domingo, 18 de janeiro de 2026

JORNADA BANDEIRISTA (EDITADO)

Foi ao visitar a Casa do Tatuapé que me ocorreu que seria interessante ir às casas bandeiristas que sobraram – já conhecia o Sítio da Ressaca, no Jabaquara, onde fui há alguns anos. Assim, procurei os endereços e depois do almoço embarcava rumo a uma delas. É importante registrar que Mário de Andrade (1893-1945) teve um papel decisivo na preservação das casas bandeiristas, pois foi ele quem redigiu em 1936 o anteprojeto para a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) a convite do ministro de Educação e Saúde Gustavo Capanema. Quando o SPHAN foi criado um ano depois, foi delegada a ele a direção da 4ª Região do Serviço, que compreendia São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul*.

Comecei a jornada pela Casa do Bandeirante, no Butantã, um bairro que me é familiar porque trabalhei na USP por alguns anos. Um calor terrível e o verão nem começara. Como sou atrapalhada, custei um pouco a achar a Praça Monteiro Lobato. Se você pede uma informação, as pessoas sacam o telefone para procurar e isso me deixa um tanto frustrada. Há uma placa bem na porta de entrada, mas aí você já achou o que queria. De que adianta? Seria ideal ter uma na Rua Camargo. Enfim, a praça parece um pequeno parque e é fechada. Um lugar muito bonito, arborizado, silencioso e quase deserto. Na casa da administração, que também é branca e simples, o segurança indicou o caminho da “Casa Velha do Butantã”, como Mário de Andrade se referiu a ela.

Detalhe: com a retificação do rio Pinheiros, o imóvel mudou de margem. Se não acredita, basta observar os mapas de 1930 e 2004 em exposição num dos cômodos.

            O Caxingui foi uma surpresa. Acreditava que seria muito longe, mas é um pequeno bairro, pertinho da Avenida Francisco Morato, que fecha um quadrilátero formado pelas avenidas Jorge João Saad, Eliseu de Almeida e Rua Roquete Pinto. Do lado da estação do metrô São Paulo-Morumbi, encontra-se a imensa Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias – Templo Brasil.

            Fui duas vezes à Capela do Morumbi. Na primeira vez, ao pedir informações na estação do Metrô recebi um tratamento de primeira da equipe, o que salvou meu dia, pois a Capela estava fechada até o início de janeiro, e a Avenida Morumbi não é das mais amigáveis para caminhar ou esperar condução.

            Todas as casas visitadas estão bem cuidadas e em áreas bastante arborizadas, têm educadores e fui bem recebida por todos os que encontrei – como disse, minhas visitas aconteceram no horário do almoço. A Casa do Itaim, que está em área privada, é a mais bonita e bem localizada. Apenas a capela fica aberta, pois ela destina-se a exposições ou eventos. A Casa do Tatuapé foi a mais complicada para chegar, porque não é próxima do metrô e no Terminal de ônibus do Tatuapé custei a encontrar um que passasse perto (Jardim Brasil).  Foi uma ótima jornada e o principal foi conhecer um museu que tem muitos endereços e que incentiva as pessoas a se embrenharem pela cidade – tornando-se exploradores da História.

*Pessoas que tiveram papel muito importante na história da preservação das casas bandeiristas, além de Mário de Andrade (1893-1945): Luís Saia (1911-1975), arquiteto, etnógrafo e professor; Paulo Camilher Florençano (1913-1988), fotógrafo e desenhista; e o poeta Guilherme de Almeida (1890-1969), que presidiu a segunda fase da Comissão de Festejos do Quarto Centenário da cidade de São Paulo.

Caxingui: arredores da Casa do Sertanista. 

CURIOSIDADES

Como no sítio do Tatuapé, na Casa do Bandeirante também havia um gato e, por incrível que pareça, igual ao outro. Encontrei outro parecido na Capela do Morumbi. )








ARTE NA RUA
Butantã: artista paulista Catharina Suleiman (1977). Butantã.



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