As chaminés
industriais também têm histórias para contar. A maioria desapareceu, outras
estão abandonadas e algumas encontram-se bem preservadas, inseridas em espaços
nobres. Construídas em alvenaria de tijolos, cujo tom brique se destaca na
paisagem urbana, essas centenárias chaminés são marcos da industrialização de
São Paulo. Altas e robustas, elas eram construídas de dentro para fora, com
auxílio de barrotes de apoio para o assentamento de tijolos e argamassa, pois andaimes
ainda não eram usados. Como as chaminés precisavam (precisam) de manutenção, uma
abertura na base suficiente para a passagem de uma pessoa e no interior havia
uma escada com varões de ferro com degraus de quarenta centímetros de altura.
Nas minhas caminhadas pela cidade, encontrei várias, inclusive as chaminés dos antigos incineradores de lixo. Elas têm altura que varia entre 30 e 50 metros por dois motivos: precisavam ser altas para evitar que a fumaça expelida não afetasse a vizinhança e para que a eficiência fosse garantida; contudo, a altura não era aleatória, tinha que ser adequada ao volume do fumo produzido. Com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em 1972, as chaminés foram desativadas aos poucos porque houve a conscientização da sociedade em geral sobre questões ambientais, além da modernização dos sistemas produtivos.
Uma chaminé, entretanto, tem uma história especial. A Chaminé da Luz, que pertenceu à antiga Usina Elétrica da Luz, teve um papel importante no processo de eletrificação da cidade de São Paulo. Ela ficou pronta em 1896 e em 1924 foi alvo de bombardeios pelo governo federal durante a rebelião tenentista que ocorreu entre 5 e 28 de julho, matando cerca de mil pessoas, enquanto cerca de quatro mil ficaram feridas. O objetivo da revolta foi a deposição do presidente Artur Bernardes (1875-1955), fato que o levou a decretar estado de sítio até quase o final do governo. Há alguns anos o Ministério Público condenou o governo do Estado a restaurar a chaminé, que ainda mantém resquícios da revolta em suas paredes. (Rua João Teodoro, 155 - Bom Retiro).
Numa viela, uma chaminé ao lado do conjunto de galpões da antiga Serraria Americana, que funcionou na Rua Tagipuru, 709, na Barra Funda.

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