sábado, 16 de julho de 2016

A GELADEIRA (ICEBOX)

Ontem, terminei o dia assistindo a “Doidos milionários” (My man Godfrey), comédia de 1936, dirigida por Gregory La Cava, estrelado por Carole Lombard (1908-1942) e Wiliam Powell (1892-1984). Carole Lombard foi indicada ao Oscar de melhor atriz pelo papel – um exagero. Gosto demais de filmes antigos, especialmente em preto e branco. Clássicos ou não. Divirto-me também vendo como era o estilo de vida das pessoas, o que o cinema sempre reproduz de forma impecável, na maioria das vezes.
E nesse filme vi a geladeira que fez parte da minha infância.  Sempre me sentia frustrada porque nenhum dos meus amigos se lembra desse objeto. Ela era de madeira, exatamente como um móvel; precisava ser abastecida todos os dias com as pedras de gelo embrulhadas em jornal deixadas na soleira da porta da rua pelo entregador. A do filme é muito sofisticada – afinal, era uma casa de milionários. Descobri que era chamada de “icebox”.
A partir daí pesquisei na internet e encontrei dois modelos parecidos (acho que a nossa era mais larga e baixa), restaurados. Um deles à venda pela bagatela de R$ 3.800! Se minha avó soubesse...
A de casa foi substituída no início dos anos 1950 por uma Frigidaire branca enorme. Achei no site de Fulginiti Neto um modelo parecido lindamente restaurado. (Acho que a nossa geladeira era quadrada, mais baixa e larga e a divisão interna diferente, mas o tempo passa e a memória nos engana.)


  

Fotos do restaurador do RS: 


2 comentários:

Nilton Tuna disse...

Havia uma geladeira como a que você descreve no armazém de secos e molhados do meu pai. Em casa, nem pensar! Lembro bem das pedras de gelo deixadas no porta: na verdade, pedaços (1/3 ou 1/4) já que as pedras que saiam da fábrica não caberiam na geladeira. A fábrica de gelo ficava a um quarteirão da minha casa, na rua João Éboli (continuação da Pêgo Júnior) esquina de Senador Feijó. A fachada era de granito preto (é o que registra minha memória de menino) e havia uma janelinha de onde as pedras de gelo saíam para uma canaleta de madeira - removível para não atrapalhar o trânsito de pedestres - pela qual as pedras deslizavam desde a janelinha até os caminhões de entrega.

Hilda Araujo disse...

Nilton, outro dia passei pela antiga fábrica de gelo. Está abandonada, mas felizmente não cedeu lugar à corrida imobiliária. Nunca soube desses detalhes da fábrica. Lembro apenas das pedras na soleira da porta de casa. Quanta coisa nos escapa...Obrigada por compartilhar as lembranças da infância.