terça-feira, 23 de maio de 2017

MMDC
           No dia 23 de maio de 1932 recrudesceram as tensões políticas entre São Paulo e o governo federal, especificamente contra a ditadura estabelecida por Getúlio Vargas em 1930 e exigia uma constituição para reger o Brasil. No confronto que ocorreu na esquina da Rua Barão de Itapetininga com a Praça da República na Capital, morreram Euclides Miragaia e Antônio de Camargo Andrade; os manifestantes se apossaram de um bonde e se dirigiram para a Rua Barão de Itapetininga e foram recebidos a tiros. Mário Martins de Almeida morreu e vários foram feridas.  Foram quatro horas de batalha e mais um manifestante morto: Dráusio Marcondes de Souza, um garoto de 14 anos. Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo tornaram-se MMDC – sigla que nomeou a sociedade secreta criada no dia 24 para organizar a guerra paulista por uma Constituição e que eclodiu em 9 de julho. 
“Viveram pouco para morrer bem
morreram jovens para viver sempre."
Versos de Antônio Benedicto Machado Florence, mas também atribuídos a Guilherme de Almeida.

O movimento nunca foi separatista.

Obelisco de São Paulo: Mausoléu aos Heróis de 32. Projeto do escultor Galileo Ugo Emendabili (1898-1974), executado pelo engenheiro alemão Urich Edler. O Obelisco tem 70 metros de altura. Inauguração: 9 de julho de 1955. A entrada está voltada para a Avenida Vinte e Três de Maio, perto da Praça Ibraim Nobre (1888-1970), o tribuno do Movimento Constitucionalista.

domingo, 21 de maio de 2017


A QUARTA ARTE
(Minhas esculturas preferidas)


Ao entrar no Museu do Louvre pela primeira vez perdi o fôlego ao vê-la no alto das escadas simplesmente flutuando. E quando voltei em outras ocasiões a sensação se renovou. A beleza da Vitória da Samotrácia é indescritível. O artista grego desconhecido a esculpiu, provavelmente, para a comemoração de uma vitória naval por volta de 190 a. C. A escultura foi descoberta em 1863 por Charles Champoiseau (1830-1909), arqueólogo e cônsul francês que a enviou para Paris. Anos mais tarde Champoiseau encontrou a proa da embarcação. O conjunto tem 5m57 de altura. Só para concluir: Samotrácia é uma ilha grega de 178 m² situada no mar Egeu.








Beleza provocante. Sensibilidade à flor da pele. O que se pode dizer da obra-prima de Gian Lorenzo Bernini (1598-1680) “Êxtase de Santa Teresa”? A escultura que representa o momento em que o anjo trespassa Santa Tereza d’Ávila (1515-1582) com a seta do amor divino, se encontra na Igreja de Santa Maria della Vittoria, em Roma. A obra foi realizada entre 1647 e 1652. (Foto: Wikipedia.)





Davi é perfeito. Não há como descrevê-lo. Michelangelo (1475-1564) concluiu a obra em 1504 para decorar a fachada de Santa Maria del Fiore em Florença (Itália), mas por problemas técnicos, a escultura foi colocada na Piazza della Signoria em frente ao Palazzo Vecchio de onde foi removida em 1857 para o interior da Galleria Dell’Accademia. Na praça foi colocada uma réplica da obra. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017


O GAROTO

Família amiga há muitos anos. Quando a filha entrou na adolescência, nasceu o garoto, agora companhia do pai, eletricista de primeira. Quando algum esperto nativo decidiu mudar o padrão das tomadas, ele veio ao apartamento fazer a troca e trouxe o filho. Não sou fã de crianças. Leo tem olhos cinza, cabelo encaracolado e não sofre de inibição. Sentiu-se em casa e começou a ajudar o pai, mas logo se entediou e começou a sessão de perguntas. Na sala da TV, quis saber se eu dormia ali; depois observou a janela, mais alta do que ele, e quis saber se podia ver a piscina. Informei que o prédio não tinha esse equipamento e a janela dava para a rua. Quis sentar-se. Coloquei-o na poltrona. Quantos anos você tem? Mostrou cinco dedos, mas o pai que trabalhava nas tomadas, o corrigiu. Ainda não tinha cinco. Perguntei por perguntar, pois já sabia a resposta, se ele estava na escola. E para minha surpresa disse que não. Então quis saber se eu tinha pai e levou uma bronca do pai dele que achou a pergunta impertinente. Não ficou sem resposta, mas Leo não é de se contentar com facilidade. Olhou em torno e quis saber por que o calendário estava em março. Era fevereiro. Como explicar que os primeiros 28 dias de março coincidem com os de fevereiro (exceto nos anos bissextos)? Sai pela tangente. Você sabe ler? Disse que não estava na escola... E ele explica muito sério que não está na escola porque está de férias. Quando estão saindo, lembro-me de uma cadernetinha colorida nova esquecida numa gaveta. Vou buscar e dou a ele. Leo fica deslumbrado com ela, sorri e pergunta se tenho outra. Fico um pouco decepcionada, mas logo percebo que a segunda seria para a irmã ou para a mãe. Fiquei devendo, mas foi embora feliz com a lembrança inesperada. 


Ilustração: "Pipas", obra de Cândido Portinari (1903-1962).  

quinta-feira, 18 de maio de 2017

O PENSADOR
        
Há tempo para tudo, diz um antigo livro. Agora estávamos em tempo de pensar. Para quem não está acostumado, pensar significa “submeter (algo) ao processo de raciocínio lógico; ter atividade psíquica consciente e organizada; exercer a capacidade de julgamento, dedução ou concepção; refletir sobre, ponderar, pesar” (Dicionário Houaiss).
          E nesses tempos em que vivemos, vale a pena refletir sobre o “Sermão do bom ladrão” proferido pelo padre Antônio Vieira (1608-1697) na Igreja da Misericórdia de Lisboa há 362 anos, na presença de D. João IV, ministros e cortesãos. Vieira é um dos grandes mestres da língua portuguesa; dono de um estilo rebuscado, ele foi um brilhante pregador. Segue um excerto do sermão:


SERMÃO DO BOM LADRÃO” 
(...) O que eu posso acrescentar pela experiência que tenho é que não só do Cabo da Boa Esperança para lá, mas também da parte de aquém, se usa igualmente a mesma conjugação. Conjugam por todos os modos o verbo rapio, porque furtam por todos os modos da arte, não falando em outros novos e esquisitos, que não conheceu Donato nem Despautério.
Tanto que lá chegam, começam a furtar pelo modo indicativo, porque a primeira informação que pedem aos práticos, é que lhes apontem e mostrem os caminhos por onde podem abarcar tudo. Furtam pelo modo imperativo, porque, como têm o mero e misto império, todo ele aplicam despoticamente às execuções da rapina. Furtam pelo modo mandativo, porque aceitam quanto lhes mandam, e, para que mandem todos, os que não mandam não são aceitos. Furtam pelo modo optativo, porque desejam quanto lhes parece bem e, gabando as coisas desejadas aos donos delas, por cortesia, sem vontade, as fazem suas. Furtam pelo modo conjuntivo, porque ajuntam o seu pouco cabedal com o daqueles que manejam muito, e basta só que ajuntem a sua graça, para serem, quando menos meeiros na ganância. Furtam pelo modo potencial, porque, e, sem pretexto nem cerimônia, usam de potência. Furtam pelo modo permissivo, porque permitem que outros furtem, e estes compram as permissões. Furtam pelo modo infinitivo, porque não tem fim o furtar com o fim do governo, e sempre lá deixam raízes em que se vão continuando os furtos. Estes mesmos modos conjugam por todas as pessoas, porque a primeira pessoa do verbo é a sua, as segundas os seus criados, e as terceiras quantas para isso têm indústria e consciência. Furtam juntamente por todos os tempos, porque do presente – que é o seu tempo colhem quanto dá de si o triênio; e para incluírem no presente o pretérito e futuro, do pretérito desenterram crimes, de que vendem os perdões, e dívidas esquecidas, de que pagam inteiramente, e do futuro empenham as rendas e antecipam os contratos, com que tudo o caído e não caído lhes vem a cair nas mãos. Finalmente, nos mesmos tempos, não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plus quam perfeitos, e quaisquer outros, porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse. Em suma, o resumo de toda esta rapante conjugação vem a ser o supino do mesmo verbo: a furtar para furtar. E quando eles têm conjugado assim toda a voz ativa, e as miseráveis províncias suportado toda a passiva, eles, como se tiveram feito grandes serviços, tornam carregados de despojos e ricos, e elas ficam roubadas e consumidas.(...)

Para ler o texto integral:

quarta-feira, 17 de maio de 2017

TARDE COM POESIA
de 
Fernando Pessoa.

         O PAPAGAIO do paço             
Não falava – assobiava.
  Sabia bem que a verdade
Não é coisa de palavra.


Ilustração:Retrato de Madame de Chateaurenard, do francês Joseph Andre Cellony (1696-1746).

segunda-feira, 15 de maio de 2017

AS GAROTAS DO ALCEU
Alceu Penna (1915-1980) foi um dos grandes ilustradores brasileiros. Começou na revista O CRUZEIRO (1928-1975) em 1933 e em 1938 passou a assinar a seção “As Garotas”, que se tornou não só uma referência de moda e estilo, mas de comportamento feminino. Um sucesso que se prolongou por 28 anos. As Garotas do Alceu eram muito elegantes e divertidas – os textos bem-humorados eram assinados por alguns nomes importantes da revista, como Vao Gogo (Millôr Fernandes) e A. Ladino (?). Alceu de Paula Penna, entretanto, foi mais que um ilustrador, destacou-se como figurinista, contribuindo com criações para os espetáculos dos cassinos cariocas. Graças a uma parceria entre O Cruzeiro e a Rhodia, tornou-se o responsável pela criação dos figurinos de apresentação das coleções anuais da marca até 1975.
Saudade das Garotas. 

domingo, 14 de maio de 2017

HOMENAGENS

O poeta santista Vicente Augusto de Carvalho (1866-1924) lecionou no Liceu Feminino Santista, fundado em 1902. Ele é o autor da letra do hino da escola, que foi musicado por Oscar Augusto Ferreira (1881-1921). O “Hino às Mães” foi publicado no livro “Versos da Mocidade”, em 1909. Frequentei o Liceu de 1959 a 1962.

Hino às Mães

Maria Luíza de Araújo, em 1950, a bordo do MAUÁ.
Salve Mães! Sede benditas
Como sois amadas!
Nós amamos e bendizemos
Como aprendemos de vós!

Nossa ternura infinita,
Vossa infinita afeição,
Caíram em nossas almas
Como a semente no chão!

Mães! Que as nossas tensas almas
Da vida ao primeiro alvor,
Abristes e borrifastes

Das orvalhadas do Amor!