quarta-feira, 12 de abril de 2017

                           PÁSCOA E OVOS
Abril sem duas sextas-feiras seguidas, graças aos feriados cristão (14) e cívico (21). Se as pessoas estão realmente ligadas à simbologia religiosa da Páscoa não tenho ideia, mas certamente há uma correria geral para comprar ovos de páscoa. Quanto a Joaquim José da Silva Xavier quero crer que seja devidamente reverenciado nas escolas por sua participação em um importante momento histórico do Brasil, porém, sou cética. Creio que o interesse quase geral é pelo feriado e as suas possibilidades.
Os povos antigos do hemisfério norte comemoravam a chegada da primavera na primeira lua cheia da nova estação. Os judeus celebravam a partida do Egito rumo a Jerusalém (Pessach) também na primeira noite de lua cheia da primavera. Como Jesus teria morrido na sexta-feira da páscoa judaica, a igreja católica instituiu a semana santa no ano de 325 (Conselho de Niceia): quinta-feira de endoenças, sexta-feira da paixão (morte de Jesus); sábado de aleluia (ressurreição) e domingo a páscoa (celebração da vida). A páscoa é uma festa móvel, baseada no calendário lunar, assim como o carnaval cuja data depende da lua cheia da primavera (outono aqui no hemisfério sul).
Em muitas culturas o ovo é considerado símbolo do nascimento e da vida. Quando viram os portugueses comendo ovos os nativos brasileiros ficaram horrorizados, segundo historiadores; entretanto, apreciaram muito os galináceos em geral. A pintura de ovos de galinha é uma tradição praticada por gregos e egípcios e comum na Europa muito antes do advento do cristianismo.
Nos dias atuais, graças aos apelos publicitários, as pessoas querem mesmo ovos de chocolate bem recheados de guloseimas – alguns até incluem algum mimo não comestível. No ano passado a produção girou em torno de 80 milhões de ovos ou 20 mil toneladas de chocolate!
Muito antes de a publicidade mover o mundo, a paixão de um homem por uma mulher induziu a criação de um ovo muito especial. Resumo da ópera: Maria Feodorovna, mulher do czar Alexandre III da Rússia, era apaixonada desde criança por um ovo decorativo da tia, princesa Guilhermina da Dinamarca. Em 1885 Alexandre III para surpreendê-la encomendou um ovo ao joalheiro Peter Carl Fabergé. A parte externa era esmaltada de branco, o que lhe conferia a aparência de um ovo de verdade; porém quando o ovo era aberto revelava a gema de ouro; a gema, que também se abria, escondia uma minúscula galinha e uma réplica de diamante da coroa imperial russa.
Maria Feodorovna e a família Romanov se encantaram com o valioso e criativo presente de Páscoa. Fabergé foi incumbido de criar todos os anos um ovo, ou melhor, uma joia na forma de ovo. O filho do casal, Nicolau II, prosseguiu com a tradição. Foram criadas cinquenta peças, mas só restam 43 – dez permanecem no Kremlin; o primeiro e mais oito ovos podem ser vistos no Fabergé Museum (S. Petersburg, Rússia); The Rose Trellis Egg encontra-se no Walters Art Museum (Baltimore, USA), cinco são propriedade do Virginia Museum of Fine Arts e os demais fazem parte de coleções particulares.



 

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