“E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão.” Mote atribuído a Fernando Pessoa (1888-1935).
Meu
amigo João Sampaio, que se foi há muitos anos, me presenteou no Natal de 1970
com um livro que nunca li, mas a dedicatória era sobre a importância do
sorriso. Minha timidez era notória e a sisudez, uma forma de afastar as
pessoas. Aos poucos fui mudando meu comportamento, sem mudar minha
personalidade e, no anoitecer da vida, tenho distribuído alguns sorrisos ao
longo da caminhada.
Chama-se
Gianni. Quando as pessoas embarcam no veículo que ele conduz são recebidas com
um bom dia e um sorriso. Se houver chance, logo inicia uma conversa animada e
respeitosa. Pode ser sobre as compras que uma senhora fez na feira, o cardápio
do almoço de outra ou o drama de um senhor cuja esposa está muito doente. Tudo
isso com os olhos atentos no trânsito. Como durante algum tempo fazia o horário
em que eu vou ao SESC do Carmo, várias vezes por sugestão dele, saí
acompanhando outras passageiras que iam para o mesmo lado. Certa manhã uma
passageira ao descer repetiu o que eu já havia dito a ele uma vez – seu bom
dia, sorriso e seu entusiasmo melhoram o dia das pessoas. O posto do cobrador
em geral é variável, mas seus companheiros de jornada, como Oscar e Caio, são geralmente
silenciosos, mas sempre muito atenciosos.
Na
mesma linha 408 A - 10, no horário noturno, viajei algumas vezes com Thiago, um jovem
motorista que tem um comportamento bem parecido. A conversa começou por causa
de um novo restaurante coreano no bairro, evoluiu para comida com fartos
elogios para as refeições que a avó prepara, ressaltando que a da mãe era muito
boa. Ao descer comentei que ia fazer a caminhada noturna no centro. Muitos dias
depois à tarde, quando subi no ônibus distraída, o motorista perguntou se eu ia
passear e então o reconheci. A conversa incluía a outra senhora que embarcara
junto comigo, e continuou sempre agradável e bem conduzida por ele. Na última
vez que o vi, o movimento de passageiros era maior e ele conhecia também
vários. Uma senhora ao descer o presenteou com uma barra de chocolate que o
deixou muito feliz. Depois que ela desceu, disse para o cobrador que iam comer o chocolate após o jantar – uma atitude que diz muito sobre o caráter de uma
pessoa. Tiago, me informam, está em outra linha da empresa.
Quantas
histórias eles têm para contar! E eu que gosto de alinhavar fatos vistos e
ouvidos, relato alguns, mas sei que deve haver milhares.
Muito
obrigada a eles e a todos os que têm o dom de sorrir e fazer sorrir entre os quais o Cristiano. Desejo a eles uma vida
longa e feliz.

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