domingo, 30 de outubro de 2016

A BARATA ANGUSTIADA

Que tal um livro em que a personagem principal é uma barata (argh!) chamada Martin que vivia angustiada diante da possibilidade de morrer. “Perguntava-se o que fazia no mundo e, sobretudo, por que havia sido jogado nele se iria morrer um dia [...]”. Depois de muitas peripécias no interior do cadáver do filósofo alemão Heidegger (1889-1976), um verme lhe explica que “No momento de sua morte, você estará absolutamente sozinho. Nem mesmo aquele que estender a mão para consolá-lo compartilhará essa experiência personalíssima. No derradeiro instante, sua solidão será inaudita! Sente isso? Acachapante, concorda? Quando penso sinceramente na minha morte, não na dos outros, mas na minha, sinto no mais fundo de mim que sou um ser único. Ninguém morrerá no MEU lugar.”  
Há um final feliz. Martin, a barata, enfim, descobre a finalidade da existência: “Obras imensas por empreender e impossíveis de concluir antes de morrer”. E a barata conclui que “A alegria de viver me estremece feito um trovão”.
Um livro ótimo sob todos os aspectos, com uma abordagem inteligente e divertida de um tema filosófico difícil para os mais jovens: a questão da existência e do vir a ser. As ilustrações são de Matthias Arégui.
         
A barata de Martin Heidegger, contado por Yan Marchand. São Paulo: Martins Fontes, 2014. (Coleção Pequeno Filósofo.) 

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