terça-feira, 7 de março de 2017

SOB OS CÉUS DE POMPEIA (2)

É estranho estar no centro de um anfiteatro, sozinha, cercada por arquibancadas vazias. Céu azul. Ao longe o Monte Vesúvio. Belo e aparentemente tranquilo. O que se passa em suas entranhas? Só os geólogos podem nos dizer. Ele se manifestou pela última vez em 1944, sem grandes consequências.  
Ao deixar o anfiteatro o visitante logo reconhece mais uma herança que os romanos nos deixaram: as ruas bem calçadas com os passeios para pedestres mais altos. Há fontes em algumas esquinas. O coração da cidade é o Fórum – onde as pessoas se reuniam para eventos políticos e religiosos. Por ali encontram-se as ruínas dos templos de Vespasiano, Júpiter e de Apolo – onde se sobressai a bela estátua de um jovem em movimento; da casa de controle de pesos e medidas, os prédios de administração pública e a casa do Senado, onde o conselho da cidade se reunia. Nas proximidades encontra-se o Comitium, área usada para eleições. O Arco de Calígula permaneceu de pé. Na Basílica, onde eram realizados julgamentos, mercadores e homens de negócios se encontravam para discutir seus interesses.
Hora de atravessar a Via Degle Augustali em direção à Via Della Fortuna para conhecer Termopolium, lugar com estabelecimentos comerciais onde as pessoas podiam comprar comida quente feita na hora. Enfim, fast food não é nada moderno. Geralmente, era usado por pessoas sem recursos.
Que tal caminhar pelas vielas para conhecer residências e descobrir como as pessoas viviam naquela época? A Vila dos Mistérios mostra a elegância e o bom gosto da família Istacidi que foi a última proprietária. O nome deve-se à bela pintura mural que adorna o triclínio* cujo tema é a iniciação de uma jovem (ou noiva) ao culto de Baco (Dionísio). A vila, que chegou a ser propriedade do estado romano, tem sessenta cômodos. Merece uma visita sem pressa.
A Casa del Fauno também merece uma visita, com chão com mosaicos – um deles reproduz uma batalha entre Alexandre, o Grande, e Dario, rei persa.  No impluvium*, há uma pequena estátua grega do Fauno que deu origem ao nome da casa. Há ainda as Casas di Meleagro, Vettis entre outras. Na Casa do Poeta, o destaque é o lindo mosaico com um aviso para se ter “cuidado com o cão” (Cave canem).
Pompeia dispunha de um conjunto de três termas (Stabiane, Central e Fórum), que são uma demonstração da importância que os romanos davam ao banho. Ah! Que povo maravilhoso. Os estabelecimentos eram públicos e com espaços separados para homens e mulheres e constituíam importante espaço social.
O que talvez mais chame mais atenção do público são as cópias dos corpos encontrados nas escavações, revelando os últimos momentos de moradores da cidade. Como substâncias orgânicas não são preservadas por muito tempo, diluindo-se e deixando um espaço vazio. Durante os trabalhos arqueológicos, quando se notava um espaço vazio, eram feitos moldes de gesso obtendo-se a forma do que se encontrava ali. Desse modo foram feitos moldes de gesso dos corpos das vítimas da erupção, árvores, objetos de madeira, mobília etc. que podem ser vistos pelos visitantes.
(Estive em Pompeia em duas oportunidades e não consegui visitar o Museu por causa de obras. É sempre bom verificar o que está aberto para visita por causa de obras de restauro regulares.)

*Triclínio: uma sala de refeições com mesa e três cadeiras reclináveis para os convivas. Impluvium: tanque situado no vestíbulo para recolher água da chuva.

Anfiteatro e o Vesúvio ao fundo. Fotos: Hilda Araújo, 1993.
Ruas calçadas e à direita os passeios altos. (1997)