FOTOS DE 5/2/2025.
Hilda Prado Araújo
Temas culturais.
domingo, 8 de fevereiro de 2026
sábado, 7 de fevereiro de 2026
BYE BYE, ORELHÕES

Os telefones públicos, os populares orelhões, estão com os
dias contados, pois a Anatel vai retirá-los das ruas das cidades que dispõem de
telefonia digital. Depois de 54 anos de bons serviços prestados, eles desaparecerão,
embora há algum tempo ninguém saiba me informar onde se compram os cartões telefônicos.
Eu já perguntei em vários locais, mas só consegui rostos admirados com a
pergunta inusitada. Um dia fiquei toda animada ao ver na rua um homem batendo papo num telefone público, mas logo percebi que nem fio o aparelho tinha.
Quando o novo modelo de telefone público
surgiu em 1972, foi saudado com bom humor pelo público que, bem ao estilo
brasileiro, logo lhe deu o apelido que se ajustou perfeitamente ao novo
equipamento: orelhão. Certamente, ele deixará muitas histórias emocionantes na
lembrança da população.
O famoso protetor dos telefones públicos foi criado pela
arquiteta Chu Ming
Silveira (1941-1997). Chu Ming, na época chefe da seção de projetos
do Departamento de Engenharia da Companhia Telefônica Brasileira ‒ CTB,
realizou um trabalho perfeito: o novo equipamento urbano protegia o aparelho e
o usuário, tinha baixo custo de fabricação, instalação e manutenção, além de
boa acústica e estética atraente; era durável e, principalmente, fácil de usar.
Ela se inspirou no formato do ovo porque achava que era a forma de melhor acústica.
O orelhão foi um sucesso tão grande que logo foi adotado no Paraguai, Peru,
Colômbia, China, Angola e Moçambique.
Os
primeiros orelhões foram instalados no Rio de Janeiro no dia do padroeiro da
cidade: 20 de janeiro de 1972. Em seguida foi a vez de São Paulo que recebeu
170 aparelhos no dia do aniversário: 25 de janeiro. O nome que Chu Ming
Silveira dera ao equipamento era bem mais romântico: tulipa, o que (pelo
menos no Brasil) não vingou.
Após décadas de
relevantes serviços, com o advento da telefonia móvel e a sua popularização, os
telefones públicos foram se tornando menos utilizados e os orelhões tornaram-se
vítimas de vândalos e passaram a ser usados para colocar adesivos com números
de telefone de pessoas que ofereciam serviços especialmente de acompanhantes
para “programas”.
Chu Ming Silveira nasceu em Xangai, China. A família mudou para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, onde ela se formou arquiteta pelo Mackenzie em 1964.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
VIVA O BEXIGA!
Ontem
foi noite de caminhar pelo Centro. Destino: o Bexiga/Bixiga, um bairro sempre
muito atraente, mas o que eu não imaginava era a maratona que nos esperava. O início, como sempre, é na frente da Biblioteca Mário de Andrade, mas eu começo pela Praça
da República, onde o ônibus me deixa. Depois das apresentações dos convidados –
o Rei Momo e a Rainha do Carnaval do Bexiga e o Candinho Neto, da banda que leva
o nome dele – partimos. O público é sempre heterogêneo – turistas eventuais
(ontem tinha um senhor do Espírito Santo, que desejava conhecer o verdadeiro Bixiga,
não o das pizzarias), jovens, idosos, casais e os aventureiros de sempre que
não esperam companhia para levantar da poltrona. Eu reencontrei a Zita, grande conhecedora
do Centro e andarilha como eu.
O
roteiro? Descobrimos caminhando e no caminho há sempre muitas paradas para
ouvir histórias dos lugares – e há sempre muitas. Assim, da Rua da Consolação,
fomos pela Major Quedinho, Major Diogo – parada na Casa de Dona Yayá, onde se
fala da tragédia da moradora. Zita é uma admiradora de portões e se encanta com
um que é do prédio do antigo Teatro Brasileiro de Comédia, inaugurado em 1948 e
passa por recuperação. Em algum ponto vislumbro a exótica Rua (Vila) Jardim Heloísa,
tombada pelo Patrimônio Histórico. E lá vai o grupo pela Conselheiro Carrão. (Eu
me pergunto como voltarei para casa.) O Rei Momo e uma caminhante se desgarram –
ah! ladeiras! Pausa. Quantas coisa para ver
– as casas antigas bem conservadas, um colorido especial... Atravessamos a Rua
Rui Barbosa e logo chegamos à Treze de Maio – uma festa só! Pergunto ao organizador das Caminhadas, qual nosso destino. Surpresa: as
escadarias do Bixiga para a Rua dos Ingleses onde se encontra o Museu do
Bixiga. Pausa para fotos.
Na
Rua dos Ingleses, me despeço do grupo (na verdade saí à francesa). Decido que
devo ir para a Avenida Paulista. Zita resolve me acompanhar – ela mora nos Campos
Elísios. Há muitos anos fiz uma caminhada por ali, mas à noite todos os gatos
são pardos, como se dizia antigamente. Zita se encanta com as casas localizadas no topo do morro dotadas de escadarias. Na encruzilhada, temos que perguntar a direção – estamos na Rua
dos Belgas, seguimos pela Joaquim Eugênio de Lima até a Avenida Paulista, onde
nos despedimos.
Foi
um ótimo passeio numa agradável noite de verão.
sábado, 31 de janeiro de 2026
IH! DEU ZEBRA!
Hoje é
o Dia Internacional da Zebra, um mamífero herbívoro natural da savana africana,
cuja pelagem listrada funciona como camuflagem para se resguardar dos
predadores e podem servir também para identificação, pois são únicas para cada
indivíduo, como as digitais humanas, mas os pesquisadores não sabem se os animais
têm capacidade para distinguir um do outro pelas listras. Há três tipos de
zebras – da montanha, da planície e a zebra-de-grevy. A zebra-de-grevy é a
maior da espécie (em média 1m50 e 400 kg) O nome refere-se ao presidente francês
François Grévy (1807-1891) que, durante sua gestão, recebeu uma zebra de
presente do imperador da Abissínia Menelik II. É a subespécie mais ameaçada
por degradação do habitat e pela caça.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
TUDO BEM EXPLICADINHO
A estrutura de uma casa de chá faz parte da exposição sobre o trabalho dos "Mestres da carpintaria: habilidade e espírito" na Japan House. Enquanto observo o interior da casa por uma pequena janela, ouço uma conversa que atrai minha atenção. Uma senhora lê em voz alta as informações sobre cada elemento da casa em um dos painéis e vez por outra é interrompida por uma criança que quer mais detalhes. Ela lê até os nomes em japonês para a criança que os repete. Discretamente, me viro para ver a dupla: uma avó e seu netinho. O menino corre para a janelinha tentando identificar os lugares ou os objetos, fica na pontinha dos pés, mas não alcança. A avó indica o lugar certo para observar o interior da casa. Enquanto ele confere as informações, pergunto a ela quantos anos ele tem. “Oito” – diz a avó. Ele corrige rapidamente – “Sete!”. A avó suspira e explica: “Ele fará oito no próximo domingo.” Quando o garoto se afasta para espiar mais uma vez a casa, ela me diz rindo que com ele precisa “ser tudo certinho” –e vai atrás do netinho.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026
ARTE PELO CAMINHO
Até que os bancos podem deixar alguma
coisa boa para trás. Como o mural feito em 1962 por Clóvis Graciano para o
Banco Nacional, que mantinha agência na Rua Senador Paulo Egídio, 70, ali
pertinho do Largo de São Francisco. Na obra que se refere ao “Desembarque dos
colonizadores e subida da Serra”, o artista usou uma mistura de óleo e cera
virgem. O banco Nacional fechou em 1995 e há alguns anos no local instalou-se o
“Empório Data vênia” (o nome é alusão à proximidade da Faculdade de Direito do
Largo de São Francisco), um paraíso de coisas gostosas e de qualidade. A outra
herança do banco é um cofre, usado como depósito de cervejas.
Mas há várias obras de arte espalhadas pelos prédios da cidade assinadas por grandes artistas brasileiros.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
SORRISOS
“E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão.” Mote atribuído a Fernando Pessoa (1888-1935).
Meu
amigo João Sampaio, que se foi há muitos anos, me presenteou no Natal de 1970
com um livro que nunca li, mas a dedicatória era sobre a importância do
sorriso. Minha timidez era notória e a sisudez, uma forma de afastar as
pessoas. Aos poucos fui mudando meu comportamento, sem mudar minha
personalidade e, no anoitecer da vida, tenho distribuído alguns sorrisos ao
longo da caminhada.
Chama-se
Gianni. Quando as pessoas embarcam no veículo que ele conduz são recebidas com
um bom dia e um sorriso. Se houver chance, logo inicia uma conversa animada e
respeitosa. Pode ser sobre as compras que uma senhora fez na feira, o cardápio
do almoço de outra ou o drama de um senhor cuja esposa está muito doente. Tudo
isso com os olhos atentos no trânsito. Como durante algum tempo fazia o horário
em que eu vou ao SESC do Carmo, várias vezes por sugestão dele, saí
acompanhando outras passageiras que iam para o mesmo lado. Certa manhã uma
passageira ao descer repetiu o que eu já havia dito a ele uma vez – seu bom
dia, sorriso e seu entusiasmo melhoram o dia das pessoas. O posto do cobrador
em geral é variável, mas seus companheiros de jornada, como Oscar e Caio, são geralmente
silenciosos, mas sempre muito atenciosos.
Na
mesma linha 408 A - 10, no horário noturno, viajei algumas vezes com Thiago, um jovem
motorista que tem um comportamento bem parecido. A conversa começou por causa
de um novo restaurante coreano no bairro, evoluiu para comida com fartos
elogios para as refeições que a avó prepara, ressaltando que a da mãe era muito
boa. Ao descer comentei que ia fazer a caminhada noturna no centro. Muitos dias
depois à tarde, quando subi no ônibus distraída, o motorista perguntou se eu ia
passear e então o reconheci. A conversa incluía a outra senhora que embarcara
junto comigo, e continuou sempre agradável e bem conduzida por ele. Na última
vez que o vi, o movimento de passageiros era maior e ele conhecia também
vários. Uma senhora ao descer o presenteou com uma barra de chocolate que o
deixou muito feliz. Depois que ela desceu, disse para o cobrador que iam comer o chocolate após o jantar – uma atitude que diz muito sobre o caráter de uma
pessoa. Tiago, me informam, está em outra linha da empresa.
Quantas
histórias eles têm para contar! E eu que gosto de alinhavar fatos vistos e
ouvidos, relato alguns, mas sei que deve haver milhares.
Muito
obrigada a eles e a todos os que têm o dom de sorrir e fazer sorrir entre os quais o Cristiano. Desejo a eles uma vida
longa e feliz.




















