quinta-feira, 9 de março de 2017

O PRAZER DO BANHO

Bath: terma instalada no ano 75 pelo imperador Vespasiano.
            Ninguém melhor do que os romanos soube apreciar as delícias de um banho. Egípcios, hindus e gregos tinham o hábito de se banhar. Heródoto conta que os egípcios vestiam roupas limpas e praticavam a circuncisão por higiene, “preferindo a limpeza à aparência mais atraente”; os sacerdotes depilavam o corpo todo para prevenir piolhos. Os gregos limpavam-se por uma questão de conforto e boa aparência. Hipócrates (460 a. C. – 370 a. C.), que é considerado pai da medicina, sempre recomendava banhos. 
Os historiadores acreditam que o banho romano típico surgiu no século II a. C., na Campânia. Cem anos depois já fazia parte do cotidiano das pessoas e à medida que o império se expandia iam introduzindo o costume entre os povos conquistados. Um ótimo exemplo é a cidade de Bath, na Inglaterra. Stabia, em Pompeia, é a casa de banho mais antiga de que se tem notícia: 140 a. C. Um romano despendia cerca de duas horas em sua higiene.
A casa de banho, geralmente, consistia de um vestiário onde o banhista deixava as roupas que eram guardadas pelo escravo pessoal ou por um funcionário da casa. Em seguida, com o corpo nu untado de óleo, saia para um pátio amplo, ajardinado, onde fazia exercícios, jogava bola, lutava ou corria. Suado, ele se dirigia para o caldarium para o banho quente para transpirar e depois um criado ou companheiro de banho raspava o suor, o óleo e a sujeira com uma espátula. O banhista passava para o tepidarium onde havia a piscina de água tépida; em seguida dirigia-se para o frigidarium para o banho frio, e finalizava a higiene com nova raspagem do corpo que era então untado com óleo e perfume (caso dos mais abonados). Havia também um sudatorium – espécie de sauna. Os banhos eram gratuitos ou muito baratos.
No princípio, homens e mulheres banhavam-se no mesmo espaço e só mais tarde criou-se uma área feminina. O horário de mais movimento era à tarde, pois os romanos adotaram o hábito grego de se banhar após o trabalho, que começava às 6 horas estendendo-se até o meio da tarde.
 Os banhos eram um local importante de socialização e muitas casas eram decoradas com obras de arte – esculturas e pinturas. Uma curiosidade – observada também em Pompeia – é a instalação de bordeis nas proximidades das casas de banho. Historiadores dizem que as prostitutas deviam circular pelas termas divulgando suas atividades.

A paixão dos romanos pelo banho pode ser observada em Roma (Termas de Caracalla, Diocleciano, Trajano e Nero); na Inglaterra (Bath), na França (Cluny), Portugal (Braga) entre outros. 
Termas de Caracala, Roma, 2011.

Bath: detalhes, 2015.

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