Quando era
criança domingo era dia de ir à matinê de cinema no Cine Carlos Gomes ou
Bandeirantes – dois filmes, com intervalo para algumas guloseimas que minhas
tias compravam. E numa dessas sessões assisti a “O dia em que a Terra parou”
(1951) e, apesar das explicações das tias, acabei ficando com um medo enorme de
habitantes de outros planetas. Foi então que um dia folheando a revista O
CRUZEIRO, que se comprava todas as semanas, me deparei com a reportagem sobre
venusianos que tinham descido de um disco voador em Los Angeles e feito contato
com um tal George Adamski (não lembrava o nome, tive que procurar).
Para mim, pior do que a notícia, foram os desenhos que Adamski fez dos
viajantes do espaço. Apavorada, identifiquei um dos venusianos: havia um quadro
com a fotografia dele numa das paredes do meu quarto. Minha avó Maria era uma
mulher muito religiosa e nossa casa tinha uma fartura de imagens da corte
celestial e de outros agregados como Antoninho da Rocha Marmo e Izildinha. O
postal colorido de Izildinha ficava no quarto de minha avó e o meu fora brindado
com uma gravura de Antoninho.
Fui correndo pedir à minha avó para retirar aquela foto do quarto porque
tinha medo do menino que era de outro planeta. Ela continuou impassível no seu
crochê e me informou que o quadro continuaria onde estava: era apenas uma foto
e o menino era santo. Nem se preocupou com a questão dos extraterrestres (a
expressão não era usada na época). Passei algumas semanas difíceis, imaginando
que o viajante do espaço poderia aparecer a qualquer momento. Interessante
(como diria Spock) porque esse o foi o único medo que me lembro de ter sentido
na infância.
Havia esquecido do fato até
alguns anos atrás quando visitei o Cemitério da Consolação e vi entre as campas
mais visitadas o nome de Antoninho da Rocha Marmo (1918-1930), embora os restos
mortais tenham sido transladados em 2021 para a capela Nossa Senhora da Saúde,
no hospital que tem o nome dele, em Campos de Jordão. A campa do cemitério
paulistano foi conservada com seu nome. Coisas da infância.
Os venusianos de Los Angeles sustentaram Adamski até a sua morte em 1965.















