sábado, 10 de outubro de 2026

AMANHECER NA ACLIMAÇÃO

 

É muito bom abrir as janelas pela manhã e ver sempre um espetáculo diferente se desenhando no horizonte... Um dia resolvi registrar alguns amanheceres e acabei com uma linda coleção. 

Por alguns anos esse espetáculo era em frente ao prédio onde moro, mas um dia derrubaram todas as casas sólidas, bonitas e com jardins e rapidamente construíram quatro enormes edifícios. Assim, só sobrou esta nesga de céu...

Há muito mais, porém, gosto muito destes.










sexta-feira, 9 de outubro de 2026

MUSEU DA IMIGRAÇÃO JAPONESA

 

Santos foi a porta de entrada dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil. No dia 18 de junho de 1908, desembarcaram do navio Kasato Maru, procedente do porto de Kobe, 781 imigrantes. Era o início de um programa oficial de imigração estabelecido entre os governos de São Paulo e do Japão. Essa história iniciada há 118 anos está muito bem resumida com documentos oficiais, depoimentos e objetos pessoais no Museu da Imigração Japonesa, no bairro da Liberdade, tradicional reduto nipo-brasileiro em São Paulo. Ontem, passei uma tarde no Museu... 





Rua São Joaquim, 381 – Liberdade. Metrô: Linha Azul, Estação São Joaquim.3º anda

domingo, 4 de outubro de 2026

ERA UMA VEZ...

HÁ MUITO TEMPO ATRÁS...
Achado nos guardados o primeiro título de eleitora.
Enquanto aguardava a minha vez de votar, a senhora à minha frente fala da emoção de votar.



 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

UM PASSEIO DIFERENTE

 

Hoje foi um dia dedicado a explorar a Avenida Senador Queirós, que começa na Avenida Ipiranga e termina na rua Mercúrio, próximo ao Viaduto que faz parte do conjunto viário da região do Parque D. Pedro II. Normalmente, a percorro a partir da Rua Mercúrio, no trajeto dos ônibus em ocasiões especiais, como eventos que impeçam a rota pela Rua Boa Vista. Achei melhor começar a caminhada pelo início da avenida, já que seria a primeira vez que andaria por ali. Eis um lugar estranho porque se o pedestre não prestar atenção pode perder o rumo, pois a Avenida Ipiranga é paralela à Rua Líbero Badaró e ambas dão acesso à Praça Dr. Alfredo Issa de onde parte a Senador Queirós. Sábia decisão, porque acabei mudando meus planos após terminar a caminhada.

A Avenida Senador Queirós tem duas pistas separadas por canteiro central com mão única em direção ao Centro Histórico. Há um certo encanto na avenida que já teve dias melhores. Movida por um comércio variado, acho difícil definir a Senador Queirós, que mistura pequenos prédios de três andares até edifícios com mais de dez pisos. Foi nas pesquisas que encontrei o delicioso depoimento de Henrique Pianco, um jovem estudante de arquitetura, que ao mudar para São Paulo morou naquela rua:  

 “Meu apartamento tinha apenas um cômodo, somente uma janela. A iluminação natural abraçava todo o espaço. O apartamento sentia tudo. Quando amanhecia, o som dos carros e da agitação aumentava. Era hora do café. Quando o chão de madeira era tingido por uma luz avermelhada, era o entardecer; hora de levantar da cadeira e alongar a coluna. Quando a escuridão tomava conta e ele parecia prestes a adormecer, algo diferente acontecia do lado de fora: a avenida despertava com força.”

“A Av. Senador Queirós foi para mim um palco de experiências. Para ser sincero, dizer que a avenida foi palco não me soa certo; na verdade ela foi jardim.”

Imagino o que pensaria dela Francisco Antônio de Souza Queiroz, o Senador Queirós em questão, um dos Grandes do Império. Paulista, nasceu em 1806, foi proprietário rural conquistou prestígio político, que lhe garantiu uma carreira de sucesso iniciada como vereador e que concluiu como senador por São Paulo em 1848. Ele também ocupou, interinamente, a presidência da Província de São Paulo (governador do Estado). Fundou a Associação Barão de Sousa Queirós de Proteção à Infância e Juventude – Instituto Ana Rosa que funciona até os dias atuais – já completou 152 anos. Em decorrência da sua atuação recebeu o título honorífico de Barão de Souza Queirós com Grandeza, que não era hereditário.

Enfim, o que me fez mudar de ideia sobre a caminhada foi a Praça Alfredo Issa, um encrave de cerca de quinze mil metros quadrados, entre as avenidas Ipiranga e Senador Queirós e a rua Casper Líbero. Ali destacam-se dois prédios.

O Edifício Garagem Alfredo Issa da Polícia Civil tem história mais antiga. No início do século passado a área era um grande charco e foco de muitos problemas. Em princípio aquele terreno pertencia ao Estado, que começou a construir ali em 1944 o Palácio da Polícia, mas a obra foi abandonada três anos mais tarde. Muita água rolou até a década de 1970 – rolou água mesmo porque o problema da paralisação foi o lençol freático que fica a apenas seis metros de profundidade.

Enfim, Município e Estado acabaram fazendo um acordo e a área passou para o município que decidiu construir ali um edifício-garagem e para tanto lançou um concurso, vencido pelos arquitetos Benno Perelmutter (1935-2017) e Jorge Nasser. O prédio redondo em concreto e estruturas aparentes (neobrutalismo) foi construído na gestão do prefeito Paulo Maluf (1931) e inaugurado em 1971; entretanto, ao assumir a prefeitura, José Carlos Figueiredo Ferraz (1918-1994) devolveu o prédio para a Secretaria de Segurança Pública do Estado que decidiu usá-lo para estacionamento da própria frota. O que se vê atualmente não é mais o edifício original, pois sofreu ao longo dos anos várias alterações.

Enquanto não se resolvia a questão do edifício garagem, foi construído o Edifício Montreal, primeiro projeto do escritório paulistano do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), sob encomenda do Banco Nacional Imobiliário. Inaugurado em 1954, o prédio tem 24 pavimentos, distribuídos em 21 andares com 230 apartamentos tipo quitinete. Como na época havia restrições à construção de prédios na confluência de duas ruas, as fachadas da Avenida Ipiranga e Casper Líbero são diferentes. Enfim, é bem Niemeyer – as entradas pelo subsolo e uma obra de arte para adornar o ambiente – dois delicados murais de Di Cavalcanti (1897-1972) muito bem conservados. Agradeço a gentileza do atendimento e a permissão de fotografar.

Em tempo: o Edifício Montreal duas entradas – Avenida Ipiranga, 1284 e Rua Cásper Libero, mas integra-se à praça por causa do térreo.

Há sempre surpresas no caminho.

À direita o Edifício Montreal e à direita o Edifício Garagem da Polícia Civil.

Edifício Montreal, pronto em 1954.



O mural de Di Cavalcanti.

A praça Alfredo Issa num domingo de sol e muito tranquilo.

Av. Senador Queirós.


terça-feira, 22 de setembro de 2026

PRIMAVERA

 

A Primavera começa hoje à noite no Hemisfério Sul, embora por aqui sempre haja flores para colorir a vida e amenizar o cinza do concreto urbano. 

Em algum lugar de São Paulo, anos atrás.

Jardim interno da Estação Sé do Metrô.


Uma boa ocasião para lembrar o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

 

E ACONTECEU A PRIMAVERA

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Que alguém te cante e te descante,
ficou urgente, Primavera,
para que ao menos em cantiga,
neste papel aberto às gentes,
a flor antiga se restaure.

Te cantarei em Pernambuco,
onde és cidade, e no Pará,
onde mulheres plantam malva
sob o título municipal,
e em Rondônia cantarei
a corredeira Primavera,
pois nesses nomes de lugares
e num acidente geográfico
tu pousaste como um pássaro,
modesto pássaro cinzento
de asas pretas e cauda preta,
só a lembrar, no papo branco,
extintas primaveridades.

Primavera que tanto habitas
a bráctea rósea da buganvília
(em que jardins à vista ocultos
sob a fumaça que é nosso azul
residual?),
como habitavas, parnasiana,
o soneto crônico e clássico
dos poetas consumidores
de velhos tópicos europeus,
é forçoso que alguém celebre
o ímpeto juvenil da Terra
mesmo poluída, desossada,
Terra assim mesmo, seiva nossa.

E te ofereço, Primavera,
a arvorezinha de brinquedo
em pátio escolar plantada,
enquanto lá fora se ensina
como derrubar, como queimar,
como secar fontes de vida
para erigir a nova ordem
do Homem Artificial.

Ah, Primavera, me desculpa
se corto em meio uma floresta
latifoliada, pois tenho pressa
de correr na estrada de Santos.
Não te zangues se já não vês
em teu perene séquito lírico
aquele sininho-flor, descoberto
em longes tempos por George Gardner
e que soava só no Brasil:
foi preciso (teria sido?)
matar o verde, substituí-lo
pela neutra cor uniforme
que é uniforme do Progresso.

Primavera, primula veris,
em palavra quedas intacta,
em palavra pois te deponho
a minha culpa coletiva,
o meu citadino remorso,
minha saudade de água, bicho,
terra encharcada de promessas,
e visões e asas e vozes
primitivas e eternas, como
eterno (e amoroso) é o homem
ligado ao quadro natural.

Primavera, fiz um discurso?
Primavera, tu me perdoas?…


II

“— 22 de setembro, mina minha.
Vamos curtir a primavera
em compact cassete tape, meu morango?
Bota aí o Botticelli
estereoutransfigurado em Debussy
e vê (primeiro fecha os olhos) Simonetta
Vespucci toda flor
florentil florindamente
(bulcão?) entre corolas e resinas
da flora da Tijuca…

— Não. Prefiro o Sacré du Printemps
que transa a primavera mais primeva.
Assim, no sala-e-escuro
dos sala-e-quarto conjugados
os dois ficamos respeitando
um princípio de seiva e de nenúfar,
enquanto a chuva — plic — tamborina
seu samba de uma nota só
na área de serviço.

É primavera, broto-brinco:
saiu no jornal,
a TV anunciou,
o Governo consentiu,
o Congresso aplaudiu
o comércio vendeu
arranjos de ikebana
e em algum lugar florescem três-marias
que são muitas marias, muitos nomes.

Vamos também curtir os nomes
(são presentes do povo à gente-bem):
riso-do-prado
(cadê o prado?),
amor-de-estudante
(pobre! no cursinho
que vira cursão
e invade o Brasil),
unha-de-gato
(envenenado
no Passeio Público?),
sempre-viçosa…
isto! A esperança
pousa na balança
o seu peso-pluma.

— Você tá esquecido
da maria-branca,
da pombinha-das-almas
e da noivinha…
Asas-pseudônimos
de primavera.

(Ah, vero barato
esse de brincar
de estação das flores
de concreto-objeto!)

— Oi, depressa, vamos
semear canteiros,
preparar estacas
e mergulhões,
plantar tubérculos
de cromo-gladíolos,
túberas de dálias
e tinhorões,
repicar sementeiras,
controlar lagartas,
ácaros e trips,
dizimar pulgões.


(Ui, primavera é fogo
se levada a sério!)

— Vamos pintar de verde
as áreas crestadas,
pôr na parede
a árvore genealógica,
comprar um sabiá
mecânico,
sortear
o beija-flor de beijar cimento?

É primavera, escuta o Burle Marx:
diz que havia jardins
em torno das casas,
havia matas
a cavaleiro das cidades,
florestas
onde o jacarandá e o mogno conversavam
a conversa de séculos.
(Fecharam o bico,
chegado o eucalipto.)

Broto gentil, a primavera
será um sonho de sonhar-se
na fumaça
no grito
no sem azul deserto
das cidades mortas que se julgam vivas

 

Le Jardin des Plantes de Paris, 2012.

Alberto Caieiro/ Fernando Pessoa (1888-1935)

“QUANDO vier a primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. (,,,)".

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

DIA DA ÁRVORE



 

Hoje é o Dia da Árvore, que antecede o início da Primavera. As árvores são os seres mais antigos da Terra e nos envolvem do nascimento à morte, mas quase sempre nos esquecemos que elas são imprescindíveis para nossa existência, pois são responsáveis pela produção e manutenção do padrão de oxigênio da atmosfera do Planeta e fornecem a maior parte da energia necessária para a vida.

“A árvore é um ser vivo que nasce, vive e morre, respira e se alimenta sem sair do lugar. É uma planta com tronco, ramos, folhas e, embaixo da terra, raízes que absorbem o alimento de que ela necessita. Para que uma árvore nasça é preciso uma semente. A semente do carvalho fica dentro do seu fruto, a lande ou glande. Ela cai da árvore no outono, germinando na primavera, quando o tempo é suficientemente úmido e quente. Absorve água, incha, seu invólucro estoura. Surge a raiz, que se finca ao solo. Um ano depois, o pequeno carvalho mede vinte centímetros. Aos cinco anos, seu tronco tem a espessura de um lápis. Ele não para de crescer e pode viver até mil anos!” – Da Coleção ORIGENS DO SABER – Natureza – Cia. Melhoramentos, 1995. Impresso na Itália por Società Editoriale Libraria. Tradução Yvonne M. de Campos Teixeira da Silva.















"Graft", obra do artista Roxy Paine (1966), em aço inoxidável, instalada no National Gallery of Art Sculture Garden, em Washington, DC. Setembro de 2017.


FOTOS de cima para baixo, da esquerda para direita:
Cinelândia. Rio de Janeiro, 2022. 
Abrigo de sonhos, Liberdade, São Paulo.
Jardim em Istambul, Turquia. 2019.         
Tessalônica, Grécia, 2019.
Jardim em Marraquexe, 2023.
A beleza em uma Rua de Regio Calabria. 2024.
Netuno, Itália, 2024.
Praia de Santa Mônica, Califórnia, 2015.
A sombra amiga: Honolulu, Havaí. 2017.
Jardin des Plantes de Paris, 2012.
Arboretum Kelvin Walkway, Jardim Botânico de Glasgow, 2015.










segunda-feira, 14 de setembro de 2026

DUAS EXPOSIÇÕES IMPERDÍVEIS

Oportunidade imperdível: ver em São Paulo obras originais de dois artistas magistrais: “Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra" até o próximo dia 27 de setembro no Centro Cultural Caixa, e “Miró: Mestre das Formas”, no Museu de Arte Brasileira / FAAP até 12 de outubro de 2026.

A exposição da Caixa Cultural reúne 69 gravuras originais, produzidas entre 1620 de 1665, sobre temas variados – retratos, cenas cotidianas, paisagens e narrativas religiosas. Pintor e gravador neerlandês, reconhecido como um dos maiores nomes da arte europeia, Rembrandt van Rijn (1606- 1669) viveu no século de ouro dos Países Baixos, entre o final do século XVI e início do XVIII. O curador é o historiador italiano Luca Baroni, diretor da Rete Museale Marche Nord,

O público dispõe de áudio-guia, conteúdo em braile, vídeos em libras, ambiente sensorial, sala imersiva, além de lupas para ver detalhes das gravuras menores. Há ainda uma representação holográfica do holandês em tamanho real.

A entrada é gratuita. Praça da Sé, 111. Metrô Sé. Linha Azul.

Visitação: de terça a domingo, das 9h às 18h até 27 de setembro de 2026. Informações: (11) 3321-4400, 

 



O Museu de Arte Brasileira/FAAP exibe “Miró: Mestre das Formas”. São mais de cem obras do artista catalão – pinturas, gravuras, esculturas, tapeçarias e fotografias. A mostra cobre mais de seis décadas de produção de Joan Miró (1893-1983), muitas das quais inéditas no Brasil. A curadoria é do espanhol Jordi J. Clavero e a realização é do Instituto Totex.

Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia).

Museu de Arte Brasileira MAB FAA: Rua Alagoas, 903, Higienópolis.

Visitação: de terça a domingo, das 9h às 20h (última entrada às 19h) até 12 de outubro de 2026.