sexta-feira, 4 de setembro de 2026

DESENCONTROS E ENCONTROS

 Quando eu digo que São Paulo é cheia de surpresas, não acreditam. Hoje, conheci o túmulo de Marlene Dietrich.

Fui ao Cemitério da Consolação para conversar com Popó, o responsável pelas visitas guiadas; porém, fiz um caminho diferente: desci na Avenida Angélica e entrei pela portaria da Rua Mato Grosso. Claro que me perdi porque da rua vi o topo do maior mausoléu da América Latina, que pertence à família Matarazzo, e fui lá dar uma olhada (acho que não havia visto ainda). E logo estava indo para lá e para cá observando esses resquícios da vaidade humana. Tive que pedir ajuda ao funcionário que passava soprador de folhas nas alamedas. Popó não estava. Terei que retornar outro dia. Na saída, fui até a Rua Sergipe pegar o ônibus, quando avistei o Cemitério dos Protestantes cuja história conhecia sem tê-lo visitado. Não perdi a oportunidade. Fui entrando. Muito bonito. Simples e pequeno. Sem ostentação. Caminhei observando pelos nomes inscritos nos mausoléus a origem das famílias que formam nossa sociedade. E foi assim que me deparei com Marlene Dietrich – ela nasceu em 1934, quando a atriz alemã, naturalizada estadunidense, já era um imenso sucesso – e faleceu em 2011. A estrela de “O Anjo Azul” nasceu em 1901 em Berlim e faleceu em 1992 em Paris. Espero que esta sra. Marlene Dietrich, que descansa aqui, não tenha passado por situações desagradáveis por ter sido xará da estrela.


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SURPRESAS

 

Voltei ao Cemitério da Consolação para entregar o meu livro “A Rua do Sol Nascente” para Papó, que num domingo de abril de 2018 cheio de sol me proporcionou uma visita muito interessante pela necrópole a bordo de um carrinho. Ele faz parte de uma das crônicas. Na época eu nem sabia desse serviço. Percorri as alamedas a esmo e, satisfeita com o que vira, fui à administração para perguntar pela saída (é verdade, me perdi). Popó estava de plantão e ao saber que eu visitara o cemitério, fez algumas perguntas e pediu que eu esperasse um pouco. Voltou logo com o carrinho e disse que ia me levar aos locais importantes – acho que não passei no questionário. E lá fomos nós. Popó é o apelido de Francivaldo Almeida Gomes. Ele prefere ser chamado pelo apelido.

Nesta segunda-feira, cheguei um pouco antes da hora da visita. Havia várias pessoas à espera dele e contei que já havia feito o passeio, gostado muito e viera apenas para entregar algo para ele. Minha preocupação era reconhecê-lo, afinal, passaram-se oito anos, mas não houve problema, pois o pessoal logo me chamou. Foi então que as coisas ficaram muito estranhas para mim. Eu não contava com plateia. Popó continua uma simpatia: ouviu meu relato da visita e ficou genuinamente muito surpreso por fazer parte de um livro. (Acho que ouvi palmas.) Fez um pequeno discurso para o pessoal e começou dizendo que eu fora procurar Francivaldo Almeida Gomes (céus! Quem é Francivaldo?) e encontrara Popó (respirei aliviada). Pediu para os participantes da próxima visita fazerem fotos de nós dois. Tratei de me despedir logo para não atrapalhar o tour. Ah! Além do abraço carinhoso ainda ganhei um beijo de despedida no rosto.

Enquanto me dirigia à saída (aprendi), pensei no encontro inusitado, alegre e até divertido, num lugar aliado à tristeza. A arte tumular é uma das mais antigas do mundo e diz muito sobre a cultura dos povos.

Foto: 2018.

As visitas guiadas ao Cemitério da Consolação (R. da Consolação, 1660 ) acontecem às segundas-feiras, das 14h às 16h. Em caso de chuva, as visitas são canceladas automaticamente. O ponto de encontro é a Capela. Popó é funcionário da Prefeitura de São Paulo.