sábado, 25 de março de 2017

UM BRINDE AO BOM GOSTO

James Stewart, Grace Kelley e o Montrachet: Janela Indiscreta (1955).
            Não é preciso gostar de vinho para apreciar este livro. As histórias curtas são repletas de surpresas. Mesmo cenas banais – como a do filme “Janela Indiscreta”, de Alfred Hitchcock (1954) – se renovam quando espargidas pelo vinho que a dupla romântica degusta na tela tão bem iluminada pelo texto do jornalista e escritor paulista José Guilherme Rodrigues Ferreira. O livro é “Vinhos no Mar Azul. Viagens enogastronômicas” que tive a felicidade de ganhar do autor, colega do Jornal da USP que não encontro pessoalmente há alguns anos.
          Que tal começar com o próprio Dionísio dando uma entrevista à CNN? A viagem começa pelo Chile – mas é perfeitamente possível guiar-se pelos títulos instigantes das crônicas sem se importar em seguir a ordem oferecida pelo autor. Que tal acompanhar Thomas Jefferson, um dos fundadores da nação americana, aos mais famosos vinhedos franceses do mundo em pleno inverno de 1787? Ou se deliciar com o tour de uma girafa africana ao longo de rios e vinhedos franceses. Não se engane com o apelo do rinoceronte. Há formigas também. Mitologia, literatura e música estão presentes nessa viagem que pode ser muito bem acompanhada por seu vinho preferido. Ah! No final, só no final, José Guilherme Rodrigues Ferreira relata a trajetória do saca-rolha.       

Vinhos no mar azul, viagens enogastronômicas, de José Guilherme Rodrigues Ferreira. São Paulo, SP: Editora TERCEIRO NOME, 2009.

quarta-feira, 22 de março de 2017

DIA MUNDIAL DA ÁGUA
(22 de março)


A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão,
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água. 
[...]

Do poema “Cão sem plumas”, de João Cabral de Melo Neto (1920-1999).

Giovanni B. Castagneto: Paisagem com rio e barco ao seco em São Paulo 
‘Ponte Grande’, 1895; óleo sobre madeira, acervo do MASP. 

Benedito Calixto. “Inundação da Várzea do Carmo”,
1892, óleo sobre tela de Museu Paulista da USP.





sexta-feira, 17 de março de 2017

O JEITO PAULISTANO DE SER

O Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000) é um edifício feioso, mas com um espaço bem interessante. O projeto é de Eurico Prado Lopes e Luiz Telles. Ali, se encontram a Biblioteca Sérgio Milliet, a Discoteca Oneyda Alvarenga, Coleção de Arte da Cidade (pinacoteca municipal), cinema, teatro e realizam-se cursos e oficinas de vários tipos. Há até uma horta comunitária.
Bem agradável circular pelo Centro. Quem vai de metrô, desce na estação Vergueiro e já sai nos jardins Eurico Prado Lopes que tem uma vista bonita da cidade. No trajeto, há várias mesas ocupadas por pessoas estudando, navegando em seus notebooks, lendo ou simplesmente batendo papo. Logo na entrada coberta, as coisas ficam mais agitadas. 


 Jovens reúnem-se para aprender a dançar – street dance ou um bom forró (sem música) e ensaiar coreografias. Na falta de espelho (afinal, ali é um corredor) usam o reflexo nos vidros. 

Mais adiante fica a turma do xadrez – um pouco mais velha, mas nada impede que os jovens se avizinhem para usar o computador. O corredor leva à biblioteca (sempre cheia) que fica no subsolo e à galeria de exposições acima dela. 
                                                                                                                                            




Uma escadaria leva à cobertura, onde sempre é possível se reunir para um papo, discutir grandes planos, ler ou tomar sol. 






Para quem passa o dia por lá há restaurante (que não abre aos domingos) e lanchonete, que funciona aos domingos. O Centro Cultural não abre às segundas-feiras. (Fotos: Hilda Araújo, 12/03/2017.)

quinta-feira, 16 de março de 2017

EM BUSCA DA FELICIDADE
Por desejo o homem é capaz de cometer as maiores loucuras. Foi por desejo que Eva aceitou a maçã, causadora da expulsão de Adão e Eva do Paraíso, segundo o mito da criação. Zeus, deus dos deuses da mitologia grega idealizados à imagem e semelhança dos homens, não poupava esforços para realizar seus desejos: transformou-se em forasteiro, camponês e nos mais variados animais (cuco, águia, cisne entre muitos outros) e até em chuva de ouro e labaredas. O mais sábio dos homens, Salomão, não resistiu à beleza da rainha de Sabá. Herodes desejava Salomé, que desejava João que amava a Deus sobre todas as coisas, mas nesse jogo de desejos, foi ele quem perdeu a cabeça. Literalmente.
Da antiguidade até os tempos atuais quase nada mudou. A indústria do cinema, consolidada no século XX, tornou-se uma fábrica de desejos. Homens e mulheres ansiando por fama e fortuna na mesma medida em que se tornam objeto do desejo dos simples mortais do planeta. Marilyn Monroe – que os homens queriam – desejava ser uma intelectual; antes de se tornar princesa, Grace Kelly que era objeto do desejo dos homens, sempre fez dos homens o objeto de seus desejos...
Freud, então, não deixou pedra sobre pedra quando proclamou que parte da humanidade desejava a mãe e a outra, o pai. E assim foi todo mundo para o divã tentar curar as taras, que Nelson Rodrigues, com enorme talento, expôs em sua obra.
Mas o que é o desejo? O desejo é a força motriz da civilização.
A Fontana di Trevi (Roma), mais conhecida como Fonte dos Desejos, é prova disso. Não há turista que resista ao impulso de jogar uma moedinha na esperança de ter seus desejos realizados (certamente voltar a Roma é o principal).
 “Sem desejo não há frustração” – já dizia filósofo e político romano Marco Túlio Cícero (106-42 a. C.).  Voilà!
(Fotos: Hilda Araújo, 2011.)

Multidão admira a Fontana de Trevi, na foto ao lado.
      

quarta-feira, 15 de março de 2017

MUSEUS NA CIDADE UNIVERSITÁRIA

Muitas unidades da Universidade de São Paulo (USP) mantêm coleções cientificas e culturais para divulgar conhecimento e preservar a memória da instituição. Na Cidade Universitária (Butantã), há várias. Avenida Afrânio Peixoto, Butantã. Acesso: Metrô Linha Quatro, Estação Butantã. Ônibus circular na saída: linhas 8012-10 e 8022-10.
O Museu de Anatomia Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia foi inaugurado em 1984. O acervo, formado ao longo de muitos anos, é resultado de doações, permutas, intercâmbios e trabalhos de pesquisa de pós-graduandos. São mais de mil peças representativas de animais selvagens e domésticos, evidenciando as mais diversas estruturas anatômicas. A exposição reúne coleções de sete grandes grupos: Aves (coruja, arara, pinguim etc.), Bovídeos (gnu, boi etc.); Carnívoros (tigre, cães etc.); Equídeos (cavalo, jumento etc.); Primatas (homem); Suídeos (cateto, porco etc.) e Diversos (como peixes, répteis) e Mamíferos aquáticos (baleia orca e golfinho). O Museu recomenda a exposição “Dimensões do Corpo: da Anatomia à Microscopia” para todas as faixas etárias, podendo ser visitada individualmente ou em grupos organizados. Avenida Professor Orlando Marques de Paiva. Telefone 11-3091-1309. Funcionamento: de terça à sexta-feira - 9h às 17h, sábados - 9h às 14h. Ingresso individual, R$ 6. Gratuito na primeira terça-feira do mês.
Além de difundir a Oceanografia e as pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, o Museu Oceanográfico dá suporte às atividades de ensino fundamental e médio do Estado de São Paulo. A exposição é dividida em módulos sobre a dinâmica e a biodiversidade dos oceanos. Aberto ao público em 1988 como Museu e Aquário, a partir de 1992 passou para a categoria de Museu Oceanográfico. Praça do Oceanográfico, 191. Telefone: 11-3091-7149. Funcionamento: terça à sexta-feira das 9h às 17h. Sábados e domingos das 10h às 16h. Entrada gratuita.



O Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) mantém um dos maiores acervos arqueológicos e etnográficos do Brasil em formação desde o final do século XIX. Uma visita ao museu constitui uma viagem pela história dos povos mediterrâneos, do Oriente Médio e da América Pré-colombiana. A biblioteca reúne cerca de sessenta mil volumes (livros, catálogos, revistas e obras raras). “Polis: viver na cidade grega antiga” é a exposição que pode ser visitada até dia 30 de junho, de segunda a sexta-feira (exceto às terças-feiras) das 9 às 17 horas. Abre também no segundo sábado de cada mês das 10 às 16 horas. Avenida Prof. Almeida Prado, 1466. Telefone:(11) 3091-4905. Entrada gratuita.

Você já viu um meteorito? No Museu de Geociências, há uma coleção que inclui o Itapuranga, terceiro maior meteorito brasileiro. Ele pesa 628 kg, tem forma irregular e foi encontrado na Fazenda Curral de Pedra a 18 quilômetros da cidade de Itapuranga (GO). O Museu, ligado ao Instituto de Geociências da USP, tem cerca de quinze mil amostras (minerais, gemas, rochas, meteoritos e espeleotemas*) – um terço em exposição. A maior parte do acervo é nacional, mas há amostras de minerais raros provenientes da Rússia, China Groelândia, Tajiquistão (Ásia Central), Índia, Cazaquistão e Kirgízia (Ásia Central). R. do Lago, 562. Telefone:(11) 3091-4670. Aberto de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 12 horas e das 13h30 às 17 horas. Entrada gratuita.
*Formações rochosas que ocorrem no interior de cavernas.

Embora fechado para reformas vale a pena registrar o Museu de Anatomia Humana “Prof. Alfonso Bovero” do Instituto de Ciências Biomédicas para uma visita futura. Ele tem 1.800 peças anatômicas preparadas e conservadas por diversos métodos, separadas e catalogadas de acordo com os aparelhos que constituem o corpo humano. Ele dispõe ainda de cerca de 300 peças na reserva técnica, destinada a demonstrações em aulas práticas, reposição de eventuais perdas e exposições em escolas. Entre os esqueletos (cerca de 70) existem alguns que representam o Homem de Sambaqui – que viveu no litoral brasileiro em época pré-histórica. Endereço: Av. Prof. Lineu Prestes, 2415. Edifício III do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB). Telefone: 11 3091-7360.


terça-feira, 14 de março de 2017

DIA DOS CALVOS

E não é que se comemora hoje o Dia dos Carecas, que também mereceram um dia mundial, que é 14 de outubro? Careca é o nome popular para denominar pessoas desprovidas de cabelo, ou seja, calvas. Nada como bom-humor para tornar a vida mais suave. Eles reinaram no Carnaval de 1942, quando Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti criaram a marchinha “Nós, os carecas” que o Brasil todo cantou. Sempre caíram de charme. Desde os tempos de Yul Brynner (1920-1985), passando por Telly Savalas (1922-1994), Cecil Thiré (1943), Bruce Willis (1955), James Lesure (1970), Rafael Zulu (1983), eles sempre brilharam em cena (hum!).
Parabéns para eles.

NÓS, OS CARECAS.
Gravação: Anjos do Inferno, Carnaval: 1942.

Nós, nós os carecas
Com as mulheres somos maiorais
Pois na hora do aperto
É dos carecas que elas gostam mais.

Nós, nós os carecas
Com as mulheres somos maiorais
Pois na hora do aperto
É dos carecas que elas gostam mais.

Não precisa ter vergonha
Pode tirar seu chapéu.
Pra que cabelo? Pra que, seu Queiroz?

Agora a coisa está pra nós, nós, nós. 

 
Rafael Zulu.                                       Cecil Thiré


James Lesure                                                                     Telly Savalas
AVISO AOS NAVEGANTES

               O Dia da Poesia é 31 de outubro (Lei nº 13.131, de 2015), data de nascimento de Carlos Drummond de Andrade (1901-1987).