quinta-feira, 16 de julho de 2026

A MOOCA DOS BISCOITOS, PANETONES E ALPARGATAS


Vista parcial fábrica da Companhia Antarctica Paulista: Avenida Presidente Wilson.

A Mooca foi um dos grandes polos industriais da cidade. Um rápido olhar pela lista de empresas instaladas naquela região há um século é possível imaginar que quase tudo que se precisava era produzido ou passava por lá – desde velas e sabão, a fósforos, chuveiros, tecidos, biscoitos, açúcar, panetones, sapatos de qualidade e alpargatas e cerveja. O trajeto do trem da Linha 10 – Turquesa Brás-Ipiranga dá uma percepção do que era a região na primeira metade do século passado: uma longa sequência de galpões industriais, agora abandonados, a maioria semidestruída. A ferrovia foi o motivo da instalação das indústrias naquela área, pois facilitava o transporte dos insumos e das mercadorias.

A Mooca é um bairro de muitas origens – a italiana predominava, mas ali conviviam alemães, franceses, escoceses, libaneses, holandeses, espanhóis e portugueses entre outros. Uma das primeiras indústrias instaladas na Mooca foi a Cervejaria Bavária, fundada em 1892 pelo alemão Heinrich Stupakoff (1856-1920), numa área de 23 mil metros quadrados, na Avenida Bavária, atual Presidente Wilson, 307. As instalações da empresa incluíam um depósito de cevada, um edifício destinado a adegas, uma chaminé de cinquenta metros de altura e um conjunto de casas para operários. Havia ainda no local dois poços artesanais com 130 m de profundidade e capacidade de 250 mil litros de água para a fabricação do gelo e da cerveja – em caso de falta d’água no bairro, a população recorria à empresa.

Em 1904 a Companhia Antarctica Paulista – Fábrica de Gelo e Cervejaria, que nascera modesta, já havia crescido a ponto de adquirir o controle da Cervejaria Bavária. A Antarctica surgiu a partir da sociedade de outro alemão, Louis Bücher, proprietário de uma pequena cervejaria, com Joaquim Salles, dono de um matadouro e uma pequena fábrica de gelo subutilizada, na Água Branca, nas imediações das ferrovias SPR e a Sorocabana. O empreendimento foi um sucesso: em 1895, a companhia tornou-se sociedade anônima e em 1904 ao adquirir a Bavária, mudou para a Mooca.

Uma empresa tão poderosa que construiu uma área de lazer de trezentos mil metros quadrados para os funcionários, onde havia campo de futebol, quadra de tênis, pista de atletismo, parque infantil, restaurantes e, naturalmente, uma choperia.  Esse era o Parque Antarctica, que também desapareceu.

Estes foram alguns dos empreendedores que transformaram a Mooca num dos bairros mais importantes da história da cidade: Heinrich Stupakoff – Cervejaria Bavária, depois comprada pela Antarctica; Donato Di Cunto – padaria e confeitaria, firme e forte no mesmo endereço; Francisco Matarazzo – Indústrias Reunidas Matarazzo; Alessandro Lorenzetti – fábrica de parafusos; Pierre Duchen – biscoitos amanteigados; Vittorio Migliora – Fiat Lux; Egidio Pinotti Gamba– Moinhos Gamba ou Moinho Santo Antônio; Robert Fraser – Alpargatas; Irmãos Giuseppe e Nicola Puglisi Carbone – Companhia União dos Refinadores – Açúcar e Café entre muitos outros.


Parte do prédio ainda com os tijolos originais.





Largo São Rafael.

Rua Borges de Figueiredo, que concentrou grandes indústrias.



2 comentários:

Nilton Tuna disse...

Quanta coisa aprendi hoje!

Hilda Araújo disse...

Eu gosto desses passeios, Nilton, porque acabo aprendendo sobre a cidade e divido com os amigos. Um abraço.