Abril
é um mês azul, mais azul do que os outros meses. Os dias são amenos – nem muito
quentes nem muito frios. Um tempo apropriado para se caminhar sem destino, descobrir
algumas particularidades da cidade. E não sou a única – hoje aguardava o ônibus
para ir ao Centro Histórico quando passou um homem jovem, carregando um saco cheio
de latinhas de alumínio, e num repente, olhou o céu, tirou o boné e falou para
ninguém: “Que dia lindo!”. Lembrei de Vinicius de Moraes...
AS CORES DE ABRIL, de Vinicius de Moraes (1913-1980).
As cores de abril
Os ares de anil
O mundo se abriu em flor
E pássaros mil
Nas flores de abril
Voando e fazendo amor
O canto gentil
De quem bem te viu
Num pranto desolador
Não chora, me ouviu
Que as cores de abril
Não querem saber de dor
Olha quanta beleza
Tudo é pura visão
E a natureza transforma a vida em canção
Sou eu, o poeta, quem diz
Vai e canta, meu irmão,
Ser feliz é viver morto de paixão




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