
Os telefones públicos, os populares orelhões, estão com os
dias contados, pois a Anatel vai retirá-los das ruas das cidades que dispõem de
telefonia digital. Depois de 54 anos de bons serviços prestados, eles desaparecerão,
embora há algum tempo ninguém saiba me informar onde se compram os cartões telefônicos.
Eu já perguntei em vários locais, mas só consegui rostos admirados com a
pergunta inusitada. Um dia fiquei toda animada ao ver na rua um homem batendo papo num telefone público, mas logo percebi que nem fio o aparelho tinha.
Quando o novo modelo de telefone público
surgiu em 1972, foi saudado com bom humor pelo público que, bem ao estilo
brasileiro, logo lhe deu o apelido que se ajustou perfeitamente ao novo
equipamento: orelhão. Certamente, ele deixará muitas histórias emocionantes na
lembrança da população.
O famoso protetor dos telefones públicos foi criado pela
arquiteta Chu Ming
Silveira (1941-1997). Chu Ming, na época chefe da seção de projetos
do Departamento de Engenharia da Companhia Telefônica Brasileira ‒ CTB,
realizou um trabalho perfeito: o novo equipamento urbano protegia o aparelho e
o usuário, tinha baixo custo de fabricação, instalação e manutenção, além de
boa acústica e estética atraente; era durável e, principalmente, fácil de usar.
Ela se inspirou no formato do ovo porque achava que era a forma de melhor acústica.
O orelhão foi um sucesso tão grande que logo foi adotado no Paraguai, Peru,
Colômbia, China, Angola e Moçambique.
Os
primeiros orelhões foram instalados no Rio de Janeiro no dia do padroeiro da
cidade: 20 de janeiro de 1972. Em seguida foi a vez de São Paulo que recebeu
170 aparelhos no dia do aniversário: 25 de janeiro. O nome que Chu Ming
Silveira dera ao equipamento era bem mais romântico: tulipa, o que (pelo
menos no Brasil) não vingou.
Após décadas de
relevantes serviços, com o advento da telefonia móvel e a sua popularização, os
telefones públicos foram se tornando menos utilizados e os orelhões tornaram-se
vítimas de vândalos e passaram a ser usados para colocar adesivos com números
de telefone de pessoas que ofereciam serviços especialmente de acompanhantes
para “programas”.
Chu Ming Silveira nasceu em Xangai, China. A família mudou para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, onde ela se formou arquiteta pelo Mackenzie em 1964.




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