A
cidade de São Paulo comemora 472 anos no próximo dia 25 de janeiro. Nessa data
os padres jesuítas Manuel da Nóbrega, Manoel de Paiva e José de Anchieta
instalaram o Colégio nos Campos de Piratininga, com apoio do cacique tupiniquim
Tibiriçá que, no batismo, recebeu o nome de Martim Afonso – homenagem ao
fundador da primeira cidade brasileira, São Vicente (SP).
Em
vez de repetir a história desta cidade que se expande cada vez mais, preferi
escrever sobre o modo como os primeiros moradores se estabeleceram, pois não
faltou dificuldade. E uma delas foi a construção das moradias.
Em dezembro passado visitei as casas de taipa de pilão e de mão do
século XVII, XVIII e XIX que ainda restam na cidade de São Paulo e fazem parte
do acervo do Museu da Cidade de São Paulo. O acervo consta da Casa do Tatuapé,
Casa do Bandeirante, Casa do Sertanista, Casa do Grito, Sítio da
Ressaca e Sítio Morrinhos (fechado); além da Capela do Morumbi. A Casa do Itaim
e a Capela dos Índios em São Miguel, que visitei em 2024, não fazem parte do
Museu da Cidade, mas são tombadas.
Engana-se quem imagina
que num país tropical construir à base de barro seja uma temeridade por causa das
chuvas torrenciais. Esses imóveis são um testemunho das primeiras construções feitas em São
Paulo. A taipa de pilão é uma técnica bastante simples. Primeiro faz-se uma
armação de madeira, com caibros ou estacas, e depois preenche-se a estrutura
com barro amassado para fazer as paredes. Essa foi a técnica usada na
construção do colégio de Piratininga. O pau a pique ou taipa de mão é mais utilizado nas
paredes internas. A estrutura é de madeira roliça, disposta vertical e
horizontalmente, amarrada com cipó ou cravo e depois preenchida com barro
socado.
Essa prática tem
origem milenar – embora os estudiosos não tenham uma data definida, acredita-se
que tenha surgido em torno de 7.000 e 12.000 anos a.C. A Grande Muralha da
China, por exemplo, foi construída em taipa e posteriormente revestida com
alvenaria de pedra; a Pirâmide do Sul, no México, tem um núcleo de dois milhões
de metros cúbicos de terra compactada.
Foi
uma ótima experiência percorrer de ônibus e metrô de Norte a Sul e de Leste a
Oeste esta cidade para visitar estes sítios históricos. Muitas vezes tive que
procurar ajuda de motoristas e pessoas que encontrei no caminho. O mais
surpreendente é que as casas ficam em locais bastante próximos de avenidas
importantes e de estações de metrô. O ingresso é livre. Há educadores para
contar a história e explicar as técnicas. Aproveite o verão e as férias para
conhecer esse patrimônio da cidade de São Paulo.
Amanhã,
Jabaquara.

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