“Levava eu um jarrinho
P’ra ir buscar vinho
Levava um tostão
P’ra comprar pão;
E levava uma fita
Para ir bonita.
(...)”*
Nasci
em meados do século passado em um mundo bem diferente. Na rua em que morávamos
havia uma padaria enorme, a Cirilo, que vendia apenas pão, biscoitos de
polvilho e leite. No balcão, a freguesia escolhia o pão fresquinho e o
balconista embrulhava numa folha de papel, fazia duas orelhinhas no embrulho que
fechava dando uma cambalhota no pacote. Agora vem em saquinhos fechados com a
etiqueta do peso e valor a ser pago, mas em alguns lugares, o balconista ainda
faz as orelhinhas nas pontas do pacote.
Em
nossa casa, o pão era entregue em casa todas as manhãs... As padarias mudaram
aos poucos, incluindo o balcão do cafezinho com a média (pão francês em Santos)
com manteiga, sanduíches... Na primeira vez que fui à Europa, senti falta das
padarias que por lá continuavam vendendo apenas pão. Hoje, como bem lembra o
texto da mostra, tornaram-se centros de convivência – as pessoas (especialmente
aposentados) se encontram no final da tarde para o café, o bate-papo, assistir
a jogos, fazer comemorações e até para ler, pois encontro sempre uma senhora
empunhando livros em meio ao burburinho.
Lembrei-me de tudo isso quando vi a exposição
sobre padarias na estação Paraíso do metrô. Pequena, porém, bem ilustrativa do
salto do setor na economia. De acordo com dados de 2024, a panificação no
Brasil rendeu USD$ 5,12 bilhões! Nosso país é o maior mercado de padarias do mundo
com cerca de setenta mil estabelecimentos distribuídos pelo país. Em média o consumo
anual é de 29,3 kg de pão por pessoa!
Em São Paulo, a padaria mais antiga
de São Paulo é a Santa Tereza em funcionamento desde 1872 – Praça João Mendes,
150. Ainda em São Paulo, frequentei durante alguns anos a Padaria Dengosa, na
esquina de casa, que incluía refeições no cardápio; mas foi vendida e todos
debandaram porque os serviços já não eram os mesmos. Atualmente, costumo ir ao
Recanto Doce, que é uma das melhores padarias da Aclimação, tem uma equipe muito
simpática e também é perto de casa.
*Quadras
ao Gosto Popular, Fernando Pessoa.



















