Assisti
muito tempo atrás a uma entrevista com um rapaz que adorava viajar de ônibus e
fiquei bastante aborrecida com o tratamento que o “jornalista” deu ao
entrevistado, ridicularizando-o por gostar desse meio de transporte. Respeito
deve-se a todas as pessoas e o entrevistado estava cooperando com o trabalho do
repórter, que perdeu a oportunidade de fazer algo bem melhor. Era um moço que usava o transporte público para ir trabalhar e nas folgas para se divertir.
Quando mudei para São Paulo, vendi o
carro porque não conhecia a cidade e me perder por aqui não estava nos meus
planos. Em Santos ninguém se perde: você sempre tem pontos de orientação – os
morros, os canais, o porto, a praia... Em São Paulo? Até hoje para mim é um
quebra-cabeça. Quando achei que já conhecia o suficiente, voltei a dirigir, mas
saía de casa sempre com o roteiro. (Ainda tenho um “Guia Quatro Rodas"). Claro
que às vezes não funcionava e, numa época em que celular era coisa de ficção
científica, o jeito era pedir ajuda. Ao me aposentar, comecei a deixar o carro
na garagem por comodismo, pois havia ônibus praticamente na porta de casa e
assim me desfiz dele sem nenhuma hesitação. E nenhum arrependimento. Ao lado
do prédio há um ponto de táxis e todos os motoristas são velhos conhecidos.
Nos dias atuais sou usuária de
ônibus, metrô e trem; raramente tomo táxis (não uso Uber). Ao longo desses
anos, posso ter concluído algumas coisas sobre locomoção por São Paulo de
transporte público: os ônibus são veículos sociáveis; o metrô, mais impessoal. Táxis?
Posso escrever um livro sobre as brigas que arranjei com taxistas em geral. Meu amigo Pedro costumava dizer que os taxistas, quando me viam, tinham código para avisar os colegas para me evitar😊.
Não
adoro andar de ônibus e meu transporte predileto é o metrô pela pontualidade,
segurança e impessoalidade; porém, os ônibus são muito mais interessantes, além
de propiciar a comunicabilidade entre os passageiros e entre a tripulação; e,
principalmente, oferecem a visão das ruas, que frequentemente viram o mote da
viagem. O passageiro entra e cumprimenta o motorista (nem todos, mas alguns até
vão de copiloto), passa pelo corredor até o cobrador (uma função que só tem no
Brasil) e, se não tiver cartão, o troco pode ser o início de uma conversa.
No
metrô, o bilhete é adquirido em uma cabine blindada; na plataforma de embarque
o passageiro mal vê o condutor e, ao abrir das portas, tudo é rápido – o entra
e sai, a busca de um banco, o celular em punho para continuar o joguinho, o
filme, as notícias, as mensagens... As conversas, quando há, acontecem se a
pessoa está acompanhada ou em grupos. E mesmo assim é um mar de histórias.



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