84 degraus) que liga a Rua Treze de Maio à
Rua dos Ingleses e depois ir subindo a ladeira em direção à Avenida Paulista.
Um bom exercício.
O Morro dos Ingleses, tombado pelo CONPRESP,
tem como limites as ruas dos Ingleses, Franceses, Holandeses, Alameda Joaquim
Eugênio de Lima e a Almirante Marques Leão. Os motivos do tombamento incluem
interesses históricos, arquitetônicos e turísticos. O lado histórico remete à
fundação do São Paulo Country Club em 1901 por imigrantes ingleses e escoceses,
quando a região era ainda desabitada e tranquila. O clube acabou atraindo os
moradores da Avenida Paulista que se interessaram pelo golfe, esporte praticado
na entidade. A população o chamava de “clube dos ingleses” por ser exclusivo.
Em 1908 a Câmara aprovou uma lei autorizando a Prefeitura a comprar o morro –
provavelmente apenas a área onde hoje existe o mirante (AHM). Em 1912 alguns
proprietários de terrenos no morro já estavam providenciando às próprias custas
o arruamento da área entre a Avenida Paulista e o bairro da Bela Vista. A rua N
só passou a se chamar Rua dos Ingleses, como já era conhecida em 1916. A
escadaria que liga a Bela Vista à Rua dos Ingleses foi construída em 1929 pelo
prefeito José Pires do Rio (1880-1950).
O morro é bastante agradável e tem
muitas coisas interessantes. O lado direito do final da rua dos Ingleses, por
exemplo, tem vários prédios, mas sobraram casas muito bonitas do lado ímpar.
Eis um aspecto curioso desse lado: os imóveis têm uma área na frente e as cassa
ficam em um nível inferior sendo acessível por escadas. Quase sempre há uma
escadaria lateral que leva aos fundos. Em alguns pontos é possível ver lá
embaixo a Rua Treze de Maio. Como no modesto Parque dos Ingleses – um espaço
arborizado e calmo. Há pequenos negócios
funcionando nesse recuo frontal de algumas casas – como uma minúscula cantina
cuja comida deve ser muito boa – as poucas mesas estão todas ocupadas. Ali está
o Shopping das Artes (347) que tem entrada também pela Treze de Maio,870.
Amanhã, será a vez dos Franceses.
Alemãs, Belgas e Holandeses têm pequenas ruas residenciais.




























