segunda-feira, 7 de setembro de 2026

SETE DE SETEMBRO

 

No dia 7 de setembro as atenções voltam-se para o Alto do Ipiranga, onde o príncipe regente D. Pedro (1798-1834) proclamou nossa Independência às margens do riacho do Ipiranga, hoje tão abandonado. Entretanto, o bairro Penha de França, ou apenas Penha, também teve um papel importante nessa História que aconteceu em 1822  O príncipe e comitiva partiram do Rio de Janeiro, no dia 14 de agosto, com destino à Província de São Paulo que vivia uma crise política: em maio daquele ano houve uma revolta de militares e civis, liderada por Francisco Inácio de Souza Queiroz, que culminara com a destituição do governo e criara uma situação de instabilidade política.

Foi uma longa viagem a cavalo e em mulas, com paradas para pernoites até que no dia 24 de agosto, uma sexta-feira, chegou à Penha de França: “A 24 de agosto chegou o príncipe à povoação da Penha de França, a légua e meia da capital, onde pernoitou, expedindo daí o decreto que dissolveu o governo provisório, e ordenou que saíssem obrigatoriamente da capital os principais fomentadores dos movimentos subversivos (ocorridos entre maio e julho)”.

No dia seguinte, D. Pedro assistiu missa antes de partir para São Paulo. A entrada do regente teve caráter oficial – foi recepcionado por vereadores, religiosos e pelo povo em frente à Igreja da Ordem Terceira de N. Sra. do Carmo (Av. Rangel Pestana, 230). Foi hospedado pelo coronel Antônio da Silva Prado. Barão de Iguape, e depois na casa de Manoel Rodrigues Jordão, o brigadeiro Jordão, na cidade. Ele ficou dez dias em São Paulo em articulações políticas até a partida para Santos, cidade natal de José Bonifácio de Andrade e Silva, no dia 5 de setembro. Na volta de Santos, às margens do riacho do Ipiranga, houve o encontro com o mensageiro Paulo Bregaro, oficial do Tribunal Militar, com as cartas que definiram o momento da Independência.

Era 7 de setembro de 1822. Um sábado. Na mesma noite, D. Pedro compareceu à Casa da Ópera que ficava na região do Pátio do Colégio, onde foi aclamado espontaneamente pela população que lotou o teatro. 

Placa localizada na Basílica de Nossa Senhora. da Penha.

A Basílica ainda pode ser vista da estação Penha do Metrô.


O Museu Paulista do Ipiranga e o busto de José Bonifácio, o Patriarca da Independência.


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

DESENCONTROS E ENCONTROS

 Quando eu digo que São Paulo é cheia de surpresas, não acreditam. Hoje, conheci o túmulo de Marlene Dietrich.

Fui ao Cemitério da Consolação para conversar com Popó, o responsável pelas visitas guiadas; porém, fiz um caminho diferente: desci na Avenida Angélica e entrei pela portaria da Rua Mato Grosso. Claro que me perdi porque da rua vi o topo do maior mausoléu da América Latina, que pertence à família Matarazzo, e fui lá dar uma olhada (acho que não havia visto ainda). E logo estava indo para lá e para cá observando esses resquícios da vaidade humana. Tive que pedir ajuda ao funcionário que passava soprador de folhas nas alamedas. Popó não estava. Terei que retornar outro dia. Na saída, fui até a Rua Sergipe pegar o ônibus, quando avistei o Cemitério dos Protestantes cuja história conhecia sem tê-lo visitado. Não perdi a oportunidade. Fui entrando. Muito bonito. Simples e pequeno. Sem ostentação. Caminhei observando pelos nomes inscritos nos mausoléus a origem das famílias que formam nossa sociedade. E foi assim que me deparei com Marlene Dietrich – ela nasceu em 1934, quando a atriz alemã, naturalizada estadunidense, já era um imenso sucesso – e faleceu em 2011. A estrela de “O Anjo Azul” nasceu em 1901 em Berlim e faleceu em 1992 em Paris. Espero que esta sra. Marlene Dietrich, que descansa aqui, não tenha passado por situações desagradáveis por ter sido xará da estrela.


h..

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O CINEMA QUE VIROU ESTACIONAMENTO

 

O cinema Paissandu era um luxo. No saguão, o espectador admirava três painéis de 15 m de extensão representando o folclore nacional – Bumba-meu-boi, Candomblé e Fandangos. A sala de espera de 900m² tinha ambiente acolhedor: poltronas confortáveis, luz suave, ar condicionado e música de alta fidelidade. Enquanto esperava, o público podia admirar um grande painel que remetia à “Nau Catarineta”, poema épico português. A sala de exibição tinha capacidade para 2.196 pessoas! A tela media 7m30 por 15m30. Atualmente, a maior sala de cinema de São Paulo tem capacidade para 512 pessoas! A decadência do cinema começou nos anos 1970 e agora é um estacionamento, apesar de ter sido tombado pelo patrimônio histórico do município em 1992. O Cine Paissandu foi inaugurado com uma sessão beneficente na noite de 19 de dezembro de 1957 e a primeira sessão para o público foi no dia 20. O filme exibido foi “Guerra e Paz”, baseado no romance de Leon Tolstói e dirigida por King Vidor, com Audrey Hepburn, Henry Fonda e Mel Ferrer.

 

Largo do Paissandu, 60.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

O MIRANTE DA RUA AVANHANDAVA

 

Depois de subir e descer várias escadarias pelo Centro Histórico, Aclimação, Bela Vista e até no Pacaembu, soube da existência de um Belvedere na Rua Avanhandava, que pertence ao Distrito da República. E andei ali por perto vendo as escadarias do Viaduto Nove de Julho! Inconformada fui procurar o belvedere.

Comecei caminhada pela Praça Ramos de Azevedo, segui pela Rua Xavier de Toledo – movimentada como sempre, mas desta vez tinha uma novidade: a loja que resolveu “baixar as calças” para incrementar as vendas. Na Consolação, sigo pela Rua Martins Fontes (“paulista eu sou há 400 anos”) e chego à graciosa Rua Avanhandava, que acolhe o pedestre com uma floricultura e uma fonte. E, se for hora do almoço ou jantar (lanche também serve), difícil é escolher onde entrar. Só a tradicional “Famiglia Mancini” oferece várias opções. Meu interesse, entretanto, é o belvedere, mas logo percebo que é melhor usar “mirante”, pois a palavra belvedere só foi reconhecida pelos mais antigos.

        Enfim, a escadaria que fica bem em frente à saída para a Avenida Nove de Julho. Olho bem, mas sempre surge a dúvida: será que consigo a proeza? Afinal são 120 degraus e obviamente não há mais paisagem para admirar. Fui em frente e subi sem problema e ainda sobrou fôlego para voltar pela Rua Augusta, dar uma espiada no Parque Augusta, retornar pela Consolação, admirar a Igreja da Consolação restaurada, atravessar a Praça Roosevelt, olhar os cartazes da peça em cartaz no Teatro do Jaraguá, e na Avenida São Luís sentar-me no banquinho à espera de condução.😊




A história da Rua Avanhandava começa em 1920, quando a Cia. City iniciou a urbanização daquela área. A prefeitura autorizou a empresa a aproveitar a encosta entre a Rua Augusta e a Avenida Anhangabaú (atual Nove de Julho) em obras de implantação na época. A Avanhandava ficou pronta em 1928 e o nome é uma referencia a uma cachoeira localizada à margem direita do Rio Tietê na região em que hoje situa-se Penápolis. No local havia também um forte, erguido em 1858, que teve papel importante na Guerra do Paraguai. Nem a cachoeira nem o forte existem mais.

 


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

TARDE DE INVERNO

 Agosto, 25. Um dia típico de inverno. Céu nublado. Cai uma garoa fina. O frio agradável apetece uma poltrona, um chá preto ou vinho tinto, bom livro; mantenho, porém, minha rotina. Há menos pessoas pelas ruas e nos ônibus. O motorista está de touca e bem agasalhado. De manhã trabalha com a esposa, que é cobradora e faz meio período. Num ponto próximo do Centro, quando a porta se abre, um homem conta uma pequena história para conseguir carona e ele manda subir pela porta de trás. No próximo, outro carona. Não dá porque já tem um caroneiro. Lá fora, os poucos que enfrentam o tempo compõem um cenário um tanto sombrio com suas roupas escuras. Em meio ao trânsito o homem puxa uma carroça cheia de material reciclável. Duas amigas entram tagarelando, sentam-se no banco dos preferenciais e tagarelam até que um abre um pacotinho para saborear uma bomba. Desço na Rua Boa Vista e sigo em direção à Praça do Patriarca. Meu destino é uma visita às Graças na Galeria Prestes Maia. Elas encontram-se protegidas por um cercadinho. Uma jovem varre os nichos em que elas se encontram. Tudo brilhando. Subo pela escada rolante e fico em dúvida sobre a direção. A Rua Direita está em obras. A temperatura e a garoa afugentaram os camelôs. Sigo pela Rua da Quitanda, sem pressa. Vislumbro um café muito simpático e resolvo entrar. Poucas pessoas e atendimento rápido. Gostei demais do cardápio.

PRATO DO DIA
Felicidade à moda
Porção de carinho
Paz ao ponto
Amor a gosto
Saúde à vontade
Servido com afeto e dedicação.
No caixa, um senhor paga a conta, mas o cartão foi recusado. Ele troca rapidamente por outro. “Que vergonha!” – diz sorrindo meio sem jeito. Acontece – comento para animá-lo.
Entro na loja que procurava e uma vendedora apressada e desinteressada foi dizendo “Meu nome é fulana, se precisar de algo é só me procurar”. E sumiu. Nada me agrada. A essa altura já estou na Sé, onde namoro os doces da Romana, me desvio do assédio do pessoal da Rua do Ouro e das tentações da Livraria da UNESP.
Antes de pegar o ônibus, passei pela estação da Sé para saber mais sobre o museu dos objetos esquecidos e da prótese de perna em exibição na vitrine. O funcionário foi muito simpático. O museu resume-se à vitrine que se renovará periodicamente com objetos estranhos esquecidos no metrô, como a perna mecânica. Esta não foi a primeira. Já houve outros casos e ele lembrou de um rapaz que fora à AACD para reparos da perna mecânica e já retornara usando outra e esquecera a antiga no vagão. Achar dentaduras é muito comum, segundo ele. Ri e explica que para eles isso é rotina, mas não resiste e conta que já deixaram até móveis grandes no vagão. Hora de voltar para casa. (Preguiça de levantar para fazer a foto.)


terça-feira, 25 de agosto de 2026

POR AÍ E POR ALI

Parece que o Inverno retornou. Hoje, um dia frio e gostoso. Bom para usar notas para escrever sobre curiosidades anotadas nos caminhos.


Nos semáforos há quase sempre pessoas que aproveitam para ganhar um dinheirinho – fazem malabarismo, vendem docinhos (cuja origem é um mistério) a preço de banana, como se dizia antigamente, porque agora a banana já subiu de patamar, panos de prato entre outras coisas. Pedestres como eu, entretanto, têm que se distrair com alguma coisa enquanto aguardam a luz verde. Foi assim que da Praça João Mendes notei os três magrinhos perdidos na paisagem do Centro Histórico de São Paulo. Devem ficar na Liberdade... Verde! Antes de atravessar sempre é recomendável olhar para não ser surpreendido por algum motoqueiro desvairado😊




Estava na estação Sé, quando vi a vitrine ao lado do setor de “Achados e Perdidos”, que passou por uma reforma recentemente. Criaram um museu com os objetos esquecidos por passageiros no percurso de viagens. A vitrine dá uma boa ideia do que esse povo distraído deixa nos vagões e estações. Lá estão um sombrero, uma ampulheta (lembrei-me do rapaz da USP que não sabia ver horas), duas dentaduras, a miniatura de uma antiga bomba de gasolina, um leque e um lindo elefantinho. O último item é uma prótese de perna mecânica!




Outro dia saí da estação Ipiranga de trem num lugar incomum. Parei na tentativa de descobrir que direção tomar. Rua Ilha Sergipe, onde à esquerda há um viaduto, que deve ser o Pacheco Chaves, e concluí de que não era este o caminho. Pequenas casas coloridas, outras inacabadas e um pequeno comércio popular movimentado. Uma favela. Segui o povo e para minha surpresa o caminho é cortado por uma via férrea. A placa não me deixou dúvida, mas fui perguntar se ainda passava trem por lá. Sim, passa. Nada de porteira. O jeito é ficar de ouvido atento. Enfim, cheguei à Avenida Henry Ford.





UM COLÉGIO INESQUECÍVEL

Não resisto e compartilho a crônica sobre o Instituto de Educação Canadá do escritor e jornalista santista Flávio Viegas Amoreira, membro da Academia Santista de Letras, curador da Casa das Culturas de Santos e cronista do jornal A TRIBUNA. Estudei no Canadá, como o chamamos carinhosamente, nos anos sessenta do século passado, e também fui aluna dos professores Itagiba, dona Ada e Maria Helena Caruso entre tantos outros. Hoje o colégio chama-se Escola Estadual Canadá (Rua Mato Grosso, 163, Boqueirão).



Foto de 2024.


sábado, 22 de agosto de 2026

FOLCLORE BRASILEIRO

Hoje é dia do Folclore Nacional. O folclore é o conjunto de atividades que compõem a cultura de um povo, ou seja, engloba música, dança, literatura, culinária, as superstições e as artes em geral. O folclore brasileiro reúne as tradições das três raças formadoras da nossa sociedade – indígenas, brancos e negros. Em termos regionais, o folclore do Norte e Nordeste é muito rico e cultivado com entusiasmo pela população em geral. O Estado e a cidade de São Paulo comemoram no dia 31 de outubro o dia do Saci, um dos personagens do folclore brasileiro. Ainda em São Paulo, o Curupira é considerado o guardião das florestas.

Várias manifestações culturais brasileiras são consideradas Patrimônio da humanidade pela UNESCO, como o Bumba-meu-boi e o Tambor de Crioula (Maranhão) e o Frevo (Pernambuco).

Como hoje é sábado a comemoração pode ter feijoada, caipirinha ou aluá e bolo de fubá. Para quem não conhece, o aluá é uma bebida fermentada de baixo teor alcoólico, feita de milho moído ou casca de abacaxi.

Exposição: Brecheret, no Centro Cultural FIESP.


Mostra da FAAP.

NA FAAP, a exposição “Arte da Nossa Gentereúne obras originais – pintura, escultura, gravura, bordado e cerâmica – de artistas brasileiros de diferentes regiões do país. 

Victor Brecheret: a imagem indígena como símbolo de brasilidade”  Centro Cultural FIESP, Avenida Paulista ,1313, Cerqueira César. Visitação: de terça a domingo das 10 às 20 horas. Até 30 de agosto de 2026. Gratuito.