sábado, 10 de janeiro de 2026

TAIPA E PAU A PIQUE

A cidade de São Paulo comemora 472 anos no próximo dia 25 de janeiro. Nessa data os padres jesuítas Manuel da Nóbrega, Manoel de Paiva e José de Anchieta instalaram o Colégio nos Campos de Piratininga, com apoio do cacique tupiniquim Tibiriçá que, no batismo, recebeu o nome de Martim Afonso – homenagem ao fundador da primeira cidade brasileira, São Vicente (SP).

Em vez de repetir a história desta cidade que se expande cada vez mais, preferi escrever sobre o modo como os primeiros moradores se estabeleceram, pois não faltou dificuldade. E uma delas foi a construção das moradias.

Em dezembro passado visitei as casas de taipa de pilão e de mão do século XVII, XVIII e XIX que ainda restam na cidade de São Paulo e fazem parte do acervo do Museu da Cidade de São Paulo. O acervo consta da Casa do Tatuapé, Casa do Bandeirante, Casa do Sertanista, Casa do Grito, Sítio da Ressaca e Sítio Morrinhos (fechado); além da Capela do Morumbi. A Casa do Itaim e a Capela dos Índios em São Miguel, que visitei em 2024, não fazem parte do Museu da Cidade, mas são tombadas.

Engana-se quem imagina que num país tropical construir à base de barro seja uma temeridade por causa das chuvas torrenciais. Esses imóveis são um testemunho das primeiras construções feitas em São Paulo. A taipa de pilão é uma técnica bastante simples. Primeiro faz-se uma armação de madeira, com caibros ou estacas, e depois preenche-se a estrutura com barro amassado para fazer as paredes. Essa foi a técnica usada na construção do colégio de Piratininga. O pau a pique ou taipa de mão é mais utilizado nas paredes internas. A estrutura é de madeira roliça, disposta vertical e horizontalmente, amarrada com cipó ou cravo e depois preenchida com barro socado.

Essa prática tem origem milenar – embora os estudiosos não tenham uma data definida, acredita-se que tenha surgido em torno de 7.000 e 12.000 anos a.C. A Grande Muralha da China, por exemplo, foi construída em taipa e posteriormente revestida com alvenaria de pedra; a Pirâmide do Sul, no México, tem um núcleo de dois milhões de metros cúbicos de terra compactada. 

Foi uma ótima experiência percorrer de ônibus e metrô de Norte a Sul e de Leste a Oeste esta cidade para visitar estes sítios históricos. Muitas vezes tive que procurar ajuda de motoristas e pessoas que encontrei no caminho. O mais surpreendente é que as casas ficam em locais bastante próximos de avenidas importantes e de estações de metrô. O ingresso é livre. Há educadores para contar a história e explicar as técnicas. Aproveite o verão e as férias para conhecer esse patrimônio da cidade de São Paulo. 

Amanhã, Jabaquara.

Parede de taipa de pilão de uma das casas bandeirantista.

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