Uma
surpresa muito boa nesta manhã de domingo, quando passando pela Praça Antônio
Prado, vI o operário trabalhando no Relógio de Nichile, que admiro há tantos
anos. Vê-lo maltratado pelo tempo e pelos vândalos me angustia. Na década de 1930,
o publicitário Octavio de Nichile teve uma ideia inovadora para a época instalar
relógios públicos dotados de uma caixa de vidro onde eram colocadas lâmpadas que
iluminavam as peças publicitárias e as ruas. Inaugurado em abril de 1935, o
relógio da Praça Antônio Prado foi o último dos oito produzidos pela fábrica
Relógios Michelini e foi tombado como Patrimônio Nacional pela COMPRESP em 1992.
O
jardim onde se encontra o relógio está reformado e tem até flores, mais difícil
foi fotografar o relógio de frente por causa da grafitagem grosseira. Quando o
funcionário desceu da escada, um pedestre o abordou para fazer perguntas e contar
histórias.
E por falar em história, São Paulo teve quatro outros relógios, que foram destruídos: na Sé, na Praça Ramos de Azevedo, na Estação do Norte (atual Brás) e Arouche. A cidade de Santos teve um Relógio de Nichile instalado em frente ao Atlântico Hotel, no Gonzaga. Ele foi inaugurado em 9 de julho de 1936 e desmontado em 1940. O relógio tinha muitos problemas – de acordo o suíço Louis Krahenbuhl, responsável pela sua manutenção. Krahenbuhl, em entrevista a um jornal de Santos, citou o fato de que o mostrador não era coberto, de que a água da chuva empoçava na coluna e na caixa de vidro, impedindo o funcionamento do maquinário. O suíço afirmou que foram feitas várias tentativas de conserto, mas nenhuma deu resultado, optando-se pelo desmonte do relógio.
Outro relógio Nichile foi instalado em Guarujá, em 1935, mas não achei referências ao seu destino.
No fundo, o imponente Edifício Martinelli.