Nessa selva de concreto, um quebra-cabeça: que tal encontrar os prédios da Secretaria da Fazenda do Estado, a antiga sede do Jornal O Estado de S. Paulo, o Edifício Matarazzo (Prefeitura), Catedral da Sé, o prédio da Justiça Federal, Edifício Viadutos, mural da Tomie Ohtake (um pedacinho) e Palácio Anchieta (Câmara). Foto: 2020.
Hilda Prado Araújo
Temas culturais.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
PARQUE "SAMPAIO MOREIRA"
No penúltimo dia de 2025, quarta-feira passada, fui
ao Parque Municipal do Tatuapé “Sampaio Moreira”, situado na quadra entre as
Ruas Monte Serrat, Apucarana, Tijuco Preto e Mello Freire. Pequeno, mas muito
bem aproveitado e cuidado. Além de uma agradável área verde e quadras esportivas,
aparelhos para atividades físicas, no parque funcionam uma unidade do Centro
Municipal de Educação Infantil (CEMEI – que atende crianças até cinco anos e onze
meses; o Centro de Educação Unificado “Maria Carolina de Jesus”, que oferece
atividades para todas as idades; e um posto do Centro de Integração de Educação
e Saúde, entidade sem fins lucrativos de atendimento médico especializado –
consultas, exames e cirurgias – para populações vulneráveis e usuários do SUS.
A Prefeitura
pouco informa sobre a área, que fica a uma quadra da estação Carrão do metrô. O
nome do parque é uma homenagem ao empresário José de Sampaio Moreira (1866-1943),
que construiu o primeiro arranha-céu de São Paulo (treze pavimentos, mais porão
e terraço) na Rua Líbero Badaró, 346 (Centro Histórico), na década de 1920. O
arquiteto foi Christiano Stoclker.
No Parque funciona também o Grupo MADA – Mulheres que Amam Demais Anônimas, que ajuda mulheres que desejam evitar relacionamentos destrutivos. A entidade desenvolve um programa de doze passos e doze tradições de Alcóolicos Anônimos .
https://grupomadabrasil.com.br/
Parque Sampaio Moreira: Rua Monte Serrat, 230. Estação Carrão do Metrô, linha 3 Vermelha.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
2025 CHEGANDO AO FIM
Depois
de uma terça-feira tórrida, muitas pessoas aproveitaram a noite agradável com
brisa refrescante e de Lua crescente para um passeio pelo Centro Histórico. Do
Vale do Anhangabaú, com iluminação festiva, os cartões postais da cidade se
destacam e o cenário é muito bonito entre os dois viadutos – do Chá e de Santa
Ifigênia. De um lado o edifício Matarazzo, sede da Prefeitura, ao fundo o
Palácio Anchieta faiscante, sede da Câmara Municipal; bonito mesmo é o antigo
prédio do Banespa, atual Farol Santander, todo iluminado; mais simples, também
enfeitado, o imponente Martinelli. O prédio centenário dos Correios serve de
tela para o vídeo festivo de final de ano e muitos param para assistir. Os
skatistas no outro extremo do Vale se exibem para uma plateia atenta.
O público é heterogêneo. Casais de todas as idades. Famílias com crianças brincando. Um pai diz ao garoto (deve ter uns seis anos) que pedala a bicicletinha que as pessoas aproveitam as férias. E o menino quer saber o que é férias. O pai se atrapalha, mas consegue explicar. Um grupo de patinadoras conversa (parecem jogadoras de roller derby), enquanto descansam; uma garotinha dá cambalhotas para o pai que a incentiva; há ainda os adultos que passeiam de bicicleta. O prédio centenário dos Correios serve de tela para o vídeo festivo de final de ano e muitos param para assistir. Os skatistas no outro extremo do Vale se exibem para uma plateia atenta.
Na esquina mais famosa de São Paulo, Bar da Brahma lotado. E na calçada da Avenida Ipiranga, uma homenagem a Adoniran Barbosa – o trem iluminado, bem ao lado do banquinho de onde “Paulo Vanzolini observa” o movimento. Vanzolini raramente fica só. Há sempre alguém ao seu lado e esta foi a vez de um senhor que pegou no sono... Qual o problema? O trem das onze estava ali mesmo.
Na verdade, comecei a caminhada pela Praça da República, também bem movimentada. Cortei caminho pela Rua Vinte e Quatro de Maio, onde as lojas começavam a fechar e cheguei à Praça Ramos onde, enfim, consegui ver a projeção do vídeo de Natal no prédio do Teatro Municipal. Foi ali onde desci as escadarias para o Vale...Ah! já contei essa história...
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
VINHO SEDUTOR
“Daqui vejo as janelas dos vizinhos da frente.
Estão escancaradas. Faz muito calor, é verão. Estou com meu binóculo de
observar pássaros... Olha só!, vejo uma silhueta conhecida. Será? O perfil é
dele, como se estivesse numa de suas enigmáticas pontas. Mas o que estará
fazendo por aqui em Nova York, neste bloco de apartamentos tão absolutamente
comum? Focalizo agora a janela de cima. Lá está um homem numa cadeira de rodas,
com a perna quebrada. Também tem um binóculo e uma câmera. E pode muito bem
estar olhando a minha vizinha de baixo, a voluptuosa Miss Torso. Sei que ela
faz sensuais exercícios diários. Certamente não miraria para a janela do
monótono e inexpressivo casal Thorwald... Agora o homem recebe visita. Uma mulher
loira, elegante, saída de alguma revista de moda. Deste mundo é que não é... Que
linda, até parece a Grace Kelly! Sua namorada? Vão jantar... Parece que sim, um
garçom paramentado acaba de entrar com pacotes. Ela tenta abrir a garrafa de
vinho... Focalizo bem, quero ver o rótulo... Sim, como suspeitava, um Montrachet!
Não há dúvidas: é amor. E o cardápio, de sedução.”
(“O Montrachet de Grace Kelly – Arma de
sedução e de Hitchcock”, in VINHOS NO MAR AZUL, de José Guilherme R. Ferreira,
Editora Terceiro Nome.)
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
PARIS ME ENCANTA
OLEGÁRIO MARIANO (1889-19958)
PARIS
“Paris me
encanta, esse rumor constante
De sirenes,
de carros e de gente,
Enche meus
olhos turvos de viajante
De uma
grande volúpia surpreendente.
Passa a
turba, em farândola envolvente,
Num doido
bruaá febricitante...
Paris!
Dás-me aos sentidos, de repente,
Um gozo
forte, acídulo, excitante.
E tudo freme!...
Em meio à populaça
Há conflitos
de amores em tumulto...
‘Mimi
Pinson’... Musette... E a turba passa...
E no
velho Montmartre, em noite feia,
Em cada
esquina obscura e em cada vulto
A sombra
de Verlaine cambaleia...”
domingo, 28 de dezembro de 2025
"VIDA"
“Percebo
que, à medida que envelheço, vou-me desprendendo, cada vez mais, das coisas do
mundo, não levado pela ideia da morte, mas pelo sentimento da vida. As ambições,
as recompensas, as injustiças vão-me parecendo, cada vez mais, elementos ligados
ao que a vida tem de progressivamente circunstancial. Mas o viver é, na minha
idade, desligar-se das circunstâncias e explorar o que a vida tem de próprio,
de independente de tudo o que se chama ‘vencer na vida’. Agora compreendo bem isto, e nada do que é
inerente ao êxito me atrai mais. A vida me impele às afeições, à leitura, à
meditação do que leio, à contemplação, às viagens, a conversas com alguns
poucos, ao bom vinho, às coisas simples pelas quais os homens devem viver e
morrer.”
AFONSO ARINO DE MELO FRANCO
In: "Alto-Mar Maralto". Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1976.
sábado, 27 de dezembro de 2025
HILDA ROSE
Com a
cidade praticamente vazia, resolvi fazer uma excursão ao Morumbi que, graças ao
metrô, não é tão longe. E lá fui eu de bermudas, sandálias e chapéu para
enfrentar o calor. Na estação, me dirigi à cabine para pedir informações sobre
algum ônibus que passasse na altura do cinco mil e tanto da avenida Morumbi. Quando
me viu o funcionário todo sorridente me disse que eu parecia a Rose. Rose? Sim,
do Titanic. Retribui o sorriso e disse que não havia assistido ao filme mesmo
porque no fim o navio afunda. “Mas a Rose não morre!” E logo perguntou como
poderia me ajudar. Quis saber meu nome e pediu à colega no computador para achar
o ônibus que servisse para Hilda Rose. Enquanto a moça pesquisava, ele contou
uma parte do filme. A essa altura eu já sabia que ele se chama Damião. Outro funcionário
chegou do almoço e Damião rapidamente me apresentou como Hilda Rose ao “Brad
Pitt” – o rapaz realmente é muito bonito. E bem-humorado porque, sem saber do
que se passava, tratou de informar que era o “Brad Pitt depois da guerra”. A
moça achara o ônibus para mim: Água Espraiada. Agradeci muito à gentileza do
grupo, desejei feliz ano novo e fui para o calor infernal da avenida Francisco
Morato. Pensei com meus botões: o que não faz um chapeuzinho. Eles tornaram minha tarde muito agradável.







.jpg)






