domingo, 30 de março de 2025

O RELÓGIO DA PRAÇA ANTÔNIO PRADO

Uma surpresa muito boa nesta manhã de domingo, quando passando pela Praça Antônio Prado, vI o operário trabalhando no Relógio de Nichile, que admiro há tantos anos. Vê-lo maltratado pelo tempo e pelos vândalos me angustia. Na década de 1930, o publicitário Octavio de Nichile teve uma ideia inovadora para a época instalar relógios públicos dotados de uma caixa de vidro onde eram colocadas lâmpadas que iluminavam as peças publicitárias e as ruas. Inaugurado em abril de 1935, o relógio da Praça Antônio Prado foi o último dos oito produzidos pela fábrica Relógios Michelini e foi tombado como Patrimônio Nacional pela COMPRESP em 1992.

O jardim onde se encontra o relógio está reformado e tem até flores, mais difícil foi fotografar o relógio de frente por causa da grafitagem grosseira. Quando o funcionário desceu da escada, um pedestre o abordou para fazer perguntas e contar histórias.

E por falar em história, São Paulo teve quatro outros relógios, que foram destruídos: na Sé, na Praça Ramos de Azevedo, na Estação do Norte (atual Brás) e Arouche. A cidade de Santos teve um Relógio de Nichile instalado em frente ao Atlântico Hotel, no Gonzaga. Ele foi inaugurado em 9 de julho de 1936 e desmontado em 1940. O relógio tinha muitos problemas – de acordo o suíço Louis Krahenbuhl, responsável pela sua manutenção. Krahenbuhl, em entrevista a um jornal de Santos, citou o fato de que o mostrador não era coberto, de que a água da chuva empoçava na coluna e na caixa de vidro, impedindo o funcionamento do maquinário. O suíço afirmou que foram feitas várias tentativas de conserto, mas nenhuma deu resultado, optando-se pelo desmonte do relógio.

Outro relógio Nichile foi instalado em Guarujá, em 1935, mas não achei referências ao seu destino.


No fundo, o imponente Edifício Martinelli.

A CENTENÁRIA MÁRIO DE ANDRADE

Firmino de Morais Pinto (1861-1938), que é pouco conhecido do paulistano, foi prefeito da cidade entre 1920 e 1926 (dois mandatos). Em sua passagem pela prefeitura de São Paulo deixou obras marcantes como a Praça Patriarca José Bonifácio e a abertura da Avenida do Estado, mas é na área cultural que ele merece ser lembrado, pois apoiou a realização da Semana de Arte Moderna em 1922, cedendo o Teatro Municipal para a realização do evento, e em 25 de fevereiro de 1925 criou a Biblioteca Pública de São Paulo, que em 1960 ganhou o nome de Biblioteca Mário de Andrade em homenagem ao poeta e escritor paulistano. A inauguração, entretanto, só ocorreu em janeiro de 1926 e seu primeiro endereço foi em um casarão da Rua Sete de Abril com um acervo de quinze mil volumes. A Biblioteca se desenvolveu e precisou de mais espaço e em 1942 foi inaugurado o prédio art déco na Rua da Consolação, projeto do arquiteto francês Jacques Pilon (1905-1962), que viveu em São Paulo.

A Biblioteca Mário de Andrade (BMA), que completou 100 anos no mês passado, é a maior biblioteca pública da cidade, superada apenas pela Fundação Biblioteca Nacional (RJ). Ela tem cerca de três milhões de títulos, que abrangem todas as áreas do conhecimento, divididas por várias seções: Coleção Geral, Coleção São Paulo, Circulante, Artes, Mapoteca, Obras Raras e Especiais (produzidas entre os séculos XV e XIX), Hemeroteca e Infantil.

Às terças e quintas-feiras das 10 às 14 horas há visitas monitoradas, que devem ser agendadas com dez dias de antecedência. A visita dura cerca de uma hora e meia e atende a grupos de dez pessoas no mínimo.  

Biblioteca Mário de Andrade

Prédio principal – Avenida São Luís, nº 235

Horários: Segunda a sexta, das 9h15 às 19h45. Telefone: (11) 3150-9414/9455

Circulante: Avenida São Luís, 235. Horário: de segunda a sexta, das 8h30 às 20h30 e sábado, das 10 às 17 horas. Fecha aos domingos e feriados. Sempre é bom confirmar os horários.

 

O catálogo pode ser acessado pelo site:

https://capital.sp.gov.br/web/cultura/bma


"A Leitura" (1943), escultura de Caetano Fraccaroli, no saguão da BMA. 




quarta-feira, 26 de março de 2025

NOVA LIVRARIA DE RUA

 

Não há nada melhor do que encontrar uma nova livraria de rua. Foi por acaso que passei pela Rua Prates, no Bom Retiro. Primeiro foi a surpresa: uma livraria aqui? E imediatamente vi o livro em exposição numa das prateleiras, me interessei e entrei. O acolhimento foi muito agradável e como leitora sempre gosto quando encontro um livreiro de verdade, que conhece o conteúdo dos livros que vende.

Não há nada melhor do que encontrar uma nova livraria de rua. Foi por acaso que passei pela Rua Prates, no Bom Retiro. Primeiro foi a surpresa: uma livraria aqui? E imediatamente vi o livro em exposição numa das prateleiras, me interessei e entrei. O acolhimento foi muito agradável e como leitora sempre gosto quando encontro um livreiro de verdade, que conhece o conteúdo dos livros que vende.

Logo fico sabendo que a livraria trabalha com livros novos e usados, tem DVDs e Blue Ray (filmes e séries) e HQs. Como o livro que vi era sobre jazz, lembrei-me de outro que estou procurando, mas para variar não sabia sequer o nome do autor, fato que incentivou a conversa porque acabamos falando dos grandes nomes da era do jazz. Ele se chama Robson Correa Jinkings (é o proprietário) e me mostra em seguida uma caixa com CDs preciosos. E lá vai conversa.

Qual o nome da livraria? Outra surpresa, um título simples e sofisticado: “Legere Livraria”. Legere significa ler em Latim. E tudo começou em 2008, segundo ele, por uma série de fatores – a crise econômica mundial, o desemprego no Brasil e a necessidade de manter a família – que o levou a vender pela Internet os seus livros. Aconselho a ler a história contada com criatividade e humor pelo próprio Robson no site. Em 2024 foi inaugurada a loja física na Rua Prates, 235 –bem em frente ao Parque Jardim da Luz. E como ele diz no site “... a Legere Livraria persiste com amor, surpresas, muitas novidades, problemas, soluções e respeito ao cliente”. A loja é muito agradável. Com certeza farei outras visitas. Como já disse Castro Alves, “bendito o que semeia livros (...) e faz o povo pensar”.  Sucesso!

www.legerelivraria.com.br 









 

segunda-feira, 24 de março de 2025

O DORMINHOCO

 

Sou usuária de transporte público por opção. Ônibus, metrô e trem fazem parte do meu cotidiano. Há quem torça o nariz e prefira o conforto do automóvel, mas há tanta gente e coisas para observar dentro e fora do veículo que o trajeto parece mais rápido.

Hoje, por exemplo, subi no ônibus quase vazio e me sentei no banquinho de costas para o motorista, mas foi a postura do cobrador que me chamou atenção. Ele estava tombado sobre a lateral do banco e eu só via os cabelos pretos e ondulados. Achei que ele estava procurando alguma coisa na gaveta e me distraí quando entrou um rapaz, que conheço de vista porque bate longos papos com um cobrador velhinho até descer um pouco antes de mim; porém, hoje não teve conversa porque era outro cobrador que, para minha surpresa, continuava na mesma posição, mas logo percebi que ele cochilava. E se eu tinha alguma dúvida, logo desapareceu porque ele começou a roncar sonoramente e os poucos passageiros do horário se voltaram para o dorminhoco. Eu já vi muitos cobradores cochilarem (passageiros dormindo nem se fala) porque deve ser cansativo e entediante andar o dia todo de ônibus – atualmente a maioria dos passageiros usa cartão; hoje, entretanto, o moço dormia a sono solto! Passaram várias pessoas pela catraca sem que ele acordasse. O volume dos roncos aumentou. Um senhor passou o cartão, virou a catraca e comentou divertido que a noitada devia ter sido muito boa. Minha viagem dura em torno de 20 minutos e, quando desci, o moço continuava roncando como se estivesse em casa...

A profissão de cobrador está desaparecendo, aliás, em minhas viagens pelo exterior nunca vi cobrador de ônibus, mas a fiscalização é atuante e o passageiro infrator paga multa. (Em geral compra-se o bilhete e é essencial validá-lo no veículo nas máquinas disponíveis.) Em São Paulo os coletivos da periferia não têm cobrador e o pagamento é feito para o motorista ou com o cartão. Se há cobradores que não olham para os passageiros nem respondem ao cumprimento, outros se informam sobre o itinerário, as ruas do trajeto e os pontos mais adequados para ajudar passageiros em caso de dúvida, o que sempre torna a viagem melhor para todos.

domingo, 23 de março de 2025

DIA DA METEOROLOGIA

 


Na casa da minha infância havia uma chave dourada pendurada na parede da copa que me fascinava. Na parte oposta aos dentes tinha uma paisagem colorida protegida por um vidro. Um objeto de gosto duvidoso, mas útil nos anos de 1940, pois tratava-se de um termômetro que ficava no corpo da chave. Quando me explicaram para que servia e como funcionava, fiquei encantada e costumava “enganar” o termômetro colocando o dedo na capsula para ver o mercúrio subir. Não demorou muito essa fase, pois logo percebi que era melhor abrir a janela para saber se fazia frio lá fora.

Lembrei dessas artes infantis, ao ser avisada por alguma IA de que hoje é o Dia Mundial da Meteorologia, estabelecido em 1951 para comemorar a criação da Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 23 de março de 1950. A Organização, que completa hoje 75 anos, é a voz oficial da ONU sobre tempo, clima e água.

Desde aquela época os avanços científicos nos permitem receber em casa ou nos aparelhos celulares alertas antecipados sobre fenômenos meteorológicos, como tempestades e a possibilidade de enchentes, com a recomendação de buscar um lugar seguro.

A meta da OMM é que até o final de 2027 os alertas rápidos sejam usados em todos os países para que as populações se protejam contra os fenômenos meteorológicos, hidrológicos e climáticos perigosos, salvando vidas.

Ilustração: site da OMM.

sábado, 22 de março de 2025

LOUIS ARMSTRONG E DANNY KAYE

Que encontro! Que vídeo maravilhoso de dois artistas extraordinários! Louis Daniel Armstrong (1901-1971) e David Daniel Kaminsky, mais conhecido como Danny Kaye (1911-1987). Tanto Louis Armstrong quanto Danny Kaye foram artistas completos – Armstrong, músico, cantor extraordinário e band leader, assim como Kaye, ator, cantor, músico e bailarino. Um encontro emocionante. Observação: a música (spiritual) tradicional permite o improviso, mantendo os refrões.

(Errei ao colocar este texto com o vídeo de outra publicação.)

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https://www.youtube.com/watch?v=TN_1RNyfuA0

terça-feira, 18 de março de 2025

VENDEDORES E VENDEDORES


Não sou nada agradável pela manhã, que sempre começa com o café. Acho que as coisas ficam melhores ainda se o precioso líquido for tomado numa xícara bonita. Outro dia saí procurando uma xícara bem colorida para variar. Fui a várias lojas onde só achei xícaras brancas ou canecas, que eu abomino. Desisti, mas ao passar pelo terminal Santa Cruz lembrei que lá havia três lojas grandes que tinham xícaras. Depois de visitar duas sem sucesso, entrei na última que parecia um deserto. Bastou uma espiada para ver que as canecas eram dominantes. Foi quando apareceu um vendedor querendo ajudar. Expliquei que queria uma xícara bem bonita, colorida, com flores ou bichos ou só cores, mas não tinha achado nenhuma. Ele foi a uma prateleira que eu já vira e me mostrou uma xícara branca. Repeti as características do que produto. Aí ele me apontou uma cinza. Recusa (já meio irritada). Aí, um modelo zebra – listrada de preto e branco. Nova recusa. Foi quando ele me perguntou se eu queria uma xícara completa. Completa? Como assim? E pensei se a incompleta vinha sem asa ou sem o fundo... E candidamente ele explica que a completa vem com pires... Ora, sem pires é caneca. Agradeci e fui embora. Levei semanas até a


char o que eu queria.

segunda-feira, 17 de março de 2025

DOMINGO NO PARQUE

 





Embora não goste de sair nos finais de semana, ontem fui com a amiga Elides conhecer à Feira Cultural Leste Europeia de São Paulo, na Vila Zelina que acontece uma vez por mês numa das entradas do Parque Lydia Natalizio Diogo. Um dia agradável de final de verão. Metrô até a Vila Prudente e transbordo para a Linha Prata, aquela do monotrilho. Descemos na primeira parada – estação Oratório, pedimos informações para os funcionários que nos deram a direção a seguir e lá fomos nós explorar a Zona Leste. 

Uma caminhada curta, mas surgem dúvidas; pergunta-se aqui e ali – todos sabem da feira – e chegamos lá. Tudo bem organizado. Todos muito simpáticos e um ótimo atendimento. Para facilitar há barracas com o nome dos quitutes e informações básicas sobre as guloseimas. Difícil escolher. Comida búlgara, sérvia, russa... Tudo parece muito gostoso. Reconheci apenas a bureka, que experimentei há alguns anos na casa Búlgara, no Bom Retiro. Há ainda Verenikes – panquecas recheadas (russo); kugelis l

São várias as opções, como a "bureka" búlgara (rosquinhas folhadas e recheadas), os "varenikes" russos (pequenas panquecas recheadas) e o "kugelis" lituano (feito com massa de batata) e muitos outros pratos tradicionais. Quanto às bebidas, pode-se experimentar o "krupnikas", licor de mel típico da Lituânia, e o "kvass", bebida fermentada. E muito mais.

O artesanato é bonito e variado. Os destaques são as matrioskas, as bonequinhas russas de madeira que você abre e tem outras menorzinhas no interior.

A feira estava bem movimentada e quem não conseguia lugar nas barraquinhas para apreciar a comida e a bebida, a opção é entrar no parque e saborear os quitutes num dos bancos espalhados pela área. Sempre há possibilidade de se ver um quero-quero ou um pica-pau-do-campo. O Parque Professora Lydia Natalizio Diogo, que completará 29 anos em julho, dispõe de viveiro, equipamento para atividades físicas – de pista de corrida e ginástica; e um jardim japonês com lago com carpas e espaço para cães. Tudo muito bem cuidado.

No próximo mês tem mais. O ideal é ir de metrô para conhecer a Linha Prata. A rota: Linha Verde sentido Vila Prudente e embarque no monotrilho – Linha Prata para a estação Oratório (a primeira parada) e caminhar até a Rua Aracati Mirim. A feira fica em frente ao parque.