quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

ENTRE O ATLÂNTICO E A GLÓRIA

Os corpos dos soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que morreram em ação na Itália durante a II Guerra Mundial, encontram-se no mausoléu que compõe o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial no Rio de Janeiro.  
A ideia de erigir o monumento foi do comandante da FEB, marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes (1883-1968). Foi lançado um concurso nacional, ganho pelos arquitetos Marcos Konder Netto (1929) e Hélio Ribas Marinho. O local escolhido para a implantação do Parque Brigadeiro Eduardo Gomes soa até poético: entre o Atlântico e a Glória. Aliás, essa foi a proposta dos arquitetos: integrar o monumento à paisagem da baía da Guanabara. Ele abriga em seus 6.850m² o Pórtico Monumental (31 m de altura) de concreto aparente e o conjunto de esculturas, o Mausoléu e o Museu, além de um jardim e um lago. Alfredo Ceschiatti (1918-1989) é o autor da escultura dos pracinhas das três armas (Exército, Marinha e Aeronáutica) em granito. Julio Catelli Filho assina a escultura de metal em homenagem à Força Aérea Brasileira. Há ainda um painel de azulejos criado pelo arquiteto e gravador Anísio Medeiros (1922-2003) em memória dos civis, membros da marinha mercante e de militares que morreram no mar.
Em junho de 1960 o marechal Oswaldo Cordeiro de Farias (1901-1981), comandante de Artilharia Divisionária da FEB, presidiu e acompanhou a comissão encarregada de proceder à exumação dos corpos dos soldados sepultados no cemitério brasileiro de Pistoia, na Itália, e transladá-los para o Brasil. O grupo retornou ao Rio de Janeiro em 15 de dezembro. As urnas foram depositadas em jazigos individuais no Mausoléu em grupos de onze quadras.
Uma das urnas, com despojos não identificados, foi depositada pelo presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) na base do Pórtico Monumental e simboliza o “Soldado Desconhecido”.
O Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial é subordinado à Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército – DPHCEx. Exército, Marinha e Aeronáutica revezam-se na guarda. A troca ocorre na primeira sexta-feira do mês. Avenida Infante Dom Henrique, 75 – Glória.  

O Cemitério de Pistoia tornou-se um memorial da participação do Brasil na II Guerra Mundial, onde o monumento de Olavo Redig Campos (1906-1984) se destaca na bela paisagem da Toscana. Fotos: Hilda Araújo.
Os pracinhas de Alfredo Ceschiatt.

Pistoia, na Toscana: Via delle Sei Arcole, 51100