Foi
Mário de Andrade quem criou a primeira biblioteca pública Infantil da cidade,
que atualmente se chama “Monteiro Lobato”. Ela foi inaugurada em 14 de abril de
1936, quando era diretor do Departamento Municipal de Cultura, como parte de um
amplo plano de incentivo à cultura. É a
mais antiga biblioteca infantil em funcionamento no Brasil e foi a precursora de
outras criadas no município.
E
aqui entra um personagem importante nessa história: a bibliotecária Lenyra
Camargo Fraccaroli (1906-1991), que dirigiu a Biblioteca Monteiro Lobato desde
a criação até 1960, sempre incentivando e supervisionando a construção de
outras bibliotecas em diversos bairros de São Paulo, em várias cidades
paulistas e de outros Estados. O convite de Mário de Andrade foi baseado na
experiência dela na direção da Biblioteca Infantil da escola primaria anexa à
Escola Normal Caetano de Campos. Em
1991, a Prefeitura deu o nome dela para a Biblioteca Infantil da Vila
Manchester, na Vila Carrão, fundada em 1956.
A primeira sede da Biblioteca
Infanto-Juvenil Monteiro Lobato foi em uma casa da Rua Major Sertório, onde
além dos livros havia várias atividades para atrair as crianças – como coleções
de selos (filatelia) e moedas antigas (numismática), salas de jogos e de
revistas, e para sessões de cinema falado. As crianças também elaboravam um
jornal “A Voz da Infância”, que foi feito de 1936 até 1948. Monteiro Lobato
costumava frequentar a biblioteca e contar histórias para as crianças (Que
privilégio!). Nesse espaço criou-se uma sessão em braile, que atualmente
funciona no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000).
Com o crescimento do público, a biblioteca mudou para a chácara do senador Rodolfo Miranda (1882-1954), na Rua General Jardim, onde foi construído o prédio atual, de linhas modernas e ambientes claros, inaugurado em 24 de dezembro de 1950. O projeto é do arquiteto Hentz Gorham, da Divisão de Arquitetura da Prefeitura. Somente em 1955 Monteiro Lobato tornou-se o patrono da biblioteca, pois ele continuava o autor preferido dos frequentadores. A casa onde o senador viveu, bem em frente à biblioteca, é a sede da Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Ela é também a mantenedora do acervo Monteiro Lobato, com cerca de 4500 itens referente à vida e obra do autor, é basicamente formado por doações da família do escritor.
A
biblioteca Monteiro Lobato tem um encanto especial: além do ambiente colorido, o
visitante encontra pelo caminho Narizinho, Pedrinho, Emília, o Visconde, o
Marquês de Rabicó. Apoiada no parapeito do balcão do primeiro andar, a Cuca
observa os recém-chegados, que ao subir as escadas, são recepcionados por Dona
Benta e Tia Nastácia. Trata-se de bonecos de pano gigantes. No térreo, duas
vitrines reúnem uma coleção de mamulengos, bonecos de pano de mais ou menos
setenta centímetros, que representam personagens históricos e de histórias
infantis. Lá estão também antigas edições dos livros da turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo,
publicados pela Editora Brasiliense, a editora exclusiva dos livros de Monteiro
Lobato e o que me deixou mais feliz foi ver ali todos os livros de Lobato que
ganhei na infância.
Fotos:
Prefeito Fábio da Silva Prado, Mário de Andrade e Lenyra Fraccaroli. Acervos culturais e artísticos da Prefeitura de São Paulo. Fotógrafo desconhecido, 1946.
Endereço da Biblioteca Monteiro Lobato: Rua General Jardim, 485 - Vila Buarque.
Tel.: (11) 3256-4438 e (11) 3256-4122

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