FOTOS DE 5/2/2025.
domingo, 8 de fevereiro de 2026
sábado, 7 de fevereiro de 2026
BYE BYE, ORELHÕES

Os telefones públicos, os populares orelhões, estão com os
dias contados, pois a Anatel vai retirá-los das ruas das cidades que dispõem de
telefonia digital. Depois de 54 anos de bons serviços prestados, eles desaparecerão,
embora há algum tempo ninguém saiba me informar onde se compram os cartões telefônicos.
Eu já perguntei em vários locais, mas só consegui rostos admirados com a
pergunta inusitada. Um dia fiquei toda animada ao ver na rua um homem batendo papo num telefone público, mas logo percebi que nem fio o aparelho tinha.
Quando o novo modelo de telefone público
surgiu em 1972, foi saudado com bom humor pelo público que, bem ao estilo
brasileiro, logo lhe deu o apelido que se ajustou perfeitamente ao novo
equipamento: orelhão. Certamente, ele deixará muitas histórias emocionantes na
lembrança da população.
O famoso protetor dos telefones públicos foi criado pela
arquiteta Chu Ming
Silveira (1941-1997). Chu Ming, na época chefe da seção de projetos
do Departamento de Engenharia da Companhia Telefônica Brasileira ‒ CTB,
realizou um trabalho perfeito: o novo equipamento urbano protegia o aparelho e
o usuário, tinha baixo custo de fabricação, instalação e manutenção, além de
boa acústica e estética atraente; era durável e, principalmente, fácil de usar.
Ela se inspirou no formato do ovo porque achava que era a forma de melhor acústica.
O orelhão foi um sucesso tão grande que logo foi adotado no Paraguai, Peru,
Colômbia, China, Angola e Moçambique.
Os
primeiros orelhões foram instalados no Rio de Janeiro no dia do padroeiro da
cidade: 20 de janeiro de 1972. Em seguida foi a vez de São Paulo que recebeu
170 aparelhos no dia do aniversário: 25 de janeiro. O nome que Chu Ming
Silveira dera ao equipamento era bem mais romântico: tulipa, o que (pelo
menos no Brasil) não vingou.
Após décadas de
relevantes serviços, com o advento da telefonia móvel e a sua popularização, os
telefones públicos foram se tornando menos utilizados e os orelhões tornaram-se
vítimas de vândalos e passaram a ser usados para colocar adesivos com números
de telefone de pessoas que ofereciam serviços especialmente de acompanhantes
para “programas”.
Chu Ming Silveira nasceu em Xangai, China. A família mudou para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, onde ela se formou arquiteta pelo Mackenzie em 1964.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
VIVA O BEXIGA!
Ontem
foi noite de caminhar pelo Centro. Destino: o Bexiga/Bixiga, um bairro sempre
muito atraente, mas o que eu não imaginava era a maratona que nos esperava. O início, como sempre, é na frente da Biblioteca Mário de Andrade, mas eu começo pela Praça
da República, onde o ônibus me deixa. Depois das apresentações dos convidados –
o Rei Momo e a Rainha do Carnaval do Bexiga e o Candinho Neto, da banda que leva
o nome dele – partimos. O público é sempre heterogêneo – turistas eventuais
(ontem tinha um senhor do Espírito Santo, que desejava conhecer o verdadeiro Bixiga,
não o das pizzarias), jovens, idosos, casais e os aventureiros de sempre que
não esperam companhia para levantar da poltrona. Eu reencontrei a Zita, grande conhecedora
do Centro e andarilha como eu.
O
roteiro? Descobrimos caminhando e no caminho há sempre muitas paradas para
ouvir histórias dos lugares – e há sempre muitas. Assim, da Rua da Consolação,
fomos pela Major Quedinho, Major Diogo – parada na Casa de Dona Yayá, onde se
fala da tragédia da moradora. Zita é uma admiradora de portões e se encanta com
um que é do prédio do antigo Teatro Brasileiro de Comédia, inaugurado em 1948 e
passa por recuperação. Em algum ponto vislumbro a exótica Rua (Vila) Jardim Heloísa,
tombada pelo Patrimônio Histórico. E lá vai o grupo pela Conselheiro Carrão. (Eu
me pergunto como voltarei para casa.) O Rei Momo e uma caminhante se desgarram –
ah! ladeiras! Pausa. Quantas coisa para ver
– as casas antigas bem conservadas, um colorido especial... Atravessamos a Rua
Rui Barbosa e logo chegamos à Treze de Maio – uma festa só! Pergunto ao organizador das Caminhadas, qual nosso destino. Surpresa: as
escadarias do Bixiga para a Rua dos Ingleses onde se encontra o Museu do
Bixiga. Pausa para fotos.
Na
Rua dos Ingleses, me despeço do grupo (na verdade saí à francesa). Decido que
devo ir para a Avenida Paulista. Zita resolve me acompanhar – ela mora nos Campos
Elísios. Há muitos anos fiz uma caminhada por ali, mas à noite todos os gatos
são pardos, como se dizia antigamente. Zita se encanta com as casas localizadas no topo do morro dotadas de escadarias. Na encruzilhada, temos que perguntar a direção – estamos na Rua
dos Belgas, seguimos pela Joaquim Eugênio de Lima até a Avenida Paulista, onde
nos despedimos.
Foi
um ótimo passeio numa agradável noite de verão.
sábado, 31 de janeiro de 2026
IH! DEU ZEBRA!
Hoje é
o Dia Internacional da Zebra, um mamífero herbívoro natural da savana africana,
cuja pelagem listrada funciona como camuflagem para se resguardar dos
predadores e podem servir também para identificação, pois são únicas para cada
indivíduo, como as digitais humanas, mas os pesquisadores não sabem se os animais
têm capacidade para distinguir um do outro pelas listras. Há três tipos de
zebras – da montanha, da planície e a zebra-de-grevy. A zebra-de-grevy é a
maior da espécie (em média 1m50 e 400 kg) O nome refere-se ao presidente francês
François Grévy (1807-1891) que, durante sua gestão, recebeu uma zebra de
presente do imperador da Abissínia Menelik II. É a subespécie mais ameaçada
por degradação do habitat e pela caça.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
TUDO BEM EXPLICADINHO
A estrutura de uma casa de chá faz parte da exposição sobre o trabalho dos "Mestres da carpintaria: habilidade e espírito" na Japan House. Enquanto observo o interior da casa por uma pequena janela, ouço uma conversa que atrai minha atenção. Uma senhora lê em voz alta as informações sobre cada elemento da casa em um dos painéis e vez por outra é interrompida por uma criança que quer mais detalhes. Ela lê até os nomes em japonês para a criança que os repete. Discretamente, me viro para ver a dupla: uma avó e seu netinho. O menino corre para a janelinha tentando identificar os lugares ou os objetos, fica na pontinha dos pés, mas não alcança. A avó indica o lugar certo para observar o interior da casa. Enquanto ele confere as informações, pergunto a ela quantos anos ele tem. “Oito” – diz a avó. Ele corrige rapidamente – “Sete!”. A avó suspira e explica: “Ele fará oito no próximo domingo.” Quando o garoto se afasta para espiar mais uma vez a casa, ela me diz rindo que com ele precisa “ser tudo certinho” –e vai atrás do netinho.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026
ARTE PELO CAMINHO
Até que os bancos podem deixar alguma
coisa boa para trás. Como o mural feito em 1962 por Clóvis Graciano para o
Banco Nacional, que mantinha agência na Rua Senador Paulo Egídio, 70, ali
pertinho do Largo de São Francisco. Na obra que se refere ao “Desembarque dos
colonizadores e subida da Serra”, o artista usou uma mistura de óleo e cera
virgem. O banco Nacional fechou em 1995 e há alguns anos no local instalou-se o
“Empório Data vênia” (o nome é alusão à proximidade da Faculdade de Direito do
Largo de São Francisco), um paraíso de coisas gostosas e de qualidade. A outra
herança do banco é um cofre, usado como depósito de cervejas.
Mas há várias obras de arte espalhadas pelos prédios da cidade assinadas por grandes artistas brasileiros.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
SORRISOS
“E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão.” Mote atribuído a Fernando Pessoa (1888-1935).
Meu
amigo João Sampaio, que se foi há muitos anos, me presenteou no Natal de 1970
com um livro que nunca li, mas a dedicatória era sobre a importância do
sorriso. Minha timidez era notória e a sisudez, uma forma de afastar as
pessoas. Aos poucos fui mudando meu comportamento, sem mudar minha
personalidade e, no anoitecer da vida, tenho distribuído alguns sorrisos ao
longo da caminhada.
Chama-se
Gianni. Quando as pessoas embarcam no veículo que ele conduz são recebidas com
um bom dia e um sorriso. Se houver chance, logo inicia uma conversa animada e
respeitosa. Pode ser sobre as compras que uma senhora fez na feira, o cardápio
do almoço de outra ou o drama de um senhor cuja esposa está muito doente. Tudo
isso com os olhos atentos no trânsito. Como durante algum tempo fazia o horário
em que eu vou ao SESC do Carmo, várias vezes por sugestão dele, saí
acompanhando outras passageiras que iam para o mesmo lado. Certa manhã uma
passageira ao descer repetiu o que eu já havia dito a ele uma vez – seu bom
dia, sorriso e seu entusiasmo melhoram o dia das pessoas. O posto do cobrador
em geral é variável, mas seus companheiros de jornada, como Oscar e Caio, são geralmente
silenciosos, mas sempre muito atenciosos.
Na
mesma linha 408 A - 10, no horário noturno, viajei algumas vezes com Thiago, um jovem
motorista que tem um comportamento bem parecido. A conversa começou por causa
de um novo restaurante coreano no bairro, evoluiu para comida com fartos
elogios para as refeições que a avó prepara, ressaltando que a da mãe era muito
boa. Ao descer comentei que ia fazer a caminhada noturna no centro. Muitos dias
depois à tarde, quando subi no ônibus distraída, o motorista perguntou se eu ia
passear e então o reconheci. A conversa incluía a outra senhora que embarcara
junto comigo, e continuou sempre agradável e bem conduzida por ele. Na última
vez que o vi, o movimento de passageiros era maior e ele conhecia também
vários. Uma senhora ao descer o presenteou com uma barra de chocolate que o
deixou muito feliz. Depois que ela desceu, disse para o cobrador que iam comer o chocolate após o jantar – uma atitude que diz muito sobre o caráter de uma
pessoa. Tiago, me informam, está em outra linha da empresa.
Quantas
histórias eles têm para contar! E eu que gosto de alinhavar fatos vistos e
ouvidos, relato alguns, mas sei que deve haver milhares.
Muito
obrigada a eles e a todos os que têm o dom de sorrir e fazer sorrir entre os quais o Cristiano. Desejo a eles uma vida
longa e feliz.
domingo, 18 de janeiro de 2026
JORNADA BANDEIRISTA (EDITADO)
Foi ao
visitar a Casa do Tatuapé que me ocorreu que seria interessante ir às casas
bandeiristas que sobraram – já conhecia o Sítio da Ressaca, no Jabaquara, onde
fui há alguns anos. Assim, procurei os endereços e depois do almoço embarcava
rumo a uma delas. É importante registrar que Mário de Andrade (1893-1945) teve
um papel decisivo na preservação das casas bandeiristas, pois foi ele quem redigiu
em 1936 o anteprojeto para a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN) a convite do ministro de Educação e Saúde
Gustavo Capanema. Quando o SPHAN foi criado um ano depois, foi delegada a ele a
direção da 4ª Região do Serviço, que compreendia São Paulo, Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul*.
Comecei
a jornada pela Casa do Bandeirante, no Butantã, um bairro que me é familiar
porque trabalhei na USP por alguns anos. Um calor terrível e o verão nem
começara. Como sou atrapalhada, custei um pouco a achar a Praça Monteiro Lobato.
Se você pede uma informação, as pessoas sacam o telefone para procurar e isso
me deixa um tanto frustrada. Há uma placa bem na porta de entrada, mas aí você já
achou o que queria. De que adianta? Seria ideal ter uma na Rua Camargo. Enfim, a
praça parece um pequeno parque e é fechada. Um lugar muito bonito, arborizado,
silencioso e quase deserto. Na casa da administração, que também é branca e
simples, o segurança indicou o caminho da “Casa Velha do Butantã”, como Mário
de Andrade se referiu a ela.
Detalhe:
com a retificação do rio Pinheiros, o imóvel mudou de margem. Se não acredita,
basta observar os mapas de 1930 e 2004 em exposição num dos cômodos.
O Caxingui foi uma surpresa.
Acreditava que seria muito longe, mas é um pequeno bairro, pertinho da Avenida
Francisco Morato, que fecha um quadrilátero formado pelas avenidas Jorge João
Saad, Eliseu de Almeida e Rua Roquete Pinto. Do lado da estação do metrô São
Paulo-Morumbi, encontra-se a imensa Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos
Últimos Dias – Templo Brasil.
Fui duas vezes à Capela do Morumbi.
Na primeira vez, ao pedir informações na estação do Metrô recebi um tratamento
de primeira da equipe, o que salvou meu dia, pois a Capela estava fechada até o
início de janeiro, e a Avenida Morumbi não é das mais amigáveis para caminhar
ou esperar condução.
Todas as casas visitadas estão bem
cuidadas e em áreas bastante arborizadas, têm educadores e fui bem recebida por
todos os que encontrei – como disse, minhas visitas aconteceram no horário do
almoço. A Casa do Itaim, que está em área privada, é a mais bonita e bem
localizada. Apenas a capela fica aberta, pois ela destina-se a exposições ou
eventos. A Casa do Tatuapé foi a mais complicada para chegar, porque não é
próxima do metrô e no Terminal de ônibus do Tatuapé custei a encontrar um que
passasse perto (Jardim Brasil). Foi uma
ótima jornada e o principal foi conhecer um museu que tem muitos endereços e
que incentiva as pessoas a se embrenharem pela cidade – tornando-se exploradores
da História.
*Pessoas
que tiveram papel muito importante na história da preservação das casas
bandeiristas, além de Mário de Andrade (1893-1945): Luís Saia (1911-1975),
arquiteto, etnógrafo e professor; Paulo Camilher Florençano (1913-1988),
fotógrafo e desenhista; e o poeta Guilherme de Almeida (1890-1969), que
presidiu a segunda fase da Comissão de Festejos do Quarto Centenário da cidade
de São Paulo.
CURIOSIDADES
Como no sítio do Tatuapé, na Casa do Bandeirante também havia um gato e, por incrível que pareça, igual ao outro. Encontrei outro parecido na Capela do Morumbi. )
sábado, 17 de janeiro de 2026
CAPELA DE SÃO MIGUEL
A segunda mais antiga capela de São
Paulo, que também é de taipa de pilão, encontra-se em São Miguel Paulista,
Zona Leste. A Vila de Piratininga, fundada em 1554, não se desenvolvia como os
jesuítas esperavam, apesar da convivência pacífica entre europeus e indígenas;
entretanto, a vila de Santo André da Borda do Campo, mais antiga, ia muito bem.
O padre Manoel da Nóbrega intercedeu junto ao governador geral do Brasil e
conseguiu a transferência da vila de Santo André – com pelourinho e tudo mais –
para Piratininga.
Descontentes com a
mudança, os Guaianases se deslocaram para a região do rio Tietê, formaram a
aldeia de Ururaí, onde Anchieta, com ajuda dos índios, ergueu uma capela
dedicada a São Miguel Arcanjo. A capela não resistiu por muito tempo; mas em
1622 outra foi construída em taipa de pilão. Ela ficou conhecida como “capela
dos índios”. A igrejinha resistiu à ação do tempo e dos humanos. O piso, as
janelas e a pia batismal são originais. Em 1974 foi tombada pelo Conselho de
Defesa do Patrimônio Histórico e, em 1991, pelo COMPRESP. Em 2009 com apoio do
BNDS, a capela passou por restauro, quando se revelaram e foram recuperados
diversos elementos artísticos ocultos ou deteriorados pelo tempo – como pinturas murais feitas
em taipa de pilão, atrás dos altares laterais da nave principal; também foram implantados um programa de educação patrimonial e um
circuito de visitação, sem esquecer do entorno que também recebeu melhorias.
A Capela de São Miguel Arcanjo
pode ser visitada às quintas-feiras e aos domingos. O trem (linha 12 Safira –
Brás – Calmon Viana) é a melhor opção para chegar a São Miguel Paulista, pois a
estação fica perto da Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, mais conhecida como
praça do Forró.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
CAPELA DO MORUMBI
Situada na Zona Oeste da
cidade, a Capela do Morumbi tem uma história bem interessante e, para começo de
conversa, não há indícios de que tenha sido uma capela e o que se vê hoje é uma
reconstrução de ruínas encontradas na área da antiga Fazenda do Morumby, que
teve vários proprietários. Um deles foi Rudge Ramos, um inglês que chegou ao
Brasil junto com a Família Real em 1808. Ele adquiriu a fazenda para o cultivo
do chá, bebida muito apreciada pelo Regente D. João.
O loteamento da área ainda
rural ocorreu na década de 1940 pela Companhia Imobiliária Morumby, onde a sede
da fazenda e as ruínas não identificadas numa elevação do terreno,
ambas em taipa de pilão, ainda resistiam.
As ruínas se tornaram um
quebra-cabeça para a imobiliária, pois havia muitas interpretações sobre
suas origens, que variavam de uma capela dedicada a São Sebastião dos Escravos
até uma capela do cemitério particular da fazenda. Que tal valorizar a
área? A empresa contratou o arquiteto modernista Gregori Warchavchik (1896
–1972) para fazer a reconstrução das ruínas e ele optou por
usar os remanescentes da construção de taipa de pilão para fazer uma capela, que
completou com alvenaria de tijolos. Warchavchik convidou a pintora
Lúcia Suanê (1922-2020) para fazer um afresco nas paredes do que seria o
batistério.
Em 1975, a Cia. Imobiliária
Morumby transferiu para a Prefeitura de São Paulo os terrenos remanescentes do
loteamento e a Capela do Morumbi que, depois de passar por algumas obras, foi
aberta à visitação em 1980.
A sede da Fazenda e a Capela foram tombadas pelo CONPRESP
em 2005. A capela, que faz parte do acervo do Museu da Cidade de São Paulo, destina-se
a exposições de arte contemporânea; enquanto a casa, uma propriedade particular,
é usada para eventos sociais e corporativos.
Capela do Morumbi - Avenida Morumbi, 5.537. Visitas de terça-feira
a domingo, das 9 às 17 horas. Não tem estacionamento. O acesso é por escadas.
Casa da Fazenda: Avenida Morumbi, 5594. Propriedade
privada.
Linha 4 Amarela do Metro. Estação Butantã. Ônibus: Água Espraiada.
A cena do batismo de Cristo idealizada por Lúcia Suanê, artista pernambucana.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
CASA DO BANDEIRANTE
O
loteamento do Butantã teve início na década de 1930, quando a paisagem começou
a mudar e o rio Pinheiros a perder suas curvas. Em meio a essa voracidade
urbanística, houve uma resistência: a “casa velha” do Butantã manteve-se.
Construída em taipa de pilão no século dezessete próximo à bacia dos rios Tietê
e Pinheiros, fez parte de uma grande propriedade denominada Uvatata – “terra
dura” em Tupi, pertencente a Alfonso Sardinha, que a deixou de herança para os
jesuítas. Com a expulsão dos padres do Brasil em 1759 por determinação do
Marquês de Pombal, a área foi a leilão. Desde essa época teve vários
proprietários até 1875, quando foi comprada por Eugênio Vieira de Medeiros que
a vendeu em 1912 à Cia City que doou o imóvel ao município em 1944 ao fazer o
loteamento do Butantã. A escritura só foi lavrada em 1950. A casa, entretanto, continuou
abandonada. Em 1953 ela já estava em péssimas condições e ocupada por diversas
famílias,
Digamos
que ela foi salva por causa da aproximação do Quarto Centenário da Cidade de
São Paulo. Guilherme de Almeida, que assumiu a presidência da segunda fase da Comissão
dos Festejos, ciente da importância da Casa Velha do Butantã, foi quem se
empenhou na restauração do imóvel. Ele teve o apoio de Luís Saia (1911-1975), responsável
pela Delegacia do Patrimônio Histórico e Nacional, e Paulo Florençano (1913-1988),
que teve papel importante na definição do uso da casa, que foi aberta em
outubro de 1955 como museu referente à época das bandeiras.
Em
setenta anos a região mudou muito como se pode observar pelas fotos antigas. Casa
do Butantã fica na Praça Monteiro Lobato, um lugar muito agradável, tão arborizada
que mais parece um parque e nem sinto o calor do meio-dia. Ah! Logo encontro um
espaço com alguns brinquedos. Há bancos onde um grupo de jovens conversa
enquanto faz um lanche. O barulho do trânsito pesado da Marginal Pinheiros não impede
que se ouçam os passarinhos. Um diferencial é o moinho...
Na
casa há uma exposição sobre o trabalho do botânico e horticultor suíço Alfred Usteri
(1869-1948), que após obter o doutorado imigrou para o Brasil em 1905. Em São Paulo
foi professor de Botânica Geral e Descritiva do curso de Engenharia Agrícola da
Escola Politécnica, onde estudou a flora dos arredores da cidade, identificando
cerca de 800 espécies. Em 1911 publicou em alemão um livro descrevendo as
formações vegetais da cidade e em 1919 fez um Guia Botânico do Jardim da Luz e
da Praça da República. Retornou à Suíça em 1920. Graças à mostra soube do Parque
Ecológico Campo de Cerrado Dr. Alfred Usteri, na Jaguaré, destinado à pesquisa
e fechado ao público. (16/12/2025)
FONTE: Guia da Casa do Bandeirante. Ensaio de
recomposição do ambiente rural doméstico paulista de primórdios do século
XVIII. Prefeitura do Município de São Paulo, Secretaria de Educação e Cultura
(Coleção da Casa Guilherme de Almeida).
https://www.museudacidade.prefeitura.sp.gov.br/
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
CASA BANDEIRISTA
O Itaim tem origem rural como quase todos os bairros
paulistanos. O nome é de origem Tupi e significa pedrinha. A ocupação da área ocorreu
no século dezessete, mas a data é desconhecida; o loteamento, entretanto,
começou nos anos de 1930. No processo de urbanização sobrou a casa seiscentista,
encravada numa das áreas mais valorizadas da cidade, a Avenida Brigadeiro Faria
Lima. Encontra-se abrigada à sombra do Edifício Pátio Victor Malzoni (projeto
de Bottu Rubin Arquitetos), no meio de um jardim.
Hora de almoço. Calor de 34 graus. Um movimento intenso
de pessoas que se dirigem aos restaurantes e lanchonetes do entorno e passam indiferentes
pela casa que faz parte do seu cotidiano. Observo a paisagem – o antigo e o moderno,
o viver penoso dos primeiros paulistas e as facilidades dos dias que vivemos. A
casa rústica e os majestosos prédios de vidro que dispõem de todo conforto...
Na verdade, ela também é o resultado do esforço das equipes do DPH e o
CONDEPHAAT, com acompanhamento do Ministério Público, para evitar seu
desaparecimento. Tombada em 1982, ela foi praticamente reconstruída a partir
das ruinas e com base em trabalhos de pesquisa para que se conseguisse o
resultado almejado.
Em 1896, o general José Vieira Couto de Magalhães, herói
da Guerra do Paraguai e último presidente da Província de São Paulo, comprou o Sítio
do Itaim que mais tarde vendeu para o irmão mais novo, Leopoldo ou Bibi, como
era conhecido. Explicada, pois, a origem do Bibi no nome do bairro. Arnaldo Couto de Magalhães, filho de
Bibi, foi quem fez o
loteamento da propriedade dando origem ao Itaim Bibi. A Casa Bandeirista foi
sede do sítio e tombada em 1982.
Em 2008, a incorporadora Company / Brookfield assumiu a propriedade da casa, situada no meio do terreno de 19.366,00 m² e modificou o projeto original do centro comercial, criando o vão central de 44m e 30m de altura, que possibilita a visão livre da casa de taipa a partir da Avenida Faria Lima.
Endereço: Avenida Faria Lima, 3.477.
Para conhecer detalhes do restauro da Casa do Itaim ver:
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
CASA DO SERTANISTA
O distrito do Butantã tem cerca de dezesseis
bairros e um deles é o Caxingui onde se encontra a Casa do Sertanista Casa do
Sertanista em meio a uma ampla praça arborizada. A construção do século XVII em
taipa de pilão, telhado de quatro águas, cômodos interligados à sala e alpendre
nos fundos – as características das casas bandeiristas de acordo com os
pesquisadores. Um detalhe importante é a proximidade da margem direita do
córrego Pirajuçara, o que permitia a locomoção fluvial dos moradores.
Não há registro dos primeiros proprietários, porém,
o mais antigo de quem se tem informação foi Belchior de Pontes. No final do
século dezenove, o sítio pertencia à família Beu, que o vendeu à família
Penteado de quem a Companhia City de Melhoramentos comprou. Em 1958 a City doou
o imóvel para a Prefeitura de São Paulo, que em 1966 providenciou o restauro da
casa. O tombamento aconteceu em 1983, pelo CONDEPHAAT
e em 1991 pelo CONPRESP.
A Casa teve vários usos. Em 1970 abrigou o Museu Sertanista dedicado à cultura indígena, mas fechou em 1987 para obras de restauro, reabrindo em 1989 como Núcleo de Cultura Indígena, que também durou pouco, pois em 2007 reabriu como Museu do Folclore Rossini Tavares de Lima, até 2007. Após mais uma obra de restauro, a Casa do Sertanista foi incluída no acervo do Museu da Cidade tornando-se um espaço de Educação Patrimonial e história da cidade de São Paulo.
CASA DO SERTANISTA – Praça Ênio Barbato,
Caxingui, Zona Oeste.
Linha 4 Amarela, Estação Morumbi. Funciona de
terça-feira a domingo das 9h às 17h.









































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