quinta-feira, 10 de setembro de 2026

CHUVA E LEMBRANÇAS

 

Ontem, numa conversa com minha amiga Ercília, falando das chuvas, lembrávamos dos dias de tormentas e enchentes na Baixada Santista, quando éramos escaladas para cobrir as consequências das inundações pela Baixada. Era um trabalho difícil, mas nunca deixamos de ir aos locais atingidos, conversar com a população e ouvir queixas sob chuva e em meio a torrentes de água suja.

Uma das primeiras reportagens que eu fiz foi na antiga Rodovia da Banana, que liga Peruíbe à Ana Dias, e que se chama desde 2021 Rodovia Coronel Rodolpho Pettená. Foi em 1970. Era foca. Nunca tinha ouvido falar em Ana Dias. Eu e o fotógrafo estávamos com sorte; fomos numa caminhonete F 100– nos dias ruins teria sido ou Kombi ou Fusca. Não lembro mais dos detalhes apenas que a pista da estrada era um lamaçal só e os caminhoneiros estavam isolados em uma área além de alguma curva. Claro que hesitei, mas tirei os sapatos e enfiei os pés na lama literalmente. Curioso, o motorista do jornal foi junto. O fotógrafo registrou o fato e a foto foi publicada no dia seguinte na primeira página ilustrando a reportagem.

Da primeira enchente não esqueci. Das outras tantas e tantas me lembro vagamente. Lembro de duas enchentes na Zona Noroeste: uma em que eu e o outro jornalista escalados navegamos por uma avenida a bordo de um barquinho; e a outra com a amiga Ercília, quando empurramos uma Kombi atolada e eu perdi um pé da babucha que usava. (Repórter nunca sabe onde será o seu próximo trabalho e esse é o encanto da profissão.) No dia seguinte comprei uma galocha que ficava no jornal para essas coberturas. Um dia escreverei sobre a última, que foi em Cubatão já nos anos 1980.

Bons tempos.

Estrada da Banana: Jornal CIDADE DE SANTOS.

Avenida na Zona Noroeste de Santos. Ano: 1970.


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