O
loteamento do Butantã teve início na década de 1930, quando a paisagem começou
a mudar e o rio Pinheiros a perder suas curvas. Em meio a essa voracidade
urbanística, houve uma resistência: a “casa velha” do Butantã manteve-se.
Construída em taipa de pilão no século dezessete próximo à bacia dos rios Tietê
e Pinheiros, fez parte de uma grande propriedade denominada Uvatata – “terra
dura” em Tupi, pertencente a Alfonso Sardinha, que a deixou de herança para os
jesuítas. Com a expulsão dos padres do Brasil em 1759 por determinação do
Marquês de Pombal, a área foi a leilão. Desde essa época teve vários
proprietários até 1875, quando foi comprada por Eugênio Vieira de Medeiros que
a vendeu em 1912 à Cia City que doou o imóvel ao município em 1944 ao fazer o
loteamento do Butantã. A escritura só foi lavrada em 1950. A casa, entretanto, continuou
abandonada. Em 1953 ela já estava em péssimas condições e ocupada por diversas
famílias,
Digamos
que ela foi salva por causa da aproximação do Quarto Centenário da Cidade de
São Paulo. Guilherme de Almeida, que assumiu a presidência da segunda fase da Comissão
dos Festejos, ciente da importância da Casa Velha do Butantã, foi quem se
empenhou na restauração do imóvel. Ele teve o apoio de Luís Saia (1911-1975), responsável
pela Delegacia do Patrimônio Histórico e Nacional, e Paulo Florençano (1913-1988),
que teve papel importante na definição do uso da casa, que foi aberta em
outubro de 1955 como museu referente à época das bandeiras.
Em
setenta anos a região mudou muito como se pode observar pelas fotos antigas. Casa
do Butantã fica na Praça Monteiro Lobato, um lugar muito agradável, tão arborizada
que mais parece um parque e nem sinto o calor do meio-dia. Ah! Logo encontro um
espaço com alguns brinquedos. Há bancos onde um grupo de jovens conversa
enquanto faz um lanche. O barulho do trânsito pesado da Marginal Pinheiros não impede
que se ouçam os passarinhos. Um diferencial é o moinho...
Na
casa há uma exposição sobre o trabalho do botânico e horticultor suíço Alfred Usteri
(1869-1948), que após obter o doutorado imigrou para o Brasil em 1905. Em São Paulo
foi professor de Botânica Geral e Descritiva do curso de Engenharia Agrícola da
Escola Politécnica, onde estudou a flora dos arredores da cidade, identificando
cerca de 800 espécies. Em 1911 publicou em alemão um livro descrevendo as
formações vegetais da cidade e em 1919 fez um Guia Botânico do Jardim da Luz e
da Praça da República. Retornou à Suíça em 1920. Graças à mostra soube do Parque
Ecológico Campo de Cerrado Dr. Alfred Usteri, na Jaguaré, destinado à pesquisa
e fechado ao público. (16/12/2025)
FONTE: Guia da Casa do Bandeirante. Ensaio de
recomposição do ambiente rural doméstico paulista de primórdios do século
XVIII. Prefeitura do Município de São Paulo, Secretaria de Educação e Cultura
(Coleção da Casa Guilherme de Almeida).
https://www.museudacidade.prefeitura.sp.gov.br/





2 comentários:
Muito ótima sua série sobre casas de taipa!
Obrigada, Nilton. Foi uma forma de descobrir novos lugares históricos. Tudo muito bonito.
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