sábado, 18 de julho de 2026

CHAMINÉS: MARCOS DE UMA ÉPOCA

As chaminés industriais também têm histórias para contar. A maioria desapareceu, outras estão abandonadas e algumas encontram-se bem preservadas, inseridas em espaços nobres. Construídas em alvenaria de tijolos, cujo tom brique se destaca na paisagem urbana, essas centenárias chaminés são marcos da industrialização de São Paulo. Altas e robustas, elas eram construídas de dentro para fora, com auxílio de barrotes de apoio para o assentamento de tijolos e argamassa, pois andaimes ainda não eram usados. Como as chaminés precisavam (precisam) de manutenção, uma abertura na base suficiente para a passagem de uma pessoa e no interior havia uma escada com varões de ferro com degraus de quarenta centímetros de altura.

Nas minhas caminhadas pela cidade, encontrei várias, inclusive as chaminés dos antigos incineradores de lixo. Elas têm altura que varia entre 30 e 50 metros por dois motivos: precisavam ser altas para evitar que a fumaça expelida não afetasse a vizinhança e para que a eficiência fosse garantida; contudo, a altura não era aleatória, tinha que ser adequada ao volume do fumo produzido. Com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em 1972, as chaminés foram desativadas aos poucos porque houve a conscientização da sociedade em geral sobre questões ambientais, além da modernização dos sistemas produtivos. 

Uma chaminé, entretanto, tem uma história especial. A Chaminé da Luz, que pertenceu à antiga Usina Elétrica da Luz, teve um papel importante no processo de eletrificação da cidade de São Paulo. Ela ficou pronta em 1896 e em 1924 foi alvo de bombardeios pelo governo federal durante a rebelião tenentista que ocorreu entre 5 e 28 de julho, matando cerca de mil pessoas, enquanto cerca de quatro mil ficaram feridas. O objetivo da revolta foi a deposição do presidente Artur Bernardes (1875-1955), fato que o levou a decretar estado de sítio até quase o final do governo. Há alguns anos o Ministério Público condenou o governo do Estado a restaurar a chaminé, que ainda mantém resquícios da revolta em suas paredes. (Rua João Teodoro, 155 - Bom Retiro).

Companhia Antarctica Paulista: Avenida Presidente Wilson, Mooca.


Chaminé da Companhia Refinação União integrada ao jardim do condomínio.
Rua Borges Figueiredo.

A Chaminé da Luz, no Bom Retiro.


A chaminé situada no Parque D. Pedro II, que aparece em muitas fotos que fiz pelo Centro, também pertenceu à antiga Usina Elétrica da Luz, de acordo com a IA (não confio muito nela). 

A chaminé vista do Palácio das Indústrias.


Vista da Rua Vinte e Cinco de Março.


E de outro ponto do Parque.


 Numa viela, uma chaminé ao lado do conjunto de galpões da antiga Serraria Americana, que funcionou na Rua Tagipuru, 709, na Barra Funda.


 

 Há ainda as três chaminés da Casa das Caldeiras, década de 1920, na Água Branca. Tombamento do conjunto pelo CONDEPHAAT: 1986.

Há duas chaminés dos antigos incineradores de lixo: Vergueiro (Rua Breno Ferraz do Amaral, 390 próximo à estação Santos-Imigrantes) e Pinheiros (Rua do Sumidouro., Parque Victor Civita). 

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