quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

CASA DO BANDEIRANTE

 


O loteamento do Butantã teve início na década de 1930, quando a paisagem começou a mudar e o rio Pinheiros a perder suas curvas. Em meio a essa voracidade urbanística, houve uma resistência: a “casa velha” do Butantã manteve-se. Construída em taipa de pilão no século dezessete próximo à bacia dos rios Tietê e Pinheiros, fez parte de uma grande propriedade denominada Uvatata – “terra dura” em Tupi, pertencente a Alfonso Sardinha, que a deixou de herança para os jesuítas. Com a expulsão dos padres do Brasil em 1759 por determinação do Marquês de Pombal, a área foi a leilão. Desde essa época teve vários proprietários até 1875, quando foi comprada por Eugênio Vieira de Medeiros que a vendeu em 1912 à Cia City que doou o imóvel ao município em 1944 ao fazer o loteamento do Butantã. A escritura só foi lavrada em 1950. A casa, entretanto, continuou abandonada. Em 1953 ela já estava em péssimas condições e ocupada por diversas famílias,

Digamos que ela foi salva por causa da aproximação do Quarto Centenário da Cidade de São Paulo. Guilherme de Almeida, que assumiu a presidência da segunda fase da Comissão dos Festejos, ciente da importância da Casa Velha do Butantã, foi quem se empenhou na restauração do imóvel. Ele teve o apoio de Luís Saia (1911-1975), responsável pela Delegacia do Patrimônio Histórico e Nacional, e Paulo Florençano (1913-1988), que teve papel importante na definição do uso da casa, que foi aberta em outubro de 1955 como museu referente à época das bandeiras.

Em setenta anos a região mudou muito como se pode observar pelas fotos antigas. Casa do Butantã fica na Praça Monteiro Lobato, um lugar muito agradável, tão arborizada que mais parece um parque e nem sinto o calor do meio-dia. Ah! Logo encontro um espaço com alguns brinquedos. Há bancos onde um grupo de jovens conversa enquanto faz um lanche. O barulho do trânsito pesado da Marginal Pinheiros não impede que se ouçam os passarinhos. Um diferencial é o moinho...




Na casa há uma exposição sobre o trabalho do botânico e horticultor suíço Alfred Usteri (1869-1948), que após obter o doutorado imigrou para o Brasil em 1905. Em São Paulo foi professor de Botânica Geral e Descritiva do curso de Engenharia Agrícola da Escola Politécnica, onde estudou a flora dos arredores da cidade, identificando cerca de 800 espécies. Em 1911 publicou em alemão um livro descrevendo as formações vegetais da cidade e em 1919 fez um Guia Botânico do Jardim da Luz e da Praça da República. Retornou à Suíça em 1920. Graças à mostra soube do Parque Ecológico Campo de Cerrado Dr. Alfred Usteri, na Jaguaré, destinado à pesquisa e fechado ao público.  (16/12/2025)


FOTOS: Hilda Araújo.

Praça Monteiro Lobato, Butantã. 
Estação Butantã, Linha 4 Amarela do Metrô. Terminal de ônibus: linhas 8082, 8083/8084 e 8085. Ultimo ponto da Avenida Afrânio Peixoto (antes da Cidade Universitária - USP).  

FONTE: Guia da Casa do Bandeirante. Ensaio de recomposição do ambiente rural doméstico paulista de primórdios do século XVIII. Prefeitura do Município de São Paulo, Secretaria de Educação e Cultura (Coleção da Casa Guilherme de Almeida).

https://www.museudacidade.prefeitura.sp.gov.br/

2 comentários:

Nilton Tuna disse...

Muito ótima sua série sobre casas de taipa!

Hilda Araújo disse...

Obrigada, Nilton. Foi uma forma de descobrir novos lugares históricos. Tudo muito bonito.