quarta-feira, 29 de julho de 2026

NADA FEITO

 


Ontem, saí com quatro objetivos – coisa rara, geralmente, um é o suficiente e muitas vezes ainda mudo de ideia e faço algo completamente diferente; entretanto, decidi aproveitar o caminho que me possibilitava cumprir as metas de uma vez só. As duas primeiras não deram certo; quanto à terceira, era essencial para cumprir a última. E foi aí que as coisas desandaram. Orientação de um motorista de táxi foi para seguir determinada rua que terminava onde eu queria ir. 

Ruas com casas de alto padrão são desertas. Vê-se apenas a parte superior das residências, porque os muros maciços escondem o resto. Toda a área fartamente arborizada, o que dá um frescor ao início da tarde; porém, as calçadas, surpreendentemente, deixam muito a desejar. Os moradores devem usar carro e não os pés para se locomoverem. Não ouço passarinhos – creio que nem eles aguentam tal marasmo. Seis quadras de tédio e nada de chegar ao final dessa triste rua. Avisto uma guarita com um rapaz que me garante que estou chegando. Nesse ponto, ouço gorjeios...

Calculei que havia andado ao todo uns três quilômetros – contando a minha saída do metrô até aquele momento. Bom senso disse que devia desistir dos dois últimos objetivos. Voltar? Nem pensar. Pedir informações seria uma boa iniciativa. Por sorte vi um rapaz apressado (como eu devia ser estrangeiro no bairro), com fones nos ouvidos, que me indica o metrô. Mais adiante, dois valetes sob um guarda-sol conversam; passo por uma igreja onde mesas cobertas com toalhas brancas parecem esperar os fiéis para um café da tarde. Será que os valetes são ligados ao evento?

Chego à terra prometida, mas nada me lembra a estação a que cheguei. Trabalhadores em uma obra em pausa de lanche garantem que a estação é do outro lado da rua, mas recomendam que use a passarela (que passarela?). Subo e desço escadas e me deparo com uma estação da CPTM. Trem? Eu perguntei pela estação do metrô e me indicaram a ferroviária? Fica a dúvida: as pessoas não distinguem um tipo de transporte do outro? Ou não ouvem o que se pergunta?

Na bilheteria, a moça me orientou gentilmente e embarquei de mãos vazias como cheguei por lá. As árvores e suas flores compensaram uma tarde complicada.

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