segunda-feira, 21 de novembro de 2016


Não Diga o Meu Espelho que Envelheço

Paul Signac (1863-1935): Mulher a pentear-se. 

Não diga o meu espelho que envelheço,
se a juventude e tu têm igual data, 
mas se os sulcos do tempo em ti conheço 
então devo expiar no que me mata. 
Tanta beleza te recobre e deu 
tais galas a vestir a meu coração, 
que vive no teu peito e o teu no meu. 
Mais velho do que tu serei então? 
Portanto, meu amor, cuida de ti 
como eu, não por mim, por ti somente 
te cuido o coração, que guardo aqui 
como à criança a ama diligente. 
    Não contes com o teu se o meu morrer. 
    Deste-me o teu e o não vou devolver.

William Shakespeare. Soneto 22. (Tradução sem crédito.)