Ontem, numa conversa com minha amiga Ercília, falando das chuvas,
lembrávamos dos dias de tormentas e enchentes na Baixada Santista, quando éramos
escaladas para cobrir as consequências das inundações pela Baixada. Era um
trabalho difícil, mas nunca deixamos de ir aos locais atingidos, conversar com
a população e ouvir queixas sob chuva e em meio a torrentes de água suja.
Uma
das primeiras reportagens que eu fiz foi na antiga Rodovia da Banana, que liga
Peruíbe à Ana Dias, e que se chama desde 2021 Rodovia Coronel Rodolpho Pettená. Foi em 1970. Era foca.
Nunca tinha ouvido falar em Ana Dias. Eu e o fotógrafo estávamos com sorte;
fomos numa caminhonete F 100– nos dias ruins teria sido ou Kombi ou Fusca. Não
lembro mais dos detalhes apenas que a pista da estrada era um lamaçal só e os
caminhoneiros estavam isolados em uma área além de alguma curva. Claro que
hesitei, mas tirei os sapatos e enfiei os pés na lama literalmente. Curioso, o motorista
do jornal foi junto. O fotógrafo registrou o fato e a foto foi publicada no dia
seguinte na primeira página ilustrando a reportagem.
Da
primeira enchente não esqueci. Das outras tantas e tantas me lembro vagamente.
Lembro de duas enchentes na Zona Noroeste: uma em que eu e o outro jornalista escalados navegamos por uma avenida a bordo de um barquinho; e a
outra com a amiga Ercília, quando empurramos uma Kombi atolada e eu perdi um pé
da babucha que usava. (Repórter nunca sabe onde será o seu próximo trabalho e esse é o encanto da profissão.) No dia seguinte comprei uma galocha que ficava no jornal para essas
coberturas. Um dia escreverei sobre a última, que foi em Cubatão já nos anos 1980.
Bons
tempos, Ercília.












