Quando eu digo que São Paulo é cheia de surpresas, não acreditam. Hoje, conheci o túmulo de Marlene Dietrich.
Hilda Prado Araújo
Temas culturais.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
DESENCONTROS E ENCONTROS
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
O CINEMA QUE VIROU ESTACIONAMENTO
O
cinema Paissandu era um luxo. No saguão, o espectador admirava três painéis de
15 m de extensão representando o folclore nacional – Bumba-meu-boi, Candomblé e
Fandangos. A sala de espera de 900m² tinha ambiente acolhedor: poltronas
confortáveis, luz suave, ar condicionado e música de alta fidelidade. Enquanto
esperava, o público podia admirar um grande painel que remetia à “Nau
Catarineta”, poema épico português. A sala de exibição tinha capacidade para 2.196
pessoas! A tela media 7m30 por 15m30. Atualmente, a maior sala de cinema de São
Paulo tem capacidade para 512 pessoas! A decadência do cinema começou nos anos
1970 e agora é um estacionamento, apesar de ter sido tombado pelo patrimônio
histórico do município em 1992. O Cine Paissandu foi inaugurado com uma sessão
beneficente na noite de 19 de dezembro de 1957 e a primeira sessão para o
público foi no dia 20. O filme exibido foi “Guerra e Paz”, baseado no romance de Leon Tolstói e dirigida por King Vidor,
com Audrey Hepburn, Henry Fonda e Mel Ferrer.
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
O MIRANTE DA RUA AVANHANDAVA
Depois
de subir e descer várias escadarias pelo Centro Histórico, Aclimação, Bela Vista
e até no Pacaembu, soube da existência de um Belvedere na Rua Avanhandava, que
pertence ao Distrito da República. E andei ali por perto vendo as escadarias
do Viaduto Nove de Julho! Inconformada fui procurar o belvedere.
Comecei
caminhada pela Praça Ramos de Azevedo, segui pela Rua Xavier de Toledo –
movimentada como sempre, mas desta vez tinha uma novidade: a loja que resolveu “baixar
as calças” para incrementar as vendas. Na Consolação, sigo pela Rua Martins Fontes
(“paulista eu sou há 400 anos”) e chego à graciosa Rua Avanhandava, que acolhe
o pedestre com uma floricultura e uma fonte. E, se for hora do almoço ou jantar
(lanche também serve), difícil é escolher onde entrar. Só a tradicional “Famiglia
Mancini” oferece várias opções. Meu interesse, entretanto, é o belvedere, mas
logo percebo que é melhor usar “mirante”, pois a palavra belvedere só foi reconhecida
pelos mais antigos.
Enfim, a escadaria que fica bem em
frente à saída para a Avenida Nove de Julho. Olho bem, mas sempre surge a dúvida:
será que consigo a proeza? Afinal são 120 degraus e obviamente não há mais paisagem para admirar. Fui em frente e subi sem
problema e ainda sobrou fôlego para voltar pela Rua Augusta, dar uma espiada no
Parque Augusta, retornar pela Consolação, admirar a Igreja da Consolação
restaurada, atravessar a Praça Roosevelt, olhar os cartazes da peça em cartaz
no Teatro do Jaraguá, e na Avenida São Luís sentar-me no banquinho à espera de
condução.😊

A história da Rua Avanhandava começa em 1920, quando a Cia. City iniciou a urbanização daquela área. A prefeitura autorizou a empresa a aproveitar a encosta entre a Rua Augusta e a Avenida Anhangabaú (atual Nove de Julho) em obras de implantação na época. A Avanhandava ficou pronta em 1928 e o nome é uma referencia a uma cachoeira localizada à margem direita do Rio Tietê na região em que hoje situa-se Penápolis. No local havia também um forte, erguido em 1858, que teve papel importante na Guerra do Paraguai. Nem a cachoeira nem o forte existem mais.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
TARDE DE INVERNO
Agosto, 25. Um dia típico de inverno. Céu nublado. Cai uma garoa fina. O frio agradável apetece uma poltrona, um chá preto ou vinho tinto, bom livro; mantenho, porém, minha rotina. Há menos pessoas pelas ruas e nos ônibus. O motorista está de touca e bem agasalhado. De manhã trabalha com a esposa, que é cobradora e faz meio período. Num ponto próximo do Centro, quando a porta se abre, um homem conta uma pequena história para conseguir carona e ele manda subir pela porta de trás. No próximo, outro carona. Não dá porque já tem um caroneiro. Lá fora, os poucos que enfrentam o tempo compõem um cenário um tanto sombrio com suas roupas escuras. Em meio ao trânsito o homem puxa uma carroça cheia de material reciclável. Duas amigas entram tagarelando, sentam-se no banco dos preferenciais e tagarelam até que um abre um pacotinho para saborear uma bomba. Desço na Rua Boa Vista e sigo em direção à Praça do Patriarca. Meu destino é uma visita às Graças na Galeria Prestes Maia. Elas encontram-se protegidas por um cercadinho. Uma jovem varre os nichos em que elas se encontram. Tudo brilhando. Subo pela escada rolante e fico em dúvida sobre a direção. A Rua Direita está em obras. A temperatura e a garoa afugentaram os camelôs. Sigo pela Rua da Quitanda, sem pressa. Vislumbro um café muito simpático e resolvo entrar. Poucas pessoas e atendimento rápido. Gostei demais do cardápio.
terça-feira, 25 de agosto de 2026
POR AÍ E POR ALI
Parece que o Inverno retornou. Hoje, um dia frio e gostoso. Bom para usar notas para escrever sobre curiosidades anotadas nos caminhos.
Estava na estação Sé, quando vi a vitrine ao lado do setor de “Achados e Perdidos”, que passou por uma reforma recentemente. Criaram um museu com os objetos esquecidos por passageiros no percurso de viagens. A vitrine dá uma boa ideia do que esse povo distraído deixa nos vagões e estações. Lá estão um sombrero, uma ampulheta (lembrei-me do rapaz da USP que não sabia ver horas), duas dentaduras, a miniatura de uma antiga bomba de gasolina, um leque e um lindo elefantinho. O último item é uma prótese de perna mecânica!
UM COLÉGIO INESQUECÍVEL
Não resisto e compartilho a crônica sobre o Instituto de Educação Canadá do escritor e jornalista santista Flávio Viegas Amoreira, membro da Academia Santista de Letras, curador da Casa das Culturas de Santos e cronista do jornal A TRIBUNA. Estudei no Canadá, como o chamamos carinhosamente, nos anos sessenta do século passado, e também fui aluna dos professores Itagiba, dona Ada e Maria Helena Caruso entre tantos outros. Hoje o colégio chama-se Escola Estadual Canadá (Rua Mato Grosso, 163, Boqueirão).
sábado, 22 de agosto de 2026
FOLCLORE BRASILEIRO
Hoje é
dia do Folclore Nacional. O folclore é o conjunto de atividades que compõem a
cultura de um povo, ou seja, engloba música, dança, literatura, culinária, as
superstições e as artes em geral. O folclore brasileiro reúne as tradições das
três raças formadoras da nossa sociedade – indígenas, brancos e negros. Em
termos regionais, o folclore do Norte e Nordeste é muito rico e cultivado com
entusiasmo pela população em geral. O Estado e a cidade de São Paulo comemoram no
dia 31 de outubro o dia do Saci, um dos personagens do folclore brasileiro. Ainda
em São Paulo, o Curupira é considerado o guardião das florestas.
Várias
manifestações culturais brasileiras são consideradas Patrimônio da humanidade pela UNESCO, como o
Bumba-meu-boi e o Tambor de Crioula (Maranhão) e o Frevo (Pernambuco).
Como hoje é sábado a comemoração pode ter feijoada, caipirinha ou aluá e bolo de fubá. Para quem não conhece, o aluá é uma bebida fermentada de baixo teor alcoólico, feita de milho moído ou casca de abacaxi.
NA FAAP, a exposição “Arte da Nossa Gente” reúne obras originais – pintura, escultura, gravura, bordado e cerâmica – de artistas brasileiros de diferentes regiões do país.
Victor Brecheret: a imagem indígena como símbolo de brasilidade” – Centro Cultural FIESP, Avenida Paulista ,1313, Cerqueira César. Visitação: de terça a domingo das 10 às 20 horas. Até 30 de agosto de 2026. Gratuito.
domingo, 16 de agosto de 2026
RUA ROBERTO SIMONSEN
Rua
Roberto Simonsen, 97. Por fora, o casarão centenário está em boas condições,
mas por dentro encontra-se bastante danificado. Chocante mesmo é a destruição
do elevador pantográfico. A boa notícia é que se transformará em um espaço
cultural e o cartão de visitas é a exposição “Apocalipse”, que reúne obras do
artista plástico paulistano Alex Fleming, que pode ser visitada até o final
deste mês.
A
Rua Roberto Simonsen, uma das mais antigas de São Paulo, é pequena – começa na
Praça da Sé e termina no Pátio do Colégio. Cerca de 150 metros. Repleta de
história e coisas pitorescas. Ela teve outros nomes: primeiro foi Rua de Santa
Teresa por causa da casa de “Recolhimento de Santa Teresa”, construída em 1685
para abrigar moças. Em 1865, um vereador sugeriu que se alterasse o nome para
Rua do Carmo, desta vez a causa era a Igreja do Carmo, pois naquela época a rua
tinha ouro traçado. Em 1948, foi escolhida para homenagear o santista Roberto
Simonsen (1889-1948), engenheiro, industrial, administrador, professor,
historiador e político. Entre outras realizações, ele foi criador do Centro das
Indústrias, atual FIESP.
A
Casa nº 1 ou Casa da Imagem e Casa da Marquesa de Santos (1797-1867) são
separadas pelo Beco do Pinto, uma escadaria de acesso à Rua Bitencourt
Rodrigues que nos velhos tempos era o caminho feito pelos escravos para levar o
lixo para despejo no rio Tamanduateí, logo adiante.
Do
outro lado morou Dutra Rodrigues (1844-188), presidente da Província
(governador do Estado) de São Paulo, que ali recebeu a visita do Imperador D.
Pedro II. O prédio foi restaurado e nele atualmente funciona o Restaurante Cama
e Café, que também tem um programa cultural movimentado – saraus, exposições e
shows. Na esquina com o Pátio do Colégio, outro restaurante: o Pateo Cuccina
(nº 122). Nem precisa dizer que a comida italiana é especialidade da casa.
Vários
sobrados antigos e em decadência têm o piso inferior usado como
estacionamentos. Um deles destina-se a motos e tem um charme especial – um lustre
pendente muito bonito. Na entrada de um dos estacionamentos, há um minúsculo
café muito simpático – dois bancos dentro.
Este
ano o Palacete do Carmo, que ocupa quase uma quadra (com um dos lados na Rua
Roberto Simonsen) e se encontra em estado deplorável, foi desocupado para
restauro. A construção é dos anos vinte do século passado.
Rua
pequena, mas com trânsito intenso, especialmente, ônibus e trólebus que se
dirigem ao Pátio do Colégio ou que transitam entre a Avenida Rangel Pestana e o
Parque D. Pedro II.
O trabalho do rapaz é atrair carros para o
estacionamento – ou seja – ele fica no meio da rua e indica a entrada para os
motoristas. Parece que não, mas cansa.










