Quando abro a janela
de manhã, ela parece um ramalhete de flores no meio das outras árvores da
praça. É o abrigo de dezenas de passarinhos, especialmente, bem-te-vis e
rolinhas-caldo-de-feijão. Daqui a alguns dias, o chão terá um lindo tapete amarelo.
Hilda Prado Araújo
Temas culturais.
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
"MINHA" SIBIPIRUNA
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
DIA DO PROFESSOR
Neste
dia, a homenagem do poeta paulistano Paulo Bomfim (1926-2019) aos mestres:
DIA DO PROFESSOR
"Dia de professar amor,
Dia de semeadura,
Dia da colheita,
Dia da saudade,
Dia da esperança,
Dia do Professor,
Dia da gratidão!
Na lonjura dos rincões,
Nas periferias da vida,
Nos subúrbios do sonho,
Na caminhada dos rios,
Nas caatingas, no cerrado,
Nos pampas, nos igapós,
Nas veredas do sertão,
Nos vilarejos, nas praias,
Na inquietação das cidades,
Somos infância de novo
Trazendo a flor de um sorriso,
A gratidão que floresce
No Dia do Professor."
No dia dos
professores, talvez muitas pessoas lembrem-se da Cartilha Sodré. E quem era
esse Sodré? Na verdade, era Benedicta Stahl Sodré (1900-1972). Paulista, filha de imigrantes
alemães, estudou no Colégio Metodista Piracicabano e formou-se no
magistério pelo Instituto de Educação Sud Minucci, em Piracicaba. Viveu em São
Carlos, onde lecionou por 32 anos. Ela desenvolveu um método inovador de
alfabetização rápida, que resultou na criação da Cartilha Sodré, lançada entre
1939 e 1940, e foi um sucesso editorial nacional. Benedita Stahl Sodré recebeu em
1964 o Prêmio Jaboti da Câmara Brasileira do Livro e o título de Cidadã de São
Carlos em 1968.
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
DIA DA CRIANÇA
Eu tive uma infância feliz! Guardo ótimas lembranças. Única criança na casa situada em rua em transição do residencial para o comercial, onde havia apenas mais uma menina, filha do seu Luciano. Às vezes ela ia em casa brincar, mas eu nunca fui a casa em que ela morava. Minha primeira amiga foi Semíramis – ela e a irmã mais velha estudavam piano com minha tia Odete, ótima pianista e excelente professora.
Sempre
gostei de brincar sozinha – espaço não faltava. Pensando bem eu fui uma criança
estranha: sempre que no rádio tocava “Vingança” ia para a sala correndo para
ouvir aquela cantora desejar que alguém rolasse como “as pedras que rolam na
estrada, sem ter nunca um cantinho de seu para poder descansar”. 1951. E eu só
tinha sete anos!
A
tia mais jovem, que era funcionária da Receita Federal, comprava revistas do
Pato Donald, que minha avó desaprovava, compensando com livros de contos de
fadas com capas coloridas, miolo com poucas ilustrações e todas em preto e
branco. Enquanto não aprendi a ler, minha tia lia as histórias para mim. As
duas tias se revezavam a contar o enredo dos filmes a que assistíamos no Cine
Carlos Gomes ou Bandeirantes. Até que um dia num bonde, acompanhando minha avó
em algum passeio, olhei um anúncio e descobri que podia ler algo fora da
cartilha! Uma revelação!
Tia
Odete me apresentou Monteiro Lobato com “Os Doze Trabalhos de Hércules” e minha
avó semeou livros em minha vida – no princípio na Páscoa, no meu aniversário,
no Natal; mas depois sempre que ela podia eles iam chegando às minhas mãos e me
encantando a cada página. Depois da turma do Sítio do Pica-pau Amarelo, vieram
os Três Mosqueteiros – dos quatro amigos, preferia Atos...
Havia
também o rádio. Vivi o final da era do rádio que Woody Allen transformou num
filme maravilhoso...
Quando a infância terminou? Não sei. O importante é viver cada fase da vida e no final dizer, como os franceses, “c´est la vie”.
Na foto acima, com minha avó Maria Luísa, c. 1947.
sábado, 10 de outubro de 2026
AMANHECER NA ACLIMAÇÃO
É
muito bom abrir as janelas pela manhã e ver sempre um espetáculo diferente se
desenhando no horizonte... Um dia resolvi registrar alguns amanheceres e acabei
com uma linda coleção.
Por alguns
anos esse espetáculo era em frente ao prédio onde moro, mas um dia derrubaram
todas as casas sólidas, bonitas e com jardins e rapidamente construíram quatro
enormes edifícios. Assim, só sobrou esta nesga de céu...
Há muito mais, porém, gosto muito destes.
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
MUSEU DA IMIGRAÇÃO JAPONESA
Santos foi a porta de entrada dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil. No dia 18 de junho de 1908, desembarcaram do navio Kasato Maru, procedente do porto de Kobe, 781 imigrantes. Era o início de um programa oficial de imigração estabelecido entre os governos de São Paulo e do Japão. Essa história iniciada há 118 anos está muito bem resumida com documentos oficiais, depoimentos e objetos pessoais no Museu da Imigração Japonesa, no bairro da Liberdade, tradicional reduto nipo-brasileiro em São Paulo. Ontem, passei uma tarde no Museu...

Rua São Joaquim, 381 – Liberdade. Metrô: Linha Azul, Estação São Joaquim.3º anda
domingo, 4 de outubro de 2026
ERA UMA VEZ...
terça-feira, 29 de setembro de 2026
UM PASSEIO DIFERENTE
Hoje
foi um dia dedicado a explorar a Avenida Senador Queirós, que começa na Avenida
Ipiranga e termina na rua Mercúrio, próximo ao Viaduto que faz parte do
conjunto viário da região do Parque D. Pedro II. Normalmente, a percorro a
partir da Rua Mercúrio, no trajeto dos ônibus em ocasiões especiais, como
eventos que impeçam a rota pela Rua Boa Vista. Achei melhor começar a caminhada
pelo início da avenida, já que seria a primeira vez que andaria por ali. Eis um lugar
estranho porque se o pedestre não prestar atenção pode perder o rumo, pois a
Avenida Ipiranga é paralela à Rua Líbero Badaró e ambas dão acesso à Praça Dr.
Alfredo Issa de onde parte a Senador Queirós. Sábia decisão, porque acabei
mudando meus planos após terminar a caminhada.
A
Avenida Senador Queirós tem duas pistas separadas por canteiro central com mão
única em direção ao Centro Histórico. Há um certo encanto na avenida que já teve dias melhores.
Movida por um comércio variado, acho difícil definir a Senador Queirós, que
mistura pequenos prédios de três andares até edifícios com mais de dez pisos.
Foi nas pesquisas que encontrei o delicioso depoimento de Henrique Pianco, um
jovem estudante de arquitetura, que ao mudar para São Paulo morou naquela rua:
“Meu apartamento tinha apenas um
cômodo, somente uma janela. A iluminação natural abraçava todo o espaço. O
apartamento sentia tudo. Quando amanhecia, o som dos carros e da agitação
aumentava. Era hora do café. Quando o chão de madeira era tingido por uma luz
avermelhada, era o entardecer; hora de levantar da cadeira e alongar a coluna.
Quando a escuridão tomava conta e ele parecia prestes a adormecer, algo
diferente acontecia do lado de fora: a avenida despertava com força.”
“A Av. Senador Queirós foi para mim um palco de experiências. Para ser
sincero, dizer que a avenida foi palco não me soa certo; na verdade ela foi
jardim.”
Imagino
o que pensaria dela Francisco Antônio de Souza Queiroz, o Senador Queirós em
questão, um dos Grandes do Império. Paulista, nasceu em 1806, foi proprietário
rural conquistou prestígio político, que lhe garantiu uma carreira de sucesso
iniciada como vereador e que concluiu como senador por São Paulo em 1848. Ele
também ocupou, interinamente, a presidência da Província de São Paulo
(governador do Estado). Fundou a Associação Barão de Sousa Queirós de Proteção
à Infância e Juventude – Instituto Ana Rosa que funciona até os dias atuais –
já completou 152 anos. Em decorrência da sua atuação recebeu o título
honorífico de Barão de Souza Queirós com Grandeza, que não era hereditário.
Enfim,
o que me fez mudar de ideia sobre a caminhada foi a Praça Alfredo Issa, um encrave
de cerca de quinze mil metros quadrados, entre as avenidas Ipiranga e Senador
Queirós e a rua Casper Líbero. Ali destacam-se dois prédios.
O
Edifício Garagem Alfredo Issa da Polícia Civil tem história mais antiga. No
início do século passado a área era um grande charco e foco de muitos problemas.
Em princípio aquele terreno pertencia ao Estado, que começou a construir ali em
1944 o Palácio da Polícia, mas a obra foi abandonada três anos mais tarde. Muita
água rolou até a década de 1970 – rolou água mesmo porque o problema da
paralisação foi o lençol freático que fica a apenas seis metros de
profundidade.
Enfim,
Município e Estado acabaram fazendo um acordo e a área passou para o município
que decidiu construir ali um edifício-garagem e para tanto lançou um concurso,
vencido pelos arquitetos Benno Perelmutter
(1935-2017) e Jorge Nasser. O prédio redondo em concreto e estruturas aparentes
(neobrutalismo) foi construído na gestão do prefeito Paulo Maluf (1931) e
inaugurado em 1971; entretanto, ao assumir a prefeitura, José Carlos Figueiredo
Ferraz (1918-1994) devolveu o prédio para a Secretaria de Segurança Pública do
Estado que decidiu usá-lo para estacionamento da própria frota. O que se vê
atualmente não é mais o edifício original, pois sofreu ao longo dos anos várias
alterações.
Enquanto não se resolvia a questão do edifício garagem, foi construído o Edifício Montreal, primeiro projeto do escritório paulistano do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), sob encomenda do Banco Nacional Imobiliário. Inaugurado em 1954, o prédio tem 24 pavimentos, distribuídos em 21 andares com 230 apartamentos tipo quitinete. Como na época havia restrições à construção de prédios na confluência de duas ruas, as fachadas da Avenida Ipiranga e Casper Líbero são diferentes. Enfim, é bem Niemeyer – as entradas pelo subsolo e uma obra de arte para adornar o ambiente – dois delicados murais de Di Cavalcanti (1897-1972) muito bem conservados. Agradeço a gentileza do atendimento e a permissão de fotografar.
Em
tempo: o Edifício Montreal duas entradas – Avenida Ipiranga, 1284 e Rua Cásper
Libero, mas integra-se à praça por causa do térreo.
Há sempre surpresas no caminho.
























