quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A RUA DO SOL NASCENTE


Nasci em uma cidade do interior paulista que só fui conhecer quando completei setenta anos; cresci numa cidade do litoral, que é berço do Patriarca da Independência do Brasil; e na maturidade me desafiei a encarar a vida na maior cidade cidade e brasileira. O trajeto foi Taubaté, Santos e São Paulo. Santos é aquela cidade do coração – das lembranças maravilhosas que sempre me despertam muita saudade. São Paulo é um turbilhão – acho que essa é a palavra que melhor a define. Ela exige rapidez, dinamismo; é instigante e perturbadora. Irresistível. Apaixonante. Um dia, entretanto, você se aposenta e vem o tempo da calmaria. Apenas se você quiser, porque a cidade continua com seu canto de sereia atraindo os inquietos.

Aposentada, pude dedicar meu tempo para descobrir São Paulo e seus meandros a pé, de ônibus. trem e metrô. Comecei quando descobri que não tinha fotografias de Santos e de São Paulo. Saí fazendo fotos e logo estava a escrever sobre o que via... Assim, surgiram meus passeios paulistanos lá pelos idos de 2008. Passeios porque saio de casa sozinha, sem roteiro, sem pressa a observar paisagens, pessoas e tudo o mais que possa acontecer pelo caminho. Como ver o Sol despontando no início da Rua Topázio, na Aclimação, onde vivo há quase 43 anos. A verdade é que aos poucos a cidade vai se entranhando em você  sem que se perceba.

  “A RUA DO SOL NASCENTE – passeios paulistanos” reúne crônicas feitas entre 2008 e 2025. 

 N

domingo, 8 de fevereiro de 2026

A FIGUEIRA DA GLETE

 FOTOS DE 5/2/2025.

                       Cada vez mais bonita.

Carregada de frutos.



sábado, 7 de fevereiro de 2026

BYE BYE, ORELHÕES

             
                                                      Estação Sé do Metrô: 2022.


                         
                                                          Estação Sé do Metro: 2025.
 

Os telefones públicos, os populares orelhões, estão com os dias contados, pois a Anatel vai retirá-los das ruas das cidades que dispõem de telefonia digital. Depois de 54 anos de bons serviços prestados, eles desaparecerão, embora há algum tempo ninguém saiba me informar onde se compram os cartões telefônicos. Eu já perguntei em vários locais, mas só consegui rostos admirados com a pergunta inusitada. Um dia fiquei toda animada ao ver na rua um homem batendo  papo num telefone público, mas logo percebi que nem fio o aparelho tinha.

    Quando o novo modelo de telefone público surgiu em 1972, foi saudado com bom humor pelo público que, bem ao estilo brasileiro, logo lhe deu o apelido que se ajustou perfeitamente ao novo equipamento: orelhão. Certamente, ele deixará muitas histórias emocionantes na lembrança da população. 

O famoso protetor dos telefones públicos foi criado pela arquiteta Chu Ming Silveira (1941-1997). Chu Ming, na época chefe da seção de projetos do Departamento de Engenharia da Companhia Telefônica Brasileira ‒ CTB, realizou um trabalho perfeito: o novo equipamento urbano protegia o aparelho e o usuário, tinha baixo custo de fabricação, instalação e manutenção, além de boa acústica e estética atraente; era durável e, principalmente, fácil de usar. Ela se inspirou no formato do ovo porque achava que era a forma de melhor acústica. O orelhão foi um sucesso tão grande que logo foi adotado no Paraguai, Peru, Colômbia, China, Angola e Moçambique.

Os primeiros orelhões foram instalados no Rio de Janeiro no dia do padroeiro da cidade: 20 de janeiro de 1972. Em seguida foi a vez de São Paulo que recebeu 170 aparelhos no dia do aniversário: 25 de janeiro. O nome que Chu Ming Silveira dera ao equipamento era bem mais romântico: tulipa, o que (pelo menos no Brasil) não vingou.

Após décadas de relevantes serviços, com o advento da telefonia móvel e a sua popularização, os telefones públicos foram se tornando menos utilizados e os orelhões tornaram-se vítimas de vândalos e passaram a ser usados para colocar adesivos com números de telefone de pessoas que ofereciam serviços especialmente de acompanhantes para “programas”.

Chu Ming Silveira nasceu em Xangai, China. A família mudou para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, onde ela se formou arquiteta pelo Mackenzie em 1964.

Avenida Ricardo Jafet: 10/12;2021


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

VIVA O BEXIGA!

Nas escadarias do Bixiga/Bexiga.

Ontem foi noite de caminhar pelo Centro. Destino: o Bexiga/Bixiga, um bairro sempre muito atraente, mas o que eu não imaginava era a maratona que nos esperava. O início, como sempre, é na frente da Biblioteca Mário de Andrade, mas eu começo pela Praça da República, onde o ônibus me deixa. Depois das apresentações dos convidados – o Rei Momo e a Rainha do Carnaval do Bexiga e o Candinho Neto, da banda que leva o nome dele – partimos. O público é sempre heterogêneo – turistas eventuais (ontem tinha um senhor do Espírito Santo, que desejava conhecer o verdadeiro Bixiga, não o das pizzarias), jovens, idosos, casais e os aventureiros de sempre que não esperam companhia para levantar da poltrona. Eu reencontrei a Zita, grande conhecedora do Centro e andarilha como eu.

O roteiro? Descobrimos caminhando e no caminho há sempre muitas paradas para ouvir histórias dos lugares – e há sempre muitas. Assim, da Rua da Consolação, fomos pela Major Quedinho, Major Diogo – parada na Casa de Dona Yayá, onde se fala da tragédia da moradora. Zita é uma admiradora de portões e se encanta com um que é do prédio do antigo Teatro Brasileiro de Comédia, inaugurado em 1948 e passa por recuperação. Em algum ponto vislumbro a exótica Rua (Vila) Jardim Heloísa, tombada pelo Patrimônio Histórico. E lá vai o grupo pela Conselheiro Carrão. (Eu me pergunto como voltarei para casa.) O Rei Momo e uma caminhante se desgarram – ah! ladeiras!  Pausa. Quantas coisa para ver – as casas antigas bem conservadas, um colorido especial... Atravessamos a Rua Rui Barbosa e logo chegamos à Treze de Maio – uma festa só! Pergunto ao organizador das Caminhadas, qual nosso destino. Surpresa: as escadarias do Bixiga para a Rua dos Ingleses onde se encontra o Museu do Bixiga. Pausa para fotos.

Na Rua dos Ingleses, me despeço do grupo (na verdade saí à francesa). Decido que devo ir para a Avenida Paulista. Zita resolve me acompanhar – ela mora nos Campos Elísios. Há muitos anos fiz uma caminhada por ali, mas à noite todos os gatos são pardos, como se dizia antigamente. Zita se encanta com as casas localizadas no topo do morro dotadas de escadarias. Na encruzilhada, temos que perguntar a direção – estamos na Rua dos Belgas, seguimos pela Joaquim Eugênio de Lima até a Avenida Paulista, onde nos despedimos.

Foi um ótimo passeio numa agradável noite de verão.

Pausa para conhecer um pouco da história de Dona Yayá.






sábado, 31 de janeiro de 2026

IH! DEU ZEBRA!

 

Foto: Wikipédia.

Hoje é o Dia Internacional da Zebra, um mamífero herbívoro natural da savana africana, cuja pelagem listrada funciona como camuflagem para se resguardar dos predadores e podem servir também para identificação, pois são únicas para cada indivíduo, como as digitais humanas, mas os pesquisadores não sabem se os animais têm capacidade para distinguir um do outro pelas listras. Há três tipos de zebras – da montanha, da planície e a zebra-de-grevy. A zebra-de-grevy é a maior da espécie (em média 1m50 e 400 kg) O nome refere-se ao presidente francês François Grévy (1807-1891) que, durante sua gestão, recebeu uma zebra de presente do imperador da Abissínia Menelik II. É a subespécie mais ameaçada por degradação do habitat e pela caça.  

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

TUDO BEM EXPLICADINHO

 

A estrutura de uma casa de chá faz parte da exposição sobre o trabalho dos "Mestres da carpintaria: habilidade e espírito" na Japan House. Enquanto observo o interior da casa por uma pequena janela, ouço uma conversa que atrai minha atenção. Uma senhora lê em voz alta as informações sobre cada elemento da casa em um dos painéis e vez por outra é interrompida por uma criança que quer mais detalhes. Ela lê até os nomes em japonês para a criança que os repete. Discretamente, me viro para ver a dupla: uma avó e seu netinho. O menino corre para a janelinha tentando identificar os lugares ou os objetos, fica na pontinha dos pés, mas não alcança. A avó indica o lugar certo para observar o interior da casa. Enquanto ele confere as informações, pergunto a ela quantos anos ele tem.  “Oito” – diz a avó. Ele corrige rapidamente – “Sete!”. A avó suspira e explica: “Ele fará oito no próximo domingo.”  Quando o garoto se afasta para espiar mais uma vez a casa, ela me diz rindo que com ele precisa “ser tudo certinho” –e vai atrás do netinho.





terça-feira, 27 de janeiro de 2026

ARTE PELO CAMINHO

Até que os bancos podem deixar alguma coisa boa para trás. Como o mural feito em 1962 por Clóvis Graciano para o Banco Nacional, que mantinha agência na Rua Senador Paulo Egídio, 70, ali pertinho do Largo de São Francisco. Na obra que se refere ao “Desembarque dos colonizadores e subida da Serra”, o artista usou uma mistura de óleo e cera virgem. O banco Nacional fechou em 1995 e há alguns anos no local instalou-se o “Empório Data vênia” (o nome é alusão à proximidade da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco), um paraíso de coisas gostosas e de qualidade. A outra herança do banco é um cofre, usado como depósito de cervejas.


Mas há várias obras de arte espalhadas pelos prédios da cidade assinadas por grandes artistas brasileiros.



Galeria do Rock: obra da Vitrais Conrado Sorgenicht. Projeto: Ermanno Siffredi.

Edifício Jaraguá, sede antiga do jornal O Estado de S. Paulo (1951/1976) e atual endereço do Hotel Nacional: mural de Emiliano Di Cavalcanti em pastilhas de vidro. Rua Martins Fontes. 


Edifício e Galeria Califórnia, projeto de Niemeyer de 1955: no saguão, o painel em mosaico de Cândido Portinari. Rua Barão de Itapetininga, 255.


Afresco de Di Cavalcanti em mosaico de vidro enfeita a fachada do Teatro Cultura Artística (1950). Rua Nestor Pestana, 196 – Consolação. 



 
Revoltante ver a destruição do painel de Di Cavalcanti, no Edifício Triângulo (1955), projetado por Niemeyer. Rua José Bonifácio, 24.