quinta-feira, 9 de julho de 2026

VIVA A MOOCA!



Nesses tempos de muita pressa, difícil reconhecer o Lirismo ou se perder em Alta Floresta, porém aqui se trata de duas ruas da Mooca, tradicional bairro paulistano, sede da Subprefeitura da Mooca. A caminhada pela Mooca foi muito agradável, entretanto, pouca coisa sobrou da história do bairro. É lamentável ver o abandono de espaços que poderiam ter sido preservados para uso comum ou empreendimentos comerciais. Mais triste ainda ver a demolição da antiga fábrica de sapatos da Clark. Mais um prédio muito bonito que desapareceu...

O nome do bairro é quatrocentão. Remonta aos tempos em que os silvícolas viviam no planalto e, diz a lenda, observando os homens brancos preenchendo com barro amassado o arcabouço de varas amarradas para fazer paredes, diziam “moo-Ka” (moo-oca) – o que significa, segundo alguns, “eles estão fazendo casas”; porém, de acordo com outros, a expressão seria mũoka, que significa "casa de parente.

A ocupação da área foi lenta até que no final do século XIX a cidade se expandiu graças à ferrovia inaugurada em 1867, à industrialização que se seguiu e à chegada dos imigrantes que se estabeleceram pela região, especialmente italianos. A Mooca tornou-se um bairro operário. Em 1958 Adoniran Barbosa revelava o sonho de um trabalhador: “Lá no alto da Mooca, eu comprei um lindo lote, dez de frente dez de fundo, construí minha maloca*.”

Depois de um período em que a população diminuiu, o bairro voltou a crescer. A Mooca tem uma área 7,95 km², onde moram cerca de 81 mil pessoas (2017). O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é dos mais altos:  0,909! A base da economia local é comércio e serviços. Na área de educação – além da educação infantil, ensino fundamental e médio público e privado, dispõe de duas universidades particulares. Quando o tema é cultura e entretenimento, há muito o que fazer. O Museu da Imigração do Estado de São Paulo, instalado no prédio da antiga Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo (1885), é um dos principais museus da cidade. Foi criado em 1993. A Biblioteca Municipal Mooca “Affonso Taunay” (1954) mantém várias atividades; se os cinemas de rua acabaram, o Shopping Mooca dispõe de salas modernas e confortáveis. O Teatro Arthur Azevedo, fundado em 1952, é tombado pelo CONPRESP.

Dois clubes da Mooca se destacam na história da cidade: o Jockey Club de São Paulo e o Clube Atlético Juventus. Antes da urbanização da Mooca, Rafael Aguiar Paes de Barros (1835-1889) fundou em sua fazenda Oratório um clube de corridas de cavalos nos mesmos moldes dos clubes ingleses. Reuniu 73 sócios e um capital de $ 9.990 réis e fundou em 14 de março de 1875 o Hipódromo da Mooca ou Club de Corridas Paulistano com capacidade para 1200 pessoas. A primeira corrida aconteceu em outubro de 1876 e estavam inscritos apenas dois cavalos: Macaco e Republicano. Vencedor: Macaco.

Logo o Hipódromo tornou-se uma atração e as pessoas que visitavam a cidade iam conhecer o “Prado”. A iniciativa incentivou o comércio da Mooca. A São Paulo Railway (SPR) tinha um ramal para atender especialmente aos frequentadores do Hipódromo. Desses tempos sobraram as ruas do Hipódromo e dos Trilhos, porque 1941 foi inaugurada a nova sede em Cidade Jardim com o novo nome:  Jockey Club de São Paulo. Aos poucos o hipódromo da Mooca foi se adaptando a novos usos: primeiramente como escola e oficina de preparação de cadetes da Aeronáutica e mais tarde a Prefeitura de São Paulo assumiu a área que abriga a Subprefeitura da Mooca e o Centro Esportivo Salim Farah Maluf.


Os funcionários do Cotonifício Crespi, que jogavam futebol de várzea, tinham dois clubes que se uniram em 1924 e formaram o Cotonifício Rodolfo Crespi Futebol Clube. No ano seguinte, o conde Crespi cedeu uma propriedade entre as Ruas Javari e dos Trilhos para a construção do campo de futebol. A entidade nasceu modesta, mas se destacou nas competições e em 1930 mudou o nome para Clube Atlético Juventus – uma homenagem ao clube italiano. Cresceu e continua firme e forte na mesma Rua Javari. Nem é preciso dizer que o clube da Mooca é um dos mais queridos da cidade até hoje.

Em 1922 chegou o primeiro cinema do bairro “Palácio Moderno”, mais tarde Cine Teatro Moderno. Foi o primeiro de uma longa lista. Os amantes de teatro tiveram que esperar mais tempo. O Teatro Arthur de Azevedo (Av. Paes de Barros, 955) foi inaugurado em 1952 e tombado em 1992. A casa passou por obras de modernização e está em pleno funcionamento.




 
Rua Javari.

 Continua: As indústrias que embalaram a Mooca.






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