domingo, 18 de janeiro de 2026

JORNADA BANDEIRISTA (EDITADO)

Foi ao visitar a Casa do Tatuapé que me ocorreu que seria interessante ir às casas bandeiristas que sobraram – já conhecia o Sítio da Ressaca, no Jabaquara, onde fui há alguns anos. Assim, procurei os endereços e depois do almoço embarcava rumo a uma delas. É importante registrar que Mário de Andrade (1893-1945) teve um papel decisivo na preservação das casas bandeiristas, pois foi ele quem redigiu em 1936 o anteprojeto para a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) a convite do ministro de Educação e Saúde Gustavo Capanema. Quando o SPHAN foi criado um ano depois, foi delegada a ele a direção da 4ª Região do Serviço, que compreendia São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul*.

Comecei a jornada pela Casa do Bandeirante, no Butantã, um bairro que me é familiar porque trabalhei na USP por alguns anos. Um calor terrível e o verão nem começara. Como sou atrapalhada, custei um pouco a achar a Praça Monteiro Lobato. Se você pede uma informação, as pessoas sacam o telefone para procurar e isso me deixa um tanto frustrada. Há uma placa bem na porta de entrada, mas aí você já achou o que queria. De que adianta? Seria ideal ter uma na Rua Camargo. Enfim, a praça parece um pequeno parque e é fechada. Um lugar muito bonito, arborizado, silencioso e quase deserto. Na casa da administração, que também é branca e simples, o segurança indicou o caminho da “Casa Velha do Butantã”, como Mário de Andrade se referiu a ela.

Detalhe: com a retificação do rio Pinheiros, o imóvel mudou de margem. Se não acredita, basta observar os mapas de 1930 e 2004 em exposição num dos cômodos.

            O Caxingui foi uma surpresa. Acreditava que seria muito longe, mas é um pequeno bairro, pertinho da Avenida Francisco Morato, que fecha um quadrilátero formado pelas avenidas Jorge João Saad, Eliseu de Almeida e Rua Roquete Pinto. Do lado da estação do metrô São Paulo-Morumbi, encontra-se a imensa Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias – Templo Brasil.

            Fui duas vezes à Capela do Morumbi. Na primeira vez, ao pedir informações na estação do Metrô recebi um tratamento de primeira da equipe, o que salvou meu dia, pois a Capela estava fechada até o início de janeiro, e a Avenida Morumbi não é das mais amigáveis para caminhar ou esperar condução.

            Todas as casas visitadas estão bem cuidadas e em áreas bastante arborizadas, têm educadores e fui bem recebida por todos os que encontrei – como disse, minhas visitas aconteceram no horário do almoço. A Casa do Itaim, que está em área privada, é a mais bonita e bem localizada. Apenas a capela fica aberta, pois ela destina-se a exposições ou eventos. A Casa do Tatuapé foi a mais complicada para chegar, porque não é próxima do metrô e no Terminal de ônibus do Tatuapé custei a encontrar um que passasse perto (Jardim Brasil).  Foi uma ótima jornada e o principal foi conhecer um museu que tem muitos endereços e que incentiva as pessoas a se embrenharem pela cidade – tornando-se exploradores da História.

*Pessoas que tiveram papel muito importante na história da preservação das casas bandeiristas, além de Mário de Andrade (1893-1945): Luís Saia (1911-1975), arquiteto, etnógrafo e professor; Paulo Camilher Florençano (1913-1988), fotógrafo e desenhista; e o poeta Guilherme de Almeida (1890-1969), que presidiu a segunda fase da Comissão de Festejos do Quarto Centenário da cidade de São Paulo.

Caxingui: arredores da Casa do Sertanista. 

CURIOSIDADES

Como no sítio do Tatuapé, na Casa do Bandeirante também havia um gato e, por incrível que pareça, igual ao outro. Encontrei outro parecido na Capela do Morumbi. )








ARTE NA RUA
Butantã: artista paulista Catharina Suleiman (1977). Butantã.



sábado, 17 de janeiro de 2026

CAPELA DE SÃO MIGUEL

A segunda mais antiga capela de São Paulo, que também é de taipa de pilão, encontra-se em São Miguel Paulista, Zona Leste. A Vila de Piratininga, fundada em 1554, não se desenvolvia como os jesuítas esperavam, apesar da convivência pacífica entre europeus e indígenas; entretanto, a vila de Santo André da Borda do Campo, mais antiga, ia muito bem. O padre Manoel da Nóbrega intercedeu junto ao governador geral do Brasil e conseguiu a transferência da vila de Santo André – com pelourinho e tudo mais – para Piratininga.

Descontentes com a mudança, os Guaianases se deslocaram para a região do rio Tietê, formaram a aldeia de Ururaí, onde Anchieta, com ajuda dos índios, ergueu uma capela dedicada a São Miguel Arcanjo. A capela não resistiu por muito tempo; mas em 1622 outra foi construída em taipa de pilão. Ela ficou conhecida como “capela dos índios”. A igrejinha resistiu à ação do tempo e dos humanos. O piso, as janelas e a pia batismal são originais. Em 1974 foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e, em 1991, pelo COMPRESP. Em 2009 com apoio do BNDS, a capela passou por restauro, quando se revelaram e foram recuperados diversos elementos artísticos ocultos ou deteriorados pelo tempo – como pinturas murais feitas em taipa de pilão, atrás dos altares laterais da nave principal; também foram implantados um programa de educação patrimonial e um circuito de visitação, sem esquecer do entorno que também recebeu melhorias.

A Capela de São Miguel Arcanjo pode ser visitada às quintas-feiras e aos domingos. O trem (linha 12 Safira – Brás – Calmon Viana) é a melhor opção para chegar a São Miguel Paulista, pois a estação fica perto da Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, mais conhecida como praça do Forró. 

 








Fotos Hilda Araújo. Visita em  23 de maio de 2024.




sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

CAPELA DO MORUMBI

 


Situada na Zona Oeste da cidade, a Capela do Morumbi tem uma história bem interessante e, para começo de conversa, não há indícios de que tenha sido uma capela e o que se vê hoje é uma reconstrução de ruínas encontradas na área da antiga Fazenda do Morumby, que teve vários proprietários. Um deles foi Rudge Ramos, um inglês que chegou ao Brasil junto com a Família Real em 1808. Ele adquiriu a fazenda para o cultivo do chá, bebida muito apreciada pelo Regente D. João.  

O loteamento da área ainda rural ocorreu na década de 1940 pela Companhia Imobiliária Morumby, onde a sede da fazenda e as ruínas não identificadas numa elevação do terreno, ambas em taipa de pilão, ainda resistiam.

As ruínas se tornaram um quebra-cabeça para a imobiliária, pois havia muitas interpretações sobre suas origens, que variavam de uma capela dedicada a São Sebastião dos Escravos até uma capela do cemitério particular da fazenda. Que tal valorizar a área? A empresa contratou o arquiteto modernista Gregori Warchavchik (1896 –1972) para fazer a reconstrução das ruínas e ele optou por usar os remanescentes da construção de taipa de pilão para fazer uma capela, que completou com alvenaria de tijolos.  Warchavchik convidou a pintora Lúcia Suanê (1922-2020) para fazer um afresco nas paredes do que seria o batistério.   

Em 1975, a Cia. Imobiliária Morumby transferiu para a Prefeitura de São Paulo os terrenos remanescentes do loteamento e a Capela do Morumbi que, depois de passar por algumas obras, foi aberta à visitação em 1980. 

            A sede da Fazenda e a Capela foram tombadas pelo CONPRESP em 2005. A capela, que faz parte do acervo do Museu da Cidade de São Paulo, destina-se a exposições de arte contemporânea; enquanto a casa, uma propriedade particular, é usada para eventos sociais e corporativos.

Capela do Morumbi - Avenida Morumbi, 5.537. Visitas de terça-feira a domingo, das 9 às 17 horas. Não tem estacionamento. O acesso é por escadas.

Casa da Fazenda: Avenida Morumbi, 5594. Propriedade privada.

Linha 4 Amarela do Metro. Estação Butantã. Ônibus: Água Espraiada.


A cena do batismo de Cristo idealizada por Lúcia Suanê, artista pernambucana.



quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

CASA DO BANDEIRANTE

 


O loteamento do Butantã teve início na década de 1930, quando a paisagem começou a mudar e o rio Pinheiros a perder suas curvas. Em meio a essa voracidade urbanística, houve uma resistência: a “casa velha” do Butantã manteve-se. Construída em taipa de pilão no século dezessete próximo à bacia dos rios Tietê e Pinheiros, fez parte de uma grande propriedade denominada Uvatata – “terra dura” em Tupi, pertencente a Alfonso Sardinha, que a deixou de herança para os jesuítas. Com a expulsão dos padres do Brasil em 1759 por determinação do Marquês de Pombal, a área foi a leilão. Desde essa época teve vários proprietários até 1875, quando foi comprada por Eugênio Vieira de Medeiros que a vendeu em 1912 à Cia City que doou o imóvel ao município em 1944 ao fazer o loteamento do Butantã. A escritura só foi lavrada em 1950. A casa, entretanto, continuou abandonada. Em 1953 ela já estava em péssimas condições e ocupada por diversas famílias,

Digamos que ela foi salva por causa da aproximação do Quarto Centenário da Cidade de São Paulo. Guilherme de Almeida, que assumiu a presidência da segunda fase da Comissão dos Festejos, ciente da importância da Casa Velha do Butantã, foi quem se empenhou na restauração do imóvel. Ele teve o apoio de Luís Saia (1911-1975), responsável pela Delegacia do Patrimônio Histórico e Nacional, e Paulo Florençano (1913-1988), que teve papel importante na definição do uso da casa, que foi aberta em outubro de 1955 como museu referente à época das bandeiras.

Em setenta anos a região mudou muito como se pode observar pelas fotos antigas. Casa do Butantã fica na Praça Monteiro Lobato, um lugar muito agradável, tão arborizada que mais parece um parque e nem sinto o calor do meio-dia. Ah! Logo encontro um espaço com alguns brinquedos. Há bancos onde um grupo de jovens conversa enquanto faz um lanche. O barulho do trânsito pesado da Marginal Pinheiros não impede que se ouçam os passarinhos. Um diferencial é o moinho...




Na casa há uma exposição sobre o trabalho do botânico e horticultor suíço Alfred Usteri (1869-1948), que após obter o doutorado imigrou para o Brasil em 1905. Em São Paulo foi professor de Botânica Geral e Descritiva do curso de Engenharia Agrícola da Escola Politécnica, onde estudou a flora dos arredores da cidade, identificando cerca de 800 espécies. Em 1911 publicou em alemão um livro descrevendo as formações vegetais da cidade e em 1919 fez um Guia Botânico do Jardim da Luz e da Praça da República. Retornou à Suíça em 1920. Graças à mostra soube do Parque Ecológico Campo de Cerrado Dr. Alfred Usteri, na Jaguaré, destinado à pesquisa e fechado ao público.  (16/12/2025)


FOTOS: Hilda Araújo.

Praça Monteiro Lobato, Butantã. 
Estação Butantã, Linha 4 Amarela do Metrô. Terminal de ônibus: linhas 8082, 8083/8084 e 8085. Ultimo ponto da Avenida Afrânio Peixoto (antes da Cidade Universitária - USP).  

FONTE: Guia da Casa do Bandeirante. Ensaio de recomposição do ambiente rural doméstico paulista de primórdios do século XVIII. Prefeitura do Município de São Paulo, Secretaria de Educação e Cultura (Coleção da Casa Guilherme de Almeida).

https://www.museudacidade.prefeitura.sp.gov.br/

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

CASA BANDEIRISTA

 

Um cenário bucólico...

O Itaim tem origem rural como quase todos os bairros paulistanos. O nome é de origem Tupi e significa pedrinha. A ocupação da área ocorreu no século dezessete, mas a data é desconhecida; o loteamento, entretanto, começou nos anos de 1930. No processo de urbanização sobrou a casa seiscentista, encravada numa das áreas mais valorizadas da cidade, a Avenida Brigadeiro Faria Lima. Encontra-se abrigada à sombra do Edifício Pátio Victor Malzoni (projeto de Bottu Rubin Arquitetos), no meio de um jardim.

            Hora de almoço. Calor de 34 graus. Um movimento intenso de pessoas que se dirigem aos restaurantes e lanchonetes do entorno e passam indiferentes pela casa que faz parte do seu cotidiano. Observo a paisagem – o antigo e o moderno, o viver penoso dos primeiros paulistas e as facilidades dos dias que vivemos. A casa rústica e os majestosos prédios de vidro que dispõem de todo conforto... Na verdade, ela também é o resultado do esforço das equipes do DPH e o CONDEPHAAT, com acompanhamento do Ministério Público, para evitar seu desaparecimento. Tombada em 1982, ela foi praticamente reconstruída a partir das ruinas e com base em trabalhos de pesquisa para que se conseguisse o resultado almejado.

            Em 1896, o general José Vieira Couto de Magalhães, herói da Guerra do Paraguai e último presidente da Província de São Paulo, comprou o Sítio do Itaim que mais tarde vendeu para o irmão mais novo, Leopoldo ou Bibi, como era conhecido. Explicada, pois, a origem do Bibi no nome do bairro. Arnaldo Couto de Magalhães, filho de Bibi, foi quem fez o loteamento da propriedade dando origem ao Itaim Bibi. A Casa Bandeirista foi sede do sítio e tombada em 1982.

    Em 2008, a incorporadora Company / Brookfield assumiu a propriedade da casa, situada no meio do terreno de 19.366,00 m² e modificou o projeto original do centro comercial, criando o vão central de 44m e 30m de altura, que possibilita a visão livre da casa de taipa a partir da Avenida Faria Lima. 

Endereço: Avenida Faria Lima, 3.477. 



A Casa e o vão do edifício Malzoni.

A capela: parede de taipa do altar.

     Para conhecer detalhes do restauro da Casa do Itaim ver:
 https://revistarestauro.com.br/resgatar-das-ruinas-a-casa-bandeirista-do-itaim-bibi/ 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

CASA DO SERTANISTA

O distrito do Butantã tem cerca de dezesseis bairros e um deles é o Caxingui onde se encontra a Casa do Sertanista Casa do Sertanista em meio a uma ampla praça arborizada. A construção do século XVII em taipa de pilão, telhado de quatro águas, cômodos interligados à sala e alpendre nos fundos – as características das casas bandeiristas de acordo com os pesquisadores. Um detalhe importante é a proximidade da margem direita do córrego Pirajuçara, o que permitia a locomoção fluvial dos moradores.

Não há registro dos primeiros proprietários, porém, o mais antigo de quem se tem informação foi Belchior de Pontes. No final do século dezenove, o sítio pertencia à família Beu, que o vendeu à família Penteado de quem a Companhia City de Melhoramentos comprou. Em 1958 a City doou o imóvel para a Prefeitura de São Paulo, que em 1966 providenciou o restauro da casa. O tombamento aconteceu em 1983, pelo CONDEPHAAT e em 1991 pelo CONPRESP. 

A Casa teve vários usos. Em 1970 abrigou o Museu Sertanista dedicado à cultura indígena, mas fechou em 1987 para obras de restauro, reabrindo em 1989 como Núcleo de Cultura Indígena, que também durou pouco, pois em 2007 reabriu como Museu do Folclore Rossini Tavares de Lima, até 2007. Após mais uma obra de restauro, a Casa do Sertanista foi incluída no acervo do Museu da Cidade tornando-se um espaço de Educação Patrimonial e história da cidade de São Paulo.

CASA DO SERTANISTA – Praça Ênio Barbato, Caxingui, Zona Oeste.

Linha 4 Amarela, Estação Morumbi. Funciona de terça-feira a domingo das 9h às 17h. 








Praça Dr. Ênio Barbato, s/nº, Caxingui. Linha 4 Amarela, Estação Morumbi. 





domingo, 11 de janeiro de 2026

SÍTIO DA RESSACA

 

Não se engane caro leitor, pois não se trata de um local para cura do mal-estar causado por uma noite de muitos brindes a Baco, mas de uma casa de taipa de pilão construída, provavelmente em 1719 (século XVIII), no antigo caminho de Santo Amaro. O nome tem origem em um córrego conhecido por vários nomes (o que devia ser bem complicado) – Fagundes, Barreiro ou Ressaca. O bairro é Jabaquara, Zona Sul da cidade.

            A Casa do Sítio da Ressaca tem seis cômodos, incluindo o alpendre não centralizado na fachada principal, e telhado de duas águas. As portas e janelas são de canela preta. Presume-se que a casa tenha sido construída em 1719 porque este é o ano que está inscrito no batente da porta principal; as telhas da casa também têm o ano de fabricação (1713, 1714 e 1715), mas podem ter sido colocadas em ocasiões de consertos. O primeiro proprietário foi o Sargento Mor Lopes de Medeiros e o último,  Antônio Cantarella, que transformou o sítio em chácara e também foi o responsável pelo loteamento da propriedade em 1969. (Ver o quadro.) Na mesma época, o metrô chegava à região e para a instalação do pátio de manobras mais de um terço da área foi desapropriada.

Foi Mário de Andrade (1893-1945), quando dirigiu a delegacia do IPHAN em São Paulo entre 1937 e 1945, quem providenciou a documentação do Sítio da Ressaca para o reconhecimento do valor histórico. Luís Saia (1911-1975), arquiteto e etnógrafo, assistente de Mário de Andrade, foi quem deu entrada no CONDEPHAAT do processo de tombamento do Sítio, o que aconteceu em 1972 e logo em seguida, ele recomentou o restauro do imóvel e da área do entorno. 

Atualmente, no Sítio da Ressaca funciona o Centro Cultural do Jabaquara, num prédio moderno onde está a Biblioteca Municipal Paulo Duarte, que completou 45 anos em julho passado. A biblioteca mantém documentação sobre o bairro do Jabaquara e conta com o Centro de Documentação do Idosos que dispõe de livros, artigos de jornais e revistas; há também um acervo temático sobre cultura afro-brasileira.

Fonte: Museu da Cidade de São Paulo.

O Sítio da Ressaca funciona de terça a domingo das 9h às 17h. Visitas de grupos devem ser agendadas: educativomuseudacidade@gmail.com






Fotos: 18 dezembro de 2025.

Linha Azul, Estação Jabaquara do Metrô.

Rua Nadra Raffoul Mokodsi, 3. Cerca de dez minutos a pé.




sábado, 10 de janeiro de 2026

TAIPA E PAU A PIQUE

A cidade de São Paulo comemora 472 anos no próximo dia 25 de janeiro. Nessa data os padres jesuítas Manuel da Nóbrega, Manoel de Paiva e José de Anchieta instalaram o Colégio nos Campos de Piratininga, com apoio do cacique tupiniquim Tibiriçá que, no batismo, recebeu o nome de Martim Afonso – homenagem ao fundador da primeira cidade brasileira, São Vicente (SP).

Em vez de repetir a história desta cidade que se expande cada vez mais, preferi escrever sobre o modo como os primeiros moradores se estabeleceram, pois não faltou dificuldade. E uma delas foi a construção das moradias.

Em dezembro passado visitei as casas de taipa de pilão e de mão do século XVII, XVIII e XIX que ainda restam na cidade de São Paulo e fazem parte do acervo do Museu da Cidade de São Paulo. O acervo consta da Casa do Tatuapé, Casa do Bandeirante, Casa do Sertanista, Casa do Grito, Sítio da Ressaca e Sítio Morrinhos (fechado); além da Capela do Morumbi. A Casa do Itaim e a Capela dos Índios em São Miguel, que visitei em 2024, não fazem parte do Museu da Cidade, mas são tombadas.

Engana-se quem imagina que num país tropical construir à base de barro seja uma temeridade por causa das chuvas torrenciais. Esses imóveis são um testemunho das primeiras construções feitas em São Paulo. A taipa de pilão é uma técnica bastante simples. Primeiro faz-se uma armação de madeira, com caibros ou estacas, e depois preenche-se a estrutura com barro amassado para fazer as paredes. Essa foi a técnica usada na construção do colégio de Piratininga. O pau a pique ou taipa de mão é mais utilizado nas paredes internas. A estrutura é de madeira roliça, disposta vertical e horizontalmente, amarrada com cipó ou cravo e depois preenchida com barro socado.

Essa prática tem origem milenar – embora os estudiosos não tenham uma data definida, acredita-se que tenha surgido em torno de 7.000 e 12.000 anos a.C. A Grande Muralha da China, por exemplo, foi construída em taipa e posteriormente revestida com alvenaria de pedra; a Pirâmide do Sul, no México, tem um núcleo de dois milhões de metros cúbicos de terra compactada. 

Foi uma ótima experiência percorrer de ônibus e metrô de Norte a Sul e de Leste a Oeste esta cidade para visitar estes sítios históricos. Muitas vezes tive que procurar ajuda de motoristas e pessoas que encontrei no caminho. O mais surpreendente é que as casas ficam em locais bastante próximos de avenidas importantes e de estações de metrô. O ingresso é livre. Há educadores para contar a história e explicar as técnicas. Aproveite o verão e as férias para conhecer esse patrimônio da cidade de São Paulo. 

Amanhã, Jabaquara.

Parede de taipa de pilão de uma das casas bandeirantista.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

FIM DE FESTAS

Ontem trabalhadores ainda faziam a remoção dos enfeites natalinos.
Na esquina da Rua Barão de Itapetininga com Praça Ramos de Azevedo, Papai Noel e os pinguins esperavam por transporte. 

 

domingo, 4 de janeiro de 2026

POR AQUI, POR ALI...

Em 2025 expandi minhas caminhadas para outras regiões da cidade, sem abandonar o Centro Histórico. 

 Parque Ecológico Profª Lydia Natalízio Diogo, na Vila Zelina. 

Catedral de Santo Amaro. Janeiro.


Estrada Santa Inês: a realidade e a fantasia. 


Higienópolis: Casa Piauí, residência do presidente Rodrigues Alves.

Emigrantes, obra de Segall: Parque Buenos Aires.


As casinhas do Tatuapé. 


Paz e tranquilidade: Caxingui. 

Parque Municipal do Tatuapé “Sampaio Moreira”.


Excursão pelo Minhocão, viaduto João Goulart. 


sábado, 3 de janeiro de 2026

ZIRALDO


"Dez anos de PASQUIM - Almanaque do Ziraldo". Julho de 1979, Editora CODECRI, Editores Jaguar e Ziraldo; Editor Itinerante, Ivan Lessa.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

QUEBRA-CABEÇA

Nessa selva de concreto, um quebra-cabeça: que tal encontrar os prédios da Secretaria da Fazenda do Estado, a antiga sede do Jornal O Estado de S. Paulo, o Edifício Matarazzo (Prefeitura), Catedral da Sé, o prédio da Justiça Federal, Edifício Viadutos, mural da Tomie Ohtake (um pedacinho) e Palácio Anchieta (Câmara). Foto: 2020.



quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

PARQUE "SAMPAIO MOREIRA"

 

No penúltimo dia de 2025, quarta-feira passada, fui ao Parque Municipal do Tatuapé “Sampaio Moreira”, situado na quadra entre as Ruas Monte Serrat, Apucarana, Tijuco Preto e Mello Freire. Pequeno, mas muito bem aproveitado e cuidado. Além de uma agradável área verde e quadras esportivas, aparelhos para atividades físicas, no parque funcionam uma unidade do Centro Municipal de Educação Infantil (CEMEI – que atende crianças até cinco anos e onze meses; o Centro de Educação Unificado “Maria Carolina de Jesus”, que oferece atividades para todas as idades; e um posto do Centro de Integração de Educação e Saúde, entidade sem fins lucrativos de atendimento médico especializado – consultas, exames e cirurgias – para populações vulneráveis e usuários do SUS.

            A Prefeitura pouco informa sobre a área, que fica a uma quadra da estação Carrão do metrô. O nome do parque é uma homenagem ao empresário José de Sampaio Moreira (1866-1943), que construiu o primeiro arranha-céu de São Paulo (treze pavimentos, mais porão e terraço) na Rua Líbero Badaró, 346 (Centro Histórico), na década de 1920. O arquiteto foi Christiano Stoclker.

            No Parque funciona também o Grupo MADA – Mulheres que Amam Demais Anônimas, que ajuda mulheres que desejam evitar relacionamentos destrutivos. A entidade desenvolve um programa de doze passos e doze tradições de Alcóolicos Anônimos . 

https://grupomadabrasil.com.br/






Parque Sampaio Moreira: Rua Monte Serrat, 230. Estação Carrão do Metrô, linha 3 Vermelha.