sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

AH! O MEU CHAPÉU.
Sol ou o frio. Um deles foi motivo para que o homem cobrisse a cabeça há alguns milênios. E assim começou a história do chapéu. Primeiro uma peça útil. Depois, um ornamento. Um luxo. A peça pode ser vista nas representações artísticas egípcias, gregas, romanas. Páris, o herói grego, usava um barrete, segundo o mito. Mais tarde o barrete frígio foi usado por escravos romanos. Na Revolução Francesa (1789), tornou-se um símbolo dos revolucionários. Em latim chamava-se cappellus, (diminutivo de cappa). Em francês, no século XII, evoluiu para chapel e designava um penteado usado por homens e mulheres, mas no século XV já era chapeau, nosso conhecido chapéu, segundo nos ensina Houaiss. Até meados do século XX foi uma peça indispensável do guarda-roupa masculino e feminino.
Inspiração para pintores, poetas, escritores e letristas de músicas populares. Foi tema do belo e premiado filme de Júlia Zakai – “O chapéu do meu avô” (São Paulo, 2004).
Mas como diz o poeta:
Mil novecentos e pouco.
Se passava alguém na rua
sem lhe tirar o chapéu
Seu Inacinho lá do alto
de suas cãs e fenestra
murmurava desolado
― Este mundo está perdido!
Agora que ninguém porta
nem lembrança de chapéu
e nada mais tem sentido,
que sorte Seu Inacinho
já ter ido para o céu.

"Cortesia", 
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

“O orvalho vem caindo,
Vai molhar o meu chapéu,
E também vão sumindo,
As estrelas lá no céu,
Tenho passado tão mal,
A minha cama é uma folha de jornal.”
"O Orvalho vem caindo", Noel Rosa (1910-1937).



Quando ela pôs o chapéu
Como se tudo acabasse,
Sofri de não haver véu
Que inda um pouco a demorasse.
 "Quadras ao gosto popular", Fernando Pessoa.
"Chapéu azul", 1922: Tarsila do Amaral (1886-1973). 

Tumba do faraó
 Tuntakhamon, 1332-1322 a.C.
Mitrídates VI, rei do Ponto, 134-63 a.C.


Afresco de Brancacci, Florença.

Tela de Bert Morisot, 1889.
Rainha Elizabeth II, que usa chapéus com muita classe.