quinta-feira, 31 de março de 2016




CONTOS DE TERROR


Livro novo nas livraria. Em noite de lua minguante e, quem sabe, alguma neblina no canal entre Santos e Guarujá, tornando a travessia da balsa mais excitante que o normal, o jornalista Paulo Mota lançará no próximo sábado (2) o livro “Os ossos são todos iguais” (Multifoco Editora).
O evento será no Espaço Cultural do Ferry Boat Plaza Shopping (Praça das Nações, Vila Lygia), em Guarujá, a partir das 19 horas.

domingo, 27 de março de 2016

 Senhoras e senhores!

Hoje tem espetáculo? 
Tem sim sinhô.
 
Hoje tem marmelada?
 
Tem sim sinhô.
 
Hoje tem goiabada?
 
Tem sim sinhô.
 

Claro que tem tudo isso e muito mais porque hoje é o Dia do Circo e em São Paulo funciona o Circo Stankowich de origem romena, que está em atividade há 155 anos, segundo o site da companhia. (Avenida Alcântara Machado, altura do nº 4600. Fone: 11-99535-5627)

E o palhaço o que é?
É ladrão de mulher!
E o palhaço o que é?
É ladrão de mulher!

Quem preferir ficar em casa comendo ovo de páscoa pode rever “O maior espetáculo da Terra”, um clássico do cinema de 1952, com Charlton Heston dirigindo a trupe que enfrenta todo tipo de encrenca, inclusive um palhaço problemático (James Stewart). Produção, narração e direção de Cecil B. DeMille. Música de Victor Young.

Antes é bom se certificar de que não sofre de coulrofobia, nome dado ao medo de palhaços, que afeta crianças e adultos. O problema é abordado em pelo menos duas séries de TV em que dois agentes federais machões não resistem à vista de palhaços.


E, naturalmente, é possível se divertir ouvindo a marchinha de Alcebíades "Bide" Barcellos e Paulo Barbosa, gravada por Carlos Galhardo (1913-1985) e que foi o grande sucesso do carnaval de 1937. 

quinta-feira, 24 de março de 2016

INÊS DE CASTRO
D. Pedro I (1320-1367) ainda era herdeiro da coroa portuguesa, quando se casou de acordo com os interesses de Estado com D. Constança Manuel; entretanto, o príncipe se apaixonou pela aia da mulher, Dª. Inês de Castro (1320-1355) que era filha do mordomo-mor do rei D. Afonso XI de Castela, um dos fidalgos mais poderosos do reino.
O romance foi muito mal visto pela família e pela população e, especialmente, pelos círculos diplomáticos. Em nome dada moralidade, D. Afonso decretou o exílio de Inês em 1344, enviando-a para o Castelo de Albuquerque, na fronteira castelhana, onde a jovem tinha sido criada por uma tia. No entanto, a distância não destruiu o amor entre Pedro e Inês, que mantiveram correspondência.
Em outubro do ano seguinte Dª. Constança morreu ao dar à luz o futuro rei D. Fernando I. Agora viúvo, D. Pedro, contra a vontade do pai, mandou Inês regressar do exílio e os dois passaram a viver juntos, provocando grande escândalo na corte para enorme desgosto do rei, que tentou casá-lo de novo. O filho rejeitou a ideia alegando que ainda sentia muito a perda da esposa.
Pedro e Inês tiveram quatro filhos: Afonso, que morreu logo após o nascimento, João, Dinis e Beatriz. As intrigas se alastraram e na corte corria o boato de que os irmãos de Inês planejavam matar o herdeiro legítimo do trono para garantir a coroa ao filho mais velho do dos amantes.
Pedro e Inês haviam mudado do norte de Portugal para Coimbra e moravam no Paço de Santa Clara, construído pela Rainha Santa Isabel para uso exclusivo de reis e príncipes com suas legitimas esposas. Um novo boato referia-se ao possível casamento secreto de Inês e Pedro.
Pressionado pela corte, o rei D. Afonso IV decidiu que a melhor solução seria matar a dama galega. Na tentativa de saber a verdade, o Rei ordenou a dois conselheiros que dissessem a D. Pedro que ele podia se casar livremente com D. Inês, se assim o pretendesse. D. Pedro percebeu que se tratava de uma cilada e respondeu que não pensava casar-se nunca com Inês.
A 7 de janeiro de 1355 o rei cedeu às pressões dos seus conselheiros e aproveitando a ausência de D. Pedro, numa excursão de caça, providenciou a execução de Inês de Castro em Santa Clara, conforme fora decidido em conselho.
Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de Inês teriam criado a Fonte das Lágrimas da Quinta das Lágrimas e algumas algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado. O assassinato provocou uma crise entre pai e filho.
Com a morte de D. Afonso D. Pedro tornou-se o oitavo rei de Portugal, recebendo o título de D. Pedro I em 1357. Em 1360 legitimou os filhos ao afirmar que havia se casado secretamente com Inês em 1354 em Bragança “em dia que não se lembrava”. A palavra do rei, do seu capelão e de um seu criado foram as provas necessárias para legalizar esse casamento. Em seguida perseguiu os assassinos de D. Inês, que tinham fugido para o Reino de Castela.
Dois foram apanhados e executados em Santarém (segundo a lenda o rei mandou arrancar o coração de um pelo peito e o do outro pelas costas, assistindo à execução enquanto se banqueteava, o que é confirmado por Fernão Lopes, com a ressalva de que o carrasco o teria dissuadido da ideia pela dificuldade encontrada nesta forma de execução). O terceiro conseguiu escapar para a França e, posteriormente, seria perdoado pelo Rei no seu leito de morte.
          A tétrica cerimônia da coroação e do beija-mão à Rainha D. Inês, já morta, que D. Pedro pretensamente teria imposto à sua corte e que se tornaria numa das cenas mais vívidas no imaginário popular, teria sido inserida pela primeira vez nas narrativas espanholas do final do XVI.
Túmulo de Inês. Imagem Wikipedia.
D. Pedro I mandou construir dois esplêndidos túmulos no mosteiro de Alcobaça: um para a amada Inês cujo corpo trasladou para lá em 1361 e outro para ele, que se juntou a ela em 1367. Ao longo dos séculos mudaram algumas vezes os túmulos de lugar. Na década de oitenta do século XVIII, os túmulos foram levados para o recém-construído panteão real, onde foram colocados frente a frente, surgindo a lenda de que assim “possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final”.


Episódio de Dona Inês de Castro
(Os Lusíadas, Canto III, 118 a 135) 

Passada esta tão próspera vitória, 
Tornado Afonso à Lusitana Terra, 
A se lograr da paz com tanta glória 
Quanta soube ganhar na dura guerra, 
O caso triste e dino da memória, 
Que do sepulcro os homens desenterra, 
Aconteceu da mísera e mesquinha 
Que despois de ser morta foi Rainha.

sábado, 19 de março de 2016

DIA DE JOSÉ
Hoje é dia de José. O nome de origem hebraica (Yosef) significa “ele acrescentará”. Há o José do Egito, filho de Jacó; o José de Nazaré, marido de Maria, e o José de Arimateia, discípulo de Jesus. José é o nome masculino mais popular do Brasil. Até o ano passado havia cerca de oito milhões de pessoas chamadas José, de acordo com pesquisa feita  a pedido de EXAME.com.
Acordo todos os dias ouvindo um José (Paulo, do Pulo do Gato); quando volto tarde para casa, há sempre um José de plantão na portaria do prédio. E, claro, há meus caros amigos: José Alberto (Pereira), José Alberto (Blandy), José Carlos (Pinheiro), José Cláudio, José Coriolano, José Guido, José Flávio (por onde andará?), José Guilherme, José Lousada, José Luis, José Muniz Jr, José Renato (meu cirurgião dentista), José Roberto, José Rodrigues, Zeca Bringel e Zeca Silvares. Há também o (Fabio) José e o (Nestor) José, além de duas mulheres que trazem um José em seus nomes: a Zezé (jornalista) e a Zezé (ecologista). 
Um dia maravilhoso para vocês.  A homenagem especial para JOSÉ ARAÚJO (1913-1968).


(Escrito em 19/3/2014)

terça-feira, 15 de março de 2016

Que zica*! .

Nos velhos tempos, “zica” era uma gíria para azar e fazia tempo que não ouvia a expressão até que, recentemente, virou praga. Nem o dicionário do Houaiss registra a palavra – não sei de por superstição ou por não aceitar gíria em suas elegantes páginas. A verdade é que só se fala em zica: nos cuidados para evitar o mal e as estratégias para combater o mosquito transmissor. Esse é o papel dos meios de comunicação; entretanto, parece que não funciona muito bem. Há algum tempo venho observando a esquina da Rua Domingos de Morais com Rua Rodrigues Alves, na Vila Mariana, onde o lixo fica amontoado 24 horas. A coleta é feita, mas logo em seguida o local é “reabastecido” por comerciantes e ambulantes e os pedestres acabam colaborando com a irregularidade porque “uma coisa leva a outra”. Já perguntei e soube que o recolhimento é feito pela manhã, mas o lixão brota em seguida. O comércio local já deveria ter pedido à Subprefeitura um container ou colocar o lixo apenas no horário determinado. O “depósito” fica em frente de uma farmácia, a alguns passos de um ponto de ônibus e junto a uma faixa de pedestres. A Subprefeitura faz a sua parte, mas o mau cidadão não colabora em nada. Haja mosquitos de todas as espécies, moscas, ratos, enchentes etc. Lamentável.

*Escreverei sempre com C.

As fotos foram tiradas em dezembro de 2015, janeiro e fevereiro de 2016.



sábado, 12 de março de 2016


DIA DO BLIBLIOTECÁRIO



Dois profissionais importantes são homenageados hoje: o bibliotecário e o livreiro. O guardião de livros e o vendedor de ideias, sonhos e aventuras. Como o mundo seria pobre sem eles! Assim que mudei para São Paulo me inscrevi na Biblioteca Mario de Andrade – vou lá pelo menos duas vezes por mês. Às vezes vou à biblioteca Sérgio Milliet, pertinho de casa. Livrarias paulistanas: Cultura, Martins Fontes e Martins. Em Santos: Martins Fontes desde que me conheço por gente e, naturalmente, a Realejo, do José Luis Tahan. 


Ótima oportunidade também para um protesto veemente pelo fechamento da biblioteca da Sociedade Humanitária dos Empregados no Comércio de Santos por falta de funcionários, de acordo com informações que recebi quarta-feira ao retornar para consultas de material que só existe lá. Pelo site da Secretaria de Cultura está tudo normal! Lamentável o descaso da Prefeitura com um patrimônio da cidade e com a educação. Foto: H. Araújo,2009.

segunda-feira, 7 de março de 2016

FUZILEIROS NAVAIS

A Brigada Real da Marinha desembarcou no Rio de Janeiro com a família real em 7 de março 1808, dando origem ao Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil. E a Brigada Real não ficou flanando no Rio de Janeiro; logo foi enviada para a Guiana Francesa (1808-1809) e participou da luta que garantiu ao Brasil o estado do Amapá. O resto é história.
Eu tenho uma história que envolve fuzileiros, ou melhor, a Banda dos Fuzileiros Navais. Eu trabalhava no jornal Cidade de Santos, quando recebi a pauta para uma matéria sobre a apresentação da Banda dos Fuzileiros Navais em algum lugar da cidade. O problema é que o jornal do dia já trazia uma reportagem completa sobre a banda: entrevista com o maestro, músicos; tratou do repertório, e do roteiro de apresentações.
A mim coube ir ao local, certificar-me que o espetáculo acontecera, fora um sucesso ou não e que, ninguém morrera no decorrer do evento. Para isso poderiam ter escalado um foca – pensei com meus botões. Cheguei, vi e ouvi. Um ótimo espetáculo, um sucesso enorme, mas pouca coisa para escrever que já não estivesse na edição do dia. Até que percebi um membro estranho entre os militares, bem comportado e tratado com muito respeito, digamos, até com carinho. Fui lá tomar satisfações com o comandante sobre aquela presença inusitada. Tratava-se do PASEP, o cachorro de estimação da Banda que parecera um dia no quartel (Ilha das Cobras) e fora adotado imediatamente, com direito ao rancho e lugar garantido nas viagens. Só não tinha direito a soldo. Assim, PASEP salvou meu dia e fiz uma matéria que escapou da mesmice; entretanto, um amigo ex-fuzileiro não me perdoou; mas na vida é sempre assim, um dia é da banda e outro, do cão.   
É bom que se diga que a Banda dos Fuzileiros Navais, composta por 120 músicos, é excelente e seu desempenho empolga as plateias que têm o privilégio de assistir a suas apresentações. Em 2009, apresentou-se em Paris nas comemorações doo Ano França-Brasil e em 2011, no Festival de Edimburgo, Escócia. 
O link abaixo para quem quiser conferir. 

 https://www.youtube.com/watch?v=RmnouIypgFM  

quinta-feira, 3 de março de 2016

MANHÃ COM POESIA

E de Mário de Andrade.

Paisagem N.° 3


Chove?
Sorri uma garoa de cinza,
Muito triste, como um tristemente longo...
A Casa Kosmos não tem impermeáveis em liquidação...
Mas neste Largo do Arouche
Posso abrir o meu guarda-chuva paradoxal,
Este lírico plátano de rendas mar...

Ali em frente... – Mário, põe a máscara!
–Tens razão, minha Loucura, tens razão.
O rei de Tule jogou a taça ao mar...

Os homens passam encharcados...
Os reflexos dos vultos curtos
Mancham o petit-pavé...
As rolas da Normal
Esvoaçam entre os dedos da garoa...
(E si pusesse um verso de Crisfal
No De Profundis?...)
De repente
Um raio de Sol arisco
Risca o chuvisco ao meio.