quarta-feira, 5 de outubro de 2016


COMO ESCOLHER AMANTES

O livro caiu na minha mão por acaso. Nos dias de hoje o título da obra é banal, mas o autor me surpreendeu: o velho e bom Benjamin Franklin (1706-1790), calvinista e um dos signatários da Constituição norte-americana. Na verdade, Benjamin Franklin foi uma figura polêmica no seu tempo e muito depois de ter ido desta para melhor (ou pior). Tinha uma inteligência acima do comum. Sem ter concluído os estudos básicos foi impressor, jornalista, escritor, político, diplomata, abolicionista, cientista e enxadrista. E, naturalmente, inventor! Ele inventou entre outras coisas o para-raios e as lentes bifocais.
Franklin foi extremamente popular – houve algumas ocasiões em que perdeu um pouco do prestígio, mas logo o recuperou. As críticas de detratores e de apologistas mantêm o mito. O economista e sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) classifica de “filosofia da avareza” as ideias que o americano defendeu e expressava em ditos populares como “tempo é dinheiro” e “... dinheiro pode gerar dinheiro e sua prole pode gerar mais”. O professor R. Jackson Wilson (Smith College), que prefacia a obra, relaciona também Mark Twain entre os detratores do velho Franklin, acusando-o de ter “prostituído seus talentos para inventar máximas e aforismos para infligir sofrimento... sobre meninos que, de outra forma, poderiam ter sido felizes”.  
Enfim, como não poderia deixar de ser, a obra de Benjamin Franklin retrata uma época. A surpresa é que Franklin aconselha o amigo a “preferir mulheres velhas às jovens”. E isso no tempo em que a única solução para a mulher tentar manter a juventude era a varinha de condão da fada madrinha. Ele relaciona oito razões para sua teoria. Eis um resumo das principais: elas têm mais experiência e informação, portanto, a conversação é mais edificante, duradoura e agradável; porque quando deixam de ser formosas, procuram ser boas e é difícil existir uma mulher velha que não seja também uma boa mulher (hum!); porque são mais prudentes e discretas ao promover um caso amoroso de modo a evitar suspeitas (hoje elas fazem questão de se expor) e, finalmente, porque no escuro todos os gatos são pardos (Ih!).


Benjamin Franklin.