domingo, 10 de dezembro de 2017

Haydn: Missa Sancti Nicolai (Nikolaimesse) - Agnus Dei



Domingo com a bela Missa Sancti Nicolai (Nikolaimesse) – de  Franz Joseph Haydn (1732-1809). Soprano escocesa Lorna Anderson.

Em 1783 o imperador Joseph II (1741-1790) da Áustria proibiu o uso de instrumentos musicais no interior das igrejas e esse é, muito provavelmente, o motivo pelo qual Franz Joseph Haydn não ter composto missas por 14 anos, no período mais fértil (1782 a 1796) da sua carreira.

      A “Missa Sancti Nicolae” tem uma história bem interessante e bem-humorada. O velho príncipe Nicolau Esterházy, para quem Haydn trabalhava desde 1761, resolveu mudar para o palácio da Hungria que não era lá muito saudável. A mudança irritou os componentes da orquestra da corte e o maestro Luigi Tommasini porque, além de estarem alojados com pouco conforto, tinham que ficar longe de suas famílias. Uma situação muito difícil que Haydn soube enfrentar com criatividade e música. Compôs a “Sinfonia do Adeus” em que no Finale os músicos vão saindo um após o outro apagando as velas até que só restam dois violinistas, o maestro Tommasini e o próprio Haydn. O velho príncipe entendeu a mensagem e deu ordens para partir no dia seguinte. Como agradecimento, Haydn compôs uma missa para celebrar o santo homônimo do príncipe na capela do castelo de Eisenstadt. Como não houve tempo os músicos repetiram a música do Kyrie para suprir a falta do Dona nobis pacem – que foi composta mais tarde (1800?). Com o tempo houve uma associação a São Nicolau e ao Natal.


sábado, 9 de dezembro de 2017

CINE MARAPÉ

         É muito provável que ao fazer compras no Supermecado Abreu, onde se “economiza do começo ao fim”, a maioria das pessoas não se dê conta de que aquele foi o endereço do saudoso Cine Marapé: Av. Pinheiro Machado 677. Para grande alegria dos moradores do CANAL 1 e adjacências, a Empresa de Cinemas de Santos inaugurou a casa na quarta-feira 24 de setembro 1952.
         Anúncio foi publicado em  A TRIBUNA na véspera, no alto da página da programação das salas da Empresa de Cinemas de Santos, propriedade de André Branda e Antonio Campos Jr.

“AMANHÃ – inauguração do Cine Marapé às 19h30. Uma lacuna que se fecha! Um bairro florescente, em constante crescimento, agora se completa, ganhando uma magnífica casa de diversões! Para o espetáculo inaugural, foi escolhido um programa excelente, destinado a todos os públicos. É para fazer as delícias de velhos, moços e crianças... que estão ansiosos para conhecer o novo cinema!...”

         Naquela noite tão especial para o bairro, foram exibidos dois filmes. O primeiro foi “Você já foi à Bahia?”, produção da Disney de 1944 como parte do programa de esforço de guerra dos Estados Unidos. No Brasil, fora lançado em fevereiro de 1945. O roteiro se desenvolve a partir dos presentes que o Pato Donald recebe de seus amigos latinos - ente eles o Zé Carioca - e no meio da história Donald se apaixona por Aurora Miranda (1915-2005) com quem contracena.

"The Three caballeros".

O segundo filme da noite foi “Os filhos dos três mosqueteiros”, uma produção norte-americana de 1949, lançada apenas em 1952. No elenco, Maureen O’Hara (1920-2015) e Cornel Wilde (1912-1989). A não ser a referência aos três mosqueteiros, não tem nada a ver com a obra de Alexandre Dumas (1802-1870). Apenas Atos teve um filho, protagonista do livro “O Visconde de Bragelone”.  
No dia seguinte, A TRIBUNA publicou uma pequena matéria de pé de página informando que a inauguração fora um sucesso, casa lotada e destacando a qualidade dos aparelhos de projeção e sincronização. Esqueceu de mencionar que a sala dispunha de 1.100 lugares!

O cinema funcionava todos os dias com programação bastante variada. 
Como todos os outros cinemas de bairro, o Cine Marapé não resistiu aos novos tempos e fechou há muitos anos. Uma curiosidade: o nome do bairro só foi oficializado em 1953 e assim a empresa de cinema se adiantou ao dar à casa o nome popular daquela região da cidade.

Era uma vez um cinema... (Imagem GOOGLE, street vew.) 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017


SANTOS. DE PASSAGEM
Terça-feira, como estava muito adiantada para um compromisso, resolvi ir  a pé da Rodoviária de Santos para Avenida Ana Costa via Avenida Senador Feijó. 

No caminho, ótimas lembranças: só na Rua Sete de Setembro revi o colégio Avelino da Paz Vieira; ao fundo o Colégio Santista (Centro de Atividades Integradas de Santos), onde estudavam os meninos mais bonitos da cidade e que motivavam as meninas do Liceu Feminino, na Rua da Constituição, a escalar o muro alto só para vê-los. 

Do outro lado da calçada o caixotão Acácio de Paula Leite – agora CECTI Escola de Educação para adultos. Em matéria de feiura não há outro que o ultrapasse. 


Faltou a Escola Portuguesa onde fiz o primário. Nem desconfio como se chama agora. Primeiro grau?. Voltarei para uma visita especial, embora a casa tenha desaparecido nas reformas premeditadas e perversas.
 


No final da tarde, não resisti e fui ao Carioca para um chope e depois passei pela Rua do Comércio: era preciso ver para crer no fechamento do Café Paulista - mais de 100 anos de história e ótima comida. Por lá circulavam empresários, jornalistas, políticos e intelectuais de Santos. 

Felizmente, o Camiseiro em frente ao Paulista, resiste.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

CENTRO PORTUGUÊS


No dia 3 de outubro de 1952 o jornal A TRIBUNA publicou matéria sobre a grande reforma pela qual passava o belo prédio do Centro Português de Santos (Rua Amador Bueno, 188), construído em estilo manuelino e inaugurado em 1901. Como eram outros tempos, comemorava-se a descaracterização do interior do edifício com a retirada das escadas de madeira enquanto o salão do teatro foi totalmente remodelado para incluir o cinema na programação. No dia 10 daquele mesmo mês, o jornal santista anunciava a apresentação do filme “Cantiga da Rua”, dirigido por Antonio Ferrão, com Manuel Santos Carvalho, Eunice Munhoz (1928) e Augusto Fraga. A diretoria da casa informava que os ingressos seriam vendidos para financiar as obras. Nada mais justo. (Cont.)

terça-feira, 5 de dezembro de 2017


CARTA PARA PAPAI NOEL

Já escreveu sua carta? Ainda há tempo. Não vale whatsApp!





segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

CINE CAIÇARA
“Num local que está destinado a se tornar o ponto de atração nº 1 da cidade, surge este cinema, que, sem favor, pode ser colocado entre os melhores do Brasil! Luxuoso! Confortável! Poltronas estofadas! Aparelhos de ar condicionados moderníssimos!” Se há um exagero no anúncio, certamente, diz respeito à quantidade de pontos de exclamação, pois o Cine Caiçara foi mesmo uma das melhores salas do país.
O empresário Domingos Fernandes Alonso foi o responsável pelo presente que a cidade recebeu no dia 15 de maio de 1952. A nova casa de espetáculos foi construída no mesmo local em que funcionara o antigo Miramar (Avenida Conselheiro Nébias, 851), onde aconteceu a exibição do primeiro filme em Santos.
O novo cinema, que comportava 1800 pessoas, era dotado de três projetores de última geração. A empresa se preocupou em proporcionar ao espectador conforto para que usufruísse melhor do momento de diversão. Assim, desde a bilheteria até a ampla sala de espera em tom cinza com painéis de pastilhas brilhantes, tudo foi pensado para evitar aborrecimento (hoje seria estresse). Uma galeria de circulação ligava o hall de entrada ao de saída. O salão de espetáculos foi decorado em tons de verde. A tela era de matéria plástica “permitindo extraordinária e nítida projeção”, de acordo com o anúncio. Em um cinema, poltronas são fundamentais e as do Caiçara eram estofadas, revestidas de couro verde e dispostas de tal forma que espectador teria perfeita visibilidade de qualquer ponto da sala. No verão santista, o público poderia contar com ar condicionado Westinghouse. Detalhes importantes para tranquilizar o público: “Esplêndidas instalações sanitárias para homens e senhoras, cabine telefônica isolada, bebedouro de água gelada e um jardim tropical (...)”.
 Para a estreia nada melhor do que um filme premiado com seis estatuetas na entrega do Oscar de 1952: “Sinfonia de Paris”, musical dirigido por Vincent Minelli no ano anterior, com Gene Kelly e Lesli Caron. As músicas são de George e Ira Gershwin e Conrad Salinger, Saul Chaplin e Johny Green. A escolha não poderia ser mais feliz: Sinfonia de Paris ocupa a nova posição na lista dos 25 maiores musicais norte-americanos do American Film Institute.
Para a inauguração foram distribuídos convites para autoridades, imprensa e críticos de cinema e a renda da bilheteria foi destinada à Gota de Leite, entidade beneficente de atendimento às crianças carentes. Na reportagem do dia seguinte, uma foto mostra o salão de 1762 lugares quase lotado minutos antes do início da sessão e outra, os convidados entre os quais se destacam o diretor de A TRIBUNA, M. Nascimento Jr., o deputado Athié Jorge Coury, Djalma Freixo e J. B. Andrade.
A reportagem permite que se tenha uma noção do comércio da cidade em 1952 ao listar os estabelecimentos onde o público poderia comprar os ingressos para a inauguração do Caiçara: Modas Teixeira, Modas Linda, Relojoaria Eska, A Lausanne Têxtil, SEARS, Instituto de Beleza Parque Balneário, Marquesa de Sevigné e Casa Leblon.

*Melhor filme, melhor fotografia colorida, melhor direção de arte colorida, melhor figurino colorido, melhor trilha sonora em musical. 

domingo, 3 de dezembro de 2017

VI. Handel The king shall rejoice - The Sixteen



The king shall rejoice” é um dos quatro hinos compostos por  George Frederic Handel (1685—1759, para a coroação do rei George II da Inglaterra em 1727. Os textos usados são da bíblia anglicana. O maestro inglês Harry Christophers (1953) é o criador do coral Sixteen.   
Glory and great worship hast thou laid upon him.
Thou hast prevented him with the blessings of goodness, and hast set a crown of pure gold upon his head.
Alleluia.

Um belo espetáculo.