Nesses tempos de muita pressa, difícil reconhecer o
Lirismo ou se perder em Alta Floresta, porém aqui se trata de duas ruas da
Mooca, tradicional bairro paulistano, sede da Subprefeitura da Mooca. A caminhada pela
Mooca foi muito agradável, entretanto, pouca coisa sobrou da história do bairro.
É lamentável ver o abandono de espaços que poderiam ter sido preservados para
uso comum ou empreendimentos comerciais. Mais triste ainda ver a demolição da
antiga fábrica de sapatos da Clark. Mais um prédio muito bonito que
desapareceu...
O nome do bairro é quatrocentão. Remonta aos tempos
em que os silvícolas viviam no planalto e, diz a lenda, observando os homens brancos
preenchendo
com barro amassado o arcabouço de varas amarradas para fazer paredes, diziam
“moo-Ka” (moo-oca) – o que significa, segundo alguns, “eles estão fazendo
casas”; porém, de acordo com outros, a expressão seria mũoka, que significa
"casa de parente.
A ocupação da área foi lenta até que no final do século XIX a cidade se expandiu graças à ferrovia inaugurada em 1867, à industrialização que
se seguiu e à chegada dos imigrantes que se estabeleceram pela região,
especialmente italianos. A Mooca tornou-se um bairro operário. Em 1958 Adoniran
Barbosa revelava o sonho de um trabalhador: “Lá no alto da Mooca, eu comprei
um lindo lote, dez de frente dez de fundo, construí minha maloca*.”
Depois de um período em que a população diminuiu, o
bairro voltou a crescer. A Mooca tem uma área 7,95 km², onde moram cerca de 81
mil pessoas (2017). O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é dos mais altos: 0,909! A base da economia local é comércio e
serviços. Na área de educação – além da educação infantil, ensino fundamental e
médio público e privado, dispõe de duas universidades particulares. Quando o
tema é cultura e entretenimento, há muito o que fazer. O Museu da Imigração do
Estado de São Paulo, instalado no prédio da antiga Hospedaria dos Imigrantes de
São Paulo (1885), é um dos principais museus da cidade. Foi criado em 1993. A
Biblioteca Municipal Mooca “Affonso Taunay” (1954) mantém várias atividades; se
os cinemas de rua acabaram, o Shopping Mooca dispõe de salas modernas e confortáveis.
O Teatro Arthur Azevedo, fundado em 1952, é tombado pelo CONPRESP.
Dois clubes da Mooca se destacam na história da
cidade: o Jockey Club de São Paulo e o Clube Atlético Juventus. Antes da
urbanização da Mooca, Rafael Aguiar Paes de Barros (1835-1889) fundou em sua
fazenda Oratório um clube de corridas de cavalos nos mesmos moldes dos
clubes ingleses. Reuniu 73 sócios e um capital de $ 9.990 réis e fundou em 14
de março de 1875 o Hipódromo da Mooca ou Club de Corridas Paulistano com
capacidade para 1200 pessoas. A primeira corrida aconteceu em outubro de 1876 e
estavam inscritos apenas dois cavalos: Macaco e Republicano. Vencedor: Macaco.
Logo o Hipódromo tornou-se uma atração e as pessoas que visitavam a cidade iam conhecer o “Prado”. A iniciativa incentivou o comércio da Mooca. A São Paulo Railway (SPR) tinha um ramal para atender especialmente aos frequentadores do Hipódromo. Desses tempos sobraram as ruas do Hipódromo e dos Trilhos, porque 1941 foi inaugurada a nova sede em Cidade Jardim com o novo nome: Jockey Club de São Paulo. Aos poucos o hipódromo da Mooca foi se adaptando a novos usos: primeiramente como escola e oficina de preparação de cadetes da Aeronáutica e mais tarde a Prefeitura de São Paulo assumiu a área que abriga a Subprefeitura da Mooca e o Centro Esportivo Salim Farah Maluf.
Os funcionários do Cotonifício
Crespi, que jogavam futebol de várzea, tinham dois clubes que se uniram em 1924
e formaram o Cotonifício Rodolfo Crespi Futebol Clube. No ano seguinte, o conde
Crespi cedeu uma propriedade entre as Ruas Javari e dos Trilhos para a
construção do campo de futebol. A entidade nasceu modesta, mas se destacou nas
competições e em 1930 mudou o nome para Clube Atlético Juventus – uma homenagem
ao clube italiano. Cresceu e continua firme e forte na mesma Rua Javari. Nem é
preciso dizer que o clube da Mooca é um dos mais queridos da cidade até hoje.
Em 1922 chegou o primeiro cinema do bairro “Palácio Moderno”, mais tarde Cine Teatro Moderno. Foi o primeiro de uma longa lista. Os amantes de teatro tiveram que esperar mais tempo. O Teatro Arthur de Azevedo (Av. Paes de Barros, 955) foi inaugurado em 1952 e tombado em 1992. A casa passou por obras de modernização e está em pleno funcionamento.
Continua: As indústrias que embalaram a Mooca.






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